amor entre escolhas
Diagnósticos de Coração e Manchetes de Primeira Página
A notícia não se espalhou como um incêndio; ela explodiu como uma supernova. No mundo hiperconectado de Seul, o anonimato é uma ilusão que dura apenas até o primeiro internauta com uma câmera de alta resolução cruzar o seu caminho. O jantar "sem emergências" que Chan havia planejado aconteceu em um pequeno bistrô escondido em um beco de Samcheong-dong, mas nem mesmo as paredes de pedra e a iluminação baixa foram suficientes para protegê-los dos olhos atentos da Dispatch.
Hillary estava em sua sala, revisando os gráficos de desempenho da nova unidade de terapia intensiva, quando Aurora entrou sem bater. O rosto da loira era uma mistura de pânico e euforia. Ela não disse nada, apenas jogou o tablet sobre a mesa de Hillary.
A manchete do portal de notícias mais famoso da Coreia brilhava em letras garrafais: "O LÍDER E A LÍDER: BANG CHAN DO STRAY KIDS É FLAGRADO EM JANTAR ROMÂNTICO COM A CEO DO HOSPITAL CENTRAL". Abaixo, uma sequência de fotos mostrava o momento em que saíam do restaurante. Em uma delas, Chan segurava a porta para Hillary; em outra, ele inclinava a cabeça para ouvir algo que ela dizia, um sorriso claramente apaixonado iluminando seu rosto.
— Hillary, respira — disse Aurora, cruzando os braços. — O servidor do hospital caiu há dez minutos. Não por causa de um vírus, mas porque metade do fandom do Stray Kids decidiu descobrir quem é a mulher que roubou o coração do 'Wolf Chan'.
Hillary sentiu o sangue fugir do rosto. Ela era uma mulher de dados, de fatos, de precisão cirúrgica. Ver sua vida privada exposta daquela forma era como sofrer uma hemorragia interna que ela não sabia como estancar.
— Isso é um desastre, Aurora — sussurrou ela, massageando as têmporas. — A diretoria vai ter um ataque. Eles detestam publicidade que não seja institucional. E a JYP... meu Deus, a agência dele vai me destruir.
— Na verdade — Aurora apontou para o tablet —, eu acho que você deveria ler os comentários antes de preparar seu testamento profissional.
Hillary hesitou, mas a curiosidade científica falou mais alto. Ela deslizou o dedo pela tela, lendo as traduções dos comentários dos fãs nas redes sociais.
"Espere, ela é a CEO de um dos melhores hospitais do país? E ela é médica? Chan-ie realmente escolheu uma rainha!"
"Olhem para o currículo dela... ela salvou centenas de vidas durante a última epidemia. Eles são o casal mais poderoso que eu já vi!"
"Finalmente alguém que está à altura das responsabilidades do Chan. Ela parece tão elegante e inteligente. Eu dou todo o meu apoio!"
"Doutora Hillary, por favor, cuide da saúde do nosso líder! Nós confiamos em você!"
Hillary piscou, atônita. Ela esperava ódio, críticas, pedidos de cancelamento. Em vez disso, o que via era uma onda de respeito e admiração. O Stay, como os fãs eram chamados, parecia ter aprovado o relacionamento não apenas pela estética, mas pela competência de Hillary.
— Eles estão... nos apoiando? — perguntou ela, a voz incerta.
— Hillary, você não é uma trainee de dezoito anos — explicou Aurora, sentando-se na beirada da mesa. — Você é uma mulher de sucesso, independente e que salva vidas. Para os fãs, você não é alguém "tirando" o ídolo deles, você é alguém que pode cuidar dele e que entende o peso do trabalho dele. Você é a 'CEO de Ferro' que derreteu pelo líder deles. É a narrativa perfeita!
O telefone de Hillary vibrou sobre a mesa. Era Chan. Ela atendeu no primeiro toque.
— Chris? — A voz dela saiu mais instável do que pretendia.
— Hillary, sinto muito — a voz dele soou do outro lado, carregada de preocupação. — Eu tentei ser discreto, eu juro. Minha equipe já está em reunião com a JYP. Se você estiver se sentindo pressionada ou se o hospital estiver com problemas, eu posso emitir um comunicado dizendo que somos apenas amigos e...
— Chan, pare — interrompeu ela, sentindo uma súbita onda de coragem. — Você viu o que os seus fãs estão dizendo?
Houve um breve silêncio do outro lado da linha.
— Eu vi alguns comentários... eles parecem gostar de você. O que é óbvio, porque você é incrível, mas eu não esperava que fossem tão receptivos tão rápido.
— Eles estão me chamando de 'Doutora da Nação' em alguns fóruns — Hillary soltou um riso nervoso. — Chris, eu não quero mentir. Eu passei a vida inteira sendo honesta com meus diagnósticos. Eu não vou começar a dar diagnósticos falsos sobre a minha própria vida. Se a sua agência permitir, eu não quero negar nada.
— Você tem certeza? — A voz de Chan agora tinha um tom de alívio e pura alegria. — Hillary, se assumirmos isso, não haverá volta. O mundo inteiro vai estar de olho em nós.
— Eu lido com vidas humanas todos os dias, Christopher. Eu acho que consigo lidar com alguns paparazzi — ela afirmou, endireitando a postura. — Além disso, eu tenho uma reputação a zelar. E ser a namorada de Bang Chan parece um excelente acréscimo ao meu currículo.
— Eu te amo, sabia? — disse ele, sem aviso.
Hillary sentiu o coração falhar uma batida. Não era a droga, não era o estresse, não era a adrenalina. Era a verdade.
— Eu sei — respondeu ela, com um sorriso que Aurora, ao seu lado, rotularia imediatamente como "completamente apaixonado". — Agora vá para a sua reunião. Eu tenho um hospital para gerenciar e, aparentemente, um fandom para não decepcionar.
As semanas seguintes foram um turbilhão. A JYP Entertainment e o Hospital Central emitiram uma nota conjunta confirmando que "Bang Chan e a Doutora Hillary estão se conhecendo com sentimentos positivos". Foi a confirmação que a internet precisava para entrar em frenesi.
Hillary passou a ser seguida por fotógrafos, mas ela mantinha sua rotina impecável. Ela chegava ao hospital às sete da manhã, operava, gerenciava e, às vezes, encontrava pequenos mimos deixados em sua mesa por fãs que conseguiam enviar presentes através da recepção: cartões de agradecimento por cuidar de Chan, vitaminas para que ela não ficasse cansada e até pequenos bonecos do "Wolf Chan" usando um jaleco de médico em miniatura.
Em um sábado à tarde, Chan conseguiu uma folga rara entre os ensaios para a nova turnê. Eles decidiram passar o dia no apartamento de Hillary, o único lugar onde o mundo exterior não podia alcançá-los. Hillary estava na cozinha, tentando preparar um jantar — uma tarefa onde ela era muito menos competente do que em uma neurocirurgia —, enquanto Chan estava sentado no balcão, observando-a com diversão.
— Hillary, você está cortando essa cebola com a precisão de quem vai fazer um transplante — comentou ele, rindo. — Relaxe, é apenas um guisado.
— Tudo o que vale a pena ser feito, vale a pena ser feito com precisão — rebateu ela, embora tenha sorrido ao sentir os braços dele envolverem sua cintura por trás.
Chan apoiou o queixo no ombro dela, respirando o perfume de lavanda que ela sempre usava.
— Você viu as redes sociais hoje? — perguntou ele.
— Eu tento evitar, Chris. Se eu ler tudo o que dizem sobre nós, vou acabar precisando de uma consulta psiquiátrica.
— Mas você precisa ver isso — ele pegou o celular e mostrou a ela uma hashtag que estava nos trending topics mundiais: #HealthForChanAndHillary. — Os fãs criaram uma campanha de doação para a sua nova ala oncológica em nome do nosso relacionamento. Eles já arrecadaram mais de cem mil dólares em doações individuais.
Hillary parou de cortar a cebola. Seus olhos se encheram de lágrimas, algo que raramente acontecia diante de outras pessoas.
— Eles fizeram isso... por causa de nós?
— Eles fizeram isso porque viram que você é real, Hillary — Chan virou-a para que ficasse de frente para ele. — Eles viram que você não é apenas um rosto bonito em uma foto de paparazzi. Eles viram o seu trabalho, a sua dedicação. Eles te amam porque você me faz feliz, mas também porque você é uma inspiração para eles.
Hillary abraçou-o com força, escondendo o rosto em seu peito. A CEO de Ferro, a mulher que sempre teve todas as respostas, sentia-se pequena e imensamente grata nos braços do homem que havia transformado sua vida em um caos maravilhoso.
— Eu estava com tanto medo de que isso destruísse tudo o que eu construí — confessou ela, a voz abafada pela camisa dele.
— Você não construiu algo frágil, Hillary. E eu também não — Chan beijou o topo da cabeça dela. — Nós somos uma equipe agora. E, pelo que eu vi, temos o melhor exército do mundo nos apoiando.
Alguns meses depois, o Stray Kids iniciou sua turnê mundial. O primeiro show foi em Seul, no domo olímpico. Hillary estava na área VIP, acompanhada por Aurora e Felix — que não estava no palco naquele momento por causa de uma troca de figurino.
Quando as luzes se apagaram e milhares de lightsticks iluminaram a arena como uma galáxia de neon, Hillary sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Ela viu Chan surgir no palco, uma figura de pura energia e talento. Ele era o líder, o porto seguro de seus membros, o ídolo de milhões.
No meio do show, antes de iniciarem uma balada suave, Chan caminhou até a beira do palco, perto de onde Hillary estava. O telão gigante focou em seu rosto, suado e radiante.
— Este próximo ano vai ser de muito trabalho e muitas viagens — disse ele ao microfone, sua voz ecoando para milhares de pessoas. — Mas eu não estou preocupado. Porque eu sei que, não importa onde eu esteja, eu tenho alguém que cuida do meu coração. E eu não estou falando apenas como um cantor, mas como um homem.
Ele olhou diretamente para Hillary. Não foi um gesto óbvio para as câmeras, mas ela sentiu a conexão.
— Esta música é para a pessoa que me ensinou que a cura mais poderosa não vem de um hospital, mas de um abraço no final de um dia exaustivo. Obrigado por ser minha força, Doutora.
O estádio explodiu em um coro de gritos de apoio. Hillary sentiu Aurora apertar sua mão, enquanto as lágrimas agora corriam livremente por seu rosto. Ela não era mais apenas a CEO de Ferro. Ela era a mulher que amava e era amada por um homem extraordinário.
Ao final do show, Hillary foi para o backstage. O caos dos bastidores era algo que ela já começava a entender e dominar. Quando ela entrou no camarim privativo de Chan, ele estava sentado em um sofá, exausto, com uma toalha sobre os ombros.
Ao vê-la, ele se levantou imediatamente.
— Como eu fui? — perguntou ele, com a vulnerabilidade que só mostrava a ela.
Hillary caminhou até ele, pegou o estetoscópio que, por hábito, ainda carregava na bolsa de trabalho e, com um sorriso brincalhão, encostou-o no peito dele, por cima da camiseta de palco.
— Batimentos cardíacos acelerados, respiração ofegante, níveis de adrenalina perigosamente altos — diagnosticou ela, olhando-o nos olhos. — Mas o prognóstico é excelente.
— É mesmo, Doutora? — Chan sorriu, puxando-a para perto. — E qual é o tratamento recomendado?
Hillary envolveu o pescoço dele com os braços, ignorando o suor e o barulho da equipe do lado de fora.
— O tratamento — sussurrou ela, antes de beijá-lo — é que você nunca mais tente passar por nada disso sem mim ao seu lado.
— Prescrição aceita — respondeu Chan.
Lá fora, o mundo continuava a girar, as manchetes continuavam a ser escritas e os fãs continuavam a celebrar o casal improvável que havia provado que a ciência e a arte, a ordem e o caos, podiam coexistir em perfeita harmonia.
Hillary finalmente entendeu que a vida não precisava estar o tempo todo "no lugar". Algumas peças só faziam sentido quando estavam fora de ordem, encontrando seu encaixe em corações que batiam no mesmo ritmo, independentemente da distância ou da fama. E naquele momento, cercada pelo som abafado dos aplausos que ainda ecoavam na arena, ela soube que aquele era o diagnóstico mais feliz de toda a sua carreira: ela estava, irremediavelmente e saudavelmente, apaixonada.