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Asas de Diabo

A Batalha Pela Família

O ar ainda crepitava com a revelação, uma energia tangível que parecia pulsar no pátio da Salvatore School. Klaus Mikaelson, o lendário Híbrido Original, estava ali, parado diante de suas filhas, cujas existências ele acabara de descobrir. Seus olhos, antes cheios de fúria, agora carregavam um brilho complexo de admiração, choque e uma possessividade ferozmente familiar para Victoria.

– Eu sou Klaus Mikaelson, o Híbrido Original. E eu não fujo de um desafio. Especialmente quando se trata da minha família. Você me deu três filhas, Victoria. E agora, eu vou ser o pai que elas merecem. E eu vou reconquistar você. Custe o que custar.

A declaração dele ecoou, uma promessa e uma ameaça velada. Victoria sentiu um arrepio. Ela sabia que Klaus era um homem de palavra, e quando ele prometia algo, ele cumpria, não importava o custo.

– Klaus, você não pode simplesmente… – Alaric começou, mas foi interrompido pelo olhar intenso de Klaus.

– Alaric, meu caro, sugiro que se ocupe de suas próprias preocupações – disse Klaus, sem desviar os olhos de Victoria. – Esta é uma conversa de família.

Hope, que até então estava em choque, finalmente encontrou sua voz. – Minhas irmãs… e eu… somos filhas dele? – Sua voz era um sussurro, cheia de descrença.

Victoria se aproximou de Hope, colocando a mão em seu ombro. – Sim, meu amor. Eu sinto muito por ter escondido isso de você, de todas vocês. Mas eu tive meus motivos.

Klaus, no entanto, ignorou as palavras de Victoria, concentrando-se em Hope. – Você é Hope? Minha Hope? – Ele estendeu a mão, hesitante, como se tivesse medo de que ela desaparecesse se ele a tocasse.

Hope, com a coragem dos Mikaelson correndo em suas veias, deu um passo à frente. Ela olhou para a mão estendida de Klaus, e depois para o rosto dele, procurando por qualquer sinal da monstruosidade que sua mãe (Hayley, a quem ela pensava ser sua mãe biológica) e Victoria haviam descrito. Mas tudo o que ela viu foi um homem que parecia… perdido.

– Sim, eu sou Hope – ela respondeu, sua voz mais firme agora. – Você é meu pai?

Um sorriso lento e genuíno se espalhou pelo rosto de Klaus, o primeiro que Victoria via desde que ele aparecera. Era um sorriso que raramente era visto, reservado para momentos de verdadeira emoção. – Sim, eu sou. E você é… você é tudo o que eu poderia ter sonhado, e mais.

Ele se ajoelhou, algo que Victoria nunca o vira fazer por ninguém, exceto talvez por sua irmã Rebekah em momentos de desespero. Ele abriu os braços, e Hope, após uma breve hesitação, correu para ele, abraçando-o com uma força surpreendente.

Victoria sentiu um nó na garganta. Aquela era a cena que ela sempre quis para Hope, mas que a vida, e o próprio Klaus, haviam negado. Ela havia privado Hope de seu pai, e Klaus de sua filha. A culpa, um sentimento raro para ela, pesava em seu peito.

Lizzie e Josie, que haviam observado a cena em silêncio, agora se aproximaram, seus olhos curiosos fixos em Klaus. – E nós? – perguntou Lizzie, sempre a mais direta. – Nós também somos suas filhas?

Klaus se levantou, libertando Hope do abraço, e se virou para as gêmeas. Ele se ajoelou novamente, seus olhos percorrendo os rostos de Lizzie e Josie. – Sim, minhas pequenas bruxas. Vocês são minhas também. E que bruxas poderosas vocês são. Sinto a magia de vocês, uma força que é quase… Mikaelson.

Josie, a mais tímida, estendeu a mão e tocou o rosto de Klaus, como se para ter certeza de que ele era real. – Você é nosso pai? De verdade?

Klaus segurou a mão dela com delicadeza, beijando seus nós dos dedos. – De verdade. E eu prometo a vocês, minhas lindas filhas, que nunca mais as deixarei.

Lizzie, sempre a mais dramática, começou a chorar. – Nós temos um pai! Um pai de verdade!

As gêmeas se jogaram nos braços de Klaus, que as abraçou com a mesma intensidade com que abraçara Hope. Victoria observou a cena, com o coração dividido entre a alegria de ver suas filhas com o pai delas, e a apreensão do que isso significaria para o futuro.

Alaric, que havia se mantido em segundo plano, agora se aproximou de Victoria. – Isso… isso é um problema, Victoria. Um grande problema.

– Eu sei, Alaric – Victoria murmurou, os olhos ainda fixos em Klaus e suas filhas. – Mas é um problema que eu criei. E terei que lidar com ele.

Klaus, com as três filhas agora aninhadas em seus braços, olhou para Victoria, um brilho de triunfo em seus olhos. – Eu suponho que isso significa que eu não irei a lugar nenhum, não é, meu amor?

Victoria revirou os olhos. – Não se apresse, Klaus. Essa é apenas a primeira batalha. E você ainda tem muito a provar.

A noite avançava, e a notícia da chegada de Klaus Mikaelson, e da revelação de suas três filhas, se espalhou como um incêndio pela Salvatore School. Os alunos e professores sussurravam, chocados e curiosos. O Híbrido Original, o lendário monstro, agora era um pai. E não apenas um pai, mas o pai de Hope Mikaelson e das gêmeas Saltzman, as bruxas mais poderosas da escola.

No dia seguinte, a escola estava em polvorosa. Klaus, para a surpresa de todos, estava agindo como um pai. Ele estava na cafeteria, conversando com Hope sobre suas aulas, e até mesmo tentando ajudar Lizzie e Josie com seus feitiços. Ele era charmoso, divertido, e até mesmo um pouco… paternal.

Victoria observava-o de longe, uma mistura de fascínio e cautela. Ela sabia que Klaus era um mestre da manipulação, mas a alegria genuína em seus olhos quando ele olhava para suas filhas era inegável. Era uma faceta de Klaus que ela não via há muito tempo.

– Ele está jogando, não está? – Alaric perguntou, parando ao lado de Victoria. – Ele está tentando se infiltrar, para reconquistar você.

– Talvez – Victoria respondeu, sem tirar os olhos de Klaus. – Ou talvez ele esteja apenas sendo um pai. Pela primeira vez em sua vida.

Enquanto isso, a bomba da revelação de que Klaus era o pai de Hope, Lizzie e Josie causava um terremoto na dinâmica das meninas. Hope, que sempre sentiu um vazio em relação ao seu pai, agora tinha Klaus. Lizzie e Josie, que sempre souberam que Victoria era sua mãe biológica, mas cujo pai era um mistério, agora tinham um pai, e que pai! Elas estavam fascinadas, curiosas, e um pouco assustadas.

Mais tarde naquele dia, Victoria foi encontrar Klaus em seu escritório, que ele havia magicamente "emprestado" de um dos professores de história da escola. Ele estava sentado atrás da mesa, lendo um livro sobre arte renascentista, uma imagem que Victoria achou estranhamente familiar.

– Você está se sentindo em casa, não está? – Victoria perguntou, cruzando os braços.

Klaus levantou os olhos do livro, um sorriso presunçoso em seus lábios. – Eu sempre me sinto em casa onde há arte, Victoria. E onde há você.

– Não tente me bajular, Klaus – ela disse, revirando os olhos. – Precisamos conversar sobre o que aconteceu.

– Ah, sim, a pequena questão de eu ser o pai das nossas três filhas – ele disse, fechando o livro. – O que há para discutir? Eu estou aqui. Elas estão aqui. Parece que a família está reunida, não é?

– Não é tão simples assim, Klaus – Victoria disse, caminhando até a janela e olhando para o pátio. – Você não pode simplesmente aparecer e esperar que tudo volte ao normal. Você as privou de um pai por anos. E você me privou de… de muita coisa.

Klaus se levantou e se aproximou dela, parando a poucos centímetros de distância. – Eu sei que cometi erros, Victoria. Muitos erros. Mas você também os cometeu. Você as escondeu de mim.

– Eu as protegi! – Victoria retrucou, virando-se para encará-lo. – Você era um perigo para elas! Para si mesmo! Eu não podia arriscar que elas se tornassem peões em seus jogos de poder.

– E agora? – ele perguntou, seus olhos fixos nos dela. – Agora que eu estou aqui, agora que elas sabem, o que você vai fazer? Você vai me expulsar? Você vai me privar delas novamente?

Victoria hesitou. Ela não podia fazer isso. Não depois de ver a alegria nos olhos de suas filhas. – Não. Eu não vou. Mas você terá que provar que mudou, Klaus. Você terá que provar que é digno de ser o pai delas. E de ser… parte de nossas vidas.

Klaus sorriu, um sorriso genuíno que a desarmou um pouco. – Eu farei. Eu farei qualquer coisa para ter minhas filhas em minha vida. E para ter você de volta.

Naquela noite, Victoria não conseguiu dormir. A presença de Klaus na escola, a revelação de suas filhas, o turbilhão de emoções que a invadiam… tudo era demais. Ela se levantou e foi para seu santuário particular, o jardim oculto onde a magia ancestral pulsava.

Ela estava meditando, tentando encontrar um pouco de paz, quando sentiu uma presença atrás dela. – Eu sabia que a encontraria aqui – disse Klaus, sua voz suave.

Victoria não se virou. – Eu não consigo dormir.

– Eu também não – ele disse, sentando-se ao lado dela na grama. – Tantas emoções. Tantas verdades reveladas.

– Verdades que você deveria ter conhecido há muito tempo – Victoria disse, a voz cheia de ressentimento.

– Eu sei – ele respondeu, sua voz carregada de arrependimento. – E eu sinto muito, Victoria. Sinto muito por tudo. Por ter te machucado, por ter te deixado, por ter te privado da alegria de ver nossas filhas crescerem. E por ter me privado dessa alegria também.

Victoria finalmente se virou para ele, seus olhos heterocromáticos fixos nos dele. – Você realmente mudou, Klaus? Ou isso é apenas mais um de seus jogos?

Klaus estendeu a mão e tocou o rosto dela, sua pele fria contra a dela. – Eu não sei se mudei completamente, Victoria. Mas minhas filhas… elas me deram um novo propósito. Elas me deram algo para lutar. Algo para proteger. Elas me deram uma razão para ser um homem melhor.

Ele a puxou para mais perto, e Victoria não resistiu. Seus lábios se encontraram em um beijo que era ao mesmo tempo familiar e novo. Era um beijo cheio de dor, arrependimento, paixão e uma esperança tênue.

No dia seguinte, a Salvatore School se preparava para um evento anual: o baile de boas-vindas. As meninas estavam animadas, escolhendo seus vestidos e planejando a noite. Klaus, para a surpresa de todos, se ofereceu para ajudar com os preparativos. Ele estava supervisionando a decoração, garantindo que tudo estivesse perfeito.

Victoria o observava, um sorriso discreto em seus lábios. Ele estava realmente tentando. E, para sua surpresa, ele estava se saindo muito bem.

Mais tarde, enquanto Victoria se arrumava para o baile, Hope, Lizzie e Josie entraram em seu quarto. Elas estavam deslumbrantes em seus vestidos, e seus olhos brilhavam de excitação.

– Mamãe, o papai está nos esperando! – disse Hope, radiante.

– Ele disse que vai nos levar para o baile como um verdadeiro cavalheiro – acrescentou Lizzie, com um sorriso.

– E ele disse que você é a rainha do baile – Josie sussurrou, corando.

Victoria sorriu, sentindo um calor no peito. Suas filhas estavam felizes. E Klaus… Klaus estava fazendo um esforço.

Quando Victoria desceu as escadas, Klaus estava esperando por ela, Hope, Lizzie e Josie ao seu lado. Ele estava impecável em um terno escuro, e seus olhos brilhavam quando ele a viu.

– Você está deslumbrante, meu amor – ele disse, estendendo a mão para ela.

Victoria pegou a mão dele, sentindo uma faísca familiar percorrer seu corpo. – Você não está tão mal, Mikaelson.

Eles foram para o baile como uma família, Klaus com as três filhas ao seu lado, e Victoria ao seu braço. A cena causou um burburinho na escola, mas a felicidade nos rostos de Hope, Lizzie e Josie era inegável.

Durante o baile, Klaus dançou com cada uma de suas filhas, e até mesmo com Victoria. Ele estava charmoso, atencioso e, pela primeira vez em muito tempo, Victoria se permitiu relaxar um pouco em sua presença.

No final da noite, quando as luzes estavam sendo apagadas e os alunos voltavam para seus dormitórios, Klaus e Victoria estavam parados no meio do salão de dança, observando suas filhas rirem e conversarem.

– Eu não pensei que isso fosse possível – Victoria disse, sua voz suave. – Eu não pensei que pudéssemos ter isso.

Klaus a abraçou por trás, beijando o topo de sua cabeça. – Eu também não. Mas a vida… a vida nos surpreende. E eu estou grato por essa surpresa.

Ele a virou para encará-lo, e seus olhos se encontraram. – Eu sei que ainda temos muito a superar, Victoria. Mas eu estou disposto a lutar por você. Por nós. Pela nossa família.

Victoria olhou para ele, para o homem que ela amou e odiou, o pai de suas filhas, e o homem que havia voltado para reconquistá-la. Ela viu o arrependimento em seus olhos, a determinação em sua postura, e a esperança em seu sorriso.

– Eu sei que sim, Klaus – ela disse, sua voz embargada. – Eu também estou.

Eles se beijaram novamente, um beijo que selava uma nova fase em sua complexa história. A batalha pela família havia começado, mas desta vez, eles lutariam juntos. E Victoria sabia, com uma certeza que a surpreendeu, que eles tinham uma chance. Uma chance de construir a família que sempre desejaram, mesmo que de uma forma que desafiava todas as expectativas.

Ainda havia muito a ser resolvido, muitas feridas a serem curadas, mas, pela primeira vez em muito tempo, Victoria sentiu um vislumbre de um futuro onde a felicidade não era apenas um sonho distante, mas uma possibilidade real. E tudo começou com a volta do Demônio, e o milagre triplo de suas filhas. A vida em Mystic Falls nunca mais seria a mesma.