Baldes in My latte
O Aroma do Sangue e do Sândalo
A chuva em Florença não era mais apenas água; para Hazel, era um lembrete do som de passos que se aproximavam. O endereço na Piazza Santo Spirito queimava no bolso de seu avental como um carvão em brasa. Ela tentou focar no trabalho, mas cada vez que o sino da porta badalava, seu coração saltava pela garganta, esperando ver a silhueta brutal que a fizera fugir de Portland.
Faltavam apenas seis horas para o fim de seu turno quando o medo se tornou físico. Ela viu um vulto parado do outro lado da rua, sob a luz vacilante de um poste. Não era a postura impecável de Matteo. Era alguém mais largo, usando um casaco de couro gasto, observando a vitrine com uma familiaridade predatória que fez Hazel perder o fôlego.
Ele estava ali. O homem de Portland não esperara quarenta e oito horas.
Hazel não pensou. Ela não trancou a loja como o Sr. Bianchi exigia. Ela apenas pegou sua mochila, a chave de latão que Matteo lhe dera e o pedaço de papel. Saiu pelos fundos, correndo pelas ruelas úmidas de Oltrarno, onde as sombras pareciam ganhar mãos para agarrar seus tornozelos.
Quando chegou ao endereço na Piazza Santo Spirito, seus pulmões ardiam. Era um palácio antigo, com portas de carvalho maciço e batentes de ferro. Ela inseriu a chave que ele lhe dera — a mesma que abria seu apartamento agora abria aquele santuário de pedra.
O interior era silencioso, cheirando a cera de abelha, livros antigos e aquele perfume inconfundível de Matteo. Ela subiu as escadas de mármore até o segundo andar, onde uma luz suave escapava de uma porta entreaberta.
Matteo estava lá. Ele não usava o paletó, apenas a camisa de seda branca com as mangas dobradas até os cotovelos, revelando antebraços fortes e a cicatriz na palma da mão, que parecia mais escura sob a luz dos candelabros. Ele estava limpando uma lâmina fina com um pano de linho.
— Você está adiantada — disse ele, sem erguer os olhos. — E está tremendo.
— Ele está lá fora — Hazel disparou, a voz quebrada. — Eu o vi. No café. Matteo, ele me viu.
Matteo largou a lâmina sobre uma mesa de madeira escura e caminhou até ela. A presença dele era magnética, uma força da natureza que exigia submissão. Ele parou a poucos centímetros dela, forçando-a a encarar o cinza tempestuoso de seus olhos.
— Eu sei — Matteo disse, sua voz um barítono que vibrava no peito de Hazel. — Eu o deixei chegar perto o suficiente para que você entendesse que não tem para onde ir, a não ser para mim.
Hazel sentiu uma onda de fúria misturada ao pânico. Ela o empurrou, ou tentou, mas suas mãos encontraram o peito firme e quente dele, e ela não conseguiu recuar.
— Você usou ele? Você me usou como isca para me forçar a vir aqui? — Ela gritou, as lágrimas finalmente transbordando. — Você é um monstro igual a ele!
Matteo segurou os pulsos dela com uma firmeza que não chegava a machucar, mas que era absoluta.
— Não — ele sibilou, aproximando o rosto do dela até que suas respirações se misturassem. — Ele é um animal que destrói o que toca. Eu sou o homem que constrói um império para manter você intocada. Há uma diferença, Hazel.
— Eu odeio você — ela mentiu, a voz falhando enquanto seus olhos desciam para os lábios dele, finos e cruéis.
— Odeia? — Matteo soltou os pulsos dela, mas apenas para envolver a nuca de Hazel com uma das mãos, os dedos longos se perdendo nos fios soltos de seu cabelo castanho. — Então por que seu coração bate tão rápido quando eu chego perto? Por que você guardou minha chave?
Hazel não teve tempo de responder. Matteo eliminou o espaço entre eles, colando seus lábios nos dela em um beijo que não tinha nada de cavalheiresco. Era uma invasão. Tinha gosto de café amargo e de uma possessividade que a deixou tonta.
Hazel soltou um gemido abafado contra a boca dele, suas mãos subindo para agarrar a camisa de seda de Matteo. Ela deveria lutar, deveria fugir, mas o terror das ruas de Florença fora substituído por um tipo diferente de perigo — um que prometia não apenas segurança, mas uma ruína deliciosa.
Matteo a suspendeu, as pernas de Hazel envolvendo a cintura dele por puro instinto, enquanto ele a carregava para o quarto adjacente, onde uma cama de dossel dominava o espaço. Ele a deitou sobre os lençóis de seda escura, seu corpo pesado e quente pressionando o dela contra o colchão.
— Você é minha — ele murmurou contra a pele do pescoço dela, seus lábios traçando o caminho até a cicatriz na sobrancelha. — Cada círculo que você desenha, cada pesadelo que você tem... tudo pertence a mim agora