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Amor e odio

O Labirinto de Vidro e Ferro

A manhã em Porto Real nasceu envolta em uma névoa cinzenta que parecia abafar os sons da cidade e os gritos das gaivotas. Para Esther Targaryen, o despertar foi um exercício de disciplina. Cada músculo de seu corpo parecia carregar a memória da noite anterior; a pressão das mãos de Aemond, o frio da pedra contra suas costas e o calor sufocante do sangue derramado. Ela se vestiu com uma túnica de seda negra e vermelha, as cores de sua casa, com um decote alto que escondia perfeitamente a marca arroxeada em seu ombro.

Ela não deveria ir até lá. A prudência ditava que ela deveria permanecer em seus aposentos, bordando ou fingindo ler algum tomo antigo até que a poeira baixasse. Mas Esther não era uma criatura de prudência; ela era uma criatura de fogo. E o fogo exigia confronto.

O escritório de Aemond ficava em uma das torres mais isoladas da Fortaleza, um lugar que cheirava a pergaminho velho, cera de vela e a masculinidade austera que ele exalava. Ela não bateu. Simplesmente empurrou as pesadas portas de carvalho, entrando no recinto como se fosse a dona do lugar.

Aemond estava sentado atrás de uma mesa maciça, debruçado sobre mapas e relatórios de espionagem. Ele não levantou o olhar imediatamente, mas a tensão em seus ombros revelou que ele sabia exatamente quem era a intrusa.

— Eu não dei permissão para que entrasse, sobrinha — disse ele, a voz fria como uma lâmina de gelo.

— Desde quando eu preciso da sua permissão para qualquer coisa neste castelo, tio? — Esther caminhou até a mesa, apoiando as mãos na madeira e inclinando-se para frente. O perfume de morangos e almíscar dela invadiu o espaço dele, uma provocação silenciosa.

Aemond levantou o rosto. O tapa-olho parecia mais escuro contra sua pele pálida, e o único olho lilás brilhava com uma irritação contida.

— Ontem à noite foi um erro — afirmou ele, voltando o olhar para os mapas. — Um momento de fraqueza causado pela adrenalina. Não se repita.

Esther soltou uma risada debochada, um som que ecoou pelas paredes de pedra.

— Fraqueza? Você quase me quebrou contra aquela parede, Aemond. E depois agiu como se eu fosse algo precioso. Qual das suas máscaras é a verdadeira? O carrasco ou o salvador?

Aemond levantou-se bruscamente, a cadeira arrastando-se no chão com um ruído estridente. Ele contornou a mesa, invadindo o espaço dela com uma agressividade física que faria qualquer outra mulher recuar.

— Você é uma distração perigosa e uma traidora por sangue — sibilou ele, o rosto a centímetros do dela. — Eu deveria ter deixado aqueles homens terminarem o que começaram. Teria poupado a este reino muita dor de cabeça.

— Mas você não deixou — Esther rebateu, os olhos azuis faiscando de fúria. — Porque você não consegue suportar a ideia de que outra pessoa, além de você, possa me tocar. Você me odeia porque eu sou o único espelho que reflete o monstro que você realmente é.

— Você não sabe nada sobre mim! — rugiu Aemond, agarrando-a pelos braços.

— Eu sei que você sonha comigo — ela sussurrou, a voz carregada de veneno e desejo. — Eu sei que cada vez que você fecha esse seu único olho, você vê meus cabelos pretos e sente o gosto dos meus lábios. Você me odeia porque me deseja mais do que deseja o Trono de Ferro.

A discussão escalou rapidamente. Palavras foram lançadas como adagas, insultos sobre linhagem, legitimidade e traição. Aemond a chamou de abominação; Esther o chamou de usurpador covarde. A tensão acumulada de anos de rivalidade familiar e meses de um caso clandestino e violento explodiu.

Aemond a empurrou contra a estante de livros, e o impacto fez com que alguns tomos caíssem no chão. Ele não a beijou com ternura desta vez. Ele a atacou. Seus lábios se chocaram com uma violência que cortou o lábio de Esther, o gosto de sangue despertando neles uma fome primitiva.

As roupas foram rasgadas com uma urgência maníaca. Esther puxava os cabelos platinados dele, as unhas cravando-se em suas costas enquanto ele a suspendia, as pernas dela enroscando-se na cintura dele. O sexo foi uma batalha, um choque de vontades onde o prazer era extraído da dor e da submissão mútua. Aemond a possuía com uma força que arrancava gemidos roucos de sua garganta, cada estocada sendo uma afirmação de posse.

No auge do ato, quando o ar no escritório parecia rarefeito e o suor brilhava em seus corpos, três batidas fortes ecoaram na porta.

— Meu Príncipe? — A voz de Sor Criston Cole veio do corredor, firme e vigilante. — Ouvi barulhos. Está tudo bem?

Esther congelou, os olhos arregalados, a respiração presa na garganta. Ela tentou se soltar, mas Aemond a segurou com ainda mais força, suas mãos cravando-se em suas coxas fartas. Ele não parou. Pelo contrário, ele aumentou o ritmo, um sorriso cruel e triunfante surgindo em seus lábios enquanto olhava fixamente para ela.

— Aemond, pare... — ela tentou sussurrar, mas ele tapou a boca dela com a mão, abafando o som.

— Príncipe Aemond? — Criston insistiu, e o som da maçaneta sendo testada ecoou. A porta estava trancada por dentro, mas o guarda parecia desconfiado. — Vou entrar, senhor. A segurança exige.

Aemond inclinou a cabeça para trás, um rosnado silencioso escapando de seus lábios enquanto continuava o movimento rítmico e violento dentro dela. Ele olhou para a porta e depois para Esther, que estava em um estado de pânico e êxtase absoluto, sufocando seus próprios gemidos contra a palma da mão dele.

— Estou ocupado, Sor Criston! — gritou Aemond, a voz apenas levemente embargada pelo esforço físico, mas mantendo a autoridade fria.

— Ouvi móveis caindo, meu senhor — insistiu Cole, e o som de seu ombro batendo contra a madeira da porta indicou que ele estava tentando forçá-la. — Preciso garantir que não haja intrusos.

Esther sentiu uma onda de prazer tão intensa que sua visão escureceu. Ela mordeu a mão de Aemond para não gritar o nome dele, suas unhas deixando sulcos profundos nos braços do príncipe. Aemond não vacilou. Ele continuou a usá-la com uma ferocidade quase desumana, enquanto respondia ao guarda.

— Eu disse para sair! — Aemond rosnou, cada palavra pontuada por um impacto físico contra Esther que a fazia estremecer. — Se der mais um passo para dentro deste escritório sem minha ordem, eu mesmo entregarei sua cabeça ao Rei!

Houve um silêncio tenso no corredor. Esther sentia o coração batendo na garganta, o medo de ser descoberta misturando-se à luxúria violenta que Aemond provia. Ela podia sentir o calor dele, a força bruta de seus movimentos, e a humilhação deliciosa de estar naquela posição enquanto o protetor de sua mãe estava a poucos metros de distância.

— Peço desculpas, meu Príncipe — disse Criston, finalmente, a voz soando incerta. — Permanecerei à porta para sua segurança.

— Afaste-se da porta, Sor Criston! — ordenou Aemond, dando a estocada final que levou ambos ao abismo. — Vá para o final do corredor. Agora!

Ouviram-se os passos da armadura de Cole se afastando. Aemond desabou sobre Esther, o rosto enterrado em seu pescoço, ambos ofegantes, os corpos ainda unidos e trêmulos. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado com o peso do que acabara de acontecer.

Aemond foi o primeiro a se afastar, como sempre. Ele se recompôs com uma frieza que beirava o insulto, ajustando suas roupas e limpando o sangue de seus lábios sem olhar para ela.

Esther permaneceu encostada na estante, tentando recuperar o fôlego e a dignidade. Suas pernas tremiam e seu vestido estava em ruínas, mas seus olhos azuis ainda brilhavam com um desafio indomável.

— Você quase nos destruiu — disse ela, a voz rouca.

Aemond virou-se para ela, o rosto voltado para a luz da janela. Ele parecia novamente o príncipe de gelo, o guerreiro implacável que não conhecia a fraqueza.

— Eu nunca perco o controle, Esther — disse ele, a voz desprovida de qualquer emoção. — Eu sabia exatamente o que estava fazendo.

— Você é um doente — ela cuspiu, embora não houvesse real convicção em suas palavras.

— E você é a minha cura e o meu veneno — ele respondeu, caminhando até a porta. — Agora saia pelas passagens dos criados. Não quero ter que matar Sor Criston hoje por causa da sua falta de discrição.

Esther ajeitou o que pôde de suas roupas, lançando-lhe um olhar de puro ódio antes de se dirigir à saída secreta atrás da tapeçaria.

— Isso não acabou, Aemond.

Ele não se virou.

— Eu sei.

Esther desapareceu nas sombras da passagem, sentindo o ar frio do túnel contra sua pele aquecida. Ela odiava Aemond Targaryen com cada fibra de seu ser, e sabia que ele sentia o mesmo. Mas naquele jogo de sombras e poder, o ódio era a única coisa que os mantinha vivos, e o sexo era a única linguagem que ambos entendiam perfeitamente. Enquanto a Fortaleza Vermelha se preparava para a guerra, a verdadeira batalha já estava sendo travada entre dois dragões que preferiam queimar juntos a viver separados.