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Amor cotidiano

Entre o Brilho da Prata e o Calor do Verão

A segunda-feira chegou com a preguiça típica de quem viveu um fim de semana fora da realidade. O despertador de Max tocou às sete da manhã, um som intruso que parecia não pertencer ao santuário que eles haviam construído. Duda resmungou, escondendo o rosto no peito dele, sentindo o cheiro de pele e do sabonete de ervas que ainda pairava no ar. O anel de ônix em seu dedo roçou levemente o abdômen definido de Max, um lembrete frio e sólido da promessa feita sob o carvalho.

— Eu odeio esse barulho — murmurou Max, esticando o braço para silenciar o celular. — Por que a gente não pode simplesmente viver de piqueniques e banhos de lago?

Duda soltou uma risada abafada, sentindo a vibração da voz dele contra seu ouvido.

— Porque sanduíches gourmet não pagam o aluguel, Max. E eu tenho uma reunião às dez que pode definir minha promoção.

Max se virou de lado, apoiando a cabeça na mão, observando-a com aquele olhar que misturava adoração e uma ponta de malícia. Os cachos dele estavam completamente bagunçados, uma confusão escura que Duda adorava desvendar com os dedos.

— Uma reunião, hein? — Ele deslizou a mão pela cintura dela, puxando-a para mais perto. — Você fica tão autoritária quando fala de trabalho. É irritante e terrivelmente atraente ao mesmo tempo.

— Não tente me seduzir para eu faltar — disse ela, embora suas mãos já estivessem subindo pela nuca dele, puxando os fios curtos da base do cabelo. — Eu preciso ser produtiva.

— Você é produtiva — rebateu Max, distribuindo beijos lentos pela linha da mandíbula dela. — Ontem você foi extremamente produtiva na arte de me fazer o homem mais feliz do mundo.

Duda sentiu o calor subir por seu corpo, a familiar eletricidade despertando mesmo sob o cansaço matinal. Ela o encarou, notando como a luz da manhã destacava a intensidade dos olhos dele.

— O anel... — começou ela, olhando para a própria mão. — Eu ainda não acredito que você fez aquilo.

Max segurou a mão dela, beijando a pedra negra com uma reverência suave.

— Eu queria que você tivesse algo meu quando não estivéssemos juntos. Algo que dissesse a qualquer um que olhasse, mas principalmente a você, que o seu lugar é aqui.

— Você é um romântico incurável disfarçado de bad boy, sabia? — brincou ela, sentindo os olhos marejarem levemente.

— Só para você, Duda. Para o resto do mundo, eu continuo sendo o arquiteto mal-humorado que reclama do café frio.

Eles acabaram se levantando, mas a rotina matinal foi uma coreografia de toques furtivos. Enquanto Duda passava o café, Max a abraçava por trás, descansando o queixo em seu ombro. Enquanto Max tentava dar um nó na gravata — algo que ele raramente usava, mas que a reunião de hoje exigia —, Duda assumia a tarefa, seus dedos ágeis trabalhando perto do pomo de adão dele, fazendo-o prender a respiração.

— Se você continuar me olhando assim, eu vou chegar atrasado e a culpa vai ser inteiramente sua — avisou Max, segurando os pulsos dela assim que a gravata ficou pronta.

— Eu não fiz nada — defendeu-se ela, sorrindo. — Você que é sensível demais à minha presença.

— Sou. Sou completamente vulnerável a você.

Eles se despediram na porta do apartamento com um beijo que prometia muito mais para a noite. Duda seguiu para o seu escritório, e Max para o dele, mas a conexão entre os dois parecia um fio invisível esticado pela cidade.

O dia de Duda foi intenso. Entre planilhas e apresentações, ela se pegava girando o anel de ônix no dedo, um tique nervoso que se tornou um amuleto de sorte. Quando a promoção finalmente foi confirmada no final da tarde, a primeira pessoa para quem ela quis ligar foi Max.

— Você conseguiu? — a voz dele soou ansiosa do outro lado da linha.

— Consegui, Max! Sou a nova diretora de projetos criativos.

— Eu nunca tive dúvida. Você é brilhante, Maria Eduarda. — Houve uma pausa, e ela pôde ouvir o som de papéis sendo organizados. — Isso merece uma comemoração. Esteja pronta às oito. Eu passo aí para te pegar.

— No seu apartamento ou no meu? — perguntou ela, rindo.

— No nosso, Duda. No nosso.

Aquelas palavras ficaram ecoando na mente dela durante todo o trajeto de volta. "No nosso". A ideia de um lar compartilhado, que antes parecia um futuro distante, agora ganhava contornos reais.

Às oito em ponto, Max apareceu. Ele não estava de terno, mas usava uma camisa de linho preta com os primeiros botões abertos e uma calça de sarja clara. Ele parecia ter acabado de sair de um editorial de moda, com os cachos morenos perfeitamente moldados e aquele perfume amadeirado que sempre a deixava tonta.

Duda usava um vestido de cetim vermelho, simples mas que abraçava cada curva de sua pele morena. Seus cachos estavam volumosos, brilhando sob a luz do corredor.

— Você quer me matar, não é? — perguntou Max, encostando-se no batente da porta e a avaliando de cima a baixo. — Esse vestido deveria ser proibido em locais públicos.

— É para comemorar, lembra? — Ela se aproximou, ajeitando a gola dele. — Onde vamos?

— Surpresa.

Ele a levou a um restaurante no topo de um dos prédios mais altos da cidade. A vista era de tirar o fôlego, com as luzes da metrópole se estendendo como um mar de diamantes. A mesa deles era reservada, em um canto discreto da varanda, protegida do vento por vidros altos.

— Para a nova diretora — brindou Max, erguendo a taça de vinho tinto.

— E para o homem que me deu o empurrão que eu precisava — respondeu ela, tocando a taça na dele.

A conversa fluiu com a facilidade de sempre. Eles riram das dificuldades do dia, planejaram viagens imaginárias e, inevitavelmente, o assunto voltou para o "lugar maior".

— Eu andei olhando uns imóveis hoje — confessou Max, mexendo no vinho. — Perto daquele parque que a gente foi ontem. Tem umas casas antigas que precisam de reforma. Pensei que, como eu sou arquiteto e você tem o melhor gosto artístico que eu conheço, a gente poderia transformar uma delas em algo incrível.

Duda pousou os talheres, o coração acelerado.

— Você está falando sério? Já começou a olhar?

— Duda, eu não dou passos em falso. Quando eu decidi que queria você, eu fui até o fim. Agora que eu decidi que quero uma vida com você, não vou perder tempo.

Ela estendeu a mão sobre a mesa, e ele a segurou firme.

— Eu adoraria reformar uma casa com você, Max. Mesmo que a gente brigue por causa da cor das paredes.

— A gente vai brigar — riu ele. — Mas a reconciliação vai ser a melhor parte.

O jantar terminou, mas a noite estava apenas começando. No trajeto de volta, o silêncio no carro era denso, carregado daquela tensão sexual que nunca diminuía entre eles, não importava quantas vezes se entregassem. No elevador, Max não aguentou mais. Ele a puxou pela cintura, prensando-a contra a parede espelhada.

— Você não tem ideia do quanto eu me segurei naquele restaurante — sussurrou ele, a voz vibrando contra o pescoço dela.

— Então não se segure mais — respondeu Duda, as mãos puxando o cabelo dele, trazendo-o para um beijo faminto.

As portas do elevador se abriram no andar deles, mas eles mal se separaram enquanto caminhavam pelo corredor. Max abriu a porta do apartamento com pressa, chutando-a para fechar assim que entraram. A escuridão da sala era quebrada apenas pelas luzes da cidade que entravam pela janela.

Ele a levantou, e Duda entrelaçou as pernas ao redor dele, sentindo o tecido do vestido deslizar por suas coxas. Max a levou direto para o quarto, mas parou no meio do caminho, deitando-a sobre a mesa de jantar, espalhando alguns papéis que estavam por ali.

— Max, a cama... — ofegou ela.

— Longe demais — respondeu ele, as mãos subindo pelas pernas dela, subindo o cetim vermelho até encontrar a renda da calcinha.

Ele a possuiu ali mesmo, com uma urgência que refletia toda a contenção do dia. Foi selvagem e profundo, um choque de peles morenas e cachos entrelaçados. Duda arqueava o corpo, as unhas cravadas nos ombros largos dele, soltando gemidos que eram abafados pelos beijos possessivos de Max.

— Você... é... minha — disse ele entre estocadas rítmicas e potentes.

— Sempre — respondeu ela, a voz falhando enquanto o prazer a atingia como uma onda avassaladora.

Quando o ápice chegou, foi uníssono, um grito compartilhado que pareceu ecoar por todo o apartamento. Eles ficaram ali por um tempo, a respiração pesada, os corpos suados e colados. Max descansou a testa na dela, um sorriso vitorioso nos lábios.

— Feliz promoção, diretora — sussurrou ele.

— Melhor comemoração impossível — respondeu ela, recuperando o fôlego.

Mais tarde, já devidamente acomodados na cama, o clima de euforia deu lugar a uma ternura profunda. Max estava deitado de costas, e Duda estava aninhada em seu lado, desenhando padrões imaginários no peito dele.

— Sabe o que eu percebi? — perguntou ela.

— O quê?

— Que a gente nunca cansa. Tem gente que diz que o desejo diminui com o tempo, com a rotina. Mas com a gente... parece que cada vez é a primeira vez.

Max virou a cabeça para olhar para ela, passando a mão pelos cachos dela que estavam espalhados pelo travesseiro.

— É porque a gente não se vê como rotina, Duda. Eu te vejo como uma descoberta constante. Cada dia você é uma versão nova da mulher que eu amo. Como eu poderia cansar disso?

Duda sorriu, sentindo uma paz imensa.

— Eu estava pensando na casa — disse ela após um silêncio confortável. — Quero que tenha uma varanda grande. Para a gente ver o pôr do sol como vimos no parque.

— Varanda grande, anotado — disse Max, fechando os olhos e imaginando. — E um quarto com janelas do chão ao teto. Para a luz da manhã te acordar e eu poder te admirar antes de você começar a reclamar do despertador.

— E um escritório para você — completou ela. — Mas com uma porta que eu possa entrar sempre que quiser te distrair.

— Essa porta nem precisa de tranca — brincou ele.

Eles continuaram planejando, construindo o futuro em palavras enquanto o presente os envolvia em um abraço quente. A noite avançava, e a cidade lá fora continuava seu ritmo frenético, mas ali, naquele quarto, o tempo era ditado apenas pelo bater de dois corações em sincronia.

Duda sentiu o sono chegar, mas antes de fechar os olhos, olhou para o anel de ônix. O brilho da pedra parecia conter toda a intensidade do que viviam. Ela sabia que haveria desafios, que a reforma da casa traria estresse e que a vida de diretora seria exaustiva. Mas ela também sabia que, ao final de cada dia, haveria aqueles braços fortes, aqueles cachos escuros e aquela paixão que nunca se apagava.

— Boa noite, Max — sussurrou ela.

— Boa noite, meu amor.

Ele a puxou para mais perto, e no silêncio da madrugada, os dois morenos cacheados dormiram, sonhando com paredes que ainda seriam pintadas, jardins que ainda seriam plantados e uma vida que, embora já fosse maravilhosa, estava apenas começando a florescer. Porque para Duda e Max, o amor não era um destino final, mas uma jornada contínua de pele, alma e uma sinfonia de cachos que nunca deixaria de tocar.