Amor quente
Entre o Desejo e a Entrega
O ar no quarto de Augusto parecia ter ficado mais rarefeito, carregado por uma eletricidade que fazia os pelos dos braços de Rafaella se arrepiarem. Quando ele a depositou sobre os lençóis macios, o mundo exterior — as pressões da escola, a preocupação com as notas e até mesmo a doçura gentil que ambos costumavam exibir nos corredores — evaporou por completo. Restava apenas a verdade nua e crua entre dois jovens que vinham se contendo há tempo demais.
Rafa, ainda sentindo o coração martelar contra as costelas, sentou-se na beira da cama. Seus olhos castanhos, geralmente tão calmos, agora brilhavam com uma ousadia que surpreendeu até a ela mesma. Ela estendeu as mãos, a ponta dos dedos roçando a barra da camiseta de Augusto.
— Minha vez — sussurrou ela, com a voz ligeiramente rouca.
Augusto sorriu, aquele sorriso que derretia qualquer resistência dela, e ergueu os braços, permitindo que ela puxasse o tecido para cima. Quando a camiseta foi descartada em algum lugar do chão, Rafa deixou escapar um suspiro curto. Sob a luz suave do abajur, os músculos de Augusto eram ainda mais definidos do que ela imaginava. O corpo de atleta, esculpido pelos treinos de futebol, era uma visão que a deixou momentaneamente sem fôlego.
Ela não resistiu. Levou as mãos ao peito dele, sentindo a firmeza dos músculos e o calor da pele. Suas unhas, bem cuidadas e um pouco compridas, começaram a traçar caminhos lentos pelos ombros e pelo abdômen dele. No entanto, conforme ela descia as mãos com curiosidade, Augusto soltou um riso contido e se encolheu levemente, tentando escapar do toque.
— Rafa... — ele riu, segurando os pulsos dela por um momento — Suas unhas... isso faz muita cócega, juro.
— Ah, não brinca! O grande capitão do time é sensível assim? — Ela brincou, arqueando uma sobrancelha e aproveitando a oportunidade para passar as unhas levemente pelas costelas dele, vendo-o se retorcer no colchão.
— É golpe baixo! — Augusto exclamou entre gargalhadas, antes de envolvê-la em um abraço e girá-la na cama, ficando por cima dela. O humor da brincadeira logo deu lugar a uma seriedade ardente. — Agora, chega de brincadeira. Eu quero focar em você.
Ele se inclinou, o peso do seu corpo sendo sustentado pelos antebraços enquanto ele a devorava com o olhar. Com uma delicadeza que contrastava com a força de seus braços, Augusto levou a mão até o ombro de Rafa. Seus dedos deslizaram pela alça rendada do sutiã dela, baixando-a lentamente até que o tecido caísse pelo braço.
Rafa sentiu um calafrio percorrer sua espinha quando ele começou a beijar a pele agora exposta. Augusto desceu o rosto, depositando beijos úmidos e profundos em seus seios, enquanto uma de suas mãos descia para a coxa dela, apertando a carne macia com uma possessividade que a fazia arfar.
— Augusto... por favor... — ela murmurou, fechando os olhos com força.
Os gemidos dela eram música para os ouvidos dele. Ele apertou sua coxa com mais firmeza, subindo a mão até a curva da bunda, trazendo o corpo dela para mais perto do seu, eliminando qualquer fresta de ar. A boca de Augusto continuava seu trabalho devoto, explorando cada centímetro com uma fome que parecia insaciável.
— Não para... não para — implorava ela, as mãos perdidas nos cabelos loiros dele, puxando-o para mais perto, querendo fundir sua pele à dele.
A sensação de ser tocada por ele era tudo o que ela sempre sonhou, mas mil vezes mais intensa. Augusto era romântico, sim, mas ali, entre aquelas quatro paredes, ele era puro fogo. Ele subiu novamente pelo corpo dela, voltando ao pescoço, o lugar que ele sabia ser o interruptor de toda a sanidade de Rafaella.
Quando os lábios dele encontraram o ponto sensível logo abaixo de sua orelha, Rafa arqueou as costas. Suas mãos, buscando apoio e querendo devolver um pouco daquela intensidade, encontraram as costas nuas de Augusto. Ela enterrou as unhas de leve na pele dele, arranhando-o em um gesto de puro instinto enquanto ele alternava entre sucções suaves e mordidas provocantes no seu pescoço.
— Você está me deixando louco, Rafa — ele sussurrou contra a pele dela, sentindo os arranhões leves e o corpo dela vibrar sob o dele.
— Então não para — ela respondeu, a voz quase sumindo em um gemido alto quando ele intensificou os beijos. — Eu sou sua, Augusto. Toda sua.
Ele parou por um breve segundo, apenas para olhar no fundo dos olhos dela, querendo gravar aquele momento para sempre. A menina mais gentil da escola, a garota que ele sempre tratou como uma joia rara, estava ali, entregue e desejando-o com a mesma força.
— E eu sou seu — ele declarou, selando a promessa com um beijo que carregava todo o peso daquela tarde inesquecível.
O trabalho de biologia estava esquecido na biblioteca, mas a química que eles estavam estudando agora era muito mais complexa, profunda e infinitamente mais prazerosa. Naquela noite, entre sussurros e carícias, Augusto e Rafa descobriram que o amor e o desejo falavam uma língua que eles finalmente estavam prontos para dominar.