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Casal improvável mas provavelmente

O Eclipse da Hydra e a Alvorada do Soldado

A neve de Sokovia não era nada parecida com a chuva morna de Pernambuco. O frio cortava como navalhas, mas Maria Eduarda não sentia o gelo. O sangue Stark em suas veias fervia, uma mistura de adrenalina e o poder latente que a Hydra tentara despertar e que agora, ironicamente, ela usava contra eles.

Ao seu lado, o Soldado Invernal era uma força da natureza. O braço de metal de Bucky Barnes brilhava sob as luzes de emergência da base subterrânea, cada golpe desferido com uma precisão mortal e uma fúria protetora que Duda sabia ser dedicada exclusivamente a ela.

— Eles estão recuando para o núcleo! — gritou Steve Rogers pelo comunicador. — Tony, como está o fechamento do perímetro?

— Quase lá, Picolé! — a voz de Tony Stark ecoou, misturada ao som de propulsores. — Madu, querida, por favor, tente não explodir nada que eu tenha que pagar depois. E Barnes, se um arranhão aparecer nela, eu juro que te desmonto!

Duda sorriu, desviando de um disparo de energia e revidando com um chute giratório que aprendeu nas aulas de frevo e aperfeiçoou nos treinos de combate.

— Menos conversa, pai, mais cobertura! — rebateu ela, saltando sobre uma barricada.

A batalha final contra a última célula da Hydra era um caos de metal, gritos e explosões. Duda e Bucky lutavam em perfeita sincronia, uma dança de guerra onde ela era a fluidez e ele a força bruta. Quando o líder da base tentou acionar a autodestruição, foi o conhecimento técnico de Duda — e um soco bem dado de Bucky no console — que impediu a catástrofe.

Com a queda do último agente, o silêncio finalmente se instalou, pesado e carregado de fumaça. Os Vingadores começaram a limpar o local, mas para dois deles, o mundo havia se reduzido ao espaço entre seus corpos.

Bucky se aproximou de Duda, a respiração pesada, o rosto sujo de fuligem e sangue, mas os olhos... os olhos azuis estavam mais claros do que nunca, livres das sombras da programação mental.

— Você está bem? — perguntou ele, a voz rouca, as mãos trêmulas alcançando o rosto dela.

— Eu estou ótima, James — respondeu ela, ofegante, envolvendo o pescoço dele com os braços. — Nós conseguimos. Acabou. Eles nunca mais vão tocar na gente.

Bucky não esperou por mais palavras. Ele a puxou para um beijo desesperado, um beijo que carregava o medo da perda e o alívio da vitória. Era o gosto da liberdade.

— Ei, pombinhos! — a voz de Sam Wilson interrompeu, embora houvesse um sorriso em seu tom. — O Stark está vindo para cá. Se eu fosse vocês, guardaria as demonstrações de afeto para a Torre.

Bucky separou-se de Duda, mas manteve a mão possessivamente na cintura dela quando a armadura dourada e vermelha de Tony pousou pesadamente à frente deles. O capacete se abriu, revelando o rosto exausto, mas aliviado, do bilionário.

— Eu vi isso — disse Tony, apontando para os dois. — Eu tenho câmeras em todos os lugares, inclusive no meu próprio estresse pós-traumático.

— Pai, agora não — pediu Duda, encostando a cabeça no ombro de Bucky.

Tony olhou para a filha, depois para o homem que um dia fora seu inimigo e que agora era o escudo dela. Ele suspirou, uma rendição longa e necessária.

— Tudo bem. Se é isso que te faz feliz, Madu... eu aceito. Mas Barnes, se você quebrar o coração dela, eu transformo seu braço em um abridor de latas.

— Eu não pretendo ir a lugar nenhum, Stark — afirmou Bucky, com uma firmeza que fez Tony finalmente desviar o olhar, satisfeito.

Horas depois, a Torre dos Vingadores em Nova York era um refúgio de luxo e silêncio. A equipe comemorava no andar de cima, mas Bucky e Duda haviam escapado para os aposentos dele. O quarto era simples, mas agora tinha o toque dela: um porta-retratos com uma foto de Olinda e o cheiro de um perfume de baunilha que Bucky agora associava à paz.

Duda saiu do banheiro usando apenas uma camiseta grande de Bucky, seus cachos úmidos e livres. Ela encontrou o soldado sentado na beira da cama, observando a cidade pela janela panorâmica.

— O que foi, James? — perguntou ela, sentando-se entre as pernas dele.

Bucky envolveu a cintura dela com o braço humano, puxando-a para perto. Ele parecia estar lutando com as palavras, algo comum para um homem que passou décadas em silêncio.

— Eu passei muito tempo sendo uma sombra, Duda — começou ele, olhando nos olhos dela. — Eu não achei que houvesse um lugar para mim neste século. Até você aparecer. Você me deu um nome de novo. Me deu um motivo para querer acordar amanhã.

Ele tateou a mesa de cabeceira e tirou uma pequena caixa de veludo. Dentro, havia um anel simples de prata, com uma pequena pedra azul que lembrava o mar de Pernambuco.

— Eu não sou muito bom com discursos, e o seu pai provavelmente vai me matar amanhã... mas eu não quero ser apenas o seu guarda-costas ou o seu "amigo". Maria Eduarda Stark... você aceita ser minha namorada? Oficialmente?

Duda sentiu as lágrimas arderem nos olhos. A psicóloga nela sabia o quanto aquele passo era enorme para ele; a mulher nela estava simplesmente radiante.

— Sim, James. Mil vezes sim — respondeu ela, deixando que ele deslizasse o anel em seu dedo.

O beijo que se seguiu foi diferente dos anteriores. Não era movido pela adrenalina da batalha, mas por uma promessa silenciosa de futuro. Bucky a deitou suavemente nos lençóis, seus movimentos cuidadosos, como se ela fosse feita de cristal, embora soubesse que ela era feita de aço e fogo.

— Tem certeza? — perguntou ele em voz baixa, a mão de metal repousando na lateral do corpo dela, o contraste do frio do vibranium com o calor da pele dela fazendo Duda estremecer.

— Eu nunca tive tanta certeza de nada na minha vida — sussurrou ela, puxando-o para baixo. — Me faz esquecer o resto do mundo, James.

As roupas foram descartadas com uma urgência terna. Bucky explorou cada centímetro do corpo de Duda com uma reverência quase religiosa. Ele beijou as cicatrizes que a Hydra deixara nela, prometendo com cada toque que aquelas marcas agora pertenciam ao passado. Duda, por sua vez, mapeou os músculos tensos de Bucky, desarmando o soldado com carícias que falavam de aceitação e desejo.

Quando eles finalmente se uniram, foi uma explosão de sensações que nenhum dos dois conseguia descrever. Não era apenas sexo; era a fusão de duas almas quebradas que haviam encontrado o encaixe perfeito. O ritmo era deles — não o ritmo frenético das batalhas, mas uma cadência lenta, profunda e visceral.

— Duda... — ele arquejou o nome dela contra o seu pescoço, o braço de metal prendendo-a contra o colchão enquanto ele se movia dentro dela, encontrando um prazer que ele acreditava ter sido extirpado de sua existência há muito tempo.

— Eu te amo, James — ela gemeu, as unhas cravando-se nas costas dele, os cachos espalhados pelo travesseiro como uma auréola escura.

— Eu te amo — respondeu ele, a voz carregada de uma emoção pura, antes de se perderem completamente um no outro.

Mais tarde, quando a respiração de ambos voltou ao normal e o suor esfriou em seus corpos, eles ficaram abraçados sob os lençóis. Bucky acariciava o braço de Duda, observando o anel brilhar sob a luz fraca da cidade.

— O Stark vai notar o anel no café da manhã — comentou Bucky, com um rastro de diversão na voz.

— Deixe que note — disse Duda, bocejando e se aninhando mais no peito dele. — Ele vai reclamar, vai fazer um escândalo, talvez tente construir um robô para nos separar... mas ele sabe que perdeu essa batalha.

— Ele não perdeu — corrigiu Bucky, beijando o topo da cabeça dela. — Ele ganhou um genro que daria a vida por você.

Duda sorriu, fechando os olhos. O som do coração de Bucky era sua música favorita. Em Olinda, diziam que o Carnaval era a época dos milagres, mas ali, no topo de uma torre em Nova York, ela percebeu que o verdadeiro milagre era ter encontrado o amor nos braços de um homem que o mundo tentou transformar em máquina, mas que ela, com seu sangue Stark e seu coração pernambucano, trouxe de volta à vida.

O amanhã traria novos vilões, reuniões chatas e o ciúme obsessivo de Tony, mas naquela noite, o Soldado e a Dançarina eram apenas James e Duda, perdidos em um ritmo que só eles conheciam. E para eles, isso era mais do que suficiente.