Apenas amigos?
O Teorema da Eternidade e o Horizonte de Metrópolis
O celeiro da fazenda Kent nunca pareceu tão pequeno e, ao mesmo tempo, tão infinito. O luar atravessava as frestas do telhado, criando listras de prata sobre o feno e sobre os lençóis bagunçados que Clark espalhara no loft. Ali, longe dos olhos do mundo e das expectativas de Smallville, o tempo parecia ter dobrado sobre si mesmo, permitindo que eles existissem em uma bolha de silêncio e entrega.
Chloe estava deitada sobre o peito de Clark, traçando com a ponta dos dedos as cicatrizes invisíveis que as batalhas físicas nunca deixavam nele, mas que ela sabia que existiam em sua alma. O calor que emanava do corpo dele era a sua âncora. Clark, por sua vez, enrolava uma mecha do cabelo loiro dela nos dedos, sentindo a suavidade que contrastava com a força da mulher que ela se tornara.
— Você está pensando demais, Smallville — sussurrou ela, a voz rouca pelo cansaço prazeroso das últimas horas. — Consigo ouvir as engrenagens da sua cabeça girando daqui.
Clark soltou um riso baixo, uma vibração que Chloe sentiu contra sua bochecha.
— É difícil não pensar, Chloe. Faltam poucos meses para a formatura. O mundo está prestes a ficar muito maior do que este celeiro.
Ele se virou de lado, apoiando-se no cotovelo para olhar diretamente nos olhos verdes dela. A intensidade do olhar dele sempre a desarmava, mas agora havia uma clareza que antes ele não possuía.
— Eu não quero mais que isso seja apenas "o que temos agora" — continuou ele, a voz firme. — Chloe Sullivan, você foi minha bússola quando eu estava perdido e minha coragem quando eu tive medo. Eu não quero enfrentar Metrópolis, a faculdade ou qualquer outra crise de meteoro sem você oficialmente ao meu lado.
Chloe prendeu a respiração. Ela já tinha ouvido Clark dizer que a amava, mas havia um peso diferente naquela declaração.
— O que você está dizendo, Kent? — perguntou ela, um sorriso desafiador surgindo, embora seu coração estivesse martelando.
— Estou dizendo que quero ser seu namorado. Oficialmente. Com jantares de domingo, mãos dadas no corredor e o direito de ficar com ciúmes quando algum estagiário do Planeta Diário tentar te impressionar.
Chloe riu, puxando-o pela gola da camiseta que ele vestira às pressas.
— Você demorou dez anos para pedir isso, sabia? — Ela o beijou, um toque lento que selava o compromisso. — É claro que eu aceito, seu idiota altruísta. Mas saiba que eu sou uma namorada exigente. Quero exclusividade nos seus segredos e prioridade máxima nos seus resgates.
— Você sempre teve as duas coisas — respondeu ele, selando o pacto com um beijo mais profundo.
Eles ficaram ali, planejando o futuro como se estivessem escrevendo a manchete mais importante de suas vidas. A ideia de Metrópolis não era mais assustadora. Eles falaram sobre a Universidade de Metrópolis, sobre os cursos de jornalismo dela e as aulas de história e sociologia dele. Mas o ponto alto da conversa era o apartamento.
— Um apartamento pequeno — disse Chloe, os olhos brilhando com a imagem mental. — Perto do metrô. Com pilhas de livros por todos os lados, uma cafeteira que nunca desliga e espaço suficiente para nós dois... e talvez para o seu ego de herói.
— Não precisa ser grande — Clark concordou, acariciando o quadril dela sob o lençol. — Desde que tenha uma janela grande o suficiente para eu entrar sem quebrar o vidro. E uma cama onde eu possa te abraçar todas as noites sem me preocupar com o toque de recolher do meu pai.
— Imagine só — murmurou ela, aproximando-se mais. — Sem segredos, sem desculpas para sumir no meio do jantar. Apenas nós dois, tentando descobrir como pagar o aluguel e salvar o mundo antes do prazo de entrega das matérias.
O clima de planejamento deu lugar a uma tensão mais quente. Clark deslizou a mão pela curva das costas de Chloe, sentindo-a estremecer sob seu toque. Ele adorava o poder que tinha sobre ela, a maneira como seu corpo respondia instantaneamente à sua proximidade.
— Sabe, namorada... — sussurrou ele, a palavra soando nova e deliciosa em sua língua. — Eu acho que precisamos praticar essa parte de "dividir o mesmo espaço" um pouco mais.
Chloe sorriu, seus olhos escurecendo de desejo. Ela adorava quando ele deixava de lado a timidez e assumia o controle com aquela confiança silenciosa.
— É mesmo, meu Superboy? — provocou ela, usando o apelido que sabia que o deixava aceso. — E por onde você sugere que comecemos?
Clark não respondeu com palavras. Ele a puxou para baixo dele, a força de seus movimentos controlada, mas carregada de uma urgência que sempre a deixava sem fôlego. Suas mãos exploravam cada centímetro de Chloe com uma familiaridade que apenas noites de intimidade no celeiro poderiam proporcionar.
— Eu amo quando você me chama assim — disse ele, a voz rouca, beijando o vale entre os seios dela.
— Eu sei que ama — ofegou ela, arqueando o corpo quando sentiu os lábios dele encontrarem um ponto sensível em seu pescoço. — Assim como eu amo quando o meu "Garoto de Aço" esquece que é feito de metal e se torna apenas fogo.
O sexo entre eles era uma descoberta constante. Para Clark, era o único momento em que ele se sentia verdadeiramente humano, onde a sobrecarga de seus sentidos encontrava um propósito e um alívio. Para Chloe, era a validação de que ela era a única capaz de suportar e retribuir a intensidade dele. Não era apenas físico; era uma fusão de almas que sobreviviam a segredos e tragédias.
Eles se moviam em um ritmo que só eles conheciam, uma dança de pele contra pele, suspiros abafados pelo som do vento lá fora e promessas sussurradas no calor do momento. Clark era cuidadoso, mas possessivo, suas mãos marcando o território que ele agora chamava oficialmente de seu. Chloe era audaciosa, provocando-o a perder o controle, rindo suavemente quando via o brilho azul intenso nos olhos dele que indicava que ele estava no limite.
Quando o ápice chegou, foi como uma supernova silenciosa no loft do celeiro. Eles se seguraram um ao outro como se fossem a única coisa sólida em um universo em constante expansão.
Minutos depois, enquanto recuperavam o fôlego sob o mesmo lençol, o silêncio era preenchido apenas pelo som rítmico de seus corações.
— Metrópolis vai ser uma loucura, não vai? — perguntou Chloe, a voz suave, descansando a cabeça no ombro dele.
— Vai — admitiu Clark, olhando para o teto. — Mas pela primeira vez, eu não estou preocupado com o que pode dar errado.
— E por que não?
Clark virou o rosto e beijou o topo da cabeça dela.
— Porque eu tenho o meu ponto de intersecção. O resto é apenas geometria, Chloe. Nós vamos dar um jeito.
Eles adormeceram assim, entrelaçados, sonhando com apartamentos pequenos, luzes de cidade grande e uma vida onde o herói não precisava mais voar sozinho. O capítulo de Smallville estava chegando ao fim, mas a história de Clark e Chloe estava apenas começando seu prólogo mais bonito. A partir dali, não haveria mais "se", apenas "quando". E o "quando" deles começava com o nascer do sol no horizonte do Kansas, apontando o caminho para casa.