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Blue lock

O Maestro da Insanidade e a Sinfonia das Falhas

O telão no centro da Arena de Treinamento 2-Z piscou, mas desta vez não era a face de peixe morto de Ego Jinpachi que preenchia os pixels. No lugar dele, a imagem de Kaze surgiu, mas ele não estava no telão; ele estava fisicamente parado no centro do campo, com os braços cruzados e um olhar que parecia atravessar as almas — ou a falta delas — de seus companheiros de equipe.

— Ego está ocupado tentando entender como o Ayakashi conseguiu quebrar uma câmera blindada com um chute de trivela que deveria ter ido para o gol — começou Kaze, sua voz ecoando com uma autoridade fria que ninguém sabia que ele possuía. — A partir de agora, eu sou o Ego deste campo. Se vocês são o fundo do barril, eu sou o prego que vai furar esse barril e deixar toda a mediocridade escorrer.

Fr4me parou de driblar a própria sombra por um segundo, os olhos laranjas brilhando como brasas.

— O mestre do jogo... ele mudou a frequência. O campo está vibrando em lá menor — murmurou Fr4me, voltando a pedalar em volta de um cone invisível.

— Escutem bem, seus mutantes — Kaze apontou para cada um. — Nossa situação é deplorável. O Apollo é tão mediano que se ele fosse uma cor, seria bege-escritório. O Aires não é um defesa, é um réu primário à espera de um julgamento. E o Jabami... Jabami, você deixou um holograma passar por você e ainda pediu desculpas por estar no caminho!

— Ele parecia estar com pressa, Kaze-san — defendeu-se Jabami, limpando uma mancha inexistente em seu calção. — A educação vem antes do futebol.

Kaze ignorou-o, sentindo uma veia pulsar em sua testa.

— Vamos elevar o nível. Ou vocês evoluem seus "talentos", ou eu mesmo vou garantir que o Jimmy preveja um futuro onde todos vocês terminam trabalhando em uma loja de conveniência vendendo onigiri vencido.

Jimmy, que estava discretamente tentando desamarrar os cadarços de Calhau enquanto este gemia de dor no chão, olhou para cima.

— As estrelas dizem que o onigiri de atum vai estar em promoção na próxima terça — previu Jimmy, guardando uma caneta que "encontrou" no bolso de Debi.

— FOCO! — gritou Kaze. — Novo exercício: "Ataque Total ao Caos". Volito, você fica no gol, mas com um detalhe: se você sofrer um gol, o Toddynho vai explicar para você a teoria da relatividade durante três horas.

Volito tremeu. O tamanho de seu corpo parecia aumentar de puro pavor.

— Ninguém... entra... — rosnou o guarda-redes, bloqueando 98% da baliza com sua envergadura descomunal.

Kaze lançou a bola para o alto.

— Comecem!

Fr4me foi o primeiro a explodir em movimento. Seus olhos laranjas giravam. Ele não estava apenas driblando a si mesmo agora; ele estava executando fintas contra fantasmas de jogadores de classe mundial que só ele via.

— Drible Dimensional: Estágio Dois! — gritou Fr4me. Ele fez uma diagonal tão brusca que seu corpo quase tocou o chão, deixando Depp, o camaleão, confuso.

Depp tentou copiar o movimento, mas como era uma cópia barata, ele apenas girou como um peão e acabou batendo de frente com a Kat.

— Sai da frente, seu projeto de Rin! — gritou Kat, empurrando Depp. — Não está vendo que o General está tentando armar o contra-ataque? Sim, General, eu sei que o Depp é um idiota! Não precisa repetir!

— A Kat está falando com o ar de novo — comentou Lopa, correndo ao lado de Tavares. — Ela é tipo um Gastly, você sabe que está lá, mas não sabe o que vai fazer. Aliás, você corre tanto que parece um Jolteon com cafeína, Tavares.

Tavares não respondeu. Ele estava em seu transe de velocidade. As pernas eram apenas borrões.

— Eu sou o vento! Eu sou o relâmpago! Eu sou... — Tavares subitamente atingiu a velocidade máxima, mas sua coordenação motora não acompanhou. Ele tropeçou em uma linha pintada no gramado e voou, caindo de cara exatamente aos pés de Aires.

Aires, vendo alguém se aproximando em alta velocidade, não pensou na bola. Ele apenas viu canelas.

— ALVO IDENTIFICADO! — rugiu Aires, descendo um carrinho que faria um gladiador romano sentir inveja.

Tavares, que já estava caído, foi isolado para fora do campo como se tivesse sido atingido por um caminhão.

— ISSO FOI FALTA! — gritou Apollo, tentando manter a ordem. — Aires, ele é do nosso time!

— Se ele se move, ele é um alvo — respondeu Aires, limpando o sangue (provavelmente de Tavares) da chuteira.

A bola sobrou para Miguelito. Ele começou a driblar o ar com uma maestria renovada.

— Vejam! — gritou Miguelito. — O oxigênio está fazendo uma marcação dupla, mas eu vou passar pelo nitrogênio com um elástico!

Miguelito fez uma sequência de fintas tão complexas contra o vazio que acabou se auto-driblando e chutando a própria canela, caindo logo em seguida.

Kaze assistia a tudo com a mão no rosto.

— É pior do que eu pensava. Debi! Use esse seu cérebro de femboy e organize essa bagunça!

Debi ajeitou o cabelo, fazendo uma pose de superioridade intelectual.

— Obviamente. Se usarmos o Teorema de Pitágoras aplicado à trajetória de queda do Calhau, podemos prever o rebote. Ludo! Agora!

Ludo, que estava distraído desenhando um círculo de transmutação na grama, saltou.

— Pelas asas de Pegasus! — gritou Ludo. Ele se lançou em uma bicicleta invertida, mas em vez de chutar a bola, ele chutou o vácuo e acabou acertando um chute de artes marciais no peito de Illusion.

— Desespero... — ofegou Illusion, caindo de joelhos, mas com um sorriso maníaco. — Esse golpe foi digno de um capítulo final! Meu ego absorve essa dor e a transforma em... em...

Illusion desmaiou antes de terminar a frase.

Enquanto isso, Ayakashi tinha a bola. Ele estava exatamente no meio de campo. O silêncio caiu sobre o caos por um breve segundo.

— A geometria do universo é falha — disse Ayakashi, os olhos fixos em um ponto no horizonte que ninguém mais via. — Mas meu chute é a correção.

Ele disparou. A bola não foi em direção ao gol. Ela subiu, descreveu uma parábola perfeita, saiu das instalações por uma abertura de ventilação no teto e, segundos depois, ouviu-se o som de um vidro quebrando em algum lugar muito, muito distante.

— Errei por causa da rotação da Terra — justificou Ayakashi, limpando o suor da testa. — Na próxima, eu considero o efeito Coriolis.

— VOCÊS SÃO INÚTEIS! — berrou Kaze. — Jabami, por que você deixou o Toddynho passar com a bola nas mãos de novo?

— Ele disse que a bola estava se sentindo sozinha e precisava de um abraço — explicou Jabami, comovido. — Eu não podia separar esse amor.

Toddynho corria pelo campo abraçado à bola, fugindo de Apollo.

— É minha! Meu tesouro! — gritava Toddynho. — Eu sou o defesa da alegria!

De repente, a luz da arena ficou vermelha. Ego Jinpachi apareceu novamente no telão, empurrando Kaze (digitalmente) para o lado.

— Já chega de palhaçada — disse Ego, sua voz fria cortando a loucura. — Eu observei o experimento do Kaze. A conclusão é óbvia: vocês não são jogadores de futebol. Vocês são uma falha na matriz do esporte.

O grupo parou. Até Calhau parou de reclamar da sua décima quinta lesão do dia.

— Mas — continuou Ego, com um sorriso macabro — o Blue Lock é um lugar onde as falhas podem ser transformadas em armas. Se o Fr4me dribla a si mesmo, ele é imprevisível até para o próprio cérebro. Se o Ayakashi erra sempre, ele é o maior criador de caos balístico do mundo. Se o Aires só dá pau, ele é uma zona de exclusão humana.

Ego ajustou os óculos.

— O próximo desafio é contra o Time V original. Eles são gênios. Vocês são o erro. E o erro, quando é grande o suficiente, torna-se a nova regra.

Lopa levantou a mão.

— Isso significa que vamos ganhar um lanche? Eu trocaria meu ego por um hambúrguer agora. Eu tô mais vazio que o inventário de um jogador de RPG iniciante.

— Se vencerem, terão banquete — disse Ego. — Se perderem, Jimmy será o único que terá chuteiras, porque ele já roubou as de todos vocês enquanto eu falava.

Todos olharam para os próprios pés. Jimmy estava assoviando, sentado em cima de uma pilha de calçados.

— O futuro é descalço para muitos — disse o cigano, piscando.

Kaze sorriu, recuperando sua aura de mestre do jogo.

— Vocês ouviram o homem. Vamos mostrar para aqueles "gênios" que não se pode vencer um time que não faz a menor ideia do que está fazendo.

— É isso aí! — gritou Apollo, tentando motivar o grupo. — Vamos jogar em equipe!

— Cala a boca, bege — responderam todos em coro.

— General, ele mandou o bege calar a boca! — riu Kat, batendo palmas para o nada. — Eu adoro esse lugar!

O Time Z-2, a Seleção dos Rejeitados, caminhou em direção ao túnel. Fr4me ia na frente, pedalando sem bola. Tavares ia sendo carregado por Volito, já que Aires tinha quebrado suas duas canelas e Jimmy tinha roubado suas chuteiras.

A sinfonia do caos estava apenas no primeiro movimento, e o Blue Lock estava prestes a descobrir que, às vezes, para criar o atacante perfeito, é preciso primeiro abraçar a mais absoluta e completa loucura.

— Ei, Ludo — chamou Sabtiago, bocejando. — Se a gente ganhar, você me empresta aquele mangá?

— Só se você fizer um chute de bicicleta no próximo jogo — respondeu Ludo, fazendo uma pose de Jojo.

— Esquece. Vou continuar dormindo na zaga.

E assim, entre piadas de Pokémon, delírios esquizofrênicos e lesões de vidro, o time mais improvável da história do futebol avançou para o seu destino. O desespero de Illusion nunca esteve tão perto de se tornar realidade, e o ego de Kaze nunca esteve tão faminto por controle.

O jogo ia começar. E que Deus tivesse piedade das canelas dos adversários.