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Amor e ódio em moscou

Vulnerabilidade de Aço e Veludo

A luz âmbar do abajur criava sombras longas e dramáticas pelos músculos definidos de Danye, que ainda tentava recuperar o fôlego. Isabel, sentada sobre os quadris dele, observava o contraste da pele morena dela contra a brancura quase pálida do peito dele. Ela adorava aquele poder. Danye Petrov, o homem que enfrentava criminosos nas noites geladas de Moscou sem piscar, agora estava à sua mercê, com o peito subindo e descendo em espasmos de puro prazer e confusão.

— Você disse que odiou, Danye — Isabel sussurrou, passando as unhas leves pelos ombros largos dele —, mas seu corpo está me contando uma história bem diferente.

Danye soltou um rosnado baixo, algo entre um protesto e um ronronar. Ele tentou mover os braços, mas o tilintar das algemas na cabeceira de ferro o lembrou de sua condição. Ele era um homem de 1,90m, treinado, forte o suficiente para derrubar uma porta com um ombro só, mas ali, sob o olhar travesso da esposa, ele se sentia como um filhote de urso capturado em uma armadilha de seda.

— *Isabel, pozhaluysta*... — ele murmurou, a voz saindo mais grave que o normal. — Isso não é natural. Esse... esse barulho. Eu não gosto de não saber o que vem a seguir.

— É exatamente por isso que eu estou fazendo isso, *moy medved* (meu urso) — ela riu, a risada brasileira, quente e vibrante, preenchendo o ar frio do quarto. — Você planeja tudo. Você controla tudo na rua, na patrulha, até na nossa cozinha. Mas aqui, hoje, você só precisa sentir.

Ela pegou novamente o pequeno aparelho. O zumbido recomeçou, e Danye fechou os olhos com força, a mandíbula travada. Ele era um homem sério, um russo "raiz" que acreditava que o prazer era algo direto, físico e comandado por ele. A introdução de brinquedos e a perda da liberdade das mãos o deixavam em um estado de vulnerabilidade que ele raramente se permitia.

— Olhe para mim, Danye — ela ordenou suavemente.

Ele abriu os olhos azuis, agora nublados e escuros, fixando-os no rosto de boneca de Isabel. Os cachos dela caíam sobre os ombros, e o brilho de diversão nos olhos dela era quase tão excitante quanto o toque do vibrador.

— Eu vou aumentar a potência — avisou ela, aproximando o objeto novamente.

— *Nyet!* — Danye exclamou, os músculos das coxas saltando enquanto ele tentava se esquivar, embora não tivesse para onde ir. — Isabel, é demais. Eu vou... eu não vou aguentar.

— Essa é a ideia, meu amor.

Quando o dispositivo tocou a pele sensível dele novamente, Danye soltou um som que nunca admitiria em público. Foi um gemido alto, entrecortado, que terminou em uma praga em russo que Isabel não conhecia, mas cujo significado era óbvio. Ele arqueou o corpo, os quadris subindo involuntariamente, buscando mais do estímulo que ele dizia detestar. As algemas chacoalharam violentamente contra o metal da cama.

— *Chort!* Isabel! — Ele gritou, a voz falhando. — Pare... não, não pare... *suka*...

— Decida-se, Petrov — ela provocou, deslizando a mão livre pelo abdômen trincado dele, sentindo cada músculo vibrar em resposta. — Você quer que eu pare?

Danye não respondeu com palavras. Ele apenas inclinou a cabeça para trás, expondo a garganta, os tendões do pescoço saltados pelo esforço de não perder o controle total. A seriedade do patrulheiro noturno havia desaparecido completamente, dando lugar a um homem dominado pelos sentidos. Ele era um bebezão carinhoso em momentos de paz, mas ali, sob a tortura doce de Isabel, ele era puro instinto.

— Você é tão barulhento quando quer — Isabel comentou, diminuindo a intensidade por um segundo apenas para ver a expressão de frustração no rosto dele.

— Eu odeio você agora — ele disse em inglês, embora o olhar que lançasse a ela fosse de pura adoração e desejo. — Você sabe que eu não consigo me concentrar assim.

— E por que você precisa se concentrar? — Ela se inclinou, beijando o peito dele, logo acima do coração que batia como um tambor desgovernado. — Apenas deixe acontecer.

— Eu sou um homem, Isabel, não um brinquedo — ele resmungou, tentando recuperar um pouco da dignidade russa, embora estivesse completamente suado e à mercê dela.

— Você é o *meu* homem — ela corrigiu, subindo o corpo para ficar cara a cara com ele. — E o meu homem precisa aprender que se entregar também é uma forma de força.

Ela ligou o aparelho na potência máxima e o posicionou estrategicamente. O efeito foi instantâneo. Danye soltou um urro, os olhos revirando levemente enquanto o prazer sobrecarregava seu sistema nervoso. Ele puxou as algemas com tanta força que Isabel temeu por um momento que a cabeceira da cama fosse ceder.

— *Ya seychas konchu!* (Eu vou chegar lá agora!) — ele gritou em russo, a voz rouca e desesperada.

Isabel não recuou. Ela manteve o ritmo, observando cada reação do marido. O rosto dele, geralmente uma máscara de indiferença ou seriedade, estava transformado. A boca entreaberta, o suor escorrendo pelas têmporas, os dentes de coelho que ela tanto amava aparecendo enquanto ele mordia o lábio para conter os gritos. Ele era lindo naquela desordem.

Quando o ápice finalmente o atingiu, foi explosivo. Danye esticou cada centímetro de seus 1,90m, os pés empurrando o colchão, os braços tensos contra o metal. Ele soltou uma sequência de palavras em russo que Isabel tinha certeza de que não eram elogios, mas o tom era de pura entrega. O corpo dele tremeu por longos segundos antes de finalmente relaxar, desabando contra os lençóis.

O silêncio voltou ao quarto, quebrado apenas pelo som do vento lá fora e pela respiração pesada de ambos. Isabel desligou o aparelho e o colocou na mesinha, sorrindo vitoriosa. Ela se inclinou e beijou a testa de Danye, que estava com os olhos fechados e a expressão de quem tinha acabado de sobreviver a um furacão.

— E então? — perguntou ela, a voz doce. — Ainda odeia?

Danye abriu um dos olhos, olhando para ela com uma mistura de cansaço e afeição.

— Sim — ele disse, a voz ainda trêmula. — Eu odiei cada segundo. Foi horrível.

Isabel riu, sabendo que ele estava mentindo. Ela pegou a chave no bolso do seu robe e soltou as algemas. Assim que os pulsos de Danye ficaram livres, ele não perdeu tempo. Com um movimento rápido que pegou Isabel de surpresa, ele a inverteu na cama, prendendo-a sob seu corpo maciço.

— *Moya turns* (Minha vez) — ele disse, o sotaque russo carregado de uma nova promessa.

— Danye, você está exausto — ela brincou, embora seu coração tivesse disparado ao sentir o peso dele sobre ela.

— Um Petrov nunca está exausto demais para dar o troco — ele murmurou, o rosto voltando àquela seriedade intensa, mas com um brilho de diversão nos olhos azuis. — Você acha que pode me algemar e usar essas... máquinas... e sair impune?

— Eu achei que você tinha gostado da atenção — ela disse, passando os braços pelo pescoço dele, os dedos se perdendo no cabelo curto do buzz cut.

— Eu gostei da sua audácia — ele admitiu, escondendo o rosto na curva do pescoço dela, voltando ao seu modo "bebezão" carinhoso, distribuindo beijos úmidos e lentos pela pele morena. — Mas da próxima vez, eu é que vou esconder as chaves.

— Veremos, senhor Patrulheiro — Isabel sussurrou, sentindo o calor do corpo dele envolvê-la completamente.

Danye se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. A diferença de tamanho entre os dois sempre a encantava; ele era tão grande, tão protetor, e ela se sentia perfeitamente encaixada sob ele. Ele acariciou o rosto dela com o polegar áspero, o olhar suavizando de uma forma que ele só permitia que ela visse.

— *Ya lyublyu tebya, Isabel* — ele disse, a declaração em russo saindo como um segredo sagrado.

— Eu também te amo, Danye. Mesmo quando você é um russo teimoso e ranzinza.

— Eu não sou ranzinza — ele protestou, fazendo um biquinho que desarmava qualquer um. — Eu sou apenas... focado.

— Focado em ser o homem mais lindo desse mundo, só pode ser — Isabel riu, puxando-o para um beijo calmo, que logo recuperou a intensidade da noite.

Lá fora, a neve continuava a cair sobre Moscou, cobrindo a cidade com um manto branco e silencioso. Mas dentro daquele quarto, entre as paredes que guardavam os segredos de um casal tão diferente e tão igual, o fogo estava longe de se apagar. Danye podia até reclamar dos brinquedos e das algemas, mas Isabel sabia que, no fundo, ele adorava ser o prisioneiro daquela brasileira que tinha transformado o gelo do seu coração em pura brasa.

Ele a apertou mais contra si, o corpo grande servindo de escudo contra o frio do mundo exterior. Ali, ele não era o soldado, o patrulheiro ou o homem sério de poucas palavras. Ele era apenas o Danye de Isabel, pronto para qualquer nova "tortura" que ela decidisse inventar, desde que o prêmio final fosse o amor dela.

— Isabel? — ele chamou baixinho, quando o sono começava a ameaçar.

— Sim, meu amor?

— Amanhã... — ele hesitou, as bochechas corando levemente no escuro. — Amanhã você pode guardar aquele aparelho bem fundo na gaveta.

Isabel sorriu contra o peito dele.

— Por que? Realmente não gostou?

Danye suspirou, abraçando-a com mais força.

— Porque eu prefiro o som da sua voz do que o som daquele motor. Mas... — ele fez uma pausa longa — ...as algemas podem ficar.

Isabel soltou uma risadinha deliciada, fechando os olhos enquanto se acomodava no abraço do seu gigante. A noite em Moscou estava apenas começando, e ela já estava planejando o que fazer na noite seguinte. Afinal, um patrulheiro russo precisava sempre estar preparado para o inesperado.

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