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Amor por acidente

Reflexos de Vênus na Água Escura

A noite de sábado parecia não ter fim, e nenhum dos dois queria que tivesse. O quarto de Augusto estava impregnado de uma intimidade nova, mas o calor residual dos corpos e a eletricidade que ainda pairava no ar pediam algo mais. Augusto, com um brilho de travessura nos olhos que contrastava com a intensidade do que acabaram de viver, inclinou-se sobre Rafaella, que descansava a cabeça em seu peito.

— O que você acha de mudarmos o cenário, capitã? — sussurrou ele, a voz rouca enviando uma nova onda de arrepios pela espinha dela.

— Mudar para onde? — Rafa sorriu, sentindo-se preguiçosa e completa. — Eu mal consigo sentir minhas pernas, Augusto.

— Para a piscina. A água está aquecida, o céu está limpo e eu prometo que não vou deixar você se afogar. — Ele deu um beijo casto na ponta do nariz dela. — É um crime desperdiçar uma noite dessas dentro de quatro paredes.

Rafaella riu, aquela risada cristalina que Augusto tanto amava. A ideia de quebrar mais uma regra, de se entregar ao momento em um lugar tão exposto e livre, era o empurrão final que sua alma metódica precisava para se libertar de vez.

— Tudo bem, você venceu. Mas se eu pegar um resfriado, você vai ter que ler Tolstói para mim por uma semana inteira.

— Negócio fechado — disse ele, levantando-se com a agilidade de um atleta e estendendo a mão para ela.

A área externa da mansão de Augusto era um refúgio de luxo e sombras. A piscina infinita parecia se fundir com o horizonte escuro da cidade ao longe, e a iluminação subaquática em tons de azul profundo dava à água um aspecto hipnótico. O silêncio da noite era quebrado apenas pelo som dos grilos e pelo leve borbulhar do sistema de aquecimento.

Quando mergulharam, o choque térmico inicial foi substituído por um abraço líquido e morno. Rafaella emergiu passando as mãos pelo rosto, os cabelos castanhos agora colados às costas, brilhando sob o luar. Augusto apareceu logo à frente dela, os ombros largos cortando a superfície da água como um predador gracioso.

— Melhor agora? — perguntou ele, aproximando-se lentamente.

— Muito melhor — admitiu ela, sentindo a leveza do corpo na água.

Mas a calma durou pouco. Augusto não a levou até ali apenas para nadar. Ele a cercou contra a borda de mármore da piscina, suas mãos encontrando a cintura de Rafa por debaixo da água. O toque era firme, possessivo. Ele parecia mais determinado agora, mais faminto, como se a liberdade do ar livre tivesse despertado uma intensidade ainda maior em seu sangue.

— Você não tem ideia do que faz comigo, Rafaella — murmurou ele, antes de atacar o pescoço dela.

Rafa soltou um gemido baixo, inclinando a cabeça para trás. Augusto era realmente bom; ele conhecia cada centímetro dela agora, sabia exatamente onde pressionar os lábios e onde usar os dentes de leve para fazê-la estremecer. Seus beijos desciam pela linha da mandíbula até a clavícula, enquanto suas mãos, grandes e quentes, exploravam e apalpavam seu corpo com uma urgência renovada.

— Augusto... — ela arquejou, as mãos agarrando-se aos ombros molhados dele.

Ele fez uma pequena pausa, apenas o tempo suficiente para que ela pudesse recuperar o fôlego, mas suas mãos não pararam. Ele continuou a acariciar seus seios e suas coxas por baixo da água, um movimento rítmico e provocante que fazia a mente de Rafa girar. Ela ria entre beijos e gemidos, uma mistura de euforia e puro desejo. O bad boy que todos temiam na escola era, naquele momento, o homem mais atento e intenso que ela poderia imaginar.

— Eu disse que o agora era melhor — disse ele, voltando a selar os lábios nos dela em um beijo profundo, daqueles que pareciam roubar toda a alma.

A língua dele dançava com a dela em um ritmo frenético, enquanto o atrito de seus corpos na água criava uma fricção deliciosa. Rafaella sentia-se poderosa e vulnerável ao mesmo tempo. Ela, a menina que sempre buscava evidências e fatos, estava perdida em um mar de sensações puramente instintivas.

— Sabe o que eu descobri? — sussurrou ela, quando ele se afastou alguns milímetros para beijar o canto de sua boca.

— O quê, minha perita?

— Que eu odeio o fato de você ter sempre razão sobre como me fazer perder o controle.

Augusto riu, um som vibrante que ecoou na noite silenciosa.

— É o meu maior talento, Rafa. Mas só funciona com você.

Ele a girou, pressionando-a de costas contra a parede da piscina e voltando a explorar cada curva com uma fome que parecia inesgotável. A água ao redor deles se agitava, refletindo as estrelas e a paixão desmedida de dois opostos que tinham encontrado o encaixe perfeito.

Naquela noite, sob o céu de Vênus e o reflexo das águas, Rafaella entendeu que a vida não precisava ser periciada para ser real. Algumas coisas simplesmente eram. E o que ela tinha com Augusto era a evidência mais forte de que o amor, em sua forma mais bruta e intensa, era a única lei que valia a pena seguir.

Quando finalmente saíram da água, exaustos e envoltos em toalhas felpudas, o mundo parecia diferente. Eles caminharam de volta para a casa de mãos dadas, o silêncio agora preenchido por uma cumplicidade inquebrável.

— Você vai ficar para o café da manhã? — perguntou Augusto, enquanto subiam as escadas.

— Só se você prometer que não vai tentar me convencer de que futebol é mais importante que física quântica enquanto eu como minhas torradas.

Augusto a puxou para um último beijo antes de entrarem no quarto.

— Eu prometo tentar. Mas não prometo que vou conseguir tirar as mãos de você por tempo suficiente para você terminar de comer.

Rafaella sorriu, encostando a cabeça no ombro dele. Ela sabia que a segunda-feira traria de volta os corredores da escola, os olhares de Bianca e a pressão dos estudos. Mas ali, na penumbra daquela casa que agora parecia um lar, ela sabia que tinha encontrado seu porto seguro. O bad boy e a perita tinham resolvido o caso mais complexo de suas vidas: o mistério de como dois mundos tão diferentes podiam se tornar um só.