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Amor

Labirinto de Pele e Promessas

A noite em Hawkins parecia ter parado no tempo. O som abafado de "Time After Time" de Cyndi Lauper tocava baixinho no rádio de pilha no quarto de Kuro, criando uma redoma de som que os isolava do resto do mundo. Os pais de Kuro estavam fora da cidade em uma daquelas viagens de negócios que sempre o deixavam sozinho na casa grande e silenciosa, mas, pela primeira vez, o silêncio não era solitário.

Tatsuyo estava sentada na beira da cama dele, observando os pôsteres de bandas de rock e os esboços de D&D espalhados pela escrivaninha. Ela ainda vestia a jaqueta de skatista, mas seus ombros estavam relaxados. A luz do abajur, coberta por um lenço avermelhado, banhava o quarto com um brilho âmbar, destacando os traços fortes de Kuro enquanto ele fechava a porta e trancava a fechadura com um clique suave.

— Você está muito quieta — observou Kuro, caminhando até ela. Ele tinha tirado a camisa, e a luz das sombras definia os músculos de seu abdômen e a largura de seus ombros. — Se quiser ir para casa, eu te levo. Não quero que se sinta pressionada a nada, Tatsuyo. Nunca.

Tatsuyo levantou os olhos pretos, encontrando a sinceridade nos castanhos dele. Ela se levantou lentamente, deixando a jaqueta escorregar pelos braços e cair no chão. Debaixo dela, a regata branca revelava a pele parda e macia, as curvas delicadas de seu corpo de quinze anos que pareciam, para Kuro, a obra de arte mais perfeita já criada.

— Eu não quero ir embora — sussurrou ela, dando um passo à frente até que seus pés tocassem os dele. — Pela primeira vez na vida, Kuro... eu sinto que não preciso fugir. Eu sinto que pertenço a algum lugar. A alguém.

Kuro sentiu um nó na garganta. Ele estendeu a mão, tocando a pele do pescoço dela, subindo até a trança lateral. Com movimentos lentos e quase reverentes, ele começou a desfazer o penteado.

— Eu sempre achei essa trança linda — disse ele, a voz rouca e baixa —, mas eu queria ver como seu cabelo ficava solto. Como se você não precisasse mais de amarras.

Conforme os fios pretos e levemente ondulados caíam sobre os ombros dela, chegando até a cintura, Kuro soltou um suspiro pesado. Tatsuyo parecia uma divindade antiga, uma força da natureza que ele tinha a sorte de ter por perto. Ela esticou a mão, tocando as cicatrizes leves que ele tinha nos braços, marcas de aventuras passadas na floresta das sombras.

— Você é tão bonito — disse ela, a voz falhando. — E tão bom para mim. Às vezes eu tenho medo de acordar e descobrir que Hawkins é apenas mais um pesadelo e que você não existe.

— Eu sou real, Tatsuyo — respondeu ele, inclinando-se para beijar a testa dela, depois a ponta do nariz e, finalmente, o canto da boca. — E eu não vou a lugar nenhum.

O beijo que se seguiu foi diferente de todos os outros. Não havia a urgência desesperada do pátio da escola ou a brincadeira da pedreira. Havia uma solenidade, uma descoberta mútua. As mãos de Kuro desceram pelas costas dela, sentindo a suavidade da pele, enquanto Tatsuyo se agarrava aos ombros dele, maravilhada com a força que ele emanava.

Ele a guiou de volta para a cama, deitando-a sobre os lençóis escuros. O contraste da pele parda dela contra o tecido era de tirar o fôlego. Kuro se posicionou sobre ela, apoiando o peso nos antebraços para não sufocá-la, seus olhos castanhos devorando cada detalhe do rosto dela.

— Tem certeza? — perguntou ele, a respiração quente contra o rosto dela. — A gente pode parar agora. Podemos só ficar abraçados.

Tatsuyo sorriu, um sorriso que carregava toda a coragem de seus ancestrais e toda a doçura de seu primeiro amor.

— Tenho certeza, Kuro. Eu quero que seja você. Só você.

Com dedos trêmulos, eles começaram a despir o que restava de suas roupas. Cada nova parte revelada era recebida com um toque, um beijo, um murmúrio de admiração. Quando estavam pele contra pele, o calor que emanava de ambos parecia capaz de afastar qualquer frio que o Mundo Invertido pudesse trazer.

Kuro era cuidadoso, tratando-a como se ela fosse feita de algo precioso e frágil, embora soubesse que ela era um dragão. Ele beijou a linha de sua mandíbula, o vale entre seus seios, a curva de seu quadril. Tatsuyo soltava pequenos suspiros, seus dedos cravando-se nas costas dele, descobrindo o relevo de seus músculos.

— Você está bem? — perguntou ele novamente, a preocupação de um protetor nunca deixando seu lado.

— Sim — respondeu ela, puxando-o para um beijo profundo. — Só não pare.

Quando eles finalmente se uniram, o tempo pareceu colapsar. Houve uma pontada de dor, um momento de ajuste, e então uma onda de conexão que ia muito além do físico. Kuro se movia com uma lentidão deliberada, observando as expressões no rosto de Tatsuyo — a forma como ela fechava os olhos, como mordia o lábio inferior, como chamava o nome dele num sussurro quebrado.

Para Tatsuyo, era como se o labirinto de solidão em que ela vivera toda a sua vida tivesse finalmente encontrado uma saída. Cada movimento de Kuro era uma promessa, cada toque era uma afirmação de que ela era vista, valorizada e amada. O bullying, o racismo, a sensação de ser uma "estranha"... tudo isso desapareceu, substituído pela sensação avassaladora de ser um com o garoto de cabelos brancos.

O ritmo deles acelerou naturalmente, uma dança de suor e respirações curtas sob a luz âmbar. Kuro sentia que estava protegendo o tesouro mais valioso do mundo, e Tatsuyo sentia que tinha encontrado seu porto seguro. Quando o clímax chegou, foi como uma explosão de luz atrás das pálpebras, um momento de entrega total onde nada mais importava.

Eles ficaram deitados em silêncio por um longo tempo depois, os corpos entrelaçados, tentando recuperar o fôlego. Kuro puxou o cobertor sobre eles, abraçando Tatsuyo por trás, sua mão descansando protetoramente sobre o ventre dela.

— Eu te amo, Tatsuyo — sussurrou ele contra o cabelo dela. Eram as primeiras vezes que ele dizia aquelas palavras, e elas soavam certas, pesadas de significado.

Tatsuyo virou-se nos braços dele, os olhos brilhando com lágrimas que ela não se importava em esconder.

— Eu também te amo, Kuro. Obrigada por me ver. De verdade.

— Eu sempre vou te ver — prometeu ele, beijando a ponta do nariz dela. — E amanhã, na escola, se o Troy ou qualquer outro idiota olhar torto para você, lembre-se deste momento. Lembre-se de que você é um dragão e que você tem um cavaleiro idiota de cabelo branco que daria a vida por você.

Tatsuyo riu baixinho, aninhando-se no peito dele.

— Você não é idiota. É apenas um pouco tarado.

— Exatamente — concordou ele, sorrindo contra a pele dela. — Mas sou o seu tarado.

Eles acabaram pegando no sono assim, protegidos pelas paredes do quarto de Kuro, alheios ao fato de que, lá fora, as sombras de Hawkins continuavam a se mover. Mas, naquela noite, o fogo do dragão e a luz do cavaleiro eram fortes o suficiente para manter qualquer escuridão à distância. Eles eram jovens, eram apaixonados e, pela primeira vez, eram inteiros.

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