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Amor cotidiano

Labirinto de Toques e Promessas

A manhã de domingo surgiu preguiçosa, com o sol finalmente vencendo a batalha contra as nuvens cinzentas que haviam dominado o fim de semana. O quarto estava imerso em um silêncio confortável, quebrado apenas pelo som da respiração profunda de Max. Duda, no entanto, já estava desperta. Ela estava deitada de lado, apoiada em um cotovelo, observando o rastro de luz que atravessava o quarto e iluminava os cachos de Max, transformando o moreno profundo em tons de chocolate e bronze.

Ela esticou o braço, traçando com a ponta do dedo o contorno da tatuagem que ele tinha no antebraço, um desenho abstrato que ela nunca se cansava de explorar. O toque leve foi o suficiente para despertar os sentidos de Max. Ele não abriu os olhos imediatamente; em vez disso, soltou um suspiro satisfeito e tateou a cama até encontrar a mão dela, entrelaçando seus dedos nos dela com uma força possessiva, mas gentil.

— Você tem esse hábito de me estudar enquanto eu durmo — murmurou ele, a voz ainda mais grave e rouca pelo sono. — Um dia eu vou cobrar ingresso.

Duda soltou uma risadinha, inclinando-se para beijar o ombro dele.

— Eu estava apenas admirando a vista. É um privilégio exclusivo, não acha?

Max finalmente abriu os olhos, a escuridão de suas íris brilhando com um afeto que sempre desarmava Duda. Ele se virou, ficando de frente para ela, e usou a mão livre para afastar uma mecha rebelde de cachos que caía sobre os olhos dela.

— É o único privilégio que realmente importa para mim — disse ele, aproximando o rosto do dela até que suas testas se encostassem. — Como você está se sentindo hoje? Depois de ontem...

Duda sorriu, lembrando-se da noite anterior. O jantar com os pais dele tinha sido um sucesso, mas o que veio depois, entre as paredes daquele apartamento, fora o que realmente selara o seu estado de espírito.

— Leve — respondeu ela. — Sinto que, toda vez que a gente passa por algo assim, seja um jantar de família ou apenas uma noite de chuva, a gente fica mais... sólido.

— Sólido é uma boa palavra — concordou Max. Ele deslizou a mão pelas costas nuas dela, sentindo a suavidade da pele. — Mas eu prefiro "inevitable". Como se não houvesse outro caminho para a gente a não ser esse.

Eles ficaram ali por algum tempo, perdidos no universo particular que haviam construído. Para quem olhasse de fora, eram apenas dois jovens apaixonados, mas para eles, cada centímetro de pele compartilhada representava uma história de descoberta. Duda amava a forma como Max a conhecia; ele sabia o ponto exato na base do seu pescoço que a fazia estremecer, e ela conhecia a maneira como ele apertava os olhos quando estava prestes a dizer algo importante.

— O que vamos fazer com esse domingo ensolarado? — perguntou ela, quebrando o transe.

— Eu tive uma ideia — disse Max, sentando-se na cama e exibindo o peito largo e definido. — Existe um parque antigo, um pouco afastado do centro, que tem uma trilha fechada e um lago que quase ninguém visita. O que você acha de um piquenique? Só nós dois, longe de celulares, pais intrometidos e do barulho da cidade.

Duda iluminou-se.

— Parece perfeito. Mas eu aviso logo: eu não vou cozinhar nada complexo hoje. Minhas energias foram gastas ontem.

Max soltou uma gargalhada alta, puxando-a para um abraço apertado que a fez rir também.

— Deixe a comida comigo, dona Duda. Eu sou um mestre na arte de montar sanduíches gourmet e escolher as melhores frutas. Você só precisa levar esse sorriso e, talvez, aquele biquíni que você comprou e ainda não usou.

— No lago? — Ela arqueou uma sobrancelha.

— Por que não? — Ele piscou para ela. — A água deve estar gelada, mas eu prometo te aquecer depois.

A preparação para o passeio foi uma dança em si. Na cozinha pequena, eles se esbarravam propositalmente, trocando beijos rápidos entre a lavagem das uvas e a organização da cesta. Duda usava um short jeans curto e uma regata branca que deixava seus cachos livres para balançar conforme ela se movia. Max, de bermuda e sem camisa, parecia uma força da natureza, emanando uma energia que sempre atraía Duda para sua órbita.

— Você esqueceu o protetor solar — disse ela, entregando o frasco a ele.

— Passe em mim? — pediu ele, virando as costas para ela com um sorriso travesso.

Duda derramou o creme frio em suas mãos e começou a espalhá-lo pelas costas largas de Max. Seus dedos deslizavam sobre os músculos tensos, sentindo a força que ele carregava. Ela se demorou mais do que o necessário, transformando a tarefa em uma massagem lenta. Max soltou um gemido baixo, inclinando a cabeça para trás.

— Você está jogando sujo, Duda — provocou ele, virando-se para prendê-la entre seus braços e o balcão.

— Eu? — Ela fez uma expressão de inocência. — Só estou cuidando da sua pele, Max. Seria um crime deixar esse corpo queimar no sol.

Ele a beijou com uma intensidade que quase os fez desistir do parque ali mesmo. O beijo tinha gosto de café e desejo, uma promessa silenciosa de que o dia seria longo e cheio de surpresas.

— Vamos logo — disse ele, afastando-se com esforço. — Antes que eu decida que o piquenique vai ser no tapete da sala.

A viagem até o parque foi preenchida por música e conversas leves. Eles cantavam alto, rindo de suas próprias desafinações, as mãos sempre unidas sobre o câmbio do carro. Quando chegaram ao local, Duda ficou maravilhada. Era um refúgio verde, com árvores centenárias cujas copas se entrelaçavam, criando um dossel natural que filtrava a luz do sol.

Eles caminharam pela trilha, Max carregando a cesta pesada como se não fosse nada, enquanto Duda observava a natureza ao redor. O ar era puro, com cheiro de terra e folhas úmidas.

— Ali — apontou Max, indicando uma clareira à beira do lago.

A água era cristalina, refletindo o azul do céu. Eles estenderam uma manta xadrez sob a sombra de um chorão, cujos ramos caíam como cortinas de seda verde.

— Isso é lindo, Max — sussurrou Duda, sentando-se e abraçando os joelhos. — Como você encontrou este lugar?

— Meu avô me trazia aqui quando eu era pequeno — contou ele, sentando-se ao lado dela. — Ele dizia que alguns lugares no mundo guardam segredos que só podem ser ouvidos se você estiver com a pessoa certa.

Duda olhou para ele, tocada pela vulnerabilidade em sua voz.

— E o que você está ouvindo agora?

Max pegou a mão dela, levando-a aos lábios.

— Eu estou ouvindo que eu nunca estive tão no lugar certo quanto estou agora. Com você.

Eles comeram em meio a risadas, alimentando-se um ao outro com pedaços de queijo e morangos suculentos. O tempo parecia ter parado. Não havia prazos, não havia expectativas, apenas a conexão vibrante entre dois seres que se completavam.

Depois de comerem, o calor do sol tornou-se mais convidativo.

— Hora do mergulho? — desafiou Max, já se livrando da bermuda e revelando a sunga preta por baixo.

Duda não hesitou. Ela tirou a regata e o short, revelando um biquíni de tom terracota que contrastava lindamente com sua pele morena e seus cachos escuros. Max parou por um segundo, seus olhos percorrendo o corpo dela com uma admiração que nunca diminuía.

— Você vai me matar um dia desses, Maria Eduarda — murmurou ele.

— Só se você não me pegar primeiro! — gritou ela, correndo em direção à água.

O impacto da água fria foi um choque elétrico, mas logo se tornou refrescante. Max mergulhou logo atrás dela, emergindo a poucos centímetros de distância. Eles brincaram na água como crianças, jogando água um no outro, mas a brincadeira logo deu lugar a algo mais profundo. No meio do lago, onde a água batia no peito deles, Max a puxou para perto.

Duda enlaçou as pernas ao redor da cintura dele, sentindo a sustentação da água facilitar o movimento. Seus cachos, agora molhados e pesados, caíam pelas costas.

— Você é tão linda — disse ele, a voz baixa, quase um segredo compartilhado com o vento.

— E você é o meu moreno favorito — respondeu ela, passando as mãos pelo rosto molhado dele.

Eles se beijaram ali, cercados pela natureza, um beijo que carregava a pureza do ambiente e a força da paixão que os unia. A água ao redor parecia vibrar com a energia deles. Max a segurava com firmeza, seus polegares desenhando círculos na pele das costas dela, enquanto Duda se perdia na sensação de ser completamente dele.

Quando saíram da água, o sol começou a baixar no horizonte, pintando o céu com tons de laranja, rosa e violeta. Eles se secaram e se deitaram na manta, observando o espetáculo das cores. Duda apoiou a cabeça no peito de Max, ouvindo as batidas rítmicas do seu coração.

— Max? — chamou ela baixinho.

— Oi, meu amor.

— O que você estava pensando quando disse que queria um lugar maior? Sabe, hoje de manhã.

Max ficou em silêncio por um momento, apenas acariciando o braço dela.

— Eu estava pensando que eu quero acordar com você todos os dias pelos próximos cinquenta ou sessenta anos. Eu estava pensando que este apartamento é pequeno demais para todos os sonhos que eu comecei a ter desde que você entrou na minha vida.

Duda sentiu um nó na garganta, um misto de felicidade e surpresa.

— Você está falando sério? — Ela se levantou um pouco para encará-lo.

— Eu nunca falei tão sério — disse ele, os olhos fixos nos dela. — Eu não quero apenas "namorar" você, Duda. Eu quero construir uma vida. Eu quero um lugar onde a gente possa ter uma biblioteca para os seus livros, um jardim para você cuidar e, quem sabe, um espaço para pequenos cacheados correrem por aí algum dia.

Lágrimas de alegria brotaram nos olhos de Duda. Ela nunca imaginou que Max, com seu jeito descontraído e às vezes impetuoso, estivesse planejando algo tão sólido.

— Eu não sei o que dizer — confessou ela, sorrindo entre as lágrimas.

— Não diga nada — ele a puxou para um beijo suave. — Apenas saiba que eu estou nisso com você. Cem por cento.

O crepúsculo caiu sobre eles, e a temperatura começou a cair. Eles recolheram suas coisas, mas o clima não era de despedida; era de um novo começo. No caminho de volta para o carro, Max parou Duda sob um grande carvalho.

— Espere — disse ele. — Eu tenho algo para você.

Ele buscou no bolso da mochila e tirou uma pequena caixa de veludo. Duda prendeu a respiração.

— Max...

— Não é um pedido de casamento... ainda — esclareceu ele com um sorriso charmoso. — É um anel de compromisso. Para que você lembre, toda vez que olhar para ele, que o meu coração pertence a você. Onde quer que você esteja.

Ele abriu a caixa, revelando um anel delicado de ouro com uma pequena pedra de ônix negra no centro. Era elegante, forte e único, exatamente como o relacionamento deles. Ele deslizou o anel no dedo dela, e Duda sentiu como se uma peça final do quebra-cabeça tivesse se encaixado.

— É maravilhoso — sussurrou ela, admirando a joia. — Eu te amo tanto, Max.

— Eu te amo mais, minha morena — respondeu ele, selando a promessa com um beijo longo e profundo.

A viagem de volta foi silenciosa, mas um silêncio carregado de significados. Eles chegaram ao apartamento exaustos, mas com a alma alimentada. Enquanto Duda tirava a roupa para um banho quente, Max a observava da porta do banheiro.

— Sabe de uma coisa? — disse ele.

— O quê?

— A gente ainda tem algumas horas antes de segunda-feira começar oficialmente.

Duda sorriu, o brilho de desejo voltando aos seus olhos. Ela estendeu a mão para ele, convidando-o para entrar no box.

— Então é melhor a gente não desperdiçar nem um segundo.

A água quente caiu sobre eles, lavando o sal da pele e o cansaço do dia. Entre o vapor e o som da água batendo nos azulejos, eles se entregaram um ao outro mais uma vez. Foi um ato de amor calmo, mas intenso, uma celebração da promessa que haviam feito sob as árvores. Cada toque era um "eu te amo", cada suspiro era um "estou aqui".

Mais tarde, deitados na cama, envoltos em lençóis de algodão limpos, Duda sentiu o sono finalmente chegar. Ela olhou para o anel em seu dedo, o brilho da pedra negra refletindo a luz da lua que entrava pela janela.

— Max? — murmurou ela, já quase dormindo.

— Hum?

— Obrigada por hoje. Por tudo.

Ele a puxou para mais perto, o calor de seu corpo sendo o cobertor perfeito.

— Eu que agradeço, Duda. Por ser a minha sinfonia.

E assim, sob o manto da noite, os dois morenos cacheados adormeceram, os fios de seus cabelos se misturando no travesseiro, formando uma trama indissolúvel de sonhos, desejos e a certeza de que o amanhã seria apenas mais um capítulo de uma história que estava apenas começando a ser escrita. O mundo lá fora podia ser caótico e incerto, mas dentro daquela bolha de amor, tudo o que importava era o pulsar de dois corações que haviam encontrado sua casa um no outro.