Burn it
Reações Irreversíveis
A lâmina de aço inoxidável sob o ventre de Jimin era um choque térmico congelante, mas o calor que rasgava suas entranhas de dentro para fora ardia como fósforo branco.
Quando Jeon Jungkook empurrou o quadril, afundando a glande espessa e implacável na carne estreita do aluno, o ar foi arrancado dos pulmões de Jimin com a violência de um golpe no estômago. O loiro arqueou a espinha, as mãos enluvadas arranhando a borda metálica da bancada com tanta força que o aço pareceu gemer. Tubos de vidro rolaram e se espatifaram no chão, mas nenhum dos dois piscou.
— Caralho... — Jungkook rosnou, o som abafado vibrando contra a nuca suada de Jimin.
O professor cravou os dedos tatuados nas duas cristas ilíacas do rapaz, afundando a pele com uma força que deixaria hematomas roxos no dia seguinte. Jungkook não esperou. Ele não deu tempo para acomodação, não ofereceu saliva extra, não pediu licença. Recuou quase até a ponta e bateu de volta, enfiando tudo de uma vez, um impacto surdo de osso contra osso que fez a bancada inteira deslizar dois centímetros no chão vinílico.
Jimin jogou a cabeça para trás, a garganta pálida exposta e trêmula, os lábios cheios entreabertos soltando um gemido rouco, agudo, despido de qualquer civilidade.
— Mais... — Jimin sibilou entre os dentes, a respiração entrecortada, os olhos queimando em delírio enquanto virava o rosto sobre o ombro para encarar o homem que o possuía. — É só isso... que você tem, porra?
A provocação foi a ruína de qualquer resquício de lucidez que restava em Jungkook. Com um rosnado gutural, o professor puxou os cabelos loiros de Jimin, obrigando-o a manter o rosto virado para que seus olhos não se descolassem, e começou a bombear.
As estocadas eram brutas, ritmadas, profundas até o limite anatômico. A cada investida, o peito largo e suado de Jungkook esmagava as costas do garoto, a camisa molhada colando na pele enquanto o som molhado e obsceno da fricção entre suas peles ecoava pelo laboratório estéril. Jimin sentia a pressão esmagadora atingir sua próstata a cada golpe certeiro; seu próprio pau, esquecido entre o metal gelado e sua barriga, começou a verter um líquido translúcido em abundância, latejando em espasmos febris.
— Você gosta disso, não gosta, Park? — Jungkook cuspiu as palavras contra a têmpora de Jimin, fuzilando o garoto sem misericórdia, os músculos das coxas queimando pelo esforço animalesco. — Gosta de ser fodido na mesa onde devia estar estudando... fingindo que manda em alguma coisa.
— Eu mando... em você — Jimin arfou, a voz falhando em um suspiro quebrado quando Jungkook acelerou o ritmo, batendo tão forte que a visão do loiro se transformou em estática pura. — Você tá... na minha mão, Jeon... ah!
Jungkook enterrou os dentes na junção do pescoço com o ombro de Jimin, mordendo com força suficiente para quase rasgar a pele. Jimin gritou contra o metal, mas o grito se transformou em uma contração violenta e espasmódica. O aperto súbito ao redor da haste de Jungkook foi insano, apertando o professor com a pressão de um torno.
Jimin gozou sem que ninguém o tocasse. O sêmen espesso manchou a superfície polida da bancada em jatos quentes enquanto ele se debatia sob o peso de Jungkook. Vendo o aluno desmoronar em puro espasmo, Jungkook soltou um rugido abafado, deu mais três estocadas curtas, furiosas e desmedidas, enterrando o quadril até a raiz, e esvaziou-se no fundo de Jimin com uma intensidade que fez seus joelhos vacilarem.
O silêncio que se seguiu no laboratório foi quebrado apenas pelos compressores dos freezers e pelas respirações dilaceradas que lutavam para encontrar oxigênio.
Jungkook permaneceu enterrado por longos segundos, o peito subindo e descendo contra as costas de Jimin, a testa apoiada na nuca do loiro. Quando finalmente se desvencilhou, o som úmido da separação pareceu um insulto àquele templo da ciência.
Jimin não se virou imediatamente. Puxou as calças devagar, apoiando-se na mesa com os nós dos dedos brancos, a dor da invasão pulsando entre suas pernas como uma queimadura viva. Ajeitou a camisa de seda com as mãos ainda trêmulas, a máscara de frieza sendo reconstruída camada por camada sobre um rosto que acabara de ser destruído pelo prazer mais perverso de sua existência.
Ele se virou, encarando Jungkook que fechava a calça jeans com gestos bruscos. Os olhos do professor estavam fixos nele — escuros, carregados de um assombro faminto que ele tentava, em vão, disfarçar.
Jimin limpou um filete de suor na testa, ajeitou os fios platinados com a precisão costumeira e ergueu o queixo, embora suas pernas ameaçassem ceder.
— Limpe a bancada, professor — Jimin murmurou com a voz rouca, sem esboçar um único sorriso. — Seria lamentável se alguém encontrasse resíduos do seu material genético no projeto celular.
Jungkook travou o maxilar, mas antes que pudesse responder com algum insulto afiado, Jimin deu as costas e saiu, deixando para trás o eco de passos firmes e um homem completamente desestabilizado.
***
As semanas que se sucederam transformaram o cotidiano acadêmico em um campo minado.
Nenhum dos dois conseguiu esquecer. A lembrança daquela bancada virou uma praga mental que infectava cada aula teórica, cada seminário e cada troca silenciosa de olhares no corredor do departamento. Se antes Jimin mantinha uma distância asséptica, agora o contato visual entre eles era carregado de uma volúpia explícita e agressiva.
Quando Jungkook passava pela fileira de carteiras onde Jimin se sentava, o loiro não desviava o olhar; sustentava o confronto com um sorriso de canto imperceptível para os outros alunos, mas claro o bastante para fazer a mão de Jungkook fechar-se em punho dentro do bolso do jaleco. As insinuações se tornaram rotina nos relatórios de laboratório. Correções marginais escritas com caneta vermelha vinham acompanhadas de bilhetes cifrados deixados nas gavetas trancadas.
Os encontros furtivos multiplicaram-se como uma dependência química. Aconteciam no gabinete de Jeon às sextas-feiras, no carro com vidros escuros de Jimin no último subsolo do estacionamento, ou na ante-sala do almoxarifado de reagentes químicos. O sexo entre eles nunca era delicado; era uma disputa física implacável, onde mordidas, arranhões e puxões de cabelo serviam como um vocabulário tosco para algo que nenhum dos dois tinha coragem de nomear.
— Não confunda as coisas, Jungkook — Jimin disse certa noite, enquanto abotoava o cinto de couro no banco do passageiro da Ferrari, o hálito ainda pesado de tabaco e beijos violentos. — Não vá se apaixonar por mim. Você é só uma distração biológica conveniente.
Jungkook deu uma tragada profunda no cigarro que acendera pela janela entreaberta, soltando a fumaça cinzenta na direção do para-brisa antes de soltar uma risada anasalada e amarga.
— Me apaixonar por você, moleque? — Jungkook virou o rosto para encará-lo, os olhos brilhando na penumbra do estacionamento com um cinismo forçado que não convencia nem a si mesmo. — Você é a porra de um psicopata mimado com mania de grandeza. Eu só gosto do jeito que você abre as pernas quando acha que tá no comando.
— Continue mentindo para si mesmo — rebateu Jimin, a voz afiada como navalha. — Fica mais bonito quando você chora a derrota.
Mas a mentira corroía os dois lados. O término do semestre se aproximava a passos largos; as bancas de defesa do projeto celular já estavam marcadas e o diploma de Jimin estava praticamente impresso. O ciclo acadêmico estava se fechando. E, junto com ele, a justificativa para que continuassem orbitando ao redor um do outro.
O amor entre eles havia nascido podre, agressivo e distorcido, mas existia — enraizado tão fundo que a simples ideia do afastamento definitivo causava em Jimin uma náusea que ele jamais admitiria.
Foi nessa reta final que as mensagens começaram a chegar.
Jimin passou a receber alertas criptografados em seu celular secundário, aquele cujo número apenas servidores offshore e contas fantasmas deveriam conhecer.
*“O lote final foi aprovado em Zurique.”* *“A família Jeon teve o último recurso negado na corte distrital. O juiz caiu.”* *“A dívida de sangue precisa ser paga. Termine o que começou antes da formatura. O filho não pode restar.”*
Eram as diretrizes das sombras. A rede criminosa construída pelos pais de Jimin estava cobrando a conclusão da vingança. Jeon Jungkook era a peça final para desmantelar de vez a moral daquela linhagem corrupta. Jimin havia arquitetado tudo durante meses: atrairia Jungkook para a sua cobertura, drogaria sua bebida com um coquetel sintético indetectável de paralisia respiratória e faria parecer uma overdose acidental de solventes misturados com maconha — o perfil perfeito para um professor problemático e suicida.
O dia da execução havia chegado.
A tempestade caía com força sobre Seul quando Jimin estacionou o carro na garagem privativa de seu edifício em Hannam-dong. Jungkook estava no banco do carona, descontraído pela primeira vez em semanas, a jaqueta de couro úmida jogada no colo. Ele aceitara o convite para subir sem hesitar, acreditando que teriam mais uma daquelas noites brutais e desmedidas antes da apresentação final da pesquisa.
O elevador panorâmico subiu até o último andar em silêncio absoluto.
Ao entrarem na cobertura, Jimin jogou as chaves na bancada de mármore nero marquina e caminhou até o bar embutido. Suas mãos, habitualmente firmes e milimétricas como as de um cirurgião renomado, tremeram imperceptivelmente ao pegar a garrafa de uísque escocês.
No bolso interno do seu casaco, o pequeno frasco de vidro âmbar continha a dosagem letal calculada com perfeição matemática. Bastavam três gotas no copo de cristal. Em quarenta minutos, os alvéolos pulmonares de Jungkook colapsariam sem deixar rastros nos exames toxicológicos padrão.
— Belo apartamento para quem jura que não se importa com aparências — Jungkook comentou, caminhando pela sala ampla, admirando a vista sombria da cidade engolida pela chuva através das janelas gigantescas. Ele tirou os sapatos, jogando-se no sofá de couro preto com a postura folgada e insolente que sempre enfurecera Jimin. — Você realmente vive aqui sozinho? Parece um museu funerário.
Jimin segurou o frasco de veneno sob o tecido da roupa. Olhou para as costas largas de Jungkook, para as tatuagens que subiam pelo pescoço do homem, para os fios escuros desalinhados que ele passara madrugadas inteiras puxando e beijando com uma sede desesperada.
O coração de Jimin bateu em um ritmo descompassado, um aperto sufocante comprimindo seus pulmões.
Ele não conseguia.
Pela primeira vez em toda a sua vida rigorosamente calculada, uma ordem de seu próprio cérebro falhou. Seus dedos não abriram o vidro. A frieza analítica, o desprezo absoluto pelas vidas alheias, o ódio geracional cultivado contra a família Jeon — tudo aquilo parecia oco diante do medo visceral e inexplicável de ver aquele homem moreno parar de respirar na sua frente.
Jimin fechou os olhos, engolindo a bile amarga do próprio fracasso emocional.
*O que caralhos você fez comigo, seu filho da puta?*, pensou, furioso consigo mesmo, apavorado com a súbita constatação de sua fraqueza.
Ele guardou o frasco de volta no bolso e serviu o uísque puro nos copos. Estava prestes a dar a volta na bancada e admitir a si mesmo que o plano de assassinato estava morto quando o celular em seu bolso vibrou.
O toque estridente e insistente quebrou o silêncio. Jimin olhou a tela: era uma linha internacional criptografada, o sinal de chamada de emergência que indicava contato direto da rede clandestina de seus pais.
— Preciso atender isso — Jimin disse, a voz soando mais tensa do que o habitual, a garganta ressecada. — Fique aí. Não demoro.
— Fica à vontade, herdeiro — Jungkook respondeu sem se virar, esticando as pernas sobre a mesa de centro. — Vou esperar você me servir.
Jimin caminhou depressa pelo corredor até a varanda gourmet envidraçada, fechando a porta de isolamento acústico atrás de si para atender a chamada clandestina.
Do lado de dentro, Jungkook esperou por cerca de três minutos, bebericando um gole do uísque que Jimin deixara preparado. O silêncio do apartamento começou a incomodá-lo. Ele se levantou, caminhando sem rumo pelos cômodos escuros, movido pela curiosidade inerente de quem sempre desconfiara que Park Jimin era muito mais do que aparentava.
No final do corredor íntimo, Jungkook percebeu algo estranho. Uma das paredes de mogno não estava completamente alinhada com o rodapé de mármore. Uma fresta de luz branca e cirúrgica vazava pela base.
Jungkook franziu a testa. Aproximou-se e empurrou suavemente a madeira com a palma da mão. Com um estalo pneumático suave, a parede falsa deslizou nos trilhos, revelando o escritório subterrâneo.
O ar dentro da sala secreta era gelado.
Jungkook deu dois passos para dentro, e o copo de cristal quase escapou de seus dedos.
A parede inteira à sua frente era um mural macabro.
Havia centenas de fotos suas. Fotos dele entrando no carro pela manhã, fotos dele fumando no terraço do prédio, relatórios financeiros detalhados das empresas do seu pai, plantas baixas do gabinete universitário e anotações minuciosas em tinta preta e vermelha. Fórmulas de dosagens de neurotoxinas estavam rascunhadas em volta de sua foto de perfil, com anotações de cronometragem: *“Tempo de ação: 40 min. Parada cardiorrespiratória assintomática. Eliminação renal em 2h.”*
No topo do painel, uma frase escrita com a letra milimétrica e elegante de Jimin resumia a finalidade de toda aquela arquitetura:
*“A liquidação dos Jeon: Justiça pelo império Park.”*
O chão pareceu sumir sob as botas de Jungkook. O choque congelou seu sangue, transformando-se em uma sensação ácida de traição que queimou suas vísceras. Toda a atração, as fodas selvagens, as palavras trocadas na penumbra, o projeto acadêmico... nada daquilo era desejo genuíno. Era uma execução premeditada. Ele fora seduzido, dissecado e catalogado como um rato de laboratório prestes a ser sacrificado.
Passos rápidos soaram atrás dele.
Jimin acabara de desligar a ligação na varanda e, ao ver a parede secreta aberta, correu pelo corredor. Quando atravessou o batente da porta e viu a figura imensa de Jungkook estática diante do mural, o mundo do loiro desabou em estilhaços.
— Jungkook... — a voz de Jimin saiu trêmula, um som fino e assustado que jamais havia cruzado seus lábios desde a infância.
Jungkook virou-se devagar. O rosto do homem mais velho estava lívido, a mandíbula tão tensa que os dentes pareciam prestes a quebrar. Mas não era apenas raiva o que queimava em suas íris escuras; era uma decepção profunda, devastadora, a mágoa visceral de quem havia, contra todas as suas defesas, permitido que alguém entrasse em sua vida fodida.
Os olhos de Jungkook estavam vermelhos, marejados por uma dor que ele recusava a deixar transbordar em lágrimas.
— Foi tudo pra essa merda? — Jungkook perguntou, a voz saindo em um sussurro rouco e quebrado que doeu mais em Jimin do que qualquer tiro. Ele apontou a mão tatuada para a parede com uma fúria contida. — Cada toque seu... cada vez que você me olhou nos olhos... foi tudo pra essa porra de vingança idiota contra uma família que eu odeio tanto quanto você?!
— Não é isso... — Jimin tentou dar um passo à frente, as mãos erguidas no ar em um gesto desesperado de defesa, algo que seu corpo nunca fizera antes.
— Você ia me matar, caralho?! — Jungkook explodiu, o rugido fazendo as paredes vibrarem. Ele arremessou o copo de uísque contra o mural de acrílico com tanta força que o vidro se despedaçou em centenas de fragmentos cortantes, estilhaçando sua própria imagem projetada na parede.
Cego pela fúria e pela traição, Jungkook avançou na direção de Jimin, os punhos fechados, pronto para agarrar o garoto pelo colarinho e esmagá-lo contra o concreto.
Jimin viu o golpe se aproximar, viu a fúria daquele homem que ele aprendera a desejar mais do que o próprio ar. E, em vez de se defender, em vez de sacar a arma ou recorrer ao seu arsenal químico, o loiro simplesmente quebrou.
Seus joelhos cederam.
Park Jimin caiu no chão frio de mármore com um baque surdo, dobrando o corpo diante de Jungkook.
Pela primeira vez em vinte e dois anos de existência estéril, o calor líquido e ardente de uma lágrima escorreu pela bochecha pálida de Jimin, seguida por outra, e mais outra. O herdeiro frio, o assassino calculista que não chorara no velório dos próprios pais, estava ajoelhado aos pés de seu professor, tremendo como uma criança indefesa no escuro.
— Perdão... — Jimin murmurou, as mãos espalmadas contra o chão em um gesto de rendição total e humilhante. A voz saiu sufocada pelo choro que rasgava seu peito. — Por favor... me perdoa...
Jungkook parou a dez centímetros do corpo encolhido do garoto, os punhos ainda cerrados no ar, o peito arfando pesadamente. Ele encarou Jimin de joelhos, sem conseguir compreender o colapso daquela fortaleza inabalável que ele conhecera como um monstro sem sentimentos.
Jimin enterrou a cabeça contra as próprias mãos trêmulas, sentindo a queimação corrosiva das lágrimas molharem o mármore. Ele não entendia por que estava pedindo perdão. Não entendia por que seu orgulho havia evaporado daquela maneira vergonhosa. Sabia apenas que, se Jeon Jungkook cruzasse aquela porta e desaparecesse de sua vida para sempre, nenhuma quantidade de dinheiro, vingança ou poder seria capaz de mantê-lo vivo.
No silêncio fúnebre do laboratório particular, sob a luz pálida que iluminava o mural de uma tragédia anunciada, Jungkook permaneceu de pé, imóvel, com os olhos cravados no rapaz que acabara de quebrar sua própria armadura aos seus pés.
Nenhum dos dois se moveu. O destino final de ambos pendia por um fio invisível sobre o abismo.