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Ao sol da tarde

Obsessão sob Medida

O som dos papéis espalhados pelo chão de metal era o único vestígio da ordem que Samara tentara manter. Agora, tudo o que restava era o caos controlado das mãos de Nick sobre sua pele e a pressão de seu corpo contra o dela. Ele a carregava com uma facilidade que a lembrava de que, sob aquela fachada de sarcasmo e frios cálculos estratégicos, Nick era um soldado treinado, um homem de força bruta e instintos afiados.

Nick não parou no corredor. Ele a levou para uma das salas de monitoramento tático que ele sabia estar desativada para manutenção. Com um chute preciso, ele fechou a porta atrás de si, e o som da trava eletrônica ecoando no silêncio foi como o ponto final de uma frase que Samara vinha tentando escrever há anos.

Ele a colocou sobre a mesa de metal frio, mas não se afastou. Nick se posicionou entre as pernas dela, as mãos grandes e firmes apertando suas coxas, subindo lentamente até encontrar a curva do seu quadril. Samara sentiu um arrepio percorrer sua espinha, seus cachos caindo sobre os ombros enquanto ela jogava a cabeça para trás, tentando processar a intensidade do olhar dele.

— Você não faz ideia — Nick começou, a voz soando como um rosnado baixo e perigoso — de quantas vezes eu imaginei você exatamente aqui. Neste lugar, sob as minhas mãos, sem ninguém para nos interromper.

— Nick... — Samara sussurrou, a voz falhando enquanto seus dedos se entrelaçavam no cabelo preto e liso dele. — Por que demorou tanto? Por que todo esse gelo com as outras pessoas e esse... esse fogo comigo?

Nick soltou uma risada sombria, aproximando o rosto do pescoço dela. Ele não a beijou de imediato; em vez disso, ele inalou o perfume dela, uma mistura de baunilha e algo puramente Samara, que o deixava fora de si.

— Porque elas não são você — respondeu ele, a voz vibrando contra a pele dela. — Para o resto do mundo, eu sou apenas uma ferramenta, um agente. Mas com você... Sam, você é a única que me faz sentir que eu ainda tenho uma alma para salvar. E, ao mesmo tempo, você é a única que me faz querer pecar de todas as formas possíveis.

Ele subiu os beijos pelo maxilar dela até encontrar o lóbulo da orelha de Samara, mordiscando-o com uma possessividade que a fez arquear as costas.

— Eu via os outros agentes olharem para você — continuou Nick, e Samara sentiu a tensão nos músculos dele. — Eu via o modo como eles sorriam, como tentavam ser engraçadinhos. Cada vez que um deles chegava perto, eu visualizava mil maneiras de fazê-los desaparecer. Eu sou doente por você, Samara. Eu sempre fui.

Samara sentiu um misto de medo e uma excitação avassaladora. Era um desejo denso, quase palpável. Ela sempre soube que a conexão entre eles era profunda, mas a revelação daquela possessividade sombria era como descobrir um oceano revolto sob uma camada de gelo fino.

— Eu não quero nenhum deles, Nick — disse ela, segurando o rosto dele com as duas mãos, forçando-o a olhar em seus olhos esverdeados. — Nunca quis. Eu sempre esperei por você. Mesmo quando você era frio, mesmo quando você se afastava. Eu sabia que havia algo mais.

Nick fechou os olhos por um segundo, apreciando o toque suave das mãos dela. Era o único momento em que ele baixava a guarda.

— Eu me afastava porque tinha medo de te quebrar — confessou ele, abrindo os olhos novamente, e o brilho neles era uma mistura de adoração e fome. — Eu sou intenso demais, Sam. Quando eu quero algo, eu quero por inteiro. Eu não sei amar de um jeito leve, de um jeito comum. Eu quero possuir cada pedaço de você.

— Então me possua — desafiou ela, o sorriso fechado transformando-se em algo mais audacioso. — Eu não sou de vidro, Nick. Eu cresci no meio de heróis e monstros. Eu aguento você.

Nick não precisou de mais nenhum incentivo. Ele a puxou para mais perto, eliminando qualquer espaço que ainda restasse entre eles. Suas mãos desceram para a barra da blusa de Samara, a pele quente encontrando a dela em um toque que parecia queimar. Cada movimento dele era deliberado, carregado de uma urgência que ele vinha reprimindo desde a infância.

— Você é tão linda — murmurou ele entre beijos que desciam pelo colo dela. — Às vezes, eu fico apenas te observando do outro lado da sala, e me pergunto como algo tão perfeito pode ser real. Seus cachos, seu sorriso... eu quero marcar cada centímetro desse corpo para que ninguém mais se atreva a pensar que tem uma chance.

— Nick... — Samara arfou quando sentiu os dentes dele pressionarem levemente a pele sensível de seu ombro. — Isso é... você está me deixando sem ar.

— Essa é a intenção — disse ele, voltando a olhar para ela, a expressão endurecida pelo desejo. — Eu quero que, quando você respirar, o único oxigênio que você sinta seja o meu. Eu quero ser a sua única necessidade.

Ele a beijou novamente, desta vez com uma ternura inesperada que contrastava violentamente com suas palavras possessivas. Era a dualidade de Nick: o protetor feroz e o amante insaciável. Samara se perdeu na sensação, suas mãos explorando a musculatura das costas dele sob o uniforme, sentindo a força que ele tentava conter para não machucá-la.

O ambiente da sala de monitoramento, com suas luzes azuis piscando e telas estáticas, parecia um universo à parte. Ali, as regras da S.H.I.E.L.D. não existiam. Não havia missões, não havia perigos iminentes, apenas a culminação de uma vida inteira de desejo silencioso.

— Prometa-me — Nick exigiu, a voz rouca, enquanto suas mãos se fechavam com firmeza na cintura dela, prendendo-a contra o metal da mesa. — Prometa que você nunca vai tentar fugir dessa minha loucura.

Samara soltou uma risada curta, seus olhos brilhando com uma sinceridade absoluta.

— Fugir? Nick, eu passei dezenove anos tentando encontrar um jeito de entrar na sua mente. Agora que eu estou aqui, agora que eu sei o que você sente... você vai ter que fazer muito mais do que ser um pouco possessivo para se livrar de mim.

Nick sorriu, um sorriso raro e verdadeiro que raramente alguém além de Samara tinha o privilégio de ver. Era um sorriso que carregava uma promessa de perigo e prazer.

— Se livrar de você? — Ele balançou a cabeça, os olhos fixos nos lábios dela. — Sam, você ainda não entendeu. Você é o meu centro. Eu posso ser frio com o mundo, posso ser o agente mais eficiente desta base, mas no final do dia, tudo o que eu faço é para garantir que eu possa voltar para você.

Ele a puxou da mesa, mantendo-a em seus braços, e a pressionou contra a porta fechada. O contraste entre o metal frio nas costas de Samara e o calor do corpo de Nick era quase insuportável.

— Eu vou te dar tudo o que você quiser — continuou ele, o tom de voz tornando-se uma promessa solene. — Mas, em troca, eu quero a sua alma. Eu quero o seu amor mais profundo, aquele que você guarda nas sombras. Eu quero a Samara que ninguém mais conhece.

— Você já tem tudo isso, Nick — respondeu ela, puxando-o pela gola do uniforme para um beijo final, profundo e carregado de entrega. — Você sempre teve.

Naquela sala escura, entre segredos de estado e tecnologia de ponta, dois corações que batiam no mesmo ritmo desde a infância finalmente se encontraram sem máscaras. O desejo de Nick podia ser doentio para alguns, mas para Samara, era a única cura que ela já desejara. E enquanto as luzes do complexo dos Vingadores continuavam a brilhar lá fora, dentro daquela sala, o gelo havia se transformado em um incêndio que nenhum deles tinha a intenção de apagar.