amor e sexo
O Eco das Mãos no Silêncio
As férias de verão da universidade haviam chegado como uma faca de dois gumes para Jihyo. Por um lado, significava que Luiza não estaria mais cercada por aqueles colegas de classe vibrantes e cheios de vida que tanto alimentavam suas inseguranças. Por outro, significava que a energia de Luiza, agora sem o escape dos projetos de artes e das aulas intermináveis, estava completamente voltada para um único alvo: Jihyo.
O apartamento, que antes era o refúgio silencioso de Jihyo após os ensaios exaustivos para o comeback do TWICE, transformara-se em um campo minado de tensão sensorial. Luiza parecia estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Se Jihyo estava na cozinha preparando um chá, sentia o corpo de Luiza pressionado contra suas costas, as mãos da mais nova deslizando por sua cintura com uma possessividade faminta. Se Jihyo tentava ler um roteiro na sala, Luiza se acomodava entre suas pernas, traçando desenhos invisíveis em suas coxas com as pontas dos dedos, olhos brilhando com uma luxúria que não pedia permissão.
Era uma terça-feira abafada. O sol de Seul castigava as janelas, e o ar-condicionado trabalhava no máximo, mas o clima dentro do quarto era ainda mais denso. Jihyo estava sentada na beira da cama, massageando os pés doloridos após doze horas de coreografia. Ela ouviu o som da porta do banheiro se abrindo.
Luiza saiu apenas de toalha, o cabelo úmido pingando sobre os ombros. Ela não foi se vestir. Em vez disso, caminhou lentamente até Jihyo, parando entre as pernas abertas da esposa.
— Você parece acabada, Ji — comentou Luiza, sua voz saindo mais grave, carregada de uma intenção que fez os pelos da nuca de Jihyo se arrepiarem.
— Eu estou — admitiu Jihyo, fechando os olhos por um momento. — O coreógrafo decidiu mudar o refrão hoje. Meus músculos estão latejando.
Luiza não recuou. Pelo contrário, ela se inclinou, apoiando as mãos nos ombros de Jihyo e forçando-a a deitar-se devagar no colchão.
— Então deixe que eu cuido de você — sussurrou Luiza, a toalha ameaçando escorregar. — Mas eu não quero ser gentil hoje, Jihyo. Eu passei o dia todo trancada aqui pensando em você. Pensando em como sua pele reage quando eu aperto demais.
Jihyo sentiu o estômago dar um solavanco. Ela amava aquela intensidade, mas seu corpo pedia trégua. No entanto, ao abrir os olhos e encontrar o olhar de Luiza — aquele olhar de quem queria devorá-la por inteiro —, a dependência emocional de Jihyo falou mais alto. Ela precisava ser o que Luiza queria. Ela precisava satisfazer aquela sede para garantir que Luiza nunca procurasse outra fonte.
— Lu... eu não sei se consigo acompanhar você agora — tentou dizer Jihyo, a voz falhando enquanto a mão de Luiza subia por sua coxa, apertando a carne com força suficiente para deixar uma marca.
— Você sempre consegue — rebateu Luiza, selando os lábios de Jihyo com um beijo agressivo, cheio de língua e dentes.
O beijo não era um convite; era uma reivindicação. Luiza a beijava como se estivesse tentando extrair a alma de Jihyo através de sua boca. Quando se afastaram por um segundo para respirar, Luiza tinha um sorriso predatório.
— Eu quero que você sinta o quanto eu estou querendo isso — disse Luiza, pegando a mão de Jihyo e levando-a até seu próprio corpo. — Sente como meu coração está? Ele está batendo por você, mas ele quer que você sofra um pouquinho comigo.
Jihyo engoliu em seco. O calor que emanava de Luiza era quase insuportável.
— O que você quer fazer comigo? — perguntou Jihyo, entregando-se ao ritmo da mais nova.
— Eu quero que você esqueça o cansaço. Quero que você sinta cada centímetro de mim — Luiza se posicionou sobre ela, prendendo os pulsos de Jihyo acima da cabeça com apenas uma mão. — Você gosta de ter o controle, não gosta, Ji? Gosta de saber onde eu estou a cada segundo. Mas aqui, entre essas quatro paredes, o controle é meu.
A dinâmica entre as duas era um espelho invertido de suas vidas públicas. Lá fora, Jihyo era a líder, a mulher experiente que guiava o grupo e protegia a esposa mais jovem. Mas no segredo do quarto, Luiza florescia em uma dominação natural, uma força da juventude que subjugava a exaustão de Jihyo.
Luiza começou a trilhar um caminho de beijos e mordidas pelo pescoço de Jihyo, parando para sugar a pele sensível logo abaixo da orelha. Jihyo soltou um gemido baixo, uma mistura de dor e prazer que ecoou pelo quarto silencioso.
— Luiza, as marcas... — Jihyo tentou protestar, pensando no figurino do palco que teria que usar no dia seguinte.
— Deixe que vejam — murmurou Luiza contra sua pele. — Deixe que todos saibam que você pertence a alguém que te deseja tanto que não consegue se controlar.
Aquelas palavras foram o gatilho. Jihyo sentiu uma onda de adrenalina percorrer seu sistema, mascarando a dor muscular. A ideia de pertencer de forma tão absoluta a Luiza alimentava sua obsessão. Ela arqueou o corpo, buscando mais contato, suas unhas cravando-se nos braços de Luiza.
A tarde transformou-se em noite, e o calor no quarto não diminuiu. Luiza parecia incansável. Cada vez que Jihyo achava que haviam chegado ao fim, Luiza encontrava uma nova maneira de despertá-la, um novo toque, um novo sussurro provador. Era como se as férias tivessem liberado um monstro de desejo que Luiza vinha guardando durante todo o semestre.
— Você está chorando? — perguntou Luiza em certo momento, parando para olhar o rosto de Jihyo, cujas bochechas estavam úmidas.
— É só que... é demais — soluçou Jihyo, puxando Luiza para um abraço apertado. — Eu te amo tanto que sinto que vou explodir. Eu tenho tanto medo de que esse fogo apague um dia.
Luiza suspirou, o calor do momento dando lugar a uma breve nota de seriedade. Ela acariciou o rosto de Jihyo, limpando as lágrimas com o polegar.
— Ji, esse fogo só aumenta porque é você. Você acha que eu teria essa energia com qualquer outra pessoa? É a sua entrega que me deixa assim. Mas você precisa parar de chorar por medo do futuro. O futuro não existe agora. Só existe o meu corpo no seu.
— Você promete? — perguntou Jihyo, a vulnerabilidade infantil transparecendo em seus olhos grandes. — Promete que, mesmo quando as férias acabarem e você voltar para aquele mundo cheio de gente jovem e interessante, você ainda vai me querer desse jeito?
Luiza soltou uma risada curta, mas não era de deboche; era de incredulidade.
— Jihyo, olhe para você. Você é a mulher mais desejada da Coreia e, por algum motivo que eu agradeço todos os dias, você é obcecada por mim. Você realmente acha que um estudante de artes com uma pasta de desenhos tem alguma chance contra o que a gente tem aqui?
— Eu me sinto velha às vezes, Lu — confessou Jihyo, a voz pequena.
— Pois eu acho que você nunca esteve tão viva — disse Luiza, voltando a descer o corpo sobre o dela. — E se você ainda tiver dúvidas, eu vou passar o resto da noite provando o contrário.
E ela provou. Luiza não deu trégua. Ela explorou cada curva do corpo de Jihyo com uma curiosidade renovada, como se estivesse pintando uma obra de arte viva. Jihyo, apesar do cansaço que pesava em seus ossos, esforçava-se para retribuir, para ser o espelho do desejo de Luiza. Ela se perdia nos sentidos, deixando que a dor física dos ensaios fosse substituída pela dor deliciosa do toque possessivo de sua esposa.
Horas depois, quando a lua já estava alta e o silêncio de Seul era absoluto, as duas estavam caídas sobre os lençóis bagunçados. Jihyo sentia-se como se tivesse corrido uma maratona. Seu corpo estava marcado, sua garganta estava seca de tanto gemer, e seu coração finalmente havia encontrado um ritmo de paz.
Luiza estava deitada com a cabeça no peito de Jihyo, traçando círculos lentos em seu abdômen.
— Você está viva? — brincou Luiza, a voz agora suave e sonolenta.
— Por pouco — respondeu Jihyo, soltando um riso fraco e passando os dedos pelos cabelos de Luiza. — Eu acho que vou precisar de um guindaste para me tirar dessa cama amanhã.
— Eu te levo no colo até o banheiro — prometeu Luiza, fechando os olhos. — Eu disse que cuidaria de você.
— Você tem uma definição bem peculiar de "cuidar", Luiza — Jihyo beijou o topo da cabeça da esposa. — Mas eu não trocaria isso por nada no mundo.
— Eu sei que não. Você é viciada em mim tanto quanto eu sou em você.
Jihyo não negou. Era a mais pura verdade. Elas viviam em um ciclo de dependência e paixão que muitas vezes beirava o insalubre, mas era o único modo que sabiam amar. Para Jihyo, cada marca deixada por Luiza era um selo de segurança. Para Luiza, cada resposta de Jihyo era a confirmação de que ela era o centro do universo daquela mulher incrível.
— Ji? — chamou Luiza, quase dormindo.
— Sim, meu amor?
— Amanhã... eu quero ir ao estúdio com você. Quero ficar sentada no canto da sala assistindo você dançar.
O coração de Jihyo deu um salto. O ciúme e a possessividade, sempre à espreita, brilharam por um momento.
— Por que? Para ver as outras meninas? — A pergunta saiu antes que ela pudesse filtrar.
Luiza levantou a cabeça, olhando para Jihyo com um sorriso cansado.
— Não, boba. Para que elas vejam que você é minha. E para que eu possa passar o dia todo imaginando o que vou fazer com você quando chegarmos em casa.
Jihyo relaxou, um sorriso de satisfação surgindo em seus lábios. Ela puxou o edredom sobre as duas, abraçando Luiza com força.
— Tudo bem. Você pode ir. Mas não use nada muito curto, entendeu?
Luiza riu, enterrando o rosto no pescoço de Jihyo.
— Sim, senhora Park. Como você desejar.
Naquela noite, Jihyo dormiu sem o medo de ser trocada. Ela dormiu com a certeza de que, enquanto houvesse aquele calor, aquela sede incontrolável entre as duas, o mundo lá fora poderia esperar. O amor delas era complicado, era exaustivo e, às vezes, um pouco doloroso, mas no silêncio do quarto, era a única coisa que importava. Jihyo finalmente fechou os olhos, deixando-se levar por um sono profundo, sabendo que, ao acordar, Luiza ainda estaria ali, pronta para incendiar seu mundo mais uma vez.