Bloom e Jim
Eclipse Carmesim sob as Luzes da Cidade
O brilho das luzes de Gardenia era uma distração barulhenta para o que Bloom sentia por dentro. O retorno à Terra para a nova temporada do *World of Winx* deveria ser um momento de triunfo e normalidade, mas a normalidade era uma ilusão que se desfazia a cada vez que ela fechava os olhos. O show de talentos exigia sorrisos, coreografias perfeitas e a busca incessante por jovens talentos, mas a mente da fada ruiva estava presa nos olhos violetas que a haviam assombrado na Terra do Nunca.
Matt, o filho de Peter Pan, andava entre as Winx com uma melancolia doce. Ele estava ali para encerrar seus assuntos pendentes, despedir-se da vida mundana antes de assumir seu lugar ao lado de Sininho para sempre. Bloom o observava, sentindo inveja da clareza de sentimentos dele. Para Matt, o amor era um destino; para ela, era um campo de batalha minado.
Naquela noite, o palco do auditório estava sendo desmontado após um ensaio exaustivo. As outras Winx já haviam saído para comemorar o sucesso das audições em um café próximo. Bloom, no entanto, ficara para trás, alegando que precisava revisar algumas partituras. A verdade era que o ar condicionado do prédio parecia insuficiente para apagar o calor que subia por sua pele sempre que ela se lembrava daquele beijo na floresta branca.
— Você parece distante, Bloom. Mais do que o normal.
A voz era familiar, mas não era a que ela esperava. Bloom virou-se e forçou um sorriso para Andy. O ex-namorado, agora parte da equipe técnica e musical do show, aproximou-se com dois copos de café.
— Só estou cansada, Andy. Foram dias longos — respondeu ela, aceitando a bebida.
Andy encostou-se no piano de cauda, olhando-a com uma ternura que Bloom não conseguia mais retribuir. Ele estendeu a mão e afastou uma mecha de cabelo do rosto dela, deixando os dedos roçarem sua bochecha por um tempo longo demais.
— Sinto que você voltou daquela viagem diferente. Como se uma parte de você tivesse ficado lá... ou como se algo tivesse despertado.
Bloom abriu a boca para responder, mas um arrepio súbito percorreu sua espinha. Não era o toque de Andy. Era a sensação de estar sendo observada. Das sombras das cortinas de veludo pesado no fundo do palco, um par de olhos azul-violeta queimava com uma fúria silenciosa.
Jim estava lá. Escondido na escuridão, ele observava a interação. Cada fibra de seu ser gritava para saltar das sombras e quebrar a mão daquele humano que ousava tocar a pele que pertencia a ele. O ciúme era uma toxina nova para Jim; em séculos de pirataria e conquistas, ele nunca sentira essa possessividade visceral, esse desejo de marcar território como um animal ferido. Ele via o tal Andy sorrir para ela, e o desejo de desembainhar sua lâmina — ou simplesmente usar as mãos nuas — era quase incontrolável.
— Eu preciso ir, Andy — disse Bloom subitamente, afastando-se do toque dele. — Amanhã acordamos cedo.
— Tudo bem. Te vejo amanhã? — Andy perguntou, a voz carregada de uma esperança vã.
— Sim. Até amanhã.
Bloom esperou que ele saísse e que o som das portas duplas se fechando ecoasse pelo auditório vazio. O silêncio que se seguiu foi pesado, carregado de eletricidade estática.
— Ele é muito atrevido para alguém tão insignificante — a voz de Jim surgiu das sombras, gélida e perigosa.
Bloom girou, o coração disparando. Jim emergiu da escuridão, caminhando com a elegância de um predador. Ele não usava mais os trajes de capitão, mas uma jaqueta de couro escura que moldava seus ombros largos, mantendo a aura de perigo que o definia.
— O que você está fazendo aqui, Jim? — Bloom tentou manter a voz firme, mas o tremor em suas mãos a traía. — Você não pode simplesmente me seguir até a Terra!
— Eu posso ir aonde eu quiser, Bloom. Especialmente quando sinto o cheiro de outro homem em você — ele parou a centímetros dela, a respiração quente atingindo o rosto da fada. — Quem era ele?
— Não é da sua conta! — Bloom rebateu, a teimosia ruiva aflorando. — Andy é um amigo. Alguém que me trata com respeito, algo que você não sabe o que significa.
Jim soltou uma risada sombria, encurralando-a contra o piano de cauda. O metal frio das cordas lá dentro pareceu vibrar com a tensão entre os dois.
— Respeito? O que ele sente por você é uma admiração morna, Bloom. Ele olha para você e vê uma fada bonita. Eu olho para você e vejo um incêndio que pode consumir mundos. E eu sou o único homem que não tem medo de se queimar.
— Você é um mentiroso, um traidor... — Bloom começou, mas a frase morreu quando Jim segurou sua cintura com força, puxando-a para cima, fazendo-a sentar sobre a tampa fechada do piano.
— Diga de novo — ele sussurrou, o rosto mergulhando na curva do pescoço dela, aspirando o perfume de flores e fogo. — Diga o quanto me odeia enquanto seu coração bate tão rápido que parece que vai explodir contra o meu peito.
— Eu... eu te odeio — ela arfou, mas suas mãos, em vez de conjurarem chamas, agarraram os cabelos azuis dele, puxando-o para mais perto.
Jim não esperou por mais palavras. Ele a beijou com uma possessividade avassaladora, uma declaração de guerra e desejo. Não havia doçura, apenas a urgência de séculos de solidão encontrando o combustível perfeito. Bloom soltou um gemido abafado contra os lábios dele, a traição dele ainda doendo em sua alma, mas o desejo falando mais alto do que a razão.
Ele a levantou do piano sem interromper o beijo, carregando-a para o camarim privado nos fundos do palco, um lugar onde o som do mundo exterior não poderia alcançá-los. Ao entrarem, ele chutou a porta, trancando-a, e a pressionou contra a madeira.
— Você é minha, Bloom — ele declarou, a voz rouca, os olhos violetas brilhando com uma intensidade quase sobrenatural. — Deixe aquele humano tentar chegar perto de você de novo e eu mostrarei a ele por que me chamavam de Gancho.
— Você é tão arrogante — Bloom sussurrou, as mãos descendo pela jaqueta de Jim, sentindo os músculos tensos por baixo. — Você acha que pode simplesmente aparecer e me reivindicar?
— Eu não acho. Eu sei — ele respondeu, as mãos descendo para as coxas dela, levantando-a para que ela envolvesse a cintura dele com as pernas.
O contato físico disparou uma onda de calor que fez a magia Dreamix de Bloom reagir, pequenas faíscas de luz rosada e dourada dançando ao redor deles, mas Jim a trouxe de volta à terra com um beijo que exigia tudo dela. Ele a deitou no divã de veludo carmesim, desfazendo-se da própria jaqueta com uma pressa impaciente.
Quando suas peles se encontraram, o contraste foi imediato. Bloom era calor puro, a personificação do Fogo do Dragão, enquanto Jim tinha a temperatura firme e revigorante de uma brisa oceânica antes da tempestade. Ele a explorou com uma fome que beirava o desespero, cada toque dele era uma marca, uma promessa de que ele nunca mais seria o homem que a deixaria para trás.
— Olhe para mim, Bloom — ele ordenou, a voz vibrando baixo enquanto ele se posicionava sobre ela.
Ela abriu os olhos, a visão turva de desejo, encontrando o azul-violeta profundo de Jim.
— Eu não sou o Sky — ele disse, o nome do príncipe saindo como um veneno. — Eu não quero que você seja perfeita. Eu quero você selvagem. Eu quero a fada que quase destruiu a Terra do Nunca para salvar as irmãs.
Bloom sentiu um arrepio percorrer cada nervo. Jim a penetrou com uma determinação absoluta, um movimento que a fez arquear as costas e soltar um grito que foi abafado pela boca dele. O ritmo que ele impôs era o de uma maré alta, implacável e poderosa. Bloom se perdeu na sensação, suas unhas cravando-se nos ombros dele, a magia dela fluindo sem controle, aquecendo o ar ao redor deles até que o ambiente parecesse estar prestes a entrar em combustão.
— Jim... — ela chamou, a voz falhando, o nome dele soando como uma prece e uma maldição ao mesmo tempo.
— Diga de novo — ele exigiu, o suor brilhando em sua pele jovem e saudável, os movimentos tornando-se mais rápidos, mais profundos. — Diga que você é minha.
— Eu não pertenço a ninguém! — ela exclamou, mesmo enquanto se entregava completamente ao prazer que ele proporcionava.
Jim sorriu, um sorriso de pirata que havia conquistado mares impossíveis.
— Mentirosa — ele murmurou, antes de beijá-la novamente, levando-a ao ápice.
A explosão de prazer foi acompanhada por um clarão de luz mágica que iluminou o camarim como um sol em miniatura. Bloom sentiu-se flutuar, a essência do fogo fundindo-se com a determinação fria de Jim. Por um momento, não havia traição, não havia Winx, não havia Terra do Nunca. Havia apenas o encontro de duas almas quebradas que haviam encontrado uma na outra o encaixe perfeito para suas sombras.
Minutos depois, o silêncio retornou, quebrado apenas pela respiração pesada de ambos. Jim estava deitado ao lado dela, um braço passado possessivamente sobre a cintura de Bloom, os dedos traçando padrões invisíveis em sua pele.
— Você não vai embora, vai? — Bloom perguntou, a voz pequena, a vulnerabilidade que ela tanto tentava esconder finalmente emergindo.
Jim virou-se para ela, afastando o cabelo ruivo suado de sua testa. O olhar dele, antes predatório, agora carregava uma sinceridade que a assustou mais do que sua arrogância.
— Eu passei séculos procurando por algo que valesse a pena manter, Bloom. Eu atravessei dimensões, desafiei a morte e a velhice. Você acha que eu vou te deixar agora que finalmente te encontrei?
— Você me traiu uma vez, Jim. A confiança não volta com um... com isso — ela gesticulou para o espaço entre eles.
— Então eu passarei o resto da minha eternidade conquistando-a de volta — ele afirmou, inclinando-se para beijar a ponta do nariz dela. — Mas não se engane, fada do fogo. Se aquele guitarrista humano chegar perto de você de novo, eu não serei tão paciente.
Bloom soltou uma risada fraca, sentindo o peso da exaustão e da satisfação.
— Andy é apenas um amigo, Jim. Você é muito ciumento para um capitão pirata.
— Eu não sou ciumento — ele corrigiu, os olhos brilhando com uma promessa perigosa. — Eu sou o dono do tesouro. E eu protejo o que é meu.
Ele a puxou para mais perto, e Bloom, apesar de todos os avisos em sua mente, fechou os olhos e se aninhou no peito dele. Ela sabia que a estrada à frente seria cheia de segredos e perigos, e que suas irmãs provavelmente nunca entenderiam sua ligação com o homem que quase as destruiu. Mas ali, no escuro do camarim, cercada pelo cheiro de sal e tempestade, Bloom finalmente sentiu que o fogo dentro dela tinha encontrado alguém que não tentaria apagá-lo, mas sim queimar junto com ela.
Jim observou-a adormecer, seu olhar fixo na fada que havia mudado o curso de sua existência. Ele não era mais o capitão de um navio fantasma; ele era o guardião de um incêndio. E enquanto ele estivesse vivo, ninguém, nem príncipes, nem amigos de infância, nem o próprio destino, tiraria Bloom dele. A caçada havia terminado, mas a conquista estava apenas começando.