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amor e sexo

O Espelho de Vidro e a Sede da Noite

A luz azulada da tela do celular de Luiza iluminava o rosto de Jihyo na penumbra do quarto, criando sombras profundas sob seus olhos cansados. Luiza dormia ao seu lado, ou pelo menos parecia dormir, com a respiração pesada e um braço jogado por cima do travesseiro. O coração de Jihyo batia contra as costelas, um ritmo frenético de culpa e compulsão. Ela sabia a senha; Luiza nunca a escondera, um gesto de confiança que Jihyo retribuía com uma espionagem silenciosa e angustiada.

Seus dedos deslizaram pelas notificações. Mensagens de grupos da faculdade, curtidas em fotos de sua última exposição, um lembrete para comprar materiais de pintura. Nada suspeito. Nada que justificasse o aperto no peito de Jihyo. No entanto, ela continuava cavando, lendo conversas antigas, buscando nas entrelinhas qualquer sinal de que o interesse de Luiza pelo mundo lá fora estava superando o interesse por sua esposa "velha" e controladora.

— Você está procurando por algo específico ou apenas conferindo se eu ainda sou a mesma pessoa de ontem? — A voz de Luiza surgiu baixa, rouca pelo sono, quebrando o silêncio como um trovão.

Jihyo deu um salto, deixando o aparelho escorregar de suas mãos e cair sobre o edredom. Seus olhos se arregalaram, e o pânico imediato a paralisou. Luiza não se moveu bruscamente; ela apenas abriu um dos olhos, observando Jihyo com uma mistura de resignação e uma ternura que doía mais do que qualquer briga.

— Lu... eu... — Jihyo gaguejou, sentindo o rosto queimar. — Eu só ia colocar para carregar.

— Ji, o carregador está do seu lado da cama — disse Luiza, sentando-se devagar, os cabelos bagunçados caindo sobre o rosto jovem. — Eu sei que você mexe no meu celular quase todas as noites. Eu finjo que não vejo porque sei que isso acalma seus monstros, mas me dói saber que você ainda não confia no que eu te digo olho no olho.

Jihyo baixou a cabeça, os ombros murchando. A vergonha era um peso físico.

— Não é que eu não confie em você — sussurrou Jihyo, a voz embargada. — É que eu não confio na sorte de ter você. Eu olho para as pessoas que convivem com você, pessoas da sua idade, com a sua energia... e eu sinto que sou um fardo pesado demais para alguém tão leve carregar. Eu procuro um motivo para você me deixar antes que você mesma o encontre.

Luiza suspirou e se aproximou, deslizando pela cama até que seus corpos se tocassem. Ela pegou o celular, desligou a tela e o jogou no chão, sem se importar onde cairia. O foco agora era apenas a mulher à sua frente.

— Eu não sou um troféu que você precisa vigiar para ninguém roubar, Jihyo. Eu sou sua esposa. E, honestamente? — Luiza passou a mão pela nuca de Jihyo, puxando-a para perto. — Eu não quero saber de ninguém da faculdade. Eu passei o dia inteiro pensando apenas no momento em que chegaria em casa e teria você só para mim.

O tom de voz de Luiza mudou. A resignação deu lugar a uma intensidade vibrante, uma eletricidade que Jihyo conhecia bem. Luiza tinha vinte e dois anos; sua vitalidade não era apenas emocional, era física, voraz. Seus dedos começaram a traçar o contorno da mandíbula de Jihyo, descendo para a gola do pijama de seda.

Jihyo sentiu um calafrio, mas era um calafrio misturado com exaustão. Seu dia no estúdio tinha sido brutal. O retorno do TWICE estava próximo, e ela passara dez horas ensaiando a mesma sequência de dança até que seus músculos gritassem. Sua mente estava nublada, e tudo o que ela realmente desejava era fechar os olhos e desaparecer no sono por doze horas seguidas.

Mas, ao olhar para Luiza, viu o brilho nos olhos da esposa. Viu o desejo puro, quase desesperado, de se conectar. Para Jihyo, o sexo era uma forma de reafirmar a posse; para Luiza, era a celebração da vida que compartilhavam.

— Lu, eu estou tão cansada... — murmurou Jihyo, embora seu corpo já estivesse reagindo ao toque da mais nova.

— Eu sei que você está — disse Luiza, inclinando-se para beijar a base do pescoço de Jihyo, onde a pulsação era mais forte. — Deixe que eu cuido de tudo. Você não precisa fazer esforço nenhum. Só sinta o quanto eu te quero.

Luiza começou a desabotoar o pijama de Jihyo com uma agilidade que denunciava sua urgência. Seus beijos eram quentes, famintos, descendo pelo colo de Jihyo, fazendo-a arquear as costas contra a cabeceira da cama. Jihyo fechou os olhos, tentando afastar a névoa do cansaço. Ela se sentia culpada por não estar na mesma sintonia, por sentir que suas pálpebras pesavam enquanto Luiza parecia estar pegando fogo.

— Você é tão linda — sussurrou Luiza entre beijos. — Às vezes eu acho que você não tem noção do poder que tem sobre mim. Você se preocupa com as meninas da minha idade, mas nenhuma delas tem esse seu olhar, essa sua força.

Jihyo envolveu os ombros de Luiza com os braços, sentindo a pele macia e firme da esposa. Ela fez um esforço consciente para se concentrar nas sensações: o calor das mãos de Luiza em sua cintura, o perfume de baunilha que emanava de seus cabelos, o som da respiração ofegante preenchendo o quarto. Ela não podia deixá-la na mão. Jihyo sentia que, se não correspondesse àquela chama, estaria dando a Luiza mais um motivo para procurar calor em outro lugar — um pensamento irracional, mas que ditava suas ações.

— Luiza... — Jihyo gemeu quando a língua da mais nova encontrou um ponto sensível em seu seio.

O cansaço começou a ser empurrado para o fundo da consciência, substituído por uma onda de adrenalina provocada pelo desejo da outra. Jihyo forçou-se a se mover, a inverter as posições, querendo mostrar que ainda podia ser a mulher dominante que Luiza tanto admirava. Ela empurrou Luiza contra os travesseiros, subindo sobre ela, ignorando a dor latente em suas panturrilhas e a queimação nos braços.

— Eu pensei que você estivesse cansada — provocou Luiza, com um sorriso vitorioso nos lábios, as mãos subindo para as coxas de Jihyo.

— Para você, eu sempre tenho energia — mentiu Jihyo, embora a mentira fosse alimentada por um amor tão profundo que se tornava uma verdade momentânea.

O ato foi intenso, quase urgente. Luiza era como uma força da natureza, exigindo cada grama de atenção de Jihyo. Cada toque, cada gemido de Luiza funcionava como um combustível para Jihyo continuar, mesmo quando seu corpo pedia por descanso. Ela se perdia na juventude de Luiza, tentando absorver um pouco daquela vitalidade para si mesma, como se pudesse parar o tempo através daquele contato carnal.

Quando finalmente atingiram o ápice, Jihyo desabou sobre o peito de Luiza, o coração batendo tão forte que ela mal conseguia ouvir os sons da noite lá fora. O suor colava seus corpos, e a respiração de ambas era um coro descompassado na penumbra.

Luiza acariciava os cabelos de Jihyo com ternura, depositando beijos em sua testa.

— Você foi incrível, Ji. Como sempre.

Jihyo não respondeu de imediato. Ela estava lutando para não pegar no sono ali mesmo, em cima da esposa.

— Eu te amo tanto — sussurrou Jihyo, a voz quase sumindo. — Eu faria qualquer coisa para te fazer feliz. Você sabe disso, não sabe?

Luiza parou o carinho por um segundo, o semblante tornando-se sério novamente.

— Eu sei. Mas eu não quero que você faça as coisas por medo de me perder. Eu quero que você faça porque sente o mesmo. Eu percebi, Ji... percebi que você estava exausta. Você não precisava ter ido tão longe se não estivesse com vontade.

Jihyo levantou a cabeça, olhando para Luiza com olhos marejados.

— Eu sempre tenho vontade de estar com você. Só que... às vezes meu corpo não acompanha minha mente. E eu tenho pavor de que você comece a me ver como alguém que não consegue te acompanhar.

— Jihyo, olhe para mim — pediu Luiza, segurando o rosto da esposa com as duas mãos. — Eu não me casei com uma máquina de dança ou com uma fonte inesgotável de energia. Eu me casei com você. Com a Jihyo que fica cansada, com a Jihyo que chora, com a Jihyo que é vulnerável. Se eu quisesse alguém apenas para festas e noites em claro, eu estaria em uma fraternidade, não em um casamento.

Jihyo sentiu uma lágrima escapar e escorrer pelo polegar de Luiza.

— Eu me sinto tão pequena perto da sua segurança, Lu.

— Você é a mulher mais forte que eu conheço — rebateu Luiza. — Mas sua força não está em nunca cair, está em como você se dedica a nós. Só que você precisa entender que "nós" também significa cuidar de você. Agora, chega de conversa. Você vai dormir.

Luiza a ajudou a se deitar adequadamente e a cobriu com o edredom, puxando-a para seus braços. Jihyo se encaixou no abraço, sentindo o calor reconfortante de Luiza. O cansaço finalmente venceu a ansiedade, e o peso nos seus ombros pareceu diminuir um pouco.

— Ji? — chamou Luiza baixinho, quando Jihyo já estava na fronteira do sono.

— Hum?

— Amanhã, deixe o celular no carregador. Se você quiser saber o que está acontecendo na minha vida, é só me perguntar enquanto tomamos café. Eu te conto tudo, até as partes chatas sobre a história da arte. Prometo.

Jihyo deu um sorriso fraco contra o ombro de Luiza.

— Tudo bem. Eu vou tentar.

— Eu te amo, minha Ji possessiva.

— Eu te amo mais, minha Lu atrevida.

O silêncio voltou a reinar no apartamento, mas desta vez não era um silêncio carregado de suspeitas ou tique-taques ansiosos. Era o silêncio de dois corações que, apesar das inseguranças e da diferença de ritmo, batiam na mesma frequência de um amor complicado, mas profundamente real. Jihyo adormeceu profundamente, sem sonhos de perseguição ou perda, protegida pelo abraço daquela que ela tanto temia perder, mas que, na verdade, nunca estivera tão perto.

Lá fora, a chuva de Seul continuava a cair, lavando as ruas e as janelas, enquanto dentro daquele quarto, as sombras finalmente descansavam. Jihyo sabia que no dia seguinte a insegurança poderia voltar, que o desejo de Luiza continuaria sendo um desafio para sua exaustão, mas por aquela noite, a batalha havia sido vencida. Elas eram apenas Luiza e Jihyo, duas almas tentando encontrar o equilíbrio entre o fôlego da juventude e a profundidade da entrega. E isso, por enquanto, era o suficiente para manter o mundo em ordem.