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Amor e ciumes

O Eco da Vitória e o Calor do Vestiário

A rotina de um clube de elite na Itália não perdoava distrações, mas para Julia e Kate, a distração era, na verdade, o combustível. O treino da tarde no ginásio do Scandicci havia sido um massacre físico. Massimo Barbolini parecia ter adivinhado a noite agitada das duas, pois não deu trégua: séries intermináveis de saltos, bloqueios laterais e defesas que exigiam que elas se jogassem no chão até que a pele dos joelhos ardesse.

Julia estava no limite. O suor encharcava sua camiseta de treino, colando o tecido ao corpo e destacando a musculatura definida de seus ombros. Ela olhou para o outro lado da quadra e viu Kate. A russa parecia uma estátua de gelo sob pressão; o rosto estava vermelho pelo esforço, mas a postura continuava impecável. O coque loiro estava desfeito, com fios grudados na testa, o que, para Julia, a tornava ainda mais irresistível.

— Última série! — gritou o técnico, sua voz ecoando nas vigas do teto. — Bergmann, no fundo. Antropova, na rede. Vamos ver se esse bloqueio russo é tão impenetrável quanto dizem as estatísticas!

Julia respirou fundo, sentindo o ar queimar nos pulmões. Ela se posicionou, os olhos fixos na bola que o assistente lançava para o levantador. Quando a bola subiu, Julia correu. Cada passo era uma explosão de potência. Ela saltou, o corpo arqueado no ar como uma mola tensionada. Do outro lado, Kate subiu. Os braços longos de Antropova formavam uma barreira intransponível.

No último milissegundo, Julia mudou o ângulo do pulso. Em vez de atacar a diagonal, ela explorou as pontas dos dedos de Kate. A bola bateu no bloqueio e voou para fora da quadra. Ponto.

— Fora! — Julia gritou, caindo com agilidade e soltando um rugido de triunfo.

Kate a encarou por cima da rede. Não havia raiva, mas sim um desafio latente. Ela limpou o suor do queixo com o dorso da mão e deu um sorriso de lado, aquele tipo de sorriso que prometia retaliação — não na quadra, mas quando as luzes se apagassem.

— Sorte de principiante, Bergmann — provocou Kate, a voz rouca pelo cansaço.

— Sorte é o que você vai precisar para me segurar no próximo set — rebateu Julia, aproximando-se da rede.

A tensão entre elas era quase visível, uma eletricidade que fazia as outras jogadoras trocarem olhares cúmplices. Todos no time sabiam que, quando Julia e Kate estavam naquele estado de "guerra fria" competitiva, o melhor era sair da frente.

Quando o treino finalmente foi encerrado, o silêncio do ginásio vazio começou a se instalar conforme as outras jogadoras seguiam para o vestiário principal. Julia ficou para trás, recolhendo algumas bolas, sentindo o corpo latejar. Ela ouviu passos pesados e rítmicos. Sabia exatamente quem era sem precisar olhar.

— Você está me devendo um jantar pelo ponto que roubou no bloqueio — disse Kate, parando logo atrás dela.

Julia se virou, a bola de vôlei pressionada contra o quadril. A proximidade era perigosa. O cheiro de suor e esforço físico delas se misturava no ar parado.

— Roubado? Foi técnica pura, Antropova. Você que ficou lenta — Julia deu um passo à frente, invadindo o espaço pessoal da russa.

Kate soltou a bola que segurava e a deixou rolar pelo chão de madeira. Ela segurou Julia pela cintura, puxando-a para perto com uma força que não admitia recusas.

— Lenta? — Kate murmurou, aproximando o rosto do pescoço de Julia, onde uma gota de suor escorria lentamente. — Talvez eu estivesse apenas admirando a vista. Você fica muito bonita quando está tentando me vencer.

— Eu não tento, Kate. Eu venço — Julia arqueou as costas quando sentiu os lábios de Kate tocarem sua pele quente.

— Vamos ver se essa sua confiança se mantém no vestiário — sussurrou a loira, a mão descendo para apertar a coxa de Julia com firmeza.

Elas caminharam para os vestiários, mas não para o principal. Havia uma área privativa, usada para fisioterapia e atendimentos rápidos, que estava vazia àquela hora. Assim que a porta se fechou e a tranca foi girada, o controle que mantinham durante o treino evaporou.

Kate empurrou Julia contra os armários de metal. O som do impacto ecoou no ambiente estéril. Antes que Julia pudesse protestar, a boca de Kate estava sobre a sua. Era um beijo faminto, carregado da adrenalina que não havia sido totalmente gasta na quadra. Julia enroscou as mãos nos cabelos loiros de Kate, puxando-a para mais perto, querendo sentir cada músculo daquela mulher gigante contra o seu.

— Você me deixou louca o treino inteiro — rosnou Kate entre os beijos, as mãos agora por baixo da camiseta de Julia, explorando a pele úmida e quente das costas da ruiva.

— E você... com aquela palhaçada de sorrisinhos para a Martina ontem... — Julia interrompeu a fala com um gemido quando Kate mordeu seu lábio inferior. — Eu ainda não esqueci totalmente, sabe?

— Então deixa eu te ajudar a esquecer — Kate a levantou, sentando Julia em cima de uma das mesas de massagem.

As mãos de Kate eram rápidas e impacientes. Ela arrancou a própria camiseta, revelando o top esportivo que mal continha a força de seu peito. Julia admirou a visão: a russa era uma obra de arte de força e graça. Em um movimento fluido, Kate despojou Julia de sua camiseta de treino, deixando-a apenas de top.

O contraste era lindo. O ruivo vibrante de Julia contra a pele pálida e os olhos gélidos, agora em chamas, de Kate. A russa ajoelhou-se entre as pernas de Julia, as mãos subindo pelas coxas musculosas da brasileira, afastando o short de lycra.

— Kate, alguém pode entrar... — Julia tentou dizer, mas sua voz morreu quando os dedos de Kate encontraram o centro de seu desejo, já pronto e úmido.

— Ninguém entra aqui — garantiu Kate, olhando nos olhos de Julia. — E se entrarem, vão saber exatamente a quem você pertence.

A russa não foi gentil. Ela usou a mesma intensidade que aplicava em um saque viagem, uma força bruta e precisa que fez Julia agarrar as bordas da mesa com tanta força que os nós de seus dedos ficaram brancos. O prazer veio em ondas violentas, impulsionadas pela exaustão física e pela química explosiva entre as duas.

Julia puxou Kate para cima, querendo sentir o peso da outra. Elas se envolveram em um emaranhado de pernas longas e braços fortes. O suor fazia seus corpos escorregarem um no outro, tornando cada toque mais visceral. Julia inverteu as posições, impulsionada por um surto de energia, empurrando Kate contra a parede fria do vestiário.

— Minha vez — declarou Julia, os olhos brilhando com uma intensidade predatória.

Ela desceu os beijos pelo abdômen definido de Kate, sentindo a russa tremer sob seu toque. Quando Julia a possuiu, usando a boca e os dedos com uma maestria que conhecia todos os pontos fracos da loira, Kate soltou um grito que foi abafado pelo azulejo da parede. A russa arqueou o corpo, as unhas cravando-se nos ombros de Julia, deixando marcas vermelhas que seriam troféus daquela tarde.

O ápice chegou para ambas quase ao mesmo tempo, uma explosão de sentidos que as deixou sem fôlego, encostadas uma na outra enquanto tentavam recuperar o ar. O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som das respirações erráticas e pelo gotejar de um chuveiro mal fechado ao fundo.

Kate encostou a testa na de Julia, um sorriso genuíno e doce finalmente surgindo em seus lábios.

— Acho que... o bloqueio caiu — admitiu a russa, a voz um fio de som.

Julia riu, dando um selinho carinhoso na namorada.

— Eu disse que ia passar por ele.

Elas se vestiram lentamente, o cansaço agora sendo uma sensação prazerosa de dever cumprido, tanto profissional quanto pessoalmente. Enquanto caminhavam para o estacionamento, o sol começava a se pôr sobre as colinas da Toscana, pintando o céu de tons alaranjados e roxos.

— Julia? — chamou Kate, enquanto abria a porta do carro.

— Sim?

— Sobre a Martina... ela pediu transferência para outro clube hoje de manhã. Parece que ela percebeu que o clima aqui está um pouco... quente demais para ela.

Julia parou, surpresa. Um sentimento de alívio e uma ponta de satisfação egoísta a percorreram.

— Sério? E você não me contou?

— Eu queria ver até onde sua competitividade ia no treino — Kate deu de ombros, entrando no banco do passageiro. — E, honestamente, o resultado foi melhor do que eu esperava.

Julia entrou no carro, ligando o motor. Ela olhou para Kate, que já estava relaxada no banco, observando a paisagem.

— Você é impossível, Antropova.

— Mas você não me trocaria por nada — afirmou a russa com convicção.

— Por nada no mundo — concordou Julia, engatando a marcha e saindo do ginásio.

Naquela noite, não houve mais discussões, nem mensagens ignoradas, nem ciúmes infundados. Havia apenas duas mulheres que, apesar da altura imponente e da força bruta que mostravam ao mundo, encontravam uma na outra o porto seguro onde podiam ser vulneráveis.

Ao chegarem em casa, o jantar foi pedido por aplicativo — massas italianas pesadas para repor as energias. Elas comeram sentadas no chão da sala, dividindo o mesmo prato e rindo de bobagens. A televisão estava ligada em um canal de esportes qualquer, mas nenhuma das duas prestava atenção.

— Sabe o que eu estava pensando? — disse Julia, limpando um pouco de molho do canto da boca de Kate com o polegar.

— No quê?

— Que a gente joga melhor quando está bem uma com a outra. O Barbolini deveria nos agradecer por fazermos as pazes.

Kate riu, puxando Julia para um abraço de lado.

— Ele não precisa saber dos detalhes. Mas concordo. O time ganha, a gente ganha... e o vestiário ganha uma história nova para contar, se aquelas paredes falassem.

— Graças a Deus elas não falam — Julia encostou a cabeça no ombro de Kate, sentindo o sono finalmente chegar.

— Elas não precisam falar, ruiva. O jeito que você me olha em quadra já diz tudo o que o mundo precisa saber.

Julia sorriu, fechando os olhos. O jogo da vida delas estava longe de terminar, mas, naquele set, a vitória era absoluta. E o prêmio era exatamente o que ela tinha nos braços: o amor feroz e inabalável de sua russa favorita.

— Boa noite, Kate.

— Boa noite, minha ponteira.

O silêncio do apartamento era agora uma melodia suave, o som de duas vidas que, entre aces e bloqueios, haviam encontrado o ritmo perfeito da sincronia. E amanhã, quando o apito inicial soasse novamente, elas estariam prontas. Juntas. No mesmo time, no mesmo lado da rede, e no mesmo coração.

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