Burn it
Entropia dos Corpos Malditos
A chuva fria de sexta-feira chicoteava os vitrais blindados do quarto andar do instituto, distorcendo as luzes de néon de Gangnam em manchas sanguinolentas de vermelho e azul. No laboratório de cultivo celular, a iluminação branca e clínica criava um contraste quase fúnebre com a tempestade lá fora. O ar ali dentro cheirava a ozônio, etanol a setenta por cento e àquele frio artificial mantido pelos compressores dos ultrafreezers.
Passava das nove da noite. O prédio estava deserto. Os últimos estagiários e técnicos haviam batido o ponto antes das sete, correndo para os metrôs subterrâneos para se afogar no calor medíocre dos bares de fim de semana.
Park Jimin não arredara o pé.
Ele permanecia sentado diante da capela de exaustão, o jaleco branco impecável cobrindo a camisa de seda preta. Seus dedos longos, protegidos por luvas de nitrilo, sustentavam uma micropipeta com a firmeza de uma estátua de mármore. Gotas de uma solução de peptídeos caíam em placas de titulação com precisão de nanolitros. No entanto, por trás daquela concentração mecânica que os professores elogiavam com assombro reverente, as engrenagens cerebrais de Jimin estavam em rotação febril.
O silêncio do corredor foi rompido por passos pesados.
Não eram passos apressados de seguranças de ronda. Era o arrastar ritmado de solas de botas militares de couro contra o piso vinílico asséptico, acompanhado pelo som metálico de um chaveiro chacoalhando entre dedos grossos.
A porta com fechadura eletromagnética desarmou com um zumbido seco e se abriu.
Jimin não ergueu os olhos da bancada. Ele conhecia aquele padrão de pulso sem sequer precisar olhar para os sensores.
— Você devia estar em casa, Park — a voz de Jeon Jungkook cortou o zumbido dos exaustores, rouca, grave e carregada por uma aspereza que arranhava o ar.
Jimin descartou a ponteira plástica no recipiente de descarte com um estalo limpo antes de virar a cadeira giratória com uma lentidão milimétrica.
Jungkook estava encostado no batente de aço da porta. Não usava jaleco. Vestia uma jaqueta de couro surrada e escura sobre uma camisa cinza-chumbo justa, com a gola entreaberta revelando a tatuagem espiralada que subia pela lateral direita do pescoço até a mandíbula. O cabelo preto estava molhado da chuva, mechas pesadas caindo sobre a testa e quase cobrindo os olhos fundos e sombrios. Ele cheirava a asfalto molhado, tabaco queimado recentemente e ao traço pungente de maconha que impregnava suas roupas.
Os olhos escuros de Jeon encontraram os de Jimin no mesmo segundo, e o ambiente pareceu perder três graus de temperatura instantaneamente.
— A incubação da linhagem mitocondrial termina às dez e quinze — Jimin respondeu, tirando as luvas pretas com movimentos lentos, descascando o látex da pele com um som elástico e obsceno. — Eu não deixo trabalho inacabado sob a custódia de assistentes negligentes. E muito menos sob a sua, professor.
Jungkook soltou uma risada baixa pelo nariz, um som gutural que ecoou pelo teto de gesso. Ele empurrou a porta com o cotovelo, ouvindo o clique da tranca automática selar o espaço entre eles, e deu os primeiros passos em direção à bancada central.
— Você é muito cheio de si para um pirralho de vinte e dois anos que ainda dorme sobre a fortuna de pais fantasmas — Jungkook disse, a voz arrastada, os passos lentos e deliberados fechando o cerco.
Jimin não moveu um único músculo do rosto. Seus lábios mantiveram a linha fria e inexpressiva, mas o brilho em suas pupilas estreitou-se como o de uma serpente prestes a desferir o bote.
— Meus pais não são fantasmas, Jeon. Eles são criminosos melhores do que o seu pai jamais sonhou em ser — Jimin retrucou, levantando-se da cadeira com uma elegância aristocrática que parecia uma ofensa ao ambiente estéril. Ele apoiou as palmas das mãos na beirada da bancada de inox, mantendo a postura ereta. — Seu pai precisou da toga de um tribunal superior para esconder as propinas e as transferências ilícitas. Os meus precisaram apenas de mentes brilhantes e de um punhado de identidades falsas para fazer o governo inteiro engolir a própria incompetência.
Jungkook parou a meio metro de distância. Ele era mais largo, com os ombros maciços preenchendo a jaqueta de couro e a mandíbula coberta por uma sombra de barba por fazer que lhe conferia uma aura brutal, quase selvagem.
— Você pesquisou a fundo a minha linhagem, não foi? — Jungkook inclinou o tronco para a frente, o olhar cravado no rosto imperturbável do aluno. — Vasculhou as contas em Genebra, os processos arquivados pelo ministério público... Você acha que eu ligo para a merda daquele velho decrépito? Acha que vai me atingir puxando o tapete da família Jeon?
— Eu não quero apenas atingir você — Jimin deu um passo à frente, quebrando a distância de segurança, colando quase o peito ao de Jungkook. O perfume caro de sândalo e flor de laranjeira do herdeiro colidiu com o odor cru e masculino do homem mais velho. — Eu quero arrancar cada privilégio que vocês compraram com a ruína alheia. E no meio do processo... eu quero ver o que sobra desse professor arrogante quando todas as suas máscaras forem arrancadas.
Jungkook sustentou a intensidade letal daquele olhar por três segundos antes de dar uma risada rouca, inclinando o rosto até que sua respiração quente batesse na orelha esquerda de Jimin.
— O que sobra, Park, é exatamente o que você passou a madrugada inteira assistindo na porra do seu quarto luxuoso — o professor sussurrou com veneno puro, as palavras escorrendo com uma volúpia explícita. — Um animal descontrolado. Um homem que não se curva a regras imbecis de conduta.
Jimin sentiu o arrepio violento subir pela espinha, mas sua boca se curvou naquele mesmo sorriso sádico e desafiador da noite anterior.
— Um animal patético — corrigiu o loiro, virando o rosto de modo que seus lábios quase roçassem na bochecha molhada de Jungkook. — Que se tranca no escuro para punhetar sozinho porque as vadias que você arrasta para o seu sofá em Mapo-gu não conseguem preencher o buraco da sua própria decadência.
O ar congelou.
A mão de Jungkook disparou como um chicote.
Ele cravou os dedos tatuados na nuca de Jimin com violência calculada, fechando a mão nos fios platinados e puxando a cabeça do rapaz para trás até que a garganta alva e tensa ficasse completamente exposta sob as lâmpadas do teto. Com o outro braço, Jungkook avançou sobre a cintura de Jimin, erguendo o loiro do chão com a força brutal dos seus bíceps e jogando-o de costas sobre a bancada de aço inoxidável.
O choque metálico ecoou pela sala ampla, fazendo tubos de ensaio, micropipetas e béqueres vazios chacoalharem na extremidade da mesa.
Jimin não gritou. Nem sequer tentou empurrar o corpo pesado que imediatamente se encaixou entre as suas pernas abertas. O impacto doeu em suas omoplatas, mas a dor física agiu como um combustível imediato, incendiando o sangue do garoto em uma combustão violenta.
— Você fala demais, Park — Jungkook rosnou entre os dentes, a respiração entrecortada e áspera contra o queixo do loiro. Ele usou a coxa direita para prender a perna de Jimin contra a lateral da bancada, o peso de seus músculos esmagando qualquer chance de evasão. — Adora destilar essa sua pose de gênio inabalável, não é? Acha que tudo no mundo é um cálculo de laboratório.
— E você acha que essa força física bruta disfarça o fato de que você está desesperado por mim? — Jimin rebateu, arqueando a coluna para colar o próprio peito na jaqueta úmida do professor. Ele cravou as unhas nos ombros largos de Jungkook, sentindo a rigidez do couro sob os dedos. Os olhos de Jimin estavam dilatados, brilhando com uma fome assassina. — Tenta negar de novo, Jeon. Diz para mim que você não passou o dia inteiro pensando no meu pau. Diz que não passou as últimas três semanas com a porra da minha voz na sua cabeça.
Jungkook cravou os dentes com força no lábio inferior, reprimindo um urro de fúria frustrada. A audácia de Jimin não tinha limites. Aquele garoto não temia ser agredido, não temia ser exposto, não temia o inferno. Ele queria o abismo tanto quanto Jungkook.
— Você é um desgraçado doente — Jungkook sibilou, descendo a mão pesada da nuca de Jimin para a garganta do loiro, fechando os dedos ao redor do pescoço pálido.
A pressão era firme, precisa, calculada para cortar o oxigênio sem quebrar a traqueia. A pele fria de Jimin queimava sob a palma calejada do homem mais velho. Os lábios cheios do aluno se entreabriram em busca de ar, os pulmões protestando enquanto o rosto empalidecia ligeiramente, mas o olhar castanho permaneceu fixo nos olhos negros de Jungkook — um desafio silencioso, cru, desprovido de qualquer pânico.
— Isso... — Jimin sussurrou com a voz sufocada, um fio rouco de som que fez a virilha de Jungkook latejar em um espasmo doloroso. — Aperta, porra. Mostra quem você é de verdade quando não está fingindo ser o mestre de ninguém.
A barreira ruiu. A última farsa civilizada que separava os dois homens espatifou-se no chão estéril daquele laboratório.
Jungkook abaixou a boca de uma vez só, colidindo seus lábios contra os de Jimin com a violência de uma fratura exposta.
Não foi um beijo de amantes. Foi um pacto de sangue e posse.
A boca de Jungkook invadiu a de Jimin com dentes, língua e saliva quente, devorando o ar que acabara de roubar da garganta do aluno. Jimin respondeu na mesma moeda; cravou as unhas nas costas largas de Jungkook, gemendo contra a boca do homem enquanto suas línguas duelavam em uma fricção abrasiva, faminta e desesperada. Havia gosto de tabaco, do amargo da cafeína e daquele sal metálico sutil onde o dente de Jimin cortou levemente o lábio do professor.
Jungkook afrouxou o aperto no pescoço para descer a mão direita com urgência até a fivela do cinto de Jimin. Ele puxou o couro com um estalo violento, abrindo o fecho metálico e rasgando a barreira com a destreza cega de quem já não respondia à razão.
— Você queria ver o que eu faço no escuro, Jimin? — Jungkook quebrou o beijo por um segundo, a boca brilhante e rubra, arfando diretamente contra as bochechas coradas do loiro. — Eu vou te mostrar agora, caralho.
Com um movimento brusco, Jungkook enfiou a mão pesada sob a calça de alfaiataria de Jimin, atravessando a barreira de algodão da cueca e fechando os dedos diretamente ao redor do pau do garoto.
Jimin arqueou as costas contra o inox gelado com um gemido estrangulado que ecoou alto na sala ampla. A rigidez de seu membro era quase dolorosa, a glande vazando pré-sêmen contra a palma grossa e tatuada do homem que ele passara semanas jurando destruir. O choque térmico entre o frio da bancada sob suas costas e o calor incandescente da mão de Jungkook quase o fez perder a consciência por um segundo.
— Porra... — Jimin arfou, a mandíbula travando enquanto cravava a testa no ombro de Jungkook, a elegância aristocrática desmoronando sob a força bruta daquele toque.
— É disso que você gosta, seu herdeiro de merda? — Jungkook sussurrou em um tom sádico, bombeando o pau de Jimin com movimentos firmes, apertando a haste até o limite enquanto empurrava o próprio quadril para frente.
O volume monstruoso e duro como pedra de Jungkook pressionou contra a coxa de Jimin através das camadas de tecido. O professor estava tão excitado que respirava em soluços pesados, a veia de seu pescoço saltada, os nós dos dedos trabalhando na virilha do loiro com um ritmo que beirava a crueldade.
Jimin recuperou o fôlego em meio ao turbilhão de dopamina e, em vez de se render, usou as duas mãos para segurar os cabelos compridos e molhados de Jungkook, puxando a cabeça do homem para trás com força desmedida.
— Você é fraco, Jeon — Jimin murmurou com a voz rouca, trêmula pela onda de prazer que explodia em sua coluna, mas com os olhos faiscando em escárnio puro. — Está pronto para gozar nas calças só de me tocar...
A provocação foi a fagulha que faltava para a pólvora.
Jungkook soltou o membro de Jimin com um movimento brusco, levou as duas mãos ao fecho hermético do jaleco que o garoto ainda vestia e rasgou os botões de pressão plásticos com um puxão furioso, expondo o peito esculpido e pálido de Jimin sob a camisa de seda entreaberta.
Com a rapidez de quem já não operava no domínio humano, Jungkook girou Jimin de bruços sobre a bancada de inox com uma truculência que jogou mais duas bandejas de lâminas cirúrgicas no chão com um estrondo de vidro se estilhaçando.
Jimin apoiou os cotovelos na superfície metálica, os cabelos platinados cobrindo os olhos, respirando de forma entrecortada enquanto sentia o peso de Jungkook prensar suas costas contra o metal. As mãos grandes do professor desceram pelas nádegas firmes de Jimin sobre a calça de alfaiataria, puxando o tecido escuro para baixo pelos quadris com um movimento contínuo e impiedoso, descendo calça e cueca até a dobra dos joelhos do garoto.
A pele alva das coxas e da bunda de Jimin foi exposta ao ar condicionado cortante do laboratório.
— Quem é o fraco agora, moleque? — Jungkook rosnou no ouvido de Jimin, a voz vibrando diretamente contra a cartilagem. Ele levou a mão tatuada à boca, cobrindo a palma com uma quantidade generosa de saliva antes de deslizar os dedos úmidos entre as nádegas do loiro, pressionando a entrada apertada com a firmeza de uma sentença irrevogável.
O choque fez o corpo de Jimin estremecer dos calcanhares até a raiz dos cabelos. Ele cravou os dedos nas bordas de metal da bancada de inox, o peito subindo e descendo com violência, a dor e a humilhação do gesto se misturando a uma onda de tesão tão devastadora que sua visão turvou em pontos brilhantes.
— Anda logo com isso... — Jimin sibilou entre os dentes trincados, recusando-se a implorar, recusando-se a baixar a guarda mesmo com os dedos de Jungkook forçando a passagem contra sua carne. — Fode essa porra logo antes que eu mude de ideia e quebre uma garrafa de ácido no seu pescoço.
Jungkook soltou uma risada sombria, um som cavernoso de quem acabara de assinar a própria condenação.
— Você não vai mudar de ideia, Park — Jungkook puxou o próprio zíper da calça jeans com um ruído metálico áspero, liberando a ereção latejante e espessa no espaço claustrofóbico entre os dois corpos. — Porque no fundo daquela sua mente podre... você sabe que nós pertencemos ao mesmo inferno.
O professor alinhou a ponta de seu membro contra a entrada molhada de Jimin. A tensão estalou como um raio em um céu fechado. Não havia recuo possível; eles haviam queimado todas as pontes, quebrado todos os juramentos e violado todas as fronteiras da ética e da razão.
Jimin virou o rosto para trás sobre o ombro, os olhos castanhos encontrando os de Jungkook uma última vez antes da invasão inevitável. Não havia arrependimento em nenhuma daquelas órbitas. Havia apenas a voracidade faminta de duas feras prestes a se destruírem mutuamente, saboreando a carne do próprio verdugo.
— Então me puxa para baixo com você, professor — Jimin sussurrou com a voz afiada como vidro quebrado.
E com um empurrão implacável dos quadris de Jungkook, o aço frio da bancada acolheu o primeiro impacto de suas carnes em colisão.