AMOR APESAR DE TUDO
Sinfonia de Possessão e Pecado
A luz pálida da manhã filtrava-se pelas cortinas de veludo pesado, banhando o quarto de Jack em tons de âmbar e cinza. Kyo acordou sentindo o peso reconfortante do braço dele sobre sua cintura, uma âncora de carne e osculo que a prendia à realidade de sua nova vida. Ela se moveu levemente, sentindo o atrito da seda contra sua pele ainda sensível da noite anterior.
Jack não estava dormindo. Seus olhos, que pareciam carregar a sabedoria de décadas em um rosto que desafiava o tempo, estavam fixos nela. Ele estendeu a mão, afastando uma mecha de cabelo do rosto de Kyo com uma delicadeza que contrastava violentamente com a brutalidade com que ele comandava seus negócios.
— Você tem um brilho diferente pela manhã — observou ele, a voz rouca pelo sono e pelo desejo remanescente.
— É o brilho de quem sobreviveu ao maior mafioso do mundo — brincou Kyo, embora houvesse uma nota de verdade em suas palavras.
Jack sorriu, um gesto raro que transformava sua expressão severa em algo quase angelical, se não fosse pelo fogo predatório que nunca deixava suas pupilas. Ele se inclinou, beijando o ombro dela, antes de descer os lábios pelo pescoço, encontrando o pulso acelerado de Kyo.
— Sobreviver não é o suficiente, Kyo. Eu quero que você prospere. Quero que o mundo saiba que você é a única coisa que eu valorizo mais do que meu império.
Ele a puxou para cima de si, e Kyo sentiu a rigidez do corpo dele contra o seu. A diferença de idade, que no papel parecia um abismo, na prática era uma ponte. A experiência de Jack não era apenas sobre poder e dinheiro; era sobre saber exatamente como tocar uma mulher para fazê-la desmoronar.
— Mostre-me então — desafiou ela, seus dedos se perdendo nos cabelos escuros dele. — Mostre-me que eu sou mais do que um contrato.
Jack não precisou de outro convite. Ele a virou na cama com um movimento fluido, prendendo os pulsos de Kyo acima da cabeça dela com apenas uma das mãos. O contraste entre a pele alva e delicada dela e os dedos fortes e calejados dele era uma imagem de pura luxúria.
— Você é meu vício mais caro, Kyo — sussurrou ele, antes de devorar seus lábios.
O beijo era possessivo, uma reivindicação de território. Jack explorava cada centímetro do corpo de Kyo com uma fome que parecia insaciável. Suas mãos desciam pelas curvas dela, apertando seus quadris com uma força que deixaria marcas, mas Kyo só conseguia arquear as costas, implorando por mais.
Ele desceu o corpo, seus lábios traçando o caminho entre os seios dela até o ventre liso. Quando Jack se posicionou entre as pernas dela, Kyo soltou um suspiro trêmulo. Ele a olhou nos olhos, mantendo o contato visual enquanto a abria com os dedos, preparando-a para a invasão que viria.
— Olhe para mim — ordenou ele. — Quero ver o momento em que você se perde.
Jack a penetrou lentamente, cada centímetro sendo uma tortura deliciosa. Kyo gemeu, seu corpo se ajustando à plenitude dele. Ele começou a se mover com um ritmo deliberado, uma cadência que visava o prazer máximo dela antes do dele. A cada estocada, o mundo lá fora — a máfia, as guerras por território, a fortuna — desaparecia. Só existia o calor, o som das respirações entrecortadas e a conexão elétrica entre eles.
— Jack... por favor... — implorou ela, as unhas cravando-se nos braços dele.
— Diga meu nome de novo — rosnou ele, aumentando a velocidade. — Diga a quem você pertence.
— Eu sou sua... toda sua! — gritou Kyo, quando o ápice a atingiu como uma onda avassaladora, fazendo seu corpo tremer violentamente nos braços do homem que ela deveria odiar, mas que agora era seu universo.
Depois, enquanto o suor secava em seus corpos, o silêncio retornou, mas era um silêncio carregado de uma nova cumplicidade. Jack levantou-se, caminhando nu até a janela, sua silhueta impecável contra a luz. Ele parecia um deus antigo esculpido em mármore, imune ao tempo.
— Hoje temos um jantar — disse ele, sem se virar. — Os chefes das cinco famílias estarão lá. Eles esperam ver uma menina assustada.
Kyo sentou-se na cama, puxando o lençol para cobrir os seios, embora não houvesse mais modéstia entre eles.
— E o que eles vão ver? — perguntou ela, com um brilho de desafio nos olhos.
Jack virou-se, um meio sorriso brincando em seus lábios.
— Eles vão ver a mulher que me doma. Eles vão ver que o homem que eles temem se ajoelha diante de você.
— Você nunca se ajoelha, Jack — retrucou ela.
— No quarto, Kyo, eu sou seu servo — disse ele, aproximando-se da cama e pegando a mão dela para beijar os nós dos dedos. — Mas diante deles, você será minha força. Use as joias que deixei no closet. Quero que você brilhe tanto que eles não consigam olhar diretamente para você.
Horas mais tarde, Kyo estava diante do espelho. O vestido de seda negra abraçava suas curvas como uma segunda pele, com um decote profundo nas costas que terminava logo acima do início de suas nádegas. O colar de diamantes em seu pescoço valia mais do que a vida de muitos dos homens que estariam naquela sala. Ela não era mais a menina de dezoito anos que fora entregue como um tributo. Ela era a esposa de Jack.
A porta se abriu e Jack entrou, impecável em um terno sob medida que acentuava sua aura de autoridade. Ele parou atrás dela, colocando as mãos em seus ombros.
— Perfeita — murmurou ele. — Está pronta para entrar no covil dos lobos?
— Eu não tenho medo de lobos — respondeu Kyo, virando-se para ele. — Eu durmo com o alfa todos os dias.
Jack riu, um som seco e satisfeito.
— Essa é a minha garota.
O jantar aconteceu em uma propriedade isolada, protegida por homens armados com fuzis de última geração. O clima na sala de jantar era tenso; os outros mafiosos, homens mais velhos e marcados pela violência, olhavam para Jack com um respeito que beirava o terror. Quando Kyo entrou ao lado dele, o silêncio foi absoluto.
— Senhores — disse Jack, sua voz cortando o ar como uma lâmina —, acredito que todos conhecem minha esposa, Kyo.
Um dos homens, um italiano de rosto avermelhado chamado Moretti, soltou um riso curto.
— Ela é linda, Jack. Mas o que uma criança sabe sobre os nossos negócios?
O ar na sala pareceu esfriar dez graus. Jack não se moveu, mas sua expressão tornou-se uma máscara de gelo letal.
— Moretti — disse Jack calmamente, embora o perigo fosse palpável —, Kyo é a extensão da minha vontade. Se você a desrespeita, você me desrespeita. E você sabe o que acontece com quem me desrespeita.
Moretti empalideceu, desviando o olhar. Kyo, sentindo o poder que emanava de Jack, deu um passo à frente, sua voz clara e firme.
— O senhor Moretti deve estar preocupado com as rotas de exportação no leste — disse ela, lembrando-se dos documentos que vira na mesa de Jack. — Talvez ele devesse se concentrar em como a polícia portuária está fechando o cerco em seus navios, em vez de se preocupar com a minha idade.
Jack olhou para ela, a surpresa dando lugar a um orgulho imenso. Os outros mafiosos murmuraram entre si, impressionados com a audácia e a inteligência da jovem.
— Como você sabe disso? — perguntou Moretti, agora genuinamente nervoso.
— Eu leio — respondeu Kyo com um sorriso gélido. — E eu escuto. Sugiro que o senhor faça o mesmo.
O jantar prosseguiu, mas o equilíbrio de poder havia mudado. Kyo não era mais um troféu; ela era uma jogadora. Jack permaneceu ao lado dela, sua mão ocasionalmente descansando na base de suas costas, um lembrete constante de sua posse.
Quando finalmente voltaram para o carro blindado, a adrenalina ainda corria pelas veias de Kyo. Jack a puxou para o seu colo assim que a divisória de vidro subiu, isolando-os do motorista.
— Você foi magnífica — disse ele, sua mão subindo pela coxa dela, por baixo do vestido. — Você os destruiu sem disparar um único tiro.
— Aprendi com o melhor — sussurrou ela, sentindo o desejo inflamar-se novamente.
Jack a beijou com uma intensidade selvagem, suas mãos explorando o corpo dela com urgência. Ele afastou a calcinha de seda de Kyo, seus dedos encontrando-a já úmida e pronta.
— Aqui? — ofegou ela. — O motorista...
— Ele não ouve nada. E mesmo que ouvisse, ele sabe que sua vida depende do seu silêncio — respondeu Jack, desabotoando a calça.
Ele a levantou, guiando-a para que ela sentasse sobre ele. O carro balançava levemente enquanto percorria as ruas escuras da cidade, mas dentro daquele casulo de luxo, o tempo havia parado. Kyo cavalgava nele com uma entrega total, seus gemidos abafados pelo pescoço de Jack.
— Você é meu mundo, Kyo — rosnou ele, enquanto chegavam juntos ao clímax, uma explosão de prazer que os deixou exaustos e unidos por algo muito mais forte do que um contrato de casamento.
— E você é o meu — respondeu ela, escondendo o rosto no peito dele.
Naquela noite, Kyo entendeu que o poder de Jack não vinha apenas de sua riqueza ou de sua crueldade, mas da forma como ele se permitia ser vulnerável apenas para ela. E Jack, o homem que tinha tudo, percebeu que sua maior fortuna não estava guardada em cofres suíços, mas sim nos braços da mulher que o ensinara a sentir novamente. O casamento arranjado fora o começo, mas o amor — sombrio, possessivo e absoluto — seria o seu legado.