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Amor cotidiano

O Ritual do Desejo Sem Trégua

O feriado na cidade havia chegado como um presente silencioso, envolvendo as avenidas normalmente barulhentas em um manto de calma e asfalto vazio. Do lado de fora das janelas do apartamento de Max, o sol de outono brilhava com uma intensidade dourada, mas do lado de dentro, o tempo parecia ter sido suspenso por um decreto de pura luxúria. Para Duda e Max, as vinte e quatro horas à frente não pertenciam ao calendário, mas sim à topografia de seus próprios corpos.

Eles haviam feito um pacto silencioso ao despertarem: não haveria roupas, não haveria compromissos e, acima de tudo, não haveria trégua.

Às dez da manhã, o primeiro round começou ainda entre os lençóis de linho amassados. O despertar de Duda foi marcado pelo peso de Max sobre ela, seus cachos morenos roçando o rosto dela enquanto ele distribuía beijos lentos e úmidos por seu decote.

— Bom dia, diretora — sussurrou ele, a voz vibrando de forma grave contra a pele dela. — O expediente de hoje é exclusivo comigo.

— Eu aceito os termos do contrato — respondeu Duda, enlaçando o pescoço dele e puxando-o para um beijo que ainda tinha o calor do sono.

Max não teve pressa. Ele explorou cada curva do corpo dela como se fosse a primeira vez, descendo as mãos pelas costelas de Duda até ancorá-las em seus quadris. Quando ele a penetrou, o movimento foi lento e profundo, arrancando um suspiro longo dela que ecoou pelo quarto silencioso. Eles se moveram em uma cadência rítmica, os cachos morenos de ambos se misturando no travesseiro, formando uma moldura escura para o prazer que transbordava.

Após o clímax, eles ficaram abraçados, o coração de Max batendo contra as costas de Duda. Mas a paz durou pouco.

— Meia hora — disse Max, olhando para o relógio digital na mesa de cabeceira quando o ponteiro marcou dez e meia.

— O quê? — Duda se virou, curiosa.

— A cada meia hora, Duda. Eu quero você de novo. E de novo.

— Você está louco — ela riu, mas seus olhos brilharam com o desafio. — Você não vai aguentar o ritmo.

— Quer apostar? — Ele a puxou para o chuveiro.

Às onze horas, sob o jato de água morna, a promessa foi cumprida. O box de vidro estava completamente embaçado, e as mãos de Max, cobertas de espuma de sabonete, deslizavam pelas costas de Duda, descendo até suas nádegas. Ele a ergueu contra a parede de azulejos, e o som da água se misturou aos gemidos baixos de Duda enquanto ele a possuía com uma urgência renovada. A umidade facilitava cada movimento, e o contraste entre a água quente e o calor febril de seus corpos criava uma atmosfera quase mística.

Quando saíram do banho, enrolados em toalhas brancas, o relógio já marcava onze e meia. Duda tentou ir até a cozinha para preparar algo leve, mas Max a interceptou no corredor.

— Onde você pensa que vai? — perguntou ele, a voz carregada de uma possessividade lúdica.

— Eu preciso de energia, Max! Carboidratos! — ela protestou, rindo enquanto ele a prendia contra a parede.

— Eu sou o seu carboidrato hoje — disse ele, desfazendo o nó da toalha dela com uma facilidade irritante.

Ele a deitou no tapete da sala, sob a luz direta do sol que entrava pela varanda. Às onze e meia, a luz destacava cada detalhe da pele morena de Duda, as pequenas sardas nos ombros e a curva perfeita de sua cintura. Max se posicionou entre as pernas dela, usando a língua para traçar o caminho do seu umbigo até a intimidade pulsante. Duda arqueou as costas, os dedos enterrados nos cachos de Max, guiando-o com uma necessidade voraz. Quando ele finalmente entrou nela, o sol parecia queimar não apenas lá fora, mas dentro de suas veias.

Ao meio-dia, eles estavam exaustos, mas a adrenalina do feriado os mantinha alertas. Eles conseguiram comer algumas fatias de pizza fria da noite anterior, sentados nus no chão da cozinha, rindo da insanidade daquela rotina.

— Meio-dia e meia — anunciou Duda, olhando para o forno. — Minha vez de ditar as regras.

Ela o levou para a poltrona de couro no escritório de Max. Sentou-se no colo dele, de frente, controlando o ritmo e a profundidade. Max segurava sua cintura com força, os olhos fixos nos dela, admirando a força e a beleza da mulher que ele chamava de sua. O couro frio contra a pele deles contrastava com o calor da união, e Duda se movia com uma confiança que deixava Max sem fôlego.

— Você... é inacreditável — arfou ele, enterrando o rosto nos seios dela enquanto ela atingia o ápice.

Às treze horas, eles voltaram para o quarto. O cansaço físico começava a dar sinais, mas o desejo parecia se regenerar a cada toque. Desta vez, foi algo mais calmo, quase melancólico. Eles se deitaram de lado, na posição de concha, e Max entrou nela com uma suavidade que trouxe lágrimas aos olhos de Duda. Era um ato de amor puro, uma celebração da conexão que ia muito além da pele.

— Eu te amo tanto que chega a doer — sussurrou Duda, sentindo o beijo de Max em sua nuca.

— A dor é só o espaço que o amor está ocupando, pequena — respondeu ele, apertando-a contra si.

Às treze e meia, o ciclo recomeçou na varanda. Protegidos pela altura do prédio e pelas plantas altas que Duda cultivava, eles se entregaram ao vento fresco da tarde. O perigo de serem vistos, mesmo que improvável, adicionou uma camada de excitação que os fez chegar ao limite rapidamente.

Às quatorze horas, a exaustão finalmente pesou. Eles caíram na cama, os corpos entrelaçados em uma confusão de membros e cachos morenos. O silêncio da cidade no feriado era o fundo perfeito para o som de suas respirações tentando voltar ao normal.

— Max? — chamou Duda, a voz quase sumindo.

— Hum?

— Se você me tocar de novo nos próximos trinta minutos, eu acho que eu entro em combustão espontânea.

Max riu, um som rouco e satisfeito, e a puxou para baixo do edredom.

— Tudo bem, diretora. Vamos renegociar o contrato. Uma hora de intervalo para um cochilo?

— Duas horas — negociou ela, já fechando os olhos.

— Feito. Mas às dezesseis horas, eu quero você na mesa da cozinha.

Duda apenas sorriu, sentindo o anel de ônix em seu dedo e o calor de Max ao seu redor. O feriado estava longe de acabar, e ela sabia que, para eles, aquela maratona de prazer era apenas a linguagem mais sincera que sabiam falar.

Às dezesseis horas em ponto, como prometido, o som do despertador de Max ecoou. Duda sentiu um leve tremor de antecipação. Ela se levantou, caminhando nua até a cozinha, onde Max já a esperava, encostado no balcão de granito com dois copos de água gelada.

— Pontual como sempre — disse ela, pegando o copo e bebendo tudo de uma vez.

— Eu não brinco com meus prazos — ele se aproximou, tirando o copo da mão dela e colocando-o de lado. — Onde paramos?

— Acho que paramos na parte em que você me mostra por que essa mesa foi uma ótima compra — provocou ela, subindo no balcão e abrindo as pernas para ele.

Max não precisou de mais nenhum convite. Ele se encaixou entre as coxas dela, as mãos grandes mapeando cada centímetro de pele que ele já conhecia de cor, mas que parecia sempre nova. O granito frio contra as coxas de Duda fazia um contraponto perfeito ao calor que emanava de Max.

— Você está mais quente do que de manhã — observou ele, a voz baixa, enquanto seus lábios buscavam o ponto sensível atrás da orelha dela.

— É o efeito que você tem sobre mim — gemeu Duda, as unhas cravando-se nos ombros largos de Max. — Não para. Nunca para.

Às dezesseis e meia, eles estavam no tapete da sala novamente, mas desta vez o clima era de experimentação. Max usou um dos lenços de seda de Duda para vendar seus olhos, e o mundo dela se transformou em puro tato e som. Ela sentia as mãos dele em lugares inesperados, a língua dele traçando caminhos lentos, e a antecipação de não saber onde seria o próximo toque a deixou em um estado de êxtase quase insuportável.

— Max, por favor... — ela implorou, a voz embargada pelo desejo.

— Shh... — sussurrou ele no ouvido dela. — Apenas sinta.

Quando ele finalmente a possuiu, a sensação foi multiplicada por mil. Sem a visão, cada estocada parecia atingir o âmago de sua alma. Duda se perdeu na escuridão perfumada, guiada apenas pelo ritmo possessivo de Max e pelo som de seus nomes sendo sussurrados como preces.

Às dezessete horas, eles estavam sentados um de frente para o outro na banheira, que Max havia enchido com sais de banho e óleos essenciais. A água estava morna, e a espuma escondia seus corpos, mas o toque por baixo da superfície era constante.

— Sabe o que eu estava pensando? — perguntou Max, enquanto massageava os pés de Duda com os seus.

— Se for sobre a casa, eu juro que te afogo — brincou ela, jogando um pouco de água nele.

— Não é sobre a casa. É sobre como eu nunca me sinto vazio com você. Mesmo depois de um dia inteiro como esse, onde a gente deu tudo o que tinha fisicamente... eu sinto que estou mais cheio de você do que quando acordamos.

Duda inclinou-se para frente, a água transbordando pelas bordas da banheira enquanto ela se sentava no colo dele.

— É porque a gente não está apenas trocando fluidos, Max. A gente está trocando energia. Cada vez que a gente se toca, a gente reconstrói o que o mundo lá fora tenta quebrar.

Eles fizeram amor ali mesmo, na água perfumada, um movimento fluido e natural que parecia parte do elemento que os envolvia. O espelho do banheiro estava tão embaçado que eles mal podiam ver seus reflexos, mas não importava. Eles se viam com o coração.

Às dezessete e meia, eles voltaram para a cama, mas desta vez para apenas ficarem abraçados, assistindo ao pôr do sol através da janela do quarto. O céu estava tingido de um laranja violento, o tipo de beleza que dói de olhar.

— O feriado está acabando — comentou Duda, a cabeça apoiada no ombro de Max.

— O feriado sim. Mas a gente? A gente está só começando.

Às dezoito horas, o último round daquela maratona aconteceu debaixo do edredom pesado, uma dança lenta e exausta de dois corpos que se conheciam profundamente. Não havia mais a urgência do início do dia, apenas uma entrega mansa e total. Eles se moviam em sincronia, os corações batendo no mesmo ritmo, até que o prazer veio como um sussurro final, fechando o ciclo de luxúria e amor.

Mais tarde, já vestidos com roupas confortáveis, eles pediram comida tailandesa e se sentaram na varanda para ver as luzes da cidade voltarem à vida. O feriado havia passado como um sonho febril, deixando marcas invisíveis de pertencimento em ambos.

— Você está bem? — perguntou Max, passando o braço pelos ombros dela.

— Estou maravilhosa — respondeu Duda, encostando a cabeça nele. — Mas acho que vou precisar de uma semana de sono para me recuperar desse feriado.

Max riu, beijando o topo da cabeça dela, onde os cachos morenos ainda guardavam o cheiro do óleo de banho.

— Valeu a pena cada segundo.

— Cada meia hora — corrigiu ela, sorrindo.

Eles ficaram ali, observando o movimento recomeçar lá embaixo, as pessoas voltando para suas rotinas e preocupações. Mas para Duda e Max, o mundo permaneceria um pouco mais silencioso, um pouco mais brilhante e infinitamente mais intenso. Eles haviam provado, mais uma vez, que o amor deles não era apenas um sentimento, mas uma força física que desafiava o tempo, o cansaço e a própria lógica. E enquanto houvesse cachos para entrelaçar e pele para explorar, a sinfonia deles continuaria tocando, nota por nota, toque por toque, em um ritmo que só eles sabiam dançar.