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Ao sol da tarde

O Labirinto de Vidro e Fogo

A penumbra da sala de monitoramento tático era cortada apenas pelo brilho azulado e intermitente de um painel de controle em stand-by. O silêncio ali dentro era denso, preenchido apenas pelo som das respirações pesadas e pelo leve estalido do metal da mesa sob o peso de Samara. Nick a mantinha encurralada entre a porta e seu próprio corpo, uma barreira de músculos e determinação que ela não tinha a menor intenção de romper.

— Você tem noção do quanto é perigoso me desafiar assim? — murmurou Nick, a voz vibrando contra a curva do pescoço dela. — Eu passei anos construindo muros, Samara. Muros de gelo, de silêncio, de indiferença. E você... você simplesmente caminha por eles como se fosse a dona do lugar.

Samara sentiu um arrepio delicioso percorrer sua espinha. Ela deslizou as mãos pelas costas dele, sentindo as cicatrizes e a tensão sob o tecido tático. Nick era uma arma, mas em seus braços, ele parecia algo muito mais complexo e faminto.

— Talvez seja porque eu sou a dona do lugar, Nick — respondeu ela, a voz carregada de uma confiança que só o amor de uma vida inteira poderia proporcionar. — Você pode ser o agente mais temido da S.H.I.E.L.D., mas para mim, você ainda é o garoto que me dava metade do lanche na creche porque eu tinha derrubado o meu.

Nick soltou um rosnado baixo, uma mistura de irritação e desejo. Ele se afastou apenas o suficiente para olhar no fundo dos olhos esverdeados dela. A intensidade ali era quase dolorosa.

— Aquele garoto morreu há muito tempo, Sam. O que sobrou no lugar dele é alguém que não sabe mais onde termina a proteção e onde começa a obsessão. Eu vigio seus passos. Eu sei quem fala com você, eu sei quem olha para você por tempo demais. Eu passo as noites em claro revisando as câmeras de segurança só para ter certeza de que você chegou em casa em segurança. Você entende? Isso não é normal.

— Nada na nossa vida é normal, Nick — retrucou ela, aproximando o rosto do dele até que suas pontas de nariz se tocassem. — Nós vivemos em um quartel-general cheio de deuses, monstros e espiões. Por que o nosso amor teria que ser normal? Se você é doente por mim, então eu sou o seu sintoma mais constante. Eu não quero um romance de cinema. Eu quero você. Com toda essa escuridão e esse controle.

Nick fechou os olhos por um breve segundo, como se estivesse lutando contra o último resquício de sanidade que o impedia de tomá-la ali mesmo. Sua mão subiu, os dedos longos se enroscando nos cachos castanhos de Samara com uma força que beirava o possessivo.

— Às vezes eu sinto que, se eu te apertar demais, eu vou te quebrar — confessou ele, a voz agora um sussurro rouco e vulnerável. — Mas se eu te soltar, eu sinto que vou desmoronar. Você é o meu único ponto de equilíbrio em um mundo que só quer me ver cair.

— Então não solte — pediu ela, as mãos subindo para o rosto dele, polegares acariciando as maçãs do rosto marcadas. — Me aperte até que não sobre espaço para mais ninguém. Eu pertenço a você, Nick. Cada pensamento meu, cada batida do meu coração... sempre foi seu.

O beijo que se seguiu foi uma colisão de mundos. Nick a beijou com uma fome desesperada, como se estivesse tentando reivindicar cada centímetro de sua alma. Suas línguas se entrelaçaram em uma dança frenética, e o sabor de Nick — café forte e uma pitada de perigo — invadiu os sentidos de Samara, deixando-a tonta. Ele a ergueu novamente, as pernas dela se prendendo com força em volta de sua cintura, enquanto ele a pressionava contra a porta gelada.

— Eu quero te levar daqui — disse ele entre beijos curtos e mordidas leves no lábio inferior dela. — Quero te levar para um lugar onde o mundo não possa nos alcançar. Onde eu não precise dividir sua atenção com relatórios, missões ou com o Stark tentando ser engraçadinho.

— Onde? — perguntou ela, a respiração errática, sentindo o calor do corpo dele através do uniforme.

— Para o meu apartamento. Onde as paredes são à prova de som e onde a única coisa que você vai ouvir é o som da minha voz dizendo o quanto eu te desejo.

Samara sorriu, um sorriso que iluminou a penumbra da sala.

— O que estamos esperando?

Nick a colocou no chão, mas não soltou sua mão. Ele entrelaçou os dedos nos dela, um aperto firme e inquebrável. Antes de saírem, ele a puxou para perto uma última vez, o olhar fixo e penetrante.

— Se cruzarmos essa porta juntos agora, Samara, não haverá volta. Eu não vou mais fingir. Eu vou ser a sombra que te persegue e a luz que te guia. Eu vou ser seu dono, seu amante e seu pior inimigo se alguém tentar te tirar de mim. Você está pronta para isso?

— Eu nasci pronta para você, Nick — afirmou ela, a voz firme apesar do fogo que consumia seu interior.

Eles saíram da sala de monitoramento, caminhando pelos corredores de aço da S.H.I.E.L.D. Nick mantinha uma expressão fria e distante para qualquer agente que passasse por eles, o braço passado possessivamente pelos ombros de Samara. Ninguém ousava questionar, ninguém ousava olhar por muito tempo. A aura de Nick era de um predador protegendo seu tesouro mais precioso.

Ao chegarem ao estacionamento subterrâneo, o motor da moto de Nick rugiu, quebrando o silêncio do concreto. Samara subiu na garupa, abraçando-o pela cintura e colando o peito em suas costas. Ela podia sentir a tensão dele diminuindo conforme eles deixavam o complexo para trás, mergulhando na noite de Nova York.

O apartamento de Nick era minimalista, quase espartano, refletindo sua personalidade disciplinada. Mas, assim que a porta se fechou e ele a empurrou contra a madeira, toda a disciplina desapareceu. As luzes da cidade entravam pelas grandes janelas de vidro, pintando a pele de Samara de sombras e brilhos prateados.

— Finalmente — exclamou Nick, as mãos descendo para desabotoar o uniforme com uma urgência que ele nunca demonstrara em campo. — Só nós dois.

Ele a puxou para o centro da sala, onde o tapete macio amortecia seus passos. Nick parou por um momento, apenas observando-a. Samara, com seus cabelos cacheados em desalinho e os olhos verdes brilhando de desejo, era a visão mais bonita que ele já tivera.

— Você é minha obra-prima, Sam — murmurou ele, a mão deslizando pela curva da cintura dela até o início do quadril. — E eu sou o único colecionador autorizado.

— Você fala como se eu fosse um objeto, Nick — disse ela, embora o tom fosse de brincadeira, provocando-o.

— Para o mundo, você é uma agente. Para mim, você é a minha religião — corrigiu ele, a seriedade voltando aos seus olhos negros. — E eu pretendo te adorar a noite inteira.

Ele a conduziu até o quarto, onde a cama king-size parecia um convite ao pecado. Nick a deitou com cuidado, mas logo se posicionou sobre ela, o peso de seu corpo sendo uma presença reconfortante e esmagadora ao mesmo tempo. Ele começou a distribuir beijos pela linha do seu pescoço, descendo até a clavícula, deixando marcas que seriam lembretes visíveis de sua posse no dia seguinte.

— Nick... — ela suspirou, as unhas cravando-se nos ombros dele. — Eu te amo tanto que chega a doer.

Ele parou o que estava fazendo e olhou para ela, uma vulnerabilidade rara cruzando suas feições.

— Eu te amo de um jeito que me assusta, Samara. É um amor que não conhece limites, que não conhece a razão. Se o mundo acabasse amanhã, meu único arrependimento seria não ter te tido para mim muito antes.

— Nós temos o agora — lembrou ela, puxando-o para um beijo que selava todas as promessas silenciosas que haviam feito um ao outro ao longo dos anos.

A noite avançou, e dentro daquele apartamento, o tempo parecia ter parado. Nick era um amante atento, mas exigente. Ele explorava cada centímetro de Samara com uma curiosidade febril, como se estivesse mapeando um território que agora lhe pertencia por direito. Seus toques eram às vezes rudes, carregados de uma necessidade bruta, e às vezes de uma doçura que fazia Samara chorar de emoção.

— Diga meu nome — comandou ele, a voz soando como um trovão baixo enquanto ele a levava ao limite do prazer.

— Nick... meu Nick — ela gemeu, a cabeça jogada para trás, o corpo tremendo sob o comando dele.

— Só seu — afirmou ele, selando o momento com um beijo profundo. — E você é só minha. Para sempre.

Quando a primeira luz do amanhecer começou a filtrar-se pelas cortinas, eles estavam abraçados, envoltos em lençóis de seda escura. O suor secava em suas peles, e a respiração de Nick estava finalmente calma, o rosto enterrado nos cachos de Samara.

— Você está acordada? — perguntou ele, a voz rouca pelo sono e pelo esforço da noite.

— Sim — respondeu ela, sorrindo contra o peito dele. — Eu não queria perder um segundo disso.

Nick a apertou mais forte, um gesto instintivo de proteção.

— Hoje vai ser diferente na base. Todo mundo vai saber. Eu não vou mais esconder o que sinto.

— Você não tem medo das consequências? — perguntou ela, olhando para cima. — O conselho, o Fury... eles não gostam de distrações.

Nick soltou uma risada curta e seca, o brilho perigoso voltando brevemente aos seus olhos.

— Deixe que eles tentem. Se alguém ousar dizer que você é uma distração, eu mostro a eles o que é uma verdadeira destruição. Você não é minha fraqueza, Samara. Você é a razão pela qual eu luto. E ninguém, absolutamente ninguém, vai se colocar entre nós.

Samara sentiu uma onda de calor invadi-la. O desejo de Nick podia ser intenso, possessivo e, às vezes, sombrio, mas era o porto seguro que ela sempre buscara. Ela sabia que a vida com ele seria um labirinto de emoções fortes, mas não havia outro lugar no mundo onde ela preferiria estar.

— Então vamos enfrentar o mundo juntos — disse ela, selando o pacto com um beijo suave.

— Juntos — repetiu Nick, a promessa ecoando no quarto silencioso. — Até o fim de tudo.

Naquela manhã, o gelo de Nick não apenas derreteu; ele evaporou, dando lugar a uma chama eterna que arderia por Samara, não importa os desafios que o universo Marvel pudesse lançar contra eles. Eles eram agora uma força única, uma mistura de luz e sombra que nenhum exército ou deus poderia separar. E enquanto o sol subia sobre Nova York, o desejo que começara como uma obsessão silenciosa florescia em uma realidade vibrante e indestrutível.