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Amor

O Eco da Vida em Dobro

O ar de Coruscant parecia mais pesado do que o normal naquela manhã. Tatsuyo estava parada diante da imensa janela de seus aposentos senatoriais, observando o fluxo interminável de naves que cruzavam os céus da capital galáctica. Suas mãos, habitualmente firmes ao segurar relatórios diplomáticos, tremiam levemente sobre o tecido fino de seu vestido de seda esmeralda. Ela não olhava para o tráfego; seus olhos pretos estavam perdidos no horizonte, enquanto sua mente repetia, em um loop infinito, as palavras do droide médico que a visitara em segredo horas antes.

A porta automática deslizou com um chiado suave. Tatsuyo não precisou se virar para saber quem era. A presença dele na Força era como uma tempestade de verão: elétrica, intensa e, para ela, profundamente acolhedora.

Kuro Hatake entrou no quarto com a confiança impetuosa de sempre. Ele acabara de retornar de uma breve incursão na Orla Exterior e ainda vestia suas túnicas de combate, embora tivesse deixado a capa de lado. Seus cabelos brancos estavam mais bagunçados que o comum, e havia um pequeno corte em sua maçã do rosto, mas o sorriso malicioso que ele direcionou a ela era o mesmo que a desarmava desde o primeiro dia.

— Senti o seu cheiro desde o hangar, Tatsuyo — disse ele, aproximando-se com passos largos e silenciosos. — O que houve? Você está mais silenciosa que um mestre Jedi em meditação. E, acredite, eu sei o quanto isso é entediante.

Ele a envolveu pela cintura, puxando-a contra seu peito musculoso. Tatsuyo sentiu o calor emanando do corpo dele, o cheiro de couro e ozônio que sempre a embriagava. Mas, desta vez, ela não relaxou imediatamente.

— Kuro... — murmurou ela, encostando a cabeça no ombro dele. — O droide esteve aqui.

Kuro paralisou. A diversão em seus olhos castanhos deu lugar a uma preocupação aguda. Ele a afastou apenas o suficiente para olhar em seu rosto, suas mãos grandes segurando os ombros dela com uma delicadeza protetora.

— Você está doente? Algum ferimento? Se alguém te tocou, Tatsuyo, eu juro pela Força que...

— Não, não é nada disso — interrompeu ela, esboçando um sorriso fraco que não chegou aos olhos. — Lembra-se da nossa conversa em Naboo? Sobre a "corrida dos guerreiros"?

Kuro piscou, a expressão suavizando por um segundo antes de uma compreensão lenta começar a brilhar em seus olhos. Ele soltou um suspiro longo, a tensão abandonando seus ombros de 1,80m.

— Então... um deles venceu? — perguntou ele, a voz descendo para um sussurro rouco, carregado de uma mistura de pavor e maravilha.

— Não apenas um, Kuro — disse ela, pegando a mão dele e levando-a até o seu ventre, que ainda parecia perfeitamente plano sob a seda. — Dois.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Kuro Hatake, o homem que enfrentara exércitos de droides sem piscar, o Jedi que desafiava o Conselho com um sorriso no rosto, parecia ter esquecido como respirar. Ele olhou para a mão sobre o ventre de Tatsuyo, depois para os olhos pretos dela, e novamente para o ventre.

— Dois? — repetiu ele, a voz falhando. — Você quer dizer... gêmeos?

— Sim — confirmou Tatsuyo, as lágrimas finalmente começando a rolar. — O droide detectou dois batimentos cardíacos. Dois ecos na Força, Kuro.

Kuro soltou um riso nervoso, curto e seco. Ele se afastou um passo, passando a mão pelo cabelo branco repicado, andando de um lado para o outro no espaço confinado do quarto.

— Dois... — ele murmurou para si mesmo. — Pelas estrelas, Tatsuyo, eu mal consigo lidar com a ideia de um segredo, e agora temos dois. Dois bebês. Dois pequenos Hatakes... ou Nakamuras.

Tatsuyo sentou-se na beira da cama, sentindo o peso da realidade esmagar seu peito.

— O que vamos fazer, Kuro? O Senado... a guerra... e o seu Conselho. Se eles descobrirem que você quebrou o Código dessa maneira, e que o resultado são duas crianças... eles vão tirar tudo de você.

Kuro parou de andar e olhou para ela. A malícia habitual desaparecera completamente, substituída por uma determinação feroz que a fez estremecer. Ele se ajoelhou à frente dela, ficando na altura de seus olhos, e pegou suas mãos com força.

— Deixe que tentem — rosnou ele. — Deixe que tentem tirar qualquer coisa de mim agora. Eu não sou mais apenas um peão da República, Tatsuyo. Eu sou um pai.

— Você fala como se fosse simples — disse ela, a voz trêmula. — Estamos no meio de um colapso galáctico. Como vamos esconder uma gravidez de gêmeos? Como vou continuar a representar meu povo enquanto meu corpo muda para abrigar dois seres?

Kuro soltou uma das mãos dela e acariciou seu rosto pardo, o polegar limpando uma lágrima.

— Nós vamos dar um jeito. Sempre damos. Você é a mulher mais inteligente que eu já conheci, e eu... bom, eu sou muito bom em quebrar regras. — Ele deu um sorriso de canto, tentando aliviar a tensão. — Pense bem, Tatsuyo. Dois. Eles vão ter o seu cérebro e a minha beleza. Serão imparáveis.

Tatsuyo soltou uma risada soluçante, batendo levemente no ombro dele.

— Você é um idiota, Kuro Hatake. Um completo idiota.

— Sou o seu idiota — corrigiu ele, puxando-a para um beijo profundo.

Desta vez, o beijo não era carregado apenas de desejo. Havia uma promessa ali, um pacto de sangue e alma. Quando se separaram, Kuro encostou a testa na dela, fechando os olhos.

— Eu sinto — sussurrou ele. — Agora que eu sei... eu consigo sentir. É como se houvesse uma pequena pulsação de luz bem ali. Dois pontos brilhantes.

— Você acha que eles serão como você? — perguntou ela em voz baixa. — Sensíveis à Força?

— Com um pai como eu? — Kuro riu, recuperando um pouco de sua arrogância natural. — Eles provavelmente vão começar a levitar os brinquedos antes mesmo de aprenderem a andar. O que vai ser um pesadelo para a decoração deste quarto, diga-se de passagem.

Tatsuyo sorriu, mas a preocupação logo retornou.

— Temos que ser mais cuidadosos do que nunca. O Mestre Yoda... ele sente as mudanças na Força. Se ele perceber que a sua energia mudou, que você está ligado a outras vidas...

— Eu vou aprender a ocultar — afirmou Kuro com seriedade. — Vou meditar até que minha presença pareça um deserto vazio para eles. Ninguém vai tocar neles, Tatsuyo. Ninguém vai saber até que estejamos seguros.

— E quando estaremos seguros, Kuro? A guerra não tem fim à vista.

Kuro levantou-se, puxando-a consigo. Ele a abraçou por trás, protegendo-a com seu corpo musculoso, enquanto ambos olhavam para a cidade lá fora.

— Se a galáxia não nos der paz, nós construiremos a nossa própria — disse ele. — Nem que eu tenha que derrubar o Senado e o Templo Jedi sozinho.

— Não diga essas coisas — pediu ela, embora sentisse uma ponta de conforto na possessividade dele. — Só... fique comigo. Não me deixe sozinha nisso.

— Nunca — prometeu ele, beijando o pescoço dela. — Eu já era seu desde Naboo. Agora, eu pertenço a eles também. E eu não perco o que é meu.

Tatsuyo fechou os olhos, permitindo-se imaginar, por um breve momento, um futuro onde não houvesse sombras. Onde o cabelo branco de Kuro e a pele parda dela se misturassem em duas crianças correndo pelas gramas verdes de Naboo, longe das intrigas de Coruscant.

— Dois guerreiros — murmurou ela.

— Dois vencedores — corrigiu Kuro, a mão descendo novamente para o ventre dela, sentindo a promessa de uma vida que mudaria o destino da galáxia para sempre.

Naquela noite, o "herói sem medo" da República não dormiu. Ele ficou vigiando o sono de sua esposa, sentindo a Força vibrar com a novidade. Ele sabia que o caminho à frente seria pavimentado com mentiras perigosas, mas, enquanto olhava para Tatsuyo, Kuro Hatake sabia que não havia sacrifício grande demais. O amor que eles não podiam sentir havia se tornado carne e osso. E, em dobro, seria a força que os salvaria ou os destruiria.

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