Amor no quarto do lider
O Despertar da Rainha e o Caos no Café
O sol da manhã no Rio de Janeiro não pedia licença. Ele atravessava as frestas da persiana do quarto do líder com uma insolência que quase rivalizava com a de Ana Paula Renault. No entanto, dentro daquele cômodo, o ar ainda estava saturado com o cheiro de suor, perfume caro e a eletricidade residual de uma noite que desafiou todas as regras de convivência do reality.
Ana Paula foi a primeira a abrir os olhos. Suas pálpebras pesavam, mas o sorriso de satisfação já estava desenhado em seu rosto antes mesmo de sua consciência despertar totalmente. Ela sentiu o peso de dois corpos distintos ao seu lado. À direita, a pele quente e os músculos firmes de Jonas; à esquerda, a respiração pesada e o braço pesado de Alberto Cowboy, que a envolvia como se ela fosse um território conquistado.
Ela se desprendeu devagar, sentindo cada músculo do corpo reclamar com um prazer dolorido. Sentou-se na beira da cama, observando os dois. Jonas, mesmo dormindo, parecia uma escultura grega, o cabelo loiro bagunçado sobre o travesseiro branco. Alberto, sem o chapéu e com a barba por fazer roçando o lençol, tinha uma vulnerabilidade rústica que ela achava fascinante.
— Acorda, "setor agro" — sussurrou Ana, chutando levemente o pé de Alberto por baixo do cobertor. — O dia já nasceu e o Brasil quer ver o estrago.
Alberto resmungou, apertando os olhos antes de focar na figura loira à sua frente. Ele deu um sorriso de lado, aquela expressão chucra que, agora Ana sabia, escondia uma pegada avassaladora.
— Você não sossega nem de manhã, loira? — Alberto sentou-se, passando a mão pelo rosto. — Achei que a gente tinha te deixado sem voz ontem à noite.
— Você me subestima muito, Cowboy — ela rebateu, levantando-se e caminhando nua até o espelho, sem um pingo de timidez. — Minha voz é a última coisa que morre. E o Jonas? Morreu ou foi para o paredão?
Jonas se espreguiçou, o abdômen definido contraindo-se de uma forma que fez Ana pausar por um segundo para admirar.
— Tô bem acordado — disse Jonas, a voz rouca de sono. — Só estava tentando processar se aquilo tudo aconteceu mesmo ou se a produção colocou algo no meu champanhe.
— Aconteceu, Jonas. E foi maravilhoso, não foi? — Ana Paula pegou o chapéu de Alberto que estava na mesa de cabeceira e o colocou na cabeça, ajustando a aba com um olhar debochado. — Agora, levantem. Eu quero descer para o café da manhã exatamente assim.
— Você vai descer com o meu chapéu? — Alberto arqueou uma sobrancelha, rindo. — O povo lá embaixo vai cair para trás.
— Esse é exatamente o plano — Ana declarou, pegando seu roupão de seda. — Quero que cada um naquela cozinha sinta o cheiro do que aconteceu aqui em cima. Quero ver a cara de julgamento daquelas plantas. É bom que eles saibam: eu não vim aqui para dormir, a menos que seja muito bem acompanhada.
Os dois homens se entreolharam. Havia uma cumplicidade nova entre eles, uma trégua selada pelo desejo compartilhado por aquela mulher furacão. Eles se vestiram rapidamente, trocando piadas baixas e olhares significativos, enquanto Ana Paula terminava de se "montar" com o deboche que era sua marca registrada.
Quando a porta do quarto do líder se abriu, o trio desceu as escadas como se fossem os donos da emissora. Ana Paula ia na frente, o chapéu de Cowboy levemente inclinado, os olhos cor de mel brilhando com uma malícia indisfarçável. Jonas e Alberto vinham logo atrás, como dois guardas-costas de luxo, ambos com aquele brilho no olhar de quem não tinha dormido quase nada, mas se sentia revigorado.
Na cozinha da Xepa, o silêncio era absoluto. Outros participantes tomavam café em um clima de velório matinal até que o som dos saltos de Ana Paula no chão de madeira anunciou sua chegada.
— Bom dia, grupo! — gritou ela, abrindo os braços. — Que cara é essa? Alguém morreu ou o estoque de arroz acabou de novo?
Uma das participantes, uma morena de olhar severo, encarou o chapéu na cabeça de Ana e depois olhou para Alberto, que exibia um sorriso satisfeito enquanto se encostava no balcão ao lado de Jonas.
— Ana Paula, esse chapéu não é do Alberto? — perguntou a moça, com a voz carregada de veneno.
— É sim, querida. Mas ele me emprestou... digamos que foi um troféu por uma noite muito bem jogada — Ana respondeu, servindo-se de café com uma elegância irritante.
— Vocês passaram a noite no quarto do líder? Os três? — outro participante perguntou, chocado.
Jonas deu um passo à frente, pegando uma torrada.
— O quarto é grande, o ar-condicionado é ótimo e a companhia... — ele olhou para Ana e depois para Alberto — ...foi a melhor que eu já tive nesta casa.
— É o quê? — Alberto completou, cruzando os braços sobre o peito largo. — Tem algum fiscal de quarto aqui agora? A gente é maior de idade e vacinado. E, pelo que eu me lembre, o jogo também se faz entre quatro paredes.
Ana Paula soltou uma risada alta, aquela gargalhada que ecoava por toda a casa e desestabilizava qualquer estratégia.
— Olha só a cara de vocês! — ela apontou para os colegas de confinamento. — Estão chocados? Pois fiquem sabendo que, enquanto vocês estavam aqui embaixo combinando votos e comendo bolacha de água e sal, a gente estava lá em cima fazendo história.
— Você é louca, Ana Paula — sussurrou a morena. — Isso vai pegar muito mal lá fora.
Ana Paula caminhou até a mesa, inclinou-se para frente e encarou a mulher nos olhos, o chapéu de Cowboy quase tocando a testa da outra.
— Querida, o Brasil não quer ver planta. O Brasil quer ver fogo! E se você está incomodada, o botão de desistência fica logo ali no confessionário. Beijo! — Ela mandou um beijo irônico no ar.
O clima na cozinha esquentou, mas não do jeito que os outros queriam. A presença de Jonas e Alberto ao lado de Ana criava uma barreira de proteção intransponível. Eles não eram apenas um trio de amantes; naquele momento, eram um bloco de poder que ninguém ousava atacar diretamente.
— Vamos para a piscina? — sugeriu Jonas, ignorando os sussurros que começavam a surgir. — O sol está ótimo.
— Excelente ideia — Alberto concordou. — Preciso refrescar o corpo, porque a noite foi quente demais.
Ana Paula deu um último gole no café e ajeitou o chapéu.
— Vão indo vocês. Eu vou passar no confessionário para o raio-x. Tenho muita coisa para contar para o meu público. Vou dizer que a "geração saúde" do Jonas e a "bruteza" do Cowboy são, de fato, aprovadas pelo selo Renault de qualidade.
Ela saiu da cozinha desfilando, deixando para trás um rastro de indignação e desejo reprimido. Jonas e Alberto a observaram ir, ambos com o mesmo pensamento: aquela mulher era um problema delicioso que eles estavam dispostos a enfrentar quantas vezes fossem necessárias.
Minutos depois, Ana Paula estava sentada no confessionário, olhando diretamente para a câmera principal.
— Olá, meus amores! — começou ela, ajeitando o chapéu de Alberto. — Vocês viram o que aconteceu ontem, né? Se não viram, peçam o pay-per-view agora, porque eu não vim aqui para brincar de casinha. Jonas e Alberto são uns fofos, mas o que a gente fez naquele quarto... olha, nem eu sabia que tinha tanta energia.
Ela fez uma pausa dramática, o olhar debochado assumindo uma intensidade nova.
— Eles acham que podem me controlar. O Cowboy acha que é o dono da boiada e o Jonas acha que me ganha no sorriso. Mal sabem eles que eu é que estou com as rédeas. E quer saber? Eu adoro ser a vilã da história de vocês, se isso significar que eu vou ter os dois na minha cama toda vez que eu quiser. Porque eu sou assim, meu amor. Eu sou o caos, eu sou o deboche e, acima de tudo, eu sou o entretenimento que este programa merece! Olha elaaaaaaaa!
Ao sair do confessionário, Ana encontrou os dois esperando por ela no corredor. Eles não disseram nada, apenas a cercaram, um de cada lado. Alberto colocou a mão possessiva em sua cintura, enquanto Jonas sussurrou algo no seu ouvido que a fez corar levemente — algo raro para Ana Paula Renault.
— O que foi, Jonas? Já está querendo o segundo round? — ela provocou.
— O segundo, o terceiro... — Jonas respondeu com um sorriso predatório. — A gente só está começando, Ana.
— É isso aí — Alberto concordou, apertando-a mais contra si. — O dia é longo e a liderança é nossa até quinta-feira.
Ana Paula sorriu, sentindo-se no centro do universo. Ela sabia que o resto da casa os odiaria, que os votos viriam em massa no próximo paredão e que o julgamento seria implacável. Mas, enquanto sentia a força de Alberto e a perfeição de Jonas ao seu lado, ela não se importava.
— Então vamos — disse ela, retirando o chapéu e colocando-o de volta na cabeça de Alberto, mas mantendo a mão no peito dele. — Vamos mostrar para essa gente como se vive de verdade. E se alguém reclamar...
— A gente faz o dobro de barulho hoje à noite — finalizou Jonas.
Os três caminharam em direção à área externa, sob o sol forte, prontos para incendiar o resto da edição. O BBB 26 nunca mais seria o mesmo depois daquela aliança improvável de músculos, barba e muito, muito deboche. Ana Paula Renault tinha conseguido o que queria: era a rainha de um tabuleiro onde os reis estavam aos seus pés, e o público, lá fora, não conseguia tirar os olhos da tela.