Baldes in My latte
O Batismo das Sombras
A seda dos lençóis sob o corpo de Hazel era fria, um contraste violento com o calor abrasador que emanava de Matteo. O quarto na Piazza Santo Spirito estava mergulhado em uma penumbra âmbar, iluminado apenas por velas que projetavam sombras dançantes nas paredes de pedra. Hazel sentia-se flutuar em um abismo de sensações contraditórias: o terror absoluto do homem que a caçava lá fora e o desejo doentio pelo homem que a possuía agora.
— Diga — ordenou Matteo, a voz arrastada e rouca, enquanto suas mãos grandes subiam pelas coxas dela, arrastando o tecido do vestido barato que ela usava. — Diga que você não quer mais fugir.
Hazel arqueou as costas, a respiração vindo em soluços curtos.
— Eu não consigo... — ela sussurrou, as mãos agarrando os ombros dele, sentindo a musculatura rígida sob a camisa de seda branca. — Eu não consigo mais correr.
Matteo não esperou. Com um movimento bruto e eficiente, ele rasgou a frente do vestido dela. O som do tecido se partindo ecoou no silêncio do palácio como um tiro. Hazel soltou um grito abafado, mas não de medo. Era um som de libertação. Pela primeira vez em dez meses, ela não era a presa; ela era o objeto de uma adoração violenta.
Ele a despiu com uma urgência metódica, seus olhos cinzentos devorando cada centímetro da pele clara de Hazel, que ficava vermelha ao toque dele. Quando ela ficou nua sob ele, Matteo parou por um segundo. Suas mãos, marcadas pela cicatriz na palma, traçaram o contorno de suas costelas, descendo até o quadril.
— Você é perfeita — ele murmurou, e havia uma nota de dor em sua voz, como se a beleza dela fosse uma tortura para sua mente obsessiva. — Minha pequena barista. Minha ordem.
Matteo livrou-se da própria roupa com movimentos rápidos, revelando um corpo esculpido pela disciplina e pelo perigo. Ele se posicionou entre as pernas dela, a pele quente colada à dela. Hazel envolveu a cintura dele com as pernas, puxando-o para mais perto, querendo ser consumida por aquela escuridão.
Quando ele entrou nela, foi de uma vez só, um preenchimento profundo e possessivo que arrancou um gemido alto da garganta de Hazel. Ela enterrou as unhas nas costas dele, sentindo o ritmo implacável que ele impunha. Não havia doçura ali; era uma batalha de vontades, um batismo de prazer carnal que tentava expulsar o trauma de Portland com a força do impacto.
— Olhe para mim — Matteo comandou, segurando o rosto dela com as duas mãos, forçando-a a encarar a tempestade em seus olhos. — Olhe para o homem que vai matar por você.
Hazel abriu os olhos, a visão embaçada pelas lágrimas e pelo êxtase.
— Matteo... — ela chamou, o nome dele soando como uma oração desesperada.
Ele acelerou os movimentos, cada estocada sendo um selo de propriedade. O som de seus corpos se chocando e a respiração pesada preenchiam o quarto. Hazel sentia-se desmoronar, os círculos que costumava desenhar em guardanapos agora se manifestando em sua mente como espirais de fogo. Ela se perdeu no cheiro de sândalo, no gosto do beijo dele que sabia a café amargo e na sensação de que, naquele momento, nada no mundo poderia feri-la.
O prazer veio como uma onda avassaladora, fazendo os músculos de Hazel se contraírem ao redor dele em espasmos violentos. Ela gritou o nome dele contra o seu ombro, sentindo Matteo atingir o próprio ápice logo em seguida, o corpo dele ficando tenso como uma corda de piano antes de relaxar sobre o dela.
Eles ficaram ali por um longo tempo, os corações batendo em uníssono, o suor colando suas peles. O silêncio voltou, mas não era o silêncio de vinte e sete minutos da cafeteria. Era o silêncio de dois monstros que haviam encontrado um lar um no outro.
Matteo rolou para o lado, mas não se afastou. Ele puxou Hazel para o seu peito, envolvendo-a em seus braços protetores.
— Ele não vai chegar perto de você — ele disse, a voz agora calma, mas carregada de uma promessa letal. — Eu vou cuidar disso amanhã.
Hazel encostou a cabeça no peito dele, ouvindo a batida estável de seu coração. Ela sabia que o homem de Portland morreria. Sabia que o Arno receberia mais um corpo. E, pela primeira vez, ela não sentiu pena.
— O que acontece depois? — ela perguntou em um sussurro.
Matteo beijou o topo da cabeça dela, seus dedos traçando círculos imaginários em suas costas.
— Depois? — Ele soltou um suspiro curto. — Depois, você volta para a cafeteria. Eu chego às vinte horas. Saio às vinte e sete. E o mundo continua girando, Hazel. Mas agora, você saberá que a porta está trancada. E que eu sou o único com a chave.
Hazel fechou os olhos, finalmente deixando o sono levá-la. Ela era cúmplice. Ela era amada por um assassino. E, no coração de Florença, entre lâminas e lattes, ela finalmente se sentia em casa.