Apenas amigos?
Sinfonia de Granito e Desejo
O aroma de café recém-passado flutuava pela cozinha da fazenda Kent, misturando-se ao cheiro de terra molhada que entrava pela janela aberta. A tempestade da noite anterior havia deixado para trás um rastro de frescor e uma luz matinal translúcida que banhava o cômodo. Clark estava de pé junto ao balcão, observando o vapor subir de sua caneca, mas seus pensamentos estavam longe de qualquer tarefa rural.
Chloe estava sentada à mesa, vestindo apenas a camisa jeans dele, que ficava enorme nela, transformando-se em um vestido improvisado que deixava seus ombros à mostra. Ela folheava distraidamente algumas anotações do Tocha, mas o brilho em seus olhos denunciava que sua concentração era meramente superficial.
— Você está me encarando de novo, Kent — disse ela, sem levantar os olhos do papel, embora um sorriso convencido brincasse em seus lábios. — Se continuar assim, vai acabar queimando um buraco na minha testa com essa sua visão térmica.
Clark deu um gole lento no café, seus olhos azuis fixos nela com uma intensidade que fazia o ar parecer denso.
— Não estou usando a visão térmica, Chloe — respondeu ele, a voz soando mais grave do que o normal. — Mas confesso que a vista daqui é muito mais interessante do que qualquer coisa que eu possa encontrar no horizonte.
Ele se aproximou da mesa, mas não se sentou. Ele permaneceu de pé, a poucos centímetros dela, sentindo a eletricidade que ainda vibrava entre os dois desde a madrugada. Clark, movido por uma curiosidade que misturava sua natureza alienígena com um desejo puramente humano, permitiu que seu foco mudasse. Suas pupilas dilataram-se levemente enquanto ele ativava sua visão de raio-X.
Ele não estava procurando por perigos ou anomalias. Ele queria ver a reação dela. Através do tecido da camisa jeans, ele observou o ritmo acelerado do coração de Chloe e a maneira como seus pulmões se expandiam em respirações curtas. Mas, mais do que isso, ele focou na pele dela, vendo a reação imediata do sistema nervoso.
Chloe soltou um suspiro audível, seus ombros se contraindo levemente enquanto um arrepio visível percorria seus braços e pescoço. Ela largou a caneta e olhou para ele, os olhos arregalados em uma mistura de choque e excitação.
— Clark! — exclamou ela, a voz falhando. — Você está fazendo aquilo, não está? Eu sinto... eu sinto como se você estivesse me tocando sem mover um dedo. É... é irritante e absurdamente injusto.
Clark deu um sorriso de lado, um brilho travesso e predatório cruzando seu rosto.
— Eu só estava conferindo se você ainda estava com frio — provocou ele, desativando a visão especial, mas mantendo o olhar fixo nos seios dela, que agora desenhavam os mamilos rígidos contra o tecido grosso da camisa.
— Você é um trapaceiro intergaláctico — sussurrou ela, embora não houvesse nenhuma raiva em seu tom.
Sem dizer uma palavra, Clark estendeu a mão e, com uma calma deliberada, começou a afastar as canecas, os cadernos e o notebook de cima da mesa de madeira maciça. O som das coisas sendo arrastadas era o único ruído na cozinha, além da respiração pesada de ambos.
— Clark? O que você está... — Chloe começou a perguntar, mas sua voz morreu na garganta quando ele a segurou pela cintura e, com uma facilidade assustadora, a ergueu da cadeira e a sentou sobre a mesa.
Ele se posicionou entre as pernas dela, forçando-as a se abrirem para acomodar seu corpo largo. Chloe envolveu a cintura dele com as pernas, sentindo a força dos músculos das coxas de Clark contra sua pele. O contraste entre o frio da mesa e o calor avassalador que emanava dele a deixou tonta.
— A mesa parece um lugar muito mais apropriado para o que eu tenho em mente agora — disse ele, a voz agora um sussurro rouco rente ao ouvido dela.
Ele a empurrou gentilmente, fazendo-a deitar-se de costas sobre a superfície de madeira. Chloe soltou um arquejo quando sentiu as mãos dele subirem por suas pernas, afastando a camisa jeans e revelando a calcinha de renda preta que contrastava com sua pele clara.
Clark agachou-se entre as pernas dela, seus olhos fixos no rosto de Chloe antes de descerem para o que ele estava prestes a fazer. O sorriso malicioso que ele exibiu era algo que Chloe nunca esperaria do "bom moço" da fazenda, mas era exatamente o que ela desejava.
— Clark... — ela murmurou, enterrando as mãos nos cabelos dele enquanto ele se aproximava.
— Shh — sussurrou ele. — Deixe o repórter descansar um pouco, Chloe. Agora é só o Clark.
Com uma destreza surpreendente, ele deslizou os dedos sob o elástico da calcinha dela, removendo-a com um movimento fluido. Chloe sentiu o ar fresco da cozinha em sua intimidade por um breve segundo antes que as mãos de Clark voltassem a envolvê-la.
Ele não se apressou. Com um sorriso sexy e confiante, Clark deslizou as mãos para trás, apertando as nádegas firmes e definidas de Chloe. O toque era firme, possessivo, revelando uma força que ele geralmente passava o dia tentando esconder do mundo.
— Você não tem ideia — disse ele, olhando-a de baixo, entre suas pernas — do quanto eu esperei para poder te tocar assim. Sem medos, sem segredos.
Chloe sentiu uma onda de prazer percorrer seu corpo apenas pela intensidade do olhar dele. Ele a apertou novamente, suas mãos grandes moldando-se perfeitamente às curvas dela.
— Então não espere mais — implorou ela, puxando-o para mais perto. — Mostre-me o que o homem de aço realmente quer fazer com essa jornalista intrometida.
Clark soltou uma risada baixa e vibrante, seus lábios encontrando a pele da parte interna das coxas dela, iniciando uma sinfonia de carícias que prometia transformar aquela manhã comum na fazenda Kent em algo que nem mesmo a memória fotográfica de Chloe seria capaz de esquecer. Naquela cozinha, entre as sombras do passado e o brilho do futuro, Clark Kent finalmente descobriu que sua maior força não vinha do sol amarelo, mas da mulher vibrante e corajosa que agora se entregava completamente aos seus sentidos.