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Amor na escola

O Peso da Promessa e o Brilho do Futuro

A notícia da gravidez de Stefany se espalhou pelos corredores da escola como um rastro de pólvora em uma floresta seca. Não era apenas o fato de uma ômega comum estar esperando um filho, mas sim de quem era aquele filho. O herdeiro de um alfa lúpus era uma raridade, um evento que carregava um peso político e social imenso dentro das hierarquias das grandes matilhas.

Vinícius não saía do lado dela. Se antes ele já era uma presença imponente, agora parecia ter se tornado uma montanha intransponível de proteção. Ele caminhava com a mão possessivamente pousada na base das costas de Stefany, os olhos castanhos sempre em alerta, escaneando cada rosto que cruzava o caminho deles.

— Vini, você precisa relaxar um pouco — sussurrou Stefany, enquanto caminhavam em direção à biblioteca. — As pessoas estão com medo até de respirar perto de mim.

— Deixe que tenham medo — respondeu ele, a voz profunda e vibrante. — O seu cheiro está mudando a cada dia, Stef. Para qualquer um com um olfato minimamente treinado, você cheira a ninho e a vida nova. Isso atrai atenção, e nem toda atenção é boa.

Eles se sentaram em uma mesa isolada, cercados por prateleiras de livros antigos que abafavam o som do restante dos estudantes. Stefany abriu seu caderno, mas sua mente estava longe das fórmulas de física. Ela tocou o próprio ventre, ainda plano sob a saia do uniforme, sentindo uma conexão estranha e poderosa que parecia emanar da marca em seu pescoço.

— Eu falei com a minha mãe ontem — começou ela, baixando o tom. — Ela ficou em choque no começo, mas disse que vai nos apoiar. Ela só está preocupada com o seu pai, Vinícius. Ele é o líder da matilha do Sul... ele vai aceitar uma ômega comum carregando o sucessor dele?

Vinícius travou o maxilar. Ele sabia que essa era a pergunta de um milhão de dólares. Seu pai era um homem forjado em tradições rígidas, onde a força e a linhagem eram tudo.

— Meu pai valoriza a força acima de tudo — disse Vinícius, segurando a mão pequena de Stefany sobre a mesa. — E o que você fez, enfrentando o meu cio e agora carregando esse filhote... isso é a maior demonstração de força que eu já vi. Se ele não aceitar, o problema é dele. Eu não sou mais apenas o filho dele, Stefany. Eu sou o seu alfa. E a minha lealdade é sua.

Enquanto conversavam, um grupo de alfas do terceiro ano passou pela mesa, rindo alto. Um deles, um rapaz alto chamado Bruno, parou e olhou para Stefany com um sorriso de escárnio.

— Então é verdade? O lúpus de ouro vai ser papai de um mestiço? — Bruno cruzou os braços, ignorando o rosnado baixo que começou a emanar do peito de Vinícius. — Uma ômega comum... que desperdício de genética, Vinícius. Você poderia ter qualquer lúpus fêmea da linhagem pura.

O movimento de Vinícius foi tão rápido que Stefany mal conseguiu acompanhar. Em um segundo, ele estava sentado; no outro, ele tinha Bruno prensado contra uma das estantes de livros pelo pescoço. A diferença de tamanho, que já era notável, parecia ampliada pela fúria de Vinícius. Seus 1,81 de altura pareciam dobrar de tamanho enquanto ele rosnava diretamente no rosto do outro alfa.

— Repete — ordenou Vinícius, a voz saindo como o estalar de um trovão antes da chuva. — Repete o que você disse sobre a minha fêmea e o meu filho.

— Vini, para! — Stefany levantou-se, correndo até ele e segurando seu braço musculoso. — Não vale a pena!

— Ele precisa aprender o lugar dele — rosnou Vinícius, os olhos brilhando em um dourado perigoso. — Ninguém desrespeita a minha família.

Bruno, agora com o rosto ficando arroxeado e os pés quase saindo do chão, perdeu toda a bravura. Ele sentiu o poder do lúpus esmagando sua própria aura de alfa comum.

— Eu... eu só estava brincando... — balbuciou Bruno.

Vinícius o soltou com força, fazendo-o cambalear e cair sobre uma mesa de estudos.

— Saia daqui. E se eu ouvir o nome dela sair da sua boca de novo, eu não vou me importar com as regras da escola.

O grupo de alfas saiu às pressas, deixando o silêncio pesado da biblioteca ainda mais denso. Vinícius respirava com dificuldade, tentando controlar o lobo que exigia sangue. Stefany se aproximou dele, envolvendo sua cintura com os braços pequenos, encostando o rosto em suas costas largas.

— Eu estou bem, Vini. Nós estamos bem — sussurrou ela.

Ele se virou, envolvendo-a em seus braços e escondendo o rosto no pescoço dela, buscando o cheiro de baunilha para se acalmar.

— Eu sinto muito — disse ele, a voz abafada. — O instinto de proteção está ficando incontrolável. Eu sinto como se o mundo inteiro fosse uma ameaça para vocês dois.

— É o seu lobo cuidando do ninho — explicou ela com doçura. — Mas você precisa confiar em mim também. Eu sou pequena, mas sou forte. Eu escolhi ser sua, lembra?

Ele se afastou um pouco, olhando para ela com uma adoração que beirava a dor.

— Eu lembro. Todos os dias.

Mais tarde naquela noite, o casal estava no quarto de Stefany. Como ela era uma ômega comum, dividia o quarto com Bia, mas a amiga, prevendo a necessidade de privacidade, tinha ido dormir no dormitório do namorado. O ambiente era pequeno e acolhedor, decorado com fotos e luzes de fada que Stefany adorava.

Vinícius parecia um gigante fora de lugar sentado na cama estreita de Stefany. Ele observava enquanto ela trocava de roupa para dormir, vestindo uma camiseta dele que, nela, servia como um vestido longo.

— Você fica linda com as minhas roupas — comentou ele, estendendo a mão para puxá-la para entre suas pernas enquanto ele permanecia sentado.

Stefany aproximou-se, permitindo que ele descansasse as mãos grandes em seus quadris.

— Vini, eu estive pensando... — Ela hesitou, brincando com o colar no pescoço dele. — O médico disse que, por ser um filhote de lúpus, a gravidez vai ser mais rápida. Em seis meses, ele ou ela estará aqui. Nós precisamos de um plano.

— Eu já estou cuidando disso — disse ele com seriedade. — Eu tenho um fundo que meu avô deixou para mim. É o suficiente para alugarmos uma casa perto do campus da universidade no ano que vem. Eu não vou deixar você morar em um dormitório apertado com um bebê.

— Você já planejou tudo? — Ela sorriu, surpresa.

— Eu sou um alfa, Stefany. Planejar o futuro da matilha é o que eu faço. E a minha matilha... agora é você.

Ele a puxou para o seu colo, acomodando-a com facilidade. Stefany sentia-se tão pequena e protegida ali, cercada por aqueles braços que podiam derrubar estantes de livros, mas que a seguravam como se ela fosse o tesouro mais precioso do mundo.

— Você acha que ele vai ser como você? — perguntou ela, fechando os olhos e aproveitando o calor dele. — Alto, forte e um pouco cabeça quente?

Vinícius soltou uma risada baixa, beijando o topo da cabeça dela.

— Eu espero que tenha a sua paciência. E os seus olhos. Se tiver o meu temperamento e a sua teimosia, coitado do mundo.

Eles ficaram em silêncio por um tempo, ouvindo apenas a respiração um do outro. O vínculo entre eles, forjado no calor do cio e selado pela marca, agora pulsava com uma nova nota: o ritmo de um terceiro coração que começava a bater.

— Sabe, Stef... — começou Vinícius, a voz mais suave do que ela jamais ouvira. — Naquela noite, quando eu entrei no cio e vi você na minha porta... eu tive tanto medo de te quebrar. Você parecia tão delicada.

— E você me quebrou? — perguntou ela, olhando para ele com um brilho travesso nos olhos.

— Não — admitiu ele, sorrindo. — Você me reconstruiu. Eu era apenas um lobo seguindo instintos. Com você, eu aprendi o que significa realmente cuidar de alguém.

De repente, um movimento suave no ventre de Stefany chamou a atenção de ambos. Era cedo demais para sentir chutes, mas o vínculo lúpus permitia percepções sensoriais avançadas. Vinícius congelou, sua mão espalmada sobre a barriga dela.

— Você sentiu isso? — sussurrou ele, os olhos arregalados de admiração.

— Senti — respondeu ela, as lágrimas voltando aos olhos. — É como uma pequena faísca.

Vinícius inclinou-se e encostou a orelha no ventre dela, fechando os olhos. O lobo dentro dele soltou um uivo de pura alegria, um som que Stefany sentiu vibrar através de sua própria pele.

— Ele é forte — afirmou Vinícius, a voz carregada de orgulho. — Eu consigo sentir o poder dele. Vai ser um lúpus, Stef.

— Um pequeno lúpus... — murmurou ela, imaginando um menininho com os cabelos bagunçados de Vinícius ou uma menininha com a mesma determinação do pai. — Ele vai precisar de muito espaço para correr.

— Ele vai ter tudo, Stefany. Eu prometo.

A noite avançou, e o cansaço finalmente começou a vencer a adrenalina. Vinícius deitou-se na cama pequena, ocupando quase todo o espaço, mas fazendo questão de manter Stefany aninhada contra seu peito. A diferença de tamanho entre os dois era cômica para quem visse de fora, mas para eles, era o encaixe perfeito de duas peças que o destino havia unido.

— Vini? — chamou ela, já quase dormindo.

— Oi, pequena.

— Eu te amo. Não porque você é um alfa lúpus, ou porque você me protege... mas porque você me deixa ser quem eu sou, mesmo sendo tão pequena perto de você.

Vinícius a apertou um pouco mais, sentindo o cheiro de baunilha misturado ao seu próprio aroma de carvalho, a fragrância da família que eles haviam criado.

— E eu te amo, Stefany. Por ser a única pessoa no mundo capaz de domar o lobo e fazer o homem se sentir completo.

Enquanto a lua subia no céu, iluminando o dormitório silencioso, o alfa lúpus e sua ômega comum dormiam o sono dos justos. O mundo lá fora continuaria com seus preconceitos e suas regras rígidas, mas dentro daquele pequeno quarto, uma nova lei havia sido estabelecida: a lei do amor incondicional, que não conhece tamanhos, linhagens ou limites.

O futuro era incerto e cheio de desafios, mas com a força de Vinícius e a coragem de Stefany, o pequeno milagre que crescia entre eles teria o melhor dos mundos. A escola logo veria que aquela união não era apenas um "desperdício de genética", como Bruno dissera, mas sim o nascimento de algo novo e extraordinário: uma linhagem baseada não apenas no sangue, mas na escolha mútua de duas almas que decidiram ser uma só.