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Amor por acidente

Sinfonia de Suspiros e o Peso da Camisa 10

A água da piscina, aquecida e iluminada por um azul etéreo, parecia isolar o resto do mundo. Ali, entre o mármore molhado e o reflexo das estrelas, a dinâmica entre a perita e o capitão do time de futebol atingia uma frequência nova e perigosa. Rafaella, que sempre se orgulhou de manter a cabeça fria e os batimentos cardíacos sob controle, sentia que sua lógica estava sendo desmantelada peça por peça.

Augusto a mantinha presa entre seus braços e a borda da piscina, e o calor que emanava dele era mais intenso do que a própria temperatura da água. Rafa não conseguia mais conter a vontade de se perder naquele caos. O que começou como uma exploração tímida transformou-se em uma entrega voraz. Ela sentiu uma onda de audácia percorrer seu corpo e, em vez de apenas receber os beijos de Augusto, ela inclinou a cabeça e começou a trilhar o mesmo caminho pelo pescoço dele.

— Você está jogando sujo, Rafa... — murmurou Augusto, a voz falhando enquanto sentia os lábios dela contra sua pele.

Rafaella não respondeu com palavras. Seus gemidos, agora mais altos e carregados de uma vontade que ela não sabia que possuía, ecoavam suavemente pela área externa da mansão. Ela beijava o pescoço de Augusto com uma urgência que o fazia perder o fôlego. O cheiro dele — uma mistura de cloro, sabonete e aquela testosterona indomável — era o combustível que ela precisava para esquecer qualquer regra de etiqueta ou conduta acadêmica.

A reação de Augusto foi imediata. Sentir a boca de Rafa em seu pescoço fez o bad boy liberar sua natureza mais instintiva. Suas mãos, grandes e calejadas pelos treinos intensos, começaram a passear pelo corpo dela com uma posse renovada. Ele apertou a coxa de Rafa por baixo da água, subindo lentamente até encontrar a curva do quadril, e cada toque arrancava um gemido mais profundo dos lábios dela, que ainda estavam colados à pele dele.

— Augusto... — ela suspirou, sentindo a pressão das mãos dele em seus seios, um aperto firme que a fazia arquear as costas e buscar mais contato.

Ele não parava. Suas mãos desceram novamente, encontrando a firmeza das nádegas dela, apertando-as com uma força que demonstrava o quanto ele a desejava. Rafaella sentia arrepios por todo o corpo, uma mistura de calor e eletricidade que a deixava tonta. Ela parou de beijar o pescoço dele por um momento, jogando a cabeça para trás e deixando que Augusto assumisse o comando total do "trabalho".

O capitão não perdeu tempo. Ele mergulhou o rosto na curva do pescoço de Rafa, distribuindo beijos molhados e pequenas mordidas que a faziam estremecer da cabeça aos pés.

— Vai com calma, capitão... — disse ela, a voz trêmula, tentando recuperar um pouco de fôlego enquanto sentia a vibração dos lábios dele contra sua pele. — Isso faz cócegas... e outras coisas que eu não consigo nem nomear.

Augusto soltou uma risada abafada contra a pele dela, mas em vez de parar, ele intensificou os beijos naquela região sensível, subindo até o lóbulo da orelha dela.

— Eu nunca fui conhecido por ir com calma, Rafa. Especialmente quando eu finalmente tenho o que eu quero nos meus braços.

Rafaella sentia o coração martelar contra as costelas. Ela não recuava; pelo contrário, envolvia as pernas na cintura de Augusto, puxando-o para ainda mais perto, querendo sentir cada centímetro daquele corpo que parecia ter sido esculpido para ser o seu oposto perfeito. A água ao redor deles se agitava em ondas rítmicas, acompanhando o movimento de seus corpos.

— Você é impossível — sussurrou ela, fechando os olhos e se deixando levar pela sensação das mãos dele, que agora voltavam a apertar suas coxas com uma urgência quase dolorosa, mas infinitamente prazerosa.

— Eu sou o seu maior desafio, perita — rebateu ele, olhando-a nos olhos por um breve segundo antes de voltar a atacar seu pescoço com uma fome que parecia inesgotável. — E você sabe que adora resolver mistérios difíceis.

Rafa sorriu em meio ao prazer, sentindo-se mais viva do que nunca. Ali, sob o luar, ela percebeu que não precisava de um relatório de perícia para confirmar o óbvio: ela estava completamente rendida ao garoto que um dia jurou detestar. E, para sua surpresa, o caos dele era exatamente o que faltava em sua vida perfeitamente organizada.

Eles ficaram ali por um tempo que pareceu eterno, perdidos um no outro, entre a água morna e os suspiros que cortavam o silêncio da noite. Quando finalmente decidiram sair, o corpo de Rafa ainda vibrava. Augusto a ajudou a subir os degraus da piscina, envolvendo-a imediatamente em uma toalha felpuda e puxando-a para um abraço apertado.

— Você está tremendo — notou ele, com um tom de preocupação que raramente mostrava para o mundo.

— É a adrenalina — respondeu ela, encostando a testa no peito dele. — Você é uma substância perigosa, Augusto. Eu deveria ter feito um exame toxicológico antes de me envolver com você.

Augusto riu, beijando o topo da cabeça dela.

— Agora é tarde demais. Você já está viciada.

Eles caminharam de volta para o interior da casa, mas o clima de sedução ainda não havia se dissipado. No corredor que levava aos quartos, Augusto a parou contra a parede, as mãos apoiadas de cada lado da cabeça dela.

— Sabe, o projeto de História pode ter acabado — disse ele, a voz baixa e séria —, mas eu sinto que a nossa pesquisa de campo está apenas começando.

Rafaella olhou para ele, vendo além da fachada de bad boy popular. Ela via o menino que se esforçava para ler Tolstói só para agradá-la, o artista que pintava em segredo e o jovem que, apesar de ter tudo, parecia ter encontrado nela seu verdadeiro lar.

— Eu concordo, capitão — disse ela, passando os braços pelo pescoço dele. — Mas eu sou uma examinadora muito rigorosa. Você vai ter que se esforçar muito para manter essa nota alta.

— Eu vivo sob pressão, Rafa. É no segundo tempo, sob pressão, que eu costumo marcar os meus melhores gols.

Ele a beijou novamente, um beijo que selava não apenas o desejo daquela noite, mas uma promessa implícita de que nada voltaria a ser como antes. Para Rafaella, a menina que gostava de ter o controle de tudo, entregar-se àquela incerteza era o maior risco que já correra. E, no entanto, enquanto Augusto a guiava de volta para o quarto, ela sabia que nunca tinha tomado uma decisão tão acertada.

A noite avançou, e entre conversas sussurradas e carinhos mais calmos sob os lençóis, eles começaram a planejar o que viria a seguir. Não era mais sobre o trabalho escolar; era sobre como integrar dois mundos que, em teoria, não deveriam funcionar juntos.

— O que a Sofia vai dizer quando nos ver entrando juntos na escola na segunda-feira? — perguntou Rafa, brincando com os dedos de Augusto.

— Ela provavelmente vai dizer "eu te avisei" umas mil vezes — riu ele. — E o resto da escola... bom, eles vão ter que se acostumar a ver o capitão do time sendo mandado por uma perita que usa laços no cabelo.

— Eu não mando em você, Augusto. Eu apenas... sugiro caminhos mais lógicos.

— Claro, claro. Vamos chamar assim.

Rafaella bocejou, sentindo o cansaço finalmente vencê-la. O cheiro de Augusto, agora impregnado em sua pele e em seus sentidos, era o seu novo calmante favorito.

— Boa noite, capitão — sussurrou ela, fechando os olhos.

— Boa noite, minha perita.

Naquela noite, na mansão silenciosa, não havia mais o bad boy e a nerd, o popular e a estudiosa. Havia apenas dois jovens que descobriram que a vida, assim como a história, é feita de encontros improváveis e revoluções silenciosas. E a revolução deles estava apenas no prefácio.

Ao amanhecer, a luz do sol de domingo trouxe uma nova perspectiva. Rafa acordou com o braço de Augusto pesado sobre sua cintura, uma âncora de realidade em meio aos seus sonhos. Ela ficou observando-o dormir por alguns minutos, admirando a calma em seu rosto que o mundo raramente via.

Quando ele finalmente abriu os olhos e sorriu para ela — um sorriso preguiçoso e cheio de afeto —, Rafaella soube que não importava o quanto a vida pudesse se tornar complicada ou o quanto as pessoas pudessem falar. Eles tinham algo que era só deles.

— Você ainda está aqui — comentou ele, a voz rouca de sono. — Eu achei que você ia fugir de madrugada para organizar seus livros por ordem alfabética.

— Eu pensei nisso — brincou ela —, mas decidi que você é um projeto que exige dedicação em tempo integral.

— É bom saber — disse ele, puxando-a para um beijo matinal. — Porque eu não pretendo te dar folga tão cedo.

O café da manhã foi uma bagunça divertida na cozinha moderna de Augusto. Eles tentaram fazer panquecas, o que resultou em farinha espalhada por toda a bancada e algumas risadas histéricas. Para Rafa, ver Augusto naquela situação doméstica era mais fascinante do que qualquer crime que ela pudesse investigar no futuro.

— Você é péssimo na cozinha — constatou ela, limpando uma mancha de massa do nariz dele.

— Eu sou um homem de talentos específicos, Rafa. Cozinhar não é um deles. Mas eu posso te levar para jantar em qualquer lugar do mundo como compensação.

— Vou cobrar essa promessa — disse ela, sorrindo.

Enquanto se preparavam para que Rafa voltasse para casa, o clima de despedida era suave, mas carregado de expectativa para o que a semana traria. Augusto a acompanhou até o carro, carregando a mochila dela como se fosse a coisa mais natural do mundo.

— Te vejo amanhã? — perguntou ele, abrindo a porta para ela.

— Dez minutos antes do sinal, no nosso lugar habitual? — sugeriu ela, usando o código deles.

— Eu estarei lá. E Rafa?

— Sim?

— Obrigado. Por não ter desistido de mim naquele primeiro dia de trabalho.

Rafaella sentiu o coração derreter. Ela se inclinou e deu um beijo rápido nele.

— Eu nunca desisto de um caso difícil, Augusto. Especialmente um que vale tanto a pena.

Ela dirigiu para casa sentindo-se como se estivesse em um filme de romance, daqueles que Sofia tanto amava. Ao entrar em seu quarto, ela viu o livro de História sobre a mesa, o projeto concluído e encadernado. Ela sorriu ao pensar que, embora o trabalho estivesse pronto para ser entregue, a lição mais importante que aprendera não estava escrita em nenhuma daquelas páginas.

Ela aprendera que a delicadeza pode ter uma personalidade forte, que os bad boys podem ter corações de ouro e que, às vezes, a melhor maneira de encontrar a ordem é permitindo-se um pouco de caos.

Naquela noite, antes de dormir, Rafaella não revisou nenhuma matéria. Ela apenas abriu seu diário e escreveu: "Investigação concluída. Resultado: O amor é a única variável que não podemos controlar, e é exatamente isso que o torna perfeito."

A segunda-feira chegou com a promessa de novos desafios, fofocas de corredor e olhares atravessados. Mas quando Rafaella cruzou o portão da escola e viu Augusto encostado em sua moto, esperando por ela com a jaqueta do time aberta e aquele sorriso que agora pertencia apenas a ela, ela soube que estava pronta para qualquer coisa.

Sofia correu em direção a ela, os olhos brilhando de excitação.

— Rafa! O que foi aquilo na sexta? E por que você está com esse brilho de quem resolveu o maior mistério do século?

Rafaella apenas sorriu e abraçou a amiga, olhando por cima do ombro dela para Augusto, que piscou para ela.

— Digamos que eu descobri que algumas equações não precisam de solução, Sofia. Elas só precisam ser vividas.

E assim, de mãos dadas com o imprevisto, Rafaella caminhou em direção ao seu futuro, sabendo que, não importa o que acontecesse, ela sempre teria o seu capitão para bagunçar seus planos e aquecer seu coração.