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As provocações

O Delírio Carmesim e a Rendição do Slime

O dia seguinte no palácio de Guy Crimson não trouxe o frio esperado do Continente de Gelo. Pelo contrário, a atmosfera dentro das paredes de obsidiana e cristal estava carregada, densa com uma eletricidade que fazia os pelos da nuca de qualquer demônio de baixo escalão se arrepiarem. Rimuru, ainda preso em sua forma feminina, caminhava pelos corredores com uma elegância que ele mesmo não sabia que possuía. O vestido de seda, de um azul profundo que contrastava com sua pele pálida, arrastava-se levemente pelo chão enquanto ele se dirigia à sala de jantar principal.

Atrás dele, um rastro de destruição emocional era deixado. Servos que antes eram orgulhosos e inabaláveis agora desviavam o olhar, com os rostos corados ou expressões de puro desespero. Eles não conseguiam esquecer os sons que ecoaram do salão do trono no dia anterior.

Ao entrar na sala de jantar, Rimuru encontrou Guy já sentado à cabeceira da mesa imensa. Mas, para a surpresa de Rimuru, não eram apenas Misery e Rain que estavam presentes. Outros demônios de alto nível, comandantes das legiões de Guy, estavam perfilados contra as paredes, convocados para uma diretriz matinal.

— Ora, se não é a rainha do meu castelo — Guy disse, sua voz rouca e vibrante, enquanto seus olhos vermelhos percorriam o corpo de Rimuru com uma fome indisfarçável.

Rimuru sentiu um calafrio, mas não de medo. Era a adrenalina da provocação. Ele caminhou até Guy, ignorando a cadeira vazia ao lado e, com um movimento fluido, sentou-se diretamente no colo do Lorde Demônio.

— Bom dia, Guy-kun. Dormiu bem? Ou sentiu minha falta? — Rimuru perguntou, passando os dedos pequenos e delicados pelos chifres de Guy.

Um murmúrio de choque percorreu os generais nas sombras. Um deles, um demônio alto com armadura negra chamado Veyron, apertou o punho da espada com tanta força que o metal rangeu.

— Eu sempre sinto sua falta, mesmo quando você está no quarto ao lado — Guy respondeu, envolvendo a cintura de Rimuru com um braço possessivo, puxando-o para mais perto até que não houvesse espaço entre eles. — Mas hoje, eu decidi que não vou deixar você se afastar nem por um segundo.

Guy ignorou completamente o prato de frutas e iguarias à sua frente. Em vez disso, ele inclinou o corpo para trás na cadeira, trazendo Rimuru junto. Sem qualquer aviso ou pudor diante de seus subordinados, Guy enterrou o rosto no decote generoso de Rimuru, aspirando o perfume de flores e mel que emanava da pele do Slime.

— Guy! — Rimuru soltou uma exclamação, o rosto subitamente esquentando. Ele queria provocar, mas a audácia direta de Guy às vezes o pegava de surpresa. — Tem muita gente aqui... hnn...

— Deixe-os — Guy murmurou contra a pele macia. — Eles precisam aprender qual é o lugar deles. E o seu lugar é aqui, servindo de descanso para o seu Rei.

Guy começou a passar a ponta da língua pelo vale entre os seios de Rimuru, traçando círculos lentos e úmidos que faziam o corpo de Rimuru estremecer.

— Ah... mmmh... Guy, pare com isso — Rimuru disse, mas suas mãos, em vez de empurrá-lo, perderam-se nos cabelos vermelhos e sedosos de Guy, pressionando a cabeça do demônio contra seu próprio peito.

— Milorde! — A voz de Misery soou como um chicote, carregada de uma dor que ela tentava esconder atrás da etiqueta. — Os generais estão esperando as ordens para a patrulha das fronteiras! Isso é... é altamente inapropriado para o café da manhã!

Rimuru, sentindo a onda de ciúmes vinda de Misery e o olhar de puro ódio de Rain, decidiu que era hora de retomar o controle da brincadeira. Ele inclinou a cabeça para trás, soltando um suspiro longo e manhoso que fez os generais demônios desviarem o olhar, envergonhados.

— Misery, você é tão tensa — Rimuru disse, sua voz saindo mais ofegante do que ele pretendia. — Você não vê como o seu mestre está cansado? Ele precisa de... nutrição.

Guy soltou uma risada abafada e, para o horror coletivo, deu uma mordida firme na curva do seio de Rimuru, através do tecido fino da seda.

— KYAA! — O grito de Rimuru foi agudo e carregado de uma surpresa que rapidamente se transformou em um gemido baixo. — Guy! Isso dói... seu idiota... ahhh...

— Dói? — Guy levantou a cabeça, seus olhos brilhando com uma luxúria predatória. Ele lambeu os lábios, saboreando o gosto imaginário da pele de Rimuru. — Eu achei que você gostasse de ser marcado, Rimuru. Para que todos saibam a quem você pertence enquanto estiver sob este teto.

— Eu não pertenço a ninguém! — Rimuru retrucou, embora estivesse derretendo nos braços de Guy. — Mas... se você continuar fazendo isso na frente deles... eu vou acabar ficando com uma reputação terrível.

— A reputação de ser a única pessoa que pode domar o Lorde Demônio Original? — Guy arqueou uma sobrancelha, voltando a esconder o rosto no peito de Rimuru, esfregando a bochecha ali como um gato grande e perigoso. — Eu acho que é uma reputação excelente.

Rain, que estava segurando uma jarra de vinho, começou a tremer. O líquido transbordou da taça de Guy, mas ninguém se importou.

— Por que...? — Rain sussurrou, as lágrimas de frustração quase escapando. — Por que ele? Nós estamos aqui há milênios! Nós limpamos o sangue de seus inimigos, nós construímos este império! E agora... esse Slime chega e o senhor o trata como se fosse uma divindade?

Rimuru olhou para Rain com um olhar de falsa simpatia, seus olhos dourados brilhando com uma malícia que faria Ciel orgulhosa.

— Oh, Rain... não fique assim. Você é uma ótima serva — Rimuru disse, alongando a palavra "serva" com um tom de superioridade. — Mas o Guy precisa de algo que vocês não podem dar. Ele precisa de alguém que não tenha medo de puxar o cabelo dele ou de sentar no colo dele sem pedir licença. Não é, Guy-kun?

Guy soltou um rosnado de aprovação, suas mãos agora subindo pelas costas de Rimuru, apertando a carne macia de seus quadris.

— Exatamente — Guy disse, sua voz ficando mais profunda. — Agora, saiam. Todos vocês. A reunião está cancelada.

— Mas milorde! — Veyron, o general, tentou protestar. — Os assuntos do Império...

— SAIAM! — O grito de Guy fez as janelas de cristal vibrarem e alguns generais caírem de joelhos pela pressão de sua aura.

Em segundos, a sala estava vazia, restando apenas o silêncio pesado e o som da respiração de Rimuru.

— Você os assustou — Rimuru comentou, tentando recuperar o fôlego enquanto Guy continuava a beijar seu pescoço.

— Eles são irritantes — Guy respondeu, levantando Rimuru e colocando-o sobre a mesa de jantar, derrubando pratos de ouro e talheres de prata. — Você queria me provocar, Rimuru? Você queria mostrar a eles o quanto eu sou "obediente"?

Rimuru engoliu em seco, vendo a mudança no olhar de Guy. O jogo de provocar os servos tinha acabado de se transformar em algo muito mais real entre os dois.

— Eu... eu só estava me divertindo — Rimuru admitiu, sentindo o calor subir por suas pernas quando Guy se posicionou entre elas.

— Pois eu também vou me divertir — Guy sorriu, e desta vez não havia nada de brincalhão naquilo. — Você fica tão bem nessa forma feminina... o cheiro que você exala quando está excitado é uma tortura, Rimuru.

Guy puxou a alça do vestido de Rimuru, expondo um ombro e parte do seio que ele havia mordido anteriormente. A marca avermelhada se destacava na pele azul-prateada. Ele baixou a cabeça e começou a lamber a marca com uma lentidão torturante.

— Hnn... Guy... — Rimuru arqueou as costas, suas mãos agarrando a borda da mesa. — Alguém pode voltar... eles podem ouvir...

— Que ouçam — Guy rosnou, subindo os beijos para a mandíbula de Rimuru. — Quero que eles saibam exatamente o que estou fazendo com você. Quero que Rain e Misery fiquem acordadas à noite ouvindo seus gritos.

Rimuru sentiu um calafrio de prazer percorrer sua espinha. A possessividade de Guy era esmagadora, mas havia algo nela que o fazia se sentir seguro e, ao mesmo tempo, perigosamente vivo. Ele puxou o rosto de Guy para cima e o beijou com uma paixão que raramente mostrava, usando a língua para explorar a boca do demônio com a mesma intensidade que recebia.

Guy soltou um som gutural de satisfação, suas mãos explorando cada curva do corpo de Rimuru. Ele voltou a descer para os seios de Rimuru, desta vez usando os dentes com mais audácia, fazendo Rimuru soltar um grito que certamente foi ouvido nos corredores externos.

— Mais... — Rimuru pediu em um sussurro, o pudor sendo completamente substituído pelo desejo. — Não pare...

Guy obedeceu com prazer. Ele passou o resto da manhã usando o peito de Rimuru como seu território pessoal, alternando entre beijos suaves, lambidas provocantes e mordidas que deixavam Rimuru à beira de um colapso sensorial. O Slime, por sua vez, não se calava. Seus gemidos eram altos, rítmicos e carregados de uma entrega que nenhum servo de Guy jamais ousaria imaginar.

Do lado de fora das grandes portas duplas, Misery e Rain permaneciam paradas, como estátuas de gelo. Seus rostos estavam pálidos, e as mãos de Rain sangravam de tanto que ela cravava as unhas nas palmas.

— Ele... ele está fazendo isso de propósito — Rain sussurrou, sua voz falhando. — Aqueles sons... o Lorde Guy nunca... ele nunca agiu assim com ninguém.

— Lady Rimuru é um perigo — Misery respondeu, embora seus próprios olhos estivessem úmidos de uma inveja corrosiva. — Ela transformou nosso mestre em algo que não reconhecemos. Mas... olhe para a aura dele. Ele nunca esteve tão poderoso. Tão... satisfeito.

Dentro da sala, o banquete de comida havia sido substituído por um banquete de sentidos. Guy finalmente parou por um momento, olhando para um Rimuru desfeito, com o cabelo bagunçado e os olhos dourados nublados de prazer.

— Você ainda quer me provocar, meu pequeno Slime? — Guy perguntou, limpando um rastro de saliva do canto da boca de Rimuru.

Rimuru soltou uma risadinha fraca, tentando ajeitar o vestido rasgado.

— Eu acho... que você ganhou esse round, Guy-kun. Mas não se acostume.

Guy riu, pegando Rimuru nos braços como se ele não pesasse nada.

— Oh, eu vou me acostumar sim. Na verdade, acho que vou pedir para a Ciel prolongar essa sua forma por mais algumas semanas. Temos muito o que explorar neste castelo.

Rimuru escondeu o rosto no pescoço de Guy, sentindo o coração do demônio bater forte contra o seu. Ele sabia que as próximas semanas seriam um inferno para os servos de Guy, mas para ele... seria o paraíso mais provocante e quente que ele já havia experimentado. E enquanto Guy o carregava em direção aos aposentos privados, Rimuru fez questão de soltar um último suspiro alto e manhoso, apenas para garantir que Rain, que ainda estava atrás da porta, soubesse exatamente quem detinha o coração do Lorde Demônio.