Voltar ao resumo

Asas de Diabo

O Preço da Redenção

O sol da manhã filtrava pelas cortinas pesadas do quarto de Victoria, mas ela já estava acordada. A noite anterior, com o baile e o beijo de Klaus, havia deixado um rastro de sensações complexas. Havia a euforia de ver suas filhas tão felizes, a surpresa da gentileza de Klaus e a inegável faísca que ainda existia entre eles. Mas também havia a cautela, a memória dolorosa de um passado que ela não podia simplesmente apagar.

Ela se levantou, caminhando até a janela e observando o campus da escola Salvatore, agora silencioso na aurora. A presença de Klaus havia virado seu mundo de cabeça para baixo, expondo feridas antigas e reacendendo esperanças que ela pensava estarem mortas.

Um toque suave na porta a tirou de seus devaneios. Era Hope.

– Mãe, posso entrar? – perguntou a voz jovem e ansiosa.

– Claro, meu amor – Victoria respondeu, virando-se para a porta.

Hope entrou, vestindo um pijama de seda e com os cabelos despenteados, mas seus olhos brilhavam com uma intensidade que Victoria reconheceu como a sua própria.

– Eu não consegui dormir – Hope confessou, sentando-se na beira da cama. – É… é tudo muito. O papai… ele é…

– Diferente do que você esperava? – Victoria completou, sentando-se ao lado dela.

Hope assentiu.

– Sim. Eu sempre ouvi histórias sobre o Híbrido Original, o monstro. Mas ele… ele foi tão gentil ontem à noite. Com a Lizzie e a Josie, e comigo. E com você.

Victoria sorriu fracamente.

– Klaus é complexo, Hope. Ele tem muitas camadas. Ele é capaz de grande amor e grande crueldade.

– Eu sei – Hope suspirou. – Mas… ele é meu pai. E eu quero conhecê-lo. De verdade.

– Eu sei que sim – Victoria disse, abraçando a filha. – E você tem o direito de fazer isso. Mas seja cautelosa, meu amor. O mundo dele é perigoso.

– Eu sou uma Mikaelson – Hope respondeu, erguendo a cabeça. – Eu posso me cuidar.

Victoria riu, uma risada suave.

– Isso é verdade. Mas não se esqueça de que você também é uma Laurel Morgnistar. Você tem a força de ambos os lados em você.

Enquanto conversavam, Lizzie e Josie, igualmente agitadas, invadiram o quarto.

– Mamãe! Mamãe! – Lizzie exclamou, pulando na cama. – O papai nos prometeu que vai nos ensinar a controlar nossa magia! Ele disse que somos as bruxas mais poderosas que ele já conheceu!

Josie assentiu, seus olhos arregalados de admiração.

– E ele disse que vai nos levar para a Europa para ver os museus! E as galerias de arte!

Victoria olhou para suas três filhas, cada uma delas radiante com a perspectiva de um pai que parecia estar se encaixando perfeitamente em suas vidas. Uma pontada de ciúme, um sentimento que ela raramente sentia, a atravessou. Klaus estava conquistando o coração de suas filhas com uma velocidade alarmante.

– Ele disse tudo isso, não é? – Victoria perguntou, uma pitada de sarcasmo em sua voz.

– Sim! – as gêmeas responderam em uníssono.

Victoria suspirou. Isso seria mais difícil do que ela imaginava. Klaus estava jogando para valer.

Mais tarde, no café da manhã, Klaus estava sentado à cabeceira da mesa, cercado por suas filhas, que pareciam hipnotizadas por suas histórias sobre aventuras e obras de arte. Ele parecia um rei em seu trono, e Victoria sentiu uma pontada de irritação.

Alaric, sentado à sua frente, lançou-lhe um olhar de "eu te avisei".

– Ele está se saindo muito bem – Alaric murmurou, em voz baixa. – As meninas estão encantadas.

– Elas não conhecem o verdadeiro Klaus – Victoria respondeu, sem tirar os olhos dele.

– Ninguém conhece o "verdadeiro" Klaus – Alaric retrucou. – Nem mesmo você. Ele é um homem de muitas faces. Mas talvez, apenas talvez, essa seja uma face que ele está disposto a mostrar a elas.

Victoria ponderou sobre isso. Era possível que, com suas filhas, Klaus pudesse realmente mudar? Ou era apenas mais uma de suas manipulações para conseguir o que queria: ela?

Depois do café da manhã, Klaus abordou Victoria.

– Meu amor, eu estava pensando… – ele começou, com seu charme habitual. – Que tal levarmos as meninas para um passeio hoje? Um dia de pai e filhas.

Victoria estreitou os olhos.

– E eu? Onde eu me encaixo nessa equação?

– Ora, você é a mãe delas, o amor da minha vida – ele disse, estendendo a mão para ela. – Você virá conosco, é claro. Como uma família.

Victoria hesitou. A ideia de passar um dia inteiro com Klaus e suas filhas, atuando como uma família feliz, era tentadora e aterrorizante ao mesmo tempo. Mas ela sabia que precisava manter os olhos nele, e essa era a melhor maneira de fazer isso.

– Tudo bem – ela disse, finalmente. – Mas sem truques, Klaus. Sem manipulações.

– Eu prometo – ele disse, com um sorriso que não alcançava seus olhos.

Eles passaram o dia explorando a pequena cidade de Mystic Falls. Klaus, para a surpresa de Victoria, era um guia turístico encantador, contando histórias sobre os marcos locais e até mesmo comprando presentes para as meninas em uma loja de antiguidades. Ele as fez rir, as fez se sentirem especiais e as fez se sentirem amadas.

Victoria observava a interação deles, uma mistura de emoções a invadindo. Havia a alegria de ver suas filhas tão felizes, mas também a dor de ver o que ela havia perdido, o que ela havia negado a si mesma e a elas por tanto tempo.

À noite, de volta à escola, as meninas estavam exaustas, mas radiantes. Elas abraçaram Klaus com força, agradecendo-lhe pelo dia maravilhoso.

– Você é o melhor pai do mundo! – Lizzie exclamou, pendurada no pescoço dele.

Klaus sorriu, um sorriso genuíno que fez o coração de Victoria apertar.

– E vocês são as melhores filhas que um homem poderia desejar.

Depois que as meninas foram para a cama, Victoria e Klaus se encontraram na sala de estar.

– Você se saiu bem hoje – Victoria admitiu, sentando-se em um sofá.

Klaus se sentou no sofá oposto, observando-a.

– Eu sempre me saio bem quando estou com você, meu amor.

– Não tente desviar o assunto – Victoria disse, revirando os olhos. – Eu ainda estou processando tudo isso. Você não pode simplesmente aparecer e esperar que eu esqueça todos os anos de dor e abandono.

– Eu sei – ele disse, sua voz mais suave agora. – E eu não espero isso. Eu sei que cometi erros terríveis, Victoria. E eu estou disposto a passar a eternidade tentando compensá-los.

– Por que agora, Klaus? – ela perguntou, seus olhos heterocromáticos fixos nele. – Por que depois de todos esses anos, você decide voltar?

Klaus suspirou, levantando-se e caminhando até a lareira.

– Eu nunca te esqueci, Victoria. Nunca. Cada mulher que eu conheci, cada paixão que eu busquei, era apenas uma sombra de você. E quando eu descobri sobre Hope, sobre o fato de que eu era um pai… isso me mudou. Me fez pensar sobre o que eu realmente queria na vida. E o que eu queria era você. E a família que nós poderíamos ter tido.

Victoria se levantou e caminhou até ele, parando a poucos passos de distância.

– E as gêmeas? Você sabia sobre elas?

Klaus balançou a cabeça.

– Não. Essa foi uma surpresa ainda maior. Três filhas. Três bruxas poderosas. Eu sou um homem de sorte, não sou?

– Você é um homem complicado – Victoria corrigiu.

Ele sorriu, um sorriso triste.

– Isso é verdade. Mas eu estou disposto a mudar, Victoria. Por você. Por elas.

Victoria estudou o rosto dele, procurando por qualquer sinal de falsidade. Mas tudo o que ela viu foi um homem que parecia genuinamente arrependido, e que parecia genuinamente querer uma segunda chance.

– Eu não sei se posso confiar em você, Klaus – ela disse, sua voz embargada.

– Eu sei – ele respondeu, estendendo a mão e tocando o rosto dela. – Mas eu vou te dar todas as razões para confiar. Eu prometo.

Na manhã seguinte, a escola estava agitada com a notícia de que Klaus Mikaelson, o Híbrido Original, estava se mudando para Mystic Falls. Ele havia comprado uma mansão antiga nas proximidades e estava reformando-a para se adequar ao seu gosto requintado.

Victoria sentiu um arrepio. A presença de Klaus em sua vida, e na vida de suas filhas, estava se tornando permanente.

Nos dias que se seguiram, Klaus se dedicou a ser um pai. Ele participava das atividades escolares das meninas, as ajudava com seus deveres de casa e até mesmo as levava em pequenas aventuras. Ele estava presente, atencioso e carinhoso.

Victoria observava tudo de longe, ainda com um pé atrás. Ela sabia que Klaus era um mestre em sedução e manipulação, e ela não queria ser enganada novamente.

Um dia, enquanto Victoria estava em seu santuário particular, meditando, Klaus apareceu.

– Você parece preocupada, meu amor – ele disse, sentando-se ao lado dela.

– Eu estou – Victoria confessou. – Tudo isso… é muito. Eu não sei se posso lidar com isso.

– Com o quê? – ele perguntou, sua voz suave. – Com a ideia de ter uma família? De ter um futuro comigo?

Victoria suspirou.

– Com a ideia de que você possa me machucar novamente. De que você possa nos deixar novamente.

Klaus segurou a mão dela, seus olhos fixos nos dela.

– Eu nunca mais farei isso, Victoria. Eu juro. Eu cometi muitos erros no passado, mas aprendi com eles. Minhas filhas me ensinaram o que é realmente importante na vida. E o que é realmente importante é você. E elas.

Victoria olhou para ele, para o homem que ela amava e odiava, o pai de suas filhas, e o homem que estava tentando reconquistá-la. Ela viu o arrependimento em seus olhos, a determinação em sua postura, e a esperança em seu sorriso.

– Eu quero acreditar em você, Klaus – ela disse, sua voz embargada.

– Então acredite – ele respondeu, beijando seus lábios com ternura.

O beijo era doce e cheio de promessa. Era um beijo que selava um novo começo, uma nova chance.

Nos dias seguintes, Victoria e Klaus começaram a passar mais tempo juntos, revivendo memórias do passado e construindo novas. Eles conversavam por horas, riam e até mesmo brigavam, mas sempre se reconciliavam.

As meninas estavam radiantes. Elas tinham seus pais juntos, e isso era tudo o que elas sempre quiseram.

Um dia, enquanto Victoria e Klaus estavam passeando pelo jardim, Hope os abordou.

– Mamãe, papai – ela começou, seus olhos brilhando. – Eu estava pensando… por que vocês não se casam de novo?

Victoria e Klaus se entreolharam, surpresos.

– Casar? – Victoria perguntou, chocada.

– Sim! – Lizzie exclamou, aparecendo com Josie. – Vocês se amam! E nós somos uma família! Seria perfeito!

Klaus sorriu, um sorriso que não alcançava seus olhos.

– O que você acha, meu amor? – ele perguntou a Victoria.

Victoria hesitou. A ideia de se casar com Klaus novamente era assustadora, mas também tentadora. Ela o amava, apesar de tudo. E suas filhas queriam isso.

– Eu… eu não sei, Klaus – ela disse, sua voz trêmula.

Klaus se ajoelhou diante dela, pegando sua mão.

– Victoria Laurel Morgnistar, você me faria a honra de se tornar minha esposa novamente? De me dar a chance de ser o marido que você merece, e o pai que nossas filhas merecem?

Victoria olhou para suas filhas, que a observavam com olhos esperançosos. Ela olhou para Klaus, para o homem que a havia quebrado e a havia reconstruído. E ela percebeu que, apesar de tudo, ela ainda o amava.

– Sim, Klaus – ela disse, as lágrimas escorrendo por seu rosto. – Sim, eu me caso com você.

As meninas gritaram de alegria, abraçando seus pais. Klaus se levantou e a beijou, um beijo cheio de paixão e promessa.

A notícia do noivado de Victoria e Klaus se espalhou como um incêndio pela escola e pela comunidade sobrenatural. Muitos estavam chocados, outros céticos, mas todos estavam curiosos.

Nos meses que se seguiram, Victoria e Klaus se prepararam para o casamento. As meninas estavam envolvidas em todos os detalhes, desde a escolha do vestido de Victoria até a decoração do local.

O casamento foi realizado no jardim oculto da escola, o santuário particular de Victoria. Era um dia lindo e ensolarado, e o jardim estava decorado com flores e luzes.

Victoria estava deslumbrante em um vestido branco de renda, e Klaus estava impecável em um terno escuro. Hope, Lizzie e Josie eram as damas de honra, e elas estavam radiantes em seus vestidos de seda.

Alaric foi o padrinho de Klaus, e Freya, a irmã de Klaus, foi a madrinha de Victoria.

A cerimônia foi emocionante, e Victoria e Klaus trocaram votos cheios de amor, arrependimento e promessa. Eles se beijaram novamente, um beijo que selava seu amor e seu compromisso.

A festa foi animada, com música, dança e muita alegria. Victoria e Klaus dançaram a noite toda, cercados por suas filhas e seus amigos.

No final da noite, quando as luzes estavam sendo apagadas e os convidados se despediam, Victoria e Klaus estavam parados no meio do salão de dança, observando suas filhas rirem e conversarem.

– Eu não pensei que isso fosse possível – Victoria disse, sua voz suave. – Eu não pensei que pudéssemos ter isso.

Klaus a abraçou por trás, beijando o topo de sua cabeça.

– Eu também não. Mas a vida… a vida nos surpreende. E eu estou grato por essa surpresa.

Ele a virou para encará-lo, e seus olhos se encontraram.

– Eu sei que ainda temos muito a superar, Victoria. Mas eu estou disposto a lutar por você. Por nós. Pela nossa família.

Victoria olhou para ele, para o homem que ela amou e odiou, o pai de suas filhas, e o homem que havia voltado para reconquistá-la. Ela viu o arrependimento em seus olhos, a determinação em sua postura, e a esperança em seu sorriso.

– Eu sei que sim, Klaus – ela disse, sua voz embargada. – Eu também estou.

Eles se beijaram novamente, um beijo que selava uma nova fase em sua complexa história. A batalha pela família havia começado, mas desta vez, eles lutariam juntos. E Victoria sabia, com uma certeza que a surpreendeu, que eles tinham uma chance. Uma chance de construir a família que sempre desejaram, mesmo que de uma forma que desafiava todas as expectativas.

Ainda havia muito a ser resolvido, muitas feridas a serem curadas, mas, pela primeira vez em muito tempo, Victoria sentiu um vislumbre de um futuro onde a felicidade não era apenas um sonho distante, mas uma possibilidade real. E tudo começou com a volta do Demônio, e o milagre triplo de suas filhas. A vida em Mystic Falls nunca mais seria a mesma. A família Mikaelson-Morgnistar havia renascido, mais forte e mais unida do que nunca. E o preço da redenção, para Klaus, estava apenas começando a ser pago, um dia de cada vez, com amor, paciência e a promessa de um futuro juntos.