As provocações
O Eclipse de Safira e o Capricho do Demônio Carmesim
A luz gélida da manhã atravessava os vitrais do Grande Salão de Audiências, pintando o chão de obsidiana com tons de azul e violeta. Rimuru, ainda sob o efeito da "maldição" estética de Ciel, sentia-se estranhamente leve. O vestido de seda branca que usava hoje era mais recatado que o anterior, com mangas longas e uma gola alta, mas o tecido era tão fino que revelava cada contorno de sua forma feminina. Ele caminhava com uma confiança renovada, sabendo que cada passo seu era monitorado por dezenas de olhos carregados de inveja e desejo contido.
No centro do salão, a mesa de reuniões estava cercada não apenas por Misery e Rain, mas também por outros demônios de alto escalão. Entre eles, Dagruel — que estava de visita para tratar de tratados de neutralidade — e o orgulhoso Veyron, que parecia estar à beira de um colapso nervoso.
Guy Crimson estava sentado em seu trono, observando a entrada de Rimuru com um sorriso predatório. Ele esperava que Rimuru, como de costume, voasse diretamente para o seu colo. No entanto, Rimuru tinha outros planos. Ele queria ver até onde a possessividade de Guy iria se ele mudasse as regras do jogo.
Com um sorriso travesso, Rimuru passou por Guy, roçando levemente os dedos no ombro do demônio, e sentou-se na cadeira ornamentada logo à direita do trono, cruzando as pernas com elegância.
— Bom dia a todos — disse Rimuru, sua voz soando como sinos de cristal. — Guy-kun, vamos começar? Temos muito o que discutir sobre as rotas comerciais da Federação Jura Tempest.
Guy piscou, seus olhos vermelhos estreitando-se em uma confusão momentânea que rapidamente se transformou em um beicinho quase infantil.
— Rimuru... o que você está fazendo aí? — perguntou Guy, ignorando completamente os documentos que Misery tentava lhe entregar.
— Estou sentada, Guy. É uma reunião formal, lembra? — Rimuru respondeu, abrindo um leque e cobrindo metade do rosto para esconder o sorriso provacador. — Como convidada e governante, acho apropriado ter meu próprio lugar à mesa.
— Mas o seu lugar é aqui — Guy insistiu, dando tapinhas em sua própria coxa. — Venha aqui. Agora.
— Não. — Rimuru inclinou a cabeça, fazendo seus cabelos azul-prateados brilharem. — Preste atenção na Misery, Guy-kun. Ela trabalhou duro nesses relatórios.
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Misery ficou paralisada, o pergaminho tremendo em suas mãos. Rain, ao fundo, parecia alternar entre a satisfação de ver Guy ser "rejeitado" e o ódio por Rimuru ter a audácia de dizer "não" ao seu mestre.
Guy suspirou, um som profundo que fez as sombras nas paredes dançarem. Ele parecia genuinamente triste por alguns segundos, seus ombros caindo levemente.
— Você é cruel, Rimuru — resmungou Guy.
A reunião prosseguiu, ou pelo menos tentou. Misery começou a falar sobre a produção de minério mágico, mas Guy não estava ouvindo. Ele estava inquieto. Ele batia os dedos no braço do trono, seus olhos fixos no perfil de Rimuru. Dez minutos depois, Guy não aguentou mais.
Sem dizer uma palavra, o Lorde Demônio mais poderoso do mundo levantou-se de seu trono de obsidiana. Os generais prenderam a respiração, esperando uma explosão de fúria. Em vez disso, Guy caminhou até a cadeira de Rimuru e, para o choque absoluto de todos, ajoelhou-se no chão gélido.
— Guy?! O que você está fazendo? — Rimuru exclamou, sentindo o rosto esquentar instantaneamente.
Guy não respondeu com palavras. Ele simplesmente inclinou a cabeça para a frente e enterrou o rosto entre as pernas de Rimuru, descansando a testa contra as coxas macias cobertas pela seda.
— Se você não vem até mim, eu venho até você — murmurou Guy, sua voz abafada. — Eu não consigo me concentrar se não estiver tocando em você.
— Guy-kun! Levante-se! Todo mundo está olhando! — Rimuru tentou empurrá-lo pelos ombros, mas Guy era como uma montanha imóvel.
— Deixe que olhem — Guy disse, virando o rosto para o lado para que sua bochecha ficasse pressionada contra a parte interna da coxa de Rimuru. — Eu sou o Rei aqui. Se eu quiser sentar no chão aos seus pés, ninguém ousará dizer o contrário.
Veyron soltou um ruído abafado, algo entre um soluço e um engasgo, e saiu apressadamente da sala. Rain cobriu os olhos com uma mão, enquanto a outra apertava o cabo de sua adaga com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.
— Misery... continue — ordenou Guy, sem se mover de sua posição aos pés de Rimuru.
— M-Milorde... o relatório sobre o minério... — Misery tentou, sua voz falhando miseravelmente.
Rimuru, percebendo que Guy não sairia dali, começou a acariciar os cabelos vermelhos dele por puro reflexo, sentindo-se ao mesmo tempo envergonhado e secretamente satisfeito com a devoção absurda do demônio.
— Você é um caso perdido, Guy — sussurrou Rimuru.
— Por você? Sempre — Guy respondeu, e então, com um movimento rápido e possessivo, ele subiu as mãos pelas pernas de Rimuru, puxando-a para a beirada da cadeira.
Antes que Rimuru pudesse protestar, Guy se levantou apenas o suficiente para alcançar o decote dela. Com uma agilidade sobre-humana, ele mergulhou o rosto no peito de Rimuru novamente, mas desta vez, ele não foi apenas carinhoso.
— Mmm... — Guy soltou um som de satisfação e, na frente de toda a corte, cravou os dentes suavemente na pele exposta acima do corpete.
— AAh! Guy! Para! — Rimuru soltou um grito que ecoou pelo salão, suas mãos segurando a cabeça de Guy, mas sem força real para afastá-lo. O gemido que se seguiu foi traído por uma nota de prazer evidente. — Hnn... você... você vai deixar marcas...
— Essa é a ideia — Guy disse, separando-se apenas o suficiente para lamber o local da mordida. — Quero que, quando você voltar para Tempest, aquele Dragão da Tempestade e o seu mordomo saibam exatamente onde minha boca esteve.
Misery, incapaz de suportar mais, fechou o pergaminho com um estrondo.
— A reunião está encerrada por hoje! — declarou ela, sua voz tremendo de ciúmes e indignação. — Retirem-se todos! Agora!
Os generais e servos fugiram como se o castelo estivesse desmoronando. Rain foi a última a sair, lançando um olhar de puro veneno para Rimuru antes de bater as portas duplas com uma força que fez o lustre de cristal tilintar.
— Finalmente sozinhos — disse Guy, puxando Rimuru da cadeira e sentando-se nela, colocando o Slime em seu colo da maneira que ele queria desde o início.
— Você é impossível, Guy. Você traumatizou seus generais — Rimuru disse, embora estivesse se acomodando contra o peito largo do demônio.
— Eles sobrevivem. O que importa é que você está aqui — Guy inclinou-se, beijando a ponta do nariz de Rimuru antes de descer novamente para o pescoço dela.
Horas mais tarde, eles estavam na biblioteca privada. Rimuru tentava ler um tomo antigo sobre magia espacial, sentada em um divã de veludo. Guy estava supostamente verificando correspondências, mas sua atenção estava em qualquer lugar, menos nos papéis.
— Rimuru — chamou Guy.
— Hum? — Rimuru nem levantou os olhos do livro.
Sem aviso, Guy se inclinou sobre ela, prendendo-a contra o encosto do divã. Ele pegou o livro da mão dela e o jogou casualmente no chão.
— Guy! Eu estava na metade da página!
— Eu estou entediado — declarou ele, deslizando as mãos pela cintura de Rimuru e subindo até o decote. — E esse vestido está me irritando. Ele esconde demais.
Guy começou a beijar a base da garganta de Rimuru, subindo para o lóbulo da orelha, onde ele sussurrou palavras em uma língua demoníaca antiga que fez o corpo de Rimuru vibrar.
— Guy-kun... aqui não... os servos podem entrar para limpar... — Rimuru tentou avisar, mas sua voz saiu fraca e trêmula.
— Deixe-os entrar. Eu quero que eles vejam — Guy respondeu, sua voz carregada de uma possessividade sombria.
Ele puxou o tecido da gola para baixo, expondo os ombros de Rimuru, e começou a traçar um caminho de beijos úmidos e mordidas leves por toda a extensão da clavícula. Rimuru soltou um suspiro longo, jogando a cabeça para trás.
— Ah... mmm... Guy... você é tão... possessivo...
Nesse exato momento, a porta da biblioteca se abriu. Era um jovem servo demônio, carregando uma bandeja de chá. Ele parou no meio do caminho, os olhos arregalados ao ver o Lorde Guy Crimson com o rosto enterrado nos seios de Lady Rimuru, enquanto a mesma soltava pequenos murmúrios de deleite, com os dedos entrelaçados nos cabelos vermelhos do mestre.
A bandeja caiu. O som da porcelana quebrando foi o único ruído além dos gemidos baixos de Rimuru.
— S-sinto muito! Milorde! Lady Rimuru! — O servo deu meia-volta e correu, tropeçando nos próprios pés.
Rimuru tentou se cobrir, o rosto vermelho como uma beterraba.
— Viu só?! Eu disse! Agora ele vai contar para todo mundo!
Guy apenas riu, uma risada rica e profunda, e voltou ao que estava fazendo, lambendo a pele de Rimuru com uma devoção que beirava a adoração religiosa.
— Deixe que conte. Deixe que todo o meu império saiba que eu adoro cada centímetro de você.
A terceira vez que foram pegos foi a mais escandalosa. Aconteceu no jardim de gelo, sob a luz da lua cheia. Rimuru estava admirando as flores de cristal que só cresciam ali, quando Guy a abraçou por trás.
— Você brilha sob a lua, Rimuru — Guy disse, sua voz suave.
Ele a virou em seus braços e a beijou com uma fome que parecia insaciável. O beijo foi profundo, exploratório, e Rimuru correspondeu com a mesma intensidade, seus braços em volta do pescoço de Guy, puxando-o para mais perto. Guy, incapaz de se conter, deslizou as mãos para dentro do corpete do vestido de Rimuru, libertando um de seus seios para a brisa fria da noite antes de cobri-lo com sua boca quente.
— Ah! Guy! — O grito de Rimuru ecoou pelo jardim silencioso. — Hnnn... está frio... mas sua boca... ahh...
— Eu vou te aquecer — Guy murmurou, sugando a pele sensível e provocando gemidos que Rimuru não conseguia mais conter.
O que eles não perceberam foi que Rain e Misery estavam na varanda logo acima, observando a cena. Rain estava com o rosto escondido nas mãos, enquanto Misery observava com uma expressão de derrota absoluta.
— Ele realmente a ama, não é? — Rain perguntou com a voz embargada.
— Não é apenas amor, Rain — Misery respondeu, suspirando. — É uma obsessão que transcende o tempo. O Lorde Guy encontrou seu igual, e ele não vai deixar ninguém, nem mesmo nós, interferir nisso.
Lá embaixo, Rimuru olhou para cima e viu as duas servas. Em vez de se afastar, ele lançou um olhar desafiador para elas, um sorriso vitorioso brincando em seus lábios enquanto puxava a cabeça de Guy para mais perto de seu peito, soltando um gemido ainda mais alto e deliberado.
— Sim, Guy... bem assim... — Rimuru provocou, seus olhos dourados brilhando com malícia pura.
Guy, percebendo o jogo de Rimuru, sorriu contra a pele dela e deu uma mordida final e possessiva, deixando uma marca que não desapareceria tão cedo.
— Você é uma criaturinha perversa, Rimuru — Guy disse, levantando-se e ajeitando o vestido dela com uma delicadeza surpreendente.
— Eu aprendi com o melhor — Rimuru respondeu, piscando para ele.
Naquela noite, o castelo de gelo não parecia tão frio. O calor da provocação, do ciúme e da paixão desenfreada de um Lorde Demônio por seu Slime azul-prateado havia transformado o Continente de Gelo em um lugar de desejo ardente, onde todos sabiam que, embora Guy Crimson governasse o mundo, Rimuru Tempest governava o coração de Guy. E Rimuru, em sua forma feminina e provocante, não pretendia deixar ninguém esquecer disso.