Chora de prazer princesa
O Toque do Desconhecido
A manhã chegou, trazendo consigo o burburinho habitual da casa do ENHYPEN. Niki, com o papel de "Zago" e "Ogaz" ainda dobrado no bolso, sentia uma mistura de apreensão e excitação. Ele havia enviado a mensagem, e agora, a expectativa pairava no ar. Depois do café da manhã, como prometido, todos se reuniram na sala de estar, as expressões variando de curiosidade a preocupação.
– Niki, o que aconteceu? Você está bem mesmo? – perguntou Jungwon, o líder, com uma sobrancelha arqueada. – Sua mensagem me deixou um pouco... apreensivo.
– Sim, hyung. Eu estou bem. Melhor do que nunca, na verdade. – Niki respondeu, tentando soar o mais calmo possível. – Mas eu preciso que vocês me escutem com a mente aberta. É algo que... é difícil de explicar.
Jake, sentado ao lado de Heeseung, assentiu. – Ele me ligou ontem à noite. Falou sobre portais, dança antiga... – revelou Jake, e os olhares dos outros se voltaram para Niki, agora com uma dose extra de ceticismo.
– Calma, pessoal. Eu sei que parece loucura. – Niki levantou as mãos em um gesto de apaziguamento. – Mas eu juro que não estou inventando. Eu vi algo, eu senti algo. E tem a ver com a nossa nova música. Com a nossa coreografia.
Jay, sempre o mais direto, cruzou os braços. – Niki, você está dizendo que nossa nova coreografia é algum tipo de portal mágico? – Ele fez uma pausa, e então soltou uma risada incrédula. – Você andou lendo muita ficção científica?
– Não é ficção científica, Jay hyung. É história. É a nossa história. – Niki insistiu, sua voz ganhando um tom de urgência. – Eu descobri que a palavra "Zago", que apareceu no meu sonho, lida ao contrário, significa "portal" em um dialeto coreano antigo. E não é um portal qualquer. É um portal entre dimensões, entre o mundo dos vivos e o mundo dos espíritos.
Sunoo, que até então estava em silêncio, arregalou os olhos. – Espíritos? Hyung, você está me assustando. – Ele se aproximou de Sunghoon, buscando conforto.
– E tem mais. – Niki continuou, ignorando o medo de Sunoo e o ceticismo dos outros. – Eu pesquisei e encontrei referências a uma dança antiga, a "Mugunghwa-chum", a Dança da Rosa de Sharon. Uma dança ritualística que era usada para conectar com os ancestrais. E os movimentos... eles são incrivelmente parecidos com os nossos.
Heeseung, o mais velho e geralmente o mais ponderado, finalmente falou. – Niki, eu entendo que você está entusiasmado com alguma nova descoberta, mas estamos perto de um comeback. Não podemos nos distrair com... lendas.
– Mas e se não for apenas uma lenda, hyung? – Niki o desafiou. – E se a nossa dança, a nossa música, estiver ativando algo que nem sabemos? Eu vi flashes do passado quando estava dançando. Eu me vi, ou uma versão minha, dançando em um templo antigo.
Houve um silêncio pesado na sala. Ninguém sabia o que dizer.
– Eu sei que é difícil de acreditar. – Niki quebrou o silêncio. – Mas eu não estou pedindo para vocês acreditarem em mim agora. Eu estou pedindo para vocês virem comigo para a sala de prática. Para dançarmos juntos. Com uma nova intenção.
Jungwon olhou para os outros membros, um a um. Ele podia ver a confusão, o ceticismo, e em Sunoo, um pouco de medo genuíno. Mas também havia uma centelha de curiosidade em seus olhos. Eles eram uma equipe, e Niki era parte dela. Se ele estava tão convicto, talvez valesse a pena investigar.
– Tudo bem, Niki. – Jungwon finalmente disse. – Vamos para a sala de prática. Mas se isso for uma pegadinha, você vai limpar o dormitório por um mês.
Niki sorriu. – Justo.
Na sala de prática, a atmosfera era tensa. Os membros se posicionaram, as luzes baixas. Niki ligou a música do novo single. A melodia preencheu o ambiente, e ele sentiu a energia novamente.
– Agora, pessoal. – Niki instruiu. – Não pensem apenas nos passos. Pensem na história. Pensem nos ancestrais. Pensem na intenção. Conectem-se com a dança. Sintam-na.
Eles começaram a dançar. No início, os movimentos eram os de sempre, precisos, sincronizados, mas sem a energia extra que Niki estava buscando. Ele os observava, tentando transmitir sua própria experiência através de seu olhar.
Ele começou a dançar com mais fervor, com mais paixão, infundindo cada movimento com a intenção que havia descoberto. Ele se lembrou da lenda de Han-ryeong, o Dançarino do Vácuo. Ele se esforçou para sentir a conexão, para ser o elo.
Gradualmente, algo começou a mudar. A energia na sala começou a se intensificar. Os outros membros, um a um, começaram a sentir. Jake foi o primeiro. Seus movimentos, antes um pouco mecânicos, começaram a fluir com mais graça, com uma intensidade diferente.
Jay, que havia sido o mais cético, sentiu um arrepio. Ele olhou para Niki, que dançava com uma concentração quase transcendental. A música parecia envolver Niki de uma forma que ele nunca tinha visto antes.
Sunghoon, o patinador artístico, sempre teve uma conexão profunda com a arte do movimento. Ele sentiu uma ressonância nos movimentos, como se a coreografia estivesse despertando algo antigo dentro dele.
Heeseung, o vocalista principal, sentiu sua voz querer se libertar, não em canto, mas em um lamento antigo, uma melodia que parecia vir de um tempo esquecido.
Sunoo, apesar do medo inicial, sentiu uma estranha calma. A dança o envolvia, e ele sentiu uma conexão com algo maior do que ele mesmo.
Jungwon, o líder, sentiu a energia de todos os membros se unindo, criando uma força coletiva que era quase palpável. Ele olhou para Niki, e viu um brilho nos olhos do maknae que ele nunca tinha visto antes.
Enquanto eles dançavam, a mesma névoa cintilante que Niki havia visto na noite anterior começou a aparecer no canto da sala. Desta vez, era mais forte, mais visível. Ela pulsava, como um coração cósmico.
Os membros pararam de dançar, seus olhos fixos na névoa. Eles estavam assustados, mas também fascinados.
– É isso. – Niki sussurrou, sua voz embargada. – É o portal.
A névoa começou a girar mais rápido, e sons indistintos, vozes antigas, melodias distorcidas, começaram a emanar dela.
– O que é isso? – perguntou Sunoo, sua voz tremendo.
– É o eco. – Niki respondeu. – O eco do passado.
De repente, a névoa se expandiu, revelando as mesmas imagens que Niki havia visto: uma Seul antiga, templos, pessoas com roupas tradicionais. E então, eles se viram, ou versões suas, dançando em um pátio de templo, sob a luz da lua.
Era uma dança diferente, mais ritualística, mais conectada com a terra. Mas havia algo familiar nos movimentos, algo que eles reconheciam em sua própria coreografia.
– Não pode ser... – murmurou Jake, seus olhos arregalados.
– Somos nós. – disse Heeseung, sua voz cheia de admiração. – Niki, você estava certo.
Jay, que havia sido o mais cético, estava sem palavras. Ele viu sua própria imagem, ou a imagem de seu ancestral, dançando com uma graça e um poder que ele nunca imaginou possuir.
Jungwon sentiu uma onda de emoção. A responsabilidade de ser líder, a pressão do comeback, tudo parecia insignificante diante daquela visão. Eles não eram apenas um grupo de K-pop; eles eram parte de algo muito maior, uma linhagem de dançarinos que estava se manifestando através deles.
Sunghoon, com sua sensibilidade artística, sentiu uma profunda conexão com a beleza e a espiritualidade da dança antiga.
Sunoo, apesar do medo inicial, estava agora fascinado. Ele estendeu a mão, como se quisesse tocar a visão.
Niki sentiu uma onda de energia percorrê-lo novamente. Ele sabia que era real. Ele havia compartilhado seu segredo, e eles haviam testemunhado a verdade.
No momento em que Sunoo quase tocou a névoa, ela começou a recuar, diminuindo de intensidade, até desaparecer completamente. A sala de prática voltou ao normal, como se nada tivesse acontecido.
Os membros ficaram em silêncio por um longo tempo, processando o que haviam visto.
– Eu... eu não consigo acreditar. – Jay finalmente disse, sua voz um sussurro. – Nós... nós somos parte disso?
– Eu acho que sim, hyung. – Niki respondeu, um sorriso cansado, mas vitorioso, em seus lábios. – A dança é uma linguagem ancestral. E nós a estamos falando.
Jungwon se aproximou de Niki e colocou a mão em seu ombro. – Niki, eu... eu sinto muito por não ter acreditado em você. Isso é... isso é incrível.
– Está tudo bem, hyung. Eu sei que é difícil de acreditar. – Niki disse. – Mas agora vocês viram.
Jake, ainda em choque, balançou a cabeça. – Então, a nossa coreografia... é um portal?
– Sim. – Niki confirmou. – E a nossa música é a chave para abri-lo.
Heeseung olhou para a sala de prática, agora vazia de qualquer fenômeno sobrenatural, mas cheia de uma nova energia. – Isso muda tudo. O comeback, a nossa música, a nossa dança... tudo tem um novo significado.
– Exatamente. – Niki assentiu. – Não estamos apenas nos apresentando para os fãs. Estamos honrando uma tradição, conectando-nos com nossos ancestrais, ativando um portal invisível entre o passado e o presente.
Sunghoon pegou um espelho de mão que estava jogado no chão e olhou para sua própria imagem. – Então, nós somos... Han-ryeong? Os dançarinos do vácuo?
Niki piscou. Ele não havia pensado nisso. – Talvez. Talvez todos nós sejamos.
Sunoo, que havia se recuperado do susto, estava agora cheio de excitação. – Isso é tão legal! Nós somos tipo... guardiões de uma lenda!
Jay, apesar de sua natureza cética, não podia negar o que havia testemunhado. – Mas o que isso significa para nós? Para a nossa música? Para a nossa carreira?
– Significa que temos um propósito maior. – Jungwon respondeu, sua voz firme. – Significa que nossa arte tem um poder que nunca imaginamos.
Niki sentiu um calor no peito. Ele havia compartilhado seu segredo, e eles haviam aceitado. Eles haviam visto. E agora, eles estavam juntos nessa jornada.
– Precisamos pesquisar mais. – disse Heeseung. – Precisamos entender o que isso significa.
– Sim. – Niki concordou. – E precisamos dançar. Com mais intenção do que nunca.
Eles passaram o resto do dia discutindo, pesquisando, e dançando. A cada passo, a cada nota, eles sentiam a conexão se aprofundar. A sala de prática, antes apenas um local de trabalho, agora era um santuário, um portal.
Naquela noite, exaustos, mas cheios de uma nova energia, eles voltaram para o dormitório. A tensão havia desaparecido, substituída por uma camaradagem renovada e um senso de propósito compartilhado.
Niki, ao entrar em seu quarto, sentiu o cansaço do dia. Ele havia desvendado um mistério, compartilhado uma verdade, e agora, uma nova jornada se abria diante deles.
Ele estava prestes a tomar um banho quando ouviu uma batida na porta. – Niki, posso entrar? – Era Jake.
– Claro, hyung. – Niki respondeu.
Jake entrou, um sorriso suave no rosto. – Eu ainda não consigo processar tudo o que aconteceu hoje. É surreal.
– Eu sei. – Niki disse, tirando a camisa. – Mas é real.
Jake se aproximou, seus olhos fixos em Niki. – Niki, eu... eu sinto muito por ter duvidado de você. Você é incrível.
– Está tudo bem, hyung. – Niki respondeu, sentindo um rubor nas bochechas.
Jake estendeu a mão e tocou o braço de Niki, um toque suave, mas que enviou um arrepio pela espinha de Niki. – Você sentiu essa energia hoje, não sentiu? Essa conexão.
– Sim. – Niki murmurou, sentindo o calor do toque de Jake.
– Eu... eu queria te agradecer. Por ter nos mostrado isso. Por ter nos aberto os olhos. – Jake disse, seus olhos encontrando os de Niki. Havia uma intensidade naqueles olhos que Niki nunca tinha visto antes.
Niki sentiu seu coração acelerar. A atmosfera no quarto havia mudado. A energia não era apenas do portal, mas algo mais íntimo, mais pessoal.
– Não precisa agradecer, hyung. – Niki sussurrou, sua voz um pouco rouca.
Jake se aproximou ainda mais, seus corpos quase se tocando. – Niki, eu... eu tenho pensado em você. De uma forma diferente.
Niki engoliu em seco. Ele sentia a mesma coisa. A conexão que eles haviam experimentado na sala de prática parecia ter transcendido para um nível mais pessoal entre eles.
– Eu também, hyung. – Niki confessou, sua voz quase inaudível.
Jake sorriu, um sorriso que enviou um calafrio de excitação por Niki. – Que tal... tomarmos um banho juntos? Para relaxar um pouco depois de toda essa loucura?
Niki sentiu seu rosto queimar. Ele assentiu, incapaz de falar.
No banheiro, a água quente do chuveiro escorria por seus corpos, lavando o cansaço do dia, mas intensificando a nova energia que os envolvia. A conversa era mínima, os olhares, as mãos, falavam por si.
Jake o beijou, um beijo suave no início, que rapidamente se aprofundou, cheio de paixão e desejo. Niki retribuiu com a mesma intensidade, seus corpos se unindo sob a água morna.
O portal havia se aberto, não apenas para o passado, mas para um novo futuro entre eles. A conexão, a energia, a dança, tudo culminou naquele momento, naquele toque, naquele beijo.
Eles saíram do banho, seus corpos entrelaçados, a respiração ofegante. Jake havia pensado em tudo. No quarto, ele havia preparado uma surpresa: uma garrafa de champanhe cuidadosamente gelada e alguns tira-gostos sobre a mesa de centro.
– Eu sabia que precisaríamos de algo para celebrar... ou para processar. – Jake brincou, abrindo a garrafa com um estalo suave.
Eles se sentaram no chão, as taças tilintando. O champanhe borbulhava, assim como a excitação em seus corações. Eles brindaram.
– Ao portal. – Niki sussurrou, seus olhos fixos nos de Jake.
– Ao portal. – Jake repetiu, e então, um sorriso malicioso surgiu em seus lábios. – E a nós.
Niki sentiu um arrepio. A noite estava apenas começando. Eles conversaram, riram, e se beijaram, a alegria e a euforia do momento os envolvendo. A dança havia aberto não apenas um portal para o passado, mas também um portal para o desejo, para a intimidade, para uma nova dimensão em seu relacionamento.
Eles se deitaram, os corpos entrelaçados, a noite caindo sobre Seul. O mistério de "Zago" havia levado Niki a uma jornada inesperada, não apenas de autodescoberta e conexão ancestral, mas também de uma nova e profunda conexão com Jake. O eco antigo havia despertado algo novo, algo vibrante e cheio de promessas. E Niki sabia que essa era apenas a primeira página de um novo capítulo em suas vidas, juntos.