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Ciúmes

Cadência do Asfalto

O aroma suave de café torrado e perfumes importados preenchia os corredores de mármore translúcido do shopping no coração da Zona Sul do Rio de Janeiro. Erick Pulgar caminhava com as mãos nos bolsos da calça de sarja preta, a postura ereta e intimidadora atraindo olhares curiosos de clientes e lojistas. Noventa por cento do seu corpo era coberto por desenhos escuros e runas que subiam até a linha do queixo e desciam até os pulsos calejados. Ele vestia uma camisa de linho escura de manga curta, justa o suficiente para delinear o peitoral largo de quem comandava tudo ao redor sem precisar erguer a voz. Ao seu lado, Jorge Carrascal irradiava uma energia totalmente oposta: com uma camisa florida entreaberta sobre o peito bronzeado, bermuda de linho clara e óculos escuros pendurados na gola, o colombiano ria à toa enquanto segurava sacolas de compras e balançava os ombros no ritmo da música ambiente.

Aquele era um date raro, conquistado a duras penas em meio à rotina implacável de Erick. O mafioso chileno não era homem de passeios triviais, mas por Jorge — e apenas por ele —, desfilava entre vitrines reluzentes, mimando o marido com a atenção possessiva que só revelava a portas fechadas.

— Eu te disse que aquela jaqueta preta ia ficar perfeita em você — dizia Jorge, empurrando de leve o ombro contra o de Erick com um sorriso maroto. — Se você deixar, eu troco o seu guarda-roupa inteiro por coisas que mostrem mais essas tatuagens.

— O meu guarda-roupa está muito bem, Carrascal — respondeu Erick com a voz grave, a boca crispada em um meio sorriso marrento. — E você já me faz gastar tempo demais em lojas que cobram uma fortuna por pedaços de pano.

— Mas você ama me mimar, admita — provocou o colombiano, passando os dedos pelo braço maciço do marido, sentindo a pele áspera e desenhada.

Antes que Erick pudesse responder com a habitual ordem disfarçada de carinho, um grito estridente cortou o ar polido do shopping:

— Olha quem tá na pista! Mentira! É o Jorgito, caralho!

Jorge estancou no mesmo segundo. Seus olhos castanhos se arregalaram e, antes mesmo de virar o corpo, uma gargalhada genuína escapou de sua garganta.

Vindo na direção deles a passos largos e estabanados, estavam três rapazes que pareciam destoar completamente da afetação aristocrática daquele shopping de luxo: Kevin Castaño, Gonzalo Plata e Samuel Lino. Trajando bermudas jeans largas, cordões de prata brilhando no peito, bonés de aba reta e camisetas estampadas, os três carregavam copos grandes de refrigerante e o barulho característico do subúrbio que Jorge conhecia tão bem.

— Não acredito! — gritou Jorge, soltando as sacolas no chão sem a menor cerimônia e abrindo os braços. — Plata! Kevin! Lino! Seus desgraçados!

Os quatro colidiram em um abraço coletivo caótico, cheio de tapas fortes nas costas, empurrões, risadas altas e xingamentos carinhosos em espanhol e português misturados. Seguranças de ternos pretos pararam a alguns metros de distância, encarando a movimentação com sobrancelhas erguidas, mas Jorge não dava a mínima. Ele estava radiante.

— Puta que pariu, irmão, tu sumiu do mapa! — exclamou Gonzalo Plata, segurando Jorge pelos ombros e sacudindo-o com força. — A última vez que te vi tu ainda andava com aquela motinha caindo aos pedaços lá em Marechal! Olha pra tua cara agora, tá com cheiro de rico!

— Que rico o quê, rapaz, eu continuo o mesmo! — respondeu Jorge, o sorriso rasgando de orelha a orelha, gesticulando com as mãos tatuadas. — Que saudade de vocês, porra! O que vocês estão fazendo aqui desse lado da cidade?

— Viemos comprar umas roupas pro meu aniversário, né, chefe? — disse Plata, estufando o peito. — É sábado agora, lá no quintal de casa em Madureira. Vai ter pagode ao vivo da rapaziada da Portela, costela no bafo desde as dez da manhã e três barris de chopp trincando de gelado! E você, obviamente, tá mais do que convocado. Nem ouse meter atestado, Jorge!

— Mas é claro que eu vou! — disparou Jorge de imediato, os olhos brilhando em pura animação. — Eu não perco um pagode com costela nem se o mundo acabar!

— É isso aí! — comemorou Samuel Lino, rindo alto e batendo na mão de Jorge.

No entanto, a euforia teve uma pausa súbita quando Kevin Castaño finalmente desviou os olhos de Jorge e deu de cara com a figura monumental parada logo atrás, com os braços cruzados sobre o peito e uma expressão de pura pedra. Erick parecia um titã saído de um submundo de guerra, os olhos negros semicerrados em frieza absoluta, emanando uma aura de perigo que faria qualquer um medir a respiração.

Jorge sentiu a mudança drástica no ar. Ele engoliu em seco, olhou para Erick e, de repente, uma sombra de tensão e receio cruzou seu rosto. Seus ombros caíram ligeiramente e o colombiano mordeu o lábio inferior, hesitando por uma fração de segundo antes de dar meio passo para o lado.

— Ah... rapaziada — começou Jorge, a voz perdendo um pouco daquela espontaneidade estrondosa, os dedos mexendo nervosamente na aliança de casamento —, esse aqui é o Erick. Meu... meu marido.

Plata, Lino e Castaño arregalaram os olhos de leve, claramente intimidados pelo tamanho, pela postura e pelas tatuagens pesadas que cobriam quase todo o corpo de Pulgar, mas mantiveram a simpatia natural da quebrada.

— E aí, irmão, tranquilidade? — disse Plata, estendendo a mão com firmeza e um sorriso respeitoso. — Prazer, Gonzalo. Qualquer coisa que o Jorge precisar, tamo junto. O aniversário é meu, cola com a gente no sábado!

Erick olhou para a mão estendida de Plata por um segundo a mais do que o socialmente aceitável antes de apertá-la com força precisa, sem soltar um único músculo do rosto.

— Erick. Prazer — limitou-se a dizer o chileno, a voz saindo em um tom gutural e seco.

— Bom, a gente vai indo que ainda temos que passar no camelô antes de fechar — disse Kevin, pressentindo o clima estranho, puxando os outros dois pelo braço. — Sábado a partir do meio-dia, hein, Jorgito! Vê se não fura, senão eu vou te buscar pelo colarinho!

— Pode deixar, eu não falto! — garantiu Jorge, acenando enquanto os amigos se afastavam pelo corredor, rindo alto e chamando a atenção de todo o piso.

Jorge pegou as sacolas do chão e virou-se para Erick com um sorriso forçado, mas o olhar do chileno já havia se transformado em uma geleira perigosa.

— Vamos embora — ordenou Erick, em um tom ríspido e baixo que fez a espinha de Jorge estalar.

— Erick, a gente não ia almoçar aqui...?

— O almoço acabou, Jorge. Vamos para o carro. Agora.

Erick girou nos calcanhares e caminhou em passadas largas, deixando Jorge para trás. O colombiano bufou, o sangue quente começando a ferver diante daquela marra autoritária, e apressou o passo para acompanhar o marido até a garagem subterrânea.

A viagem de volta à cobertura na Vieira Souto foi um inferno de silêncio denso. Erick dirigia o SUV blindado com os nós dos dedos brancos de tanta força que aplicava contra o volante de couro. Nenhuma palavra foi dita, mas o ar dentro do veículo estava carregado de uma tensão radioativa.

Assim que as portas do elevador privativo se abriram na cobertura, a explosão foi inevitável. Erick passou a mão pelas compras de Jorge, pegou as sacolas e as atirou sobre a bancada da cozinha com um estrondo violento de papel e plástico, virando-se para o marido com os olhos em chamas.

— Que merda de cena patética foi aquela no shopping? — trovejou o mafioso chileno, a postura de pitbull dominando a sala com ferocidade.

Jorge franziu a testa, a indignação subindo como lava por sua garganta.

— Cena patética? Você tá maluco, Erick? Eram meus amigos de infância! Pessoas que cresceram comigo na merda, que dividiram marmita comigo quando a gente não tinha um tostão furado!

— Eu não estou falando dos seus amigos, caralho! — vociferou Erick, avançando dois passos e invadindo o espaço de Jorge até quase colar os peitos largos. — Eu estou falando da sua reação de merda! Da forma como você me apresentou, como se eu fosse um fardo, uma vergonha que você teve que empurrar goela abaixo deles!

Jorge arregalou os olhos, genuinamente chocado.

— O quê? Do que você tá falando, porra?

— Não se faça de sonso, Jorge! — berrou Erick, apontando o dedo tatuado no peito do colombiano. — Você ficou todo animadinho, todo cheio de sorrisinhos e dengos com eles, mas quando olhou para mim, travou! Parecia que tava engolindo veneno! Você não me quer naquele aniversário de merda em Madureira, não é? Ficou com vergonha de me levar? Achou que o seu maridinho rico e mafioso ia manchar a sua imagenzinha de bom moço do subúrbio na frente dos seus amigos?

A acusação foi tão distorcida e injusta que Jorge perdeu completamente as estribeiras. O sangue colombiano subiu à cabeça e ele empurrou o peito de Erick com ambas as mãos, fazendo o chileno recuar meio centímetro.

— Vai se foder, Erick! Vai para a puta que te pariu com esse seu ego doentio! — berrou Jorge, as lágrimas de pura raiva marejando seus olhos castanhos. — Você é burro ou se faz? Você acha mesmo que eu tenho vergonha de você? Você é cego por esse seu orgulho arrogante de achar que o mundo inteiro gira em torno do seu dinheiro e da porra do seu controle!

— Então por que você hesitou, caralho? — gritou Erick de volta, a mandíbula tão travada que os tendões do pescoço saltavam contra a tinta preta das tatuagens. — Fala na minha cara! Por que você parecia apavorado em me convidar?

— Porque você é um aristocrata acostumado com silêncio, champanhe francês e reuniões de negócios onde todo mundo fala baixo e mede as palavras, seu imbecil! — cuspiu Jorge, o peito subindo e descendo com violência, a respiração entrecortada. — Madureira é pagode no talo, caixa de som estourando, fumaça de churrasco no olho, cerveja de garrafa em copo descartável e gente falando alto, rindo de piada idiota e dançando até o chão! Eu fiquei com medo de você se sentir desconfortável! Fiquei com medo de você odiar tudo e ficar com essa cara de bunda engomada estragando a festa de todo mundo! Eu estava pensando em você, seu ogro desgraçado!

O silêncio que se abateu sobre o apartamento foi ensurdecedor. As palavras de Jorge ecoaram pelas paredes de vidro que davam para o mar do Leblon.

Erick piscou, momentaneamente paralisado. O fogo da raiva em seu peito foi bruscamente substituído por um baque de confusão. Ele olhou para o rosto corado de Jorge, para as lágrimas rebeldes que o colombiano limpava furiosamente com a manga da camisa, e a casca rígida de pitbull começou a desmoronar.

— Você... achou que eu ia estragar a festa? — murmurou Erick, a voz rouca falhando ligeiramente, a vulnerabilidade emergindo sob a armadura de ferro.

— Achei! — disparou Jorge com a voz embargada, cruzando os braços e desviando o olhar, profundamente magoado. — Porque você é acostumado com luxo, Erick. Você nasceu em berço de ouro no Chile, você manda em um império de porra de máfia e petróleo, e o seu mundo é frio. O meu mundo é quente, é barulhento, é simples. Eu achei que você ia desprezar tudo aquilo. E em vez de me perguntar, você veio para cima de mim me acusando de ter vergonha do homem que eu amo mais do que a minha própria vida!

Erick deu um passo hesitante na direção do marido. O aperto de culpa em sua garganta era quase insuportável.

— Jorge... — chamou em voz baixa.

— Não encosta em mim — cortou Jorge, virando as costas e caminhando a passos pesados até o quarto de hóspedes, batendo a porta com força suficiente para estremecer a fechadura.

Erick ficou sozinho no meio da sala silenciosa, encarando as próprias mãos tatuadas. Pela primeira vez em muito tempo, seu instinto autoritário havia lhe pregado uma peça dolorosa.

***

No sábado seguinte, o sol do meio-dia fritava o asfalto da Zona Norte do Rio de Janeiro. Em um quintal amplo de uma casa antiga em Madureira, uma tenda de lona azul abrigava dezenas de pessoas que riam, cantavam e batiam na palma da mão no compasso frenético de um pandeiro e de um cavaquinho. O cheiro de gordura de picanha na brasa e linguiça defumada perfumava o quarteirão inteiro, misturado ao aroma de cerveja gelada espalhada em isopores gigantes.

Quando o portão de ferro estalou, Jorge entrou primeiro, vestindo uma camisa regata branca, bermuda clara e um par de óculos escuros, trazendo um engradado de cerveja importada nos braços. E logo atrás dele, atraindo a atenção imediata de quem estava na churrasqueira, surgiu Erick Pulgar.

O chileno havia deixado de lado os ternos sob medida e as camisas de seda. Ele vestia uma regata preta simples e larga, uma bermuda jeans escura e tênis baixos. Quase toda a sua pele estava exposta — o mapa de guerras, tinta negra e runas esculpidas em seus ombros largos, braços maciços e peitoral imponente. Erick ainda mantinha a expressão séria e a mandíbula firme de quem sempre estava pronto para o pior, mas havia deixado a rigidez arrogante no carro blindado.

Gonzalo Plata, que estava no meio da roda de samba segurando um tantã, parou de tocar no mesmo instante em que viu o casal.

— Olha o homem aí! — gritou Plata no microfone do pagode, fazendo todo mundo virar o rosto. — Chegou a realeza de Marechal Hermes! E trouxe o reforço chileno!

Antes que Erick pudesse calcular uma reação de defesa, Kevin Castaño e Samuel Lino avançaram em sua direção com sorrisos abertos.

— Fala, meu parceiro! Seja muito bem-vindo! — disse Kevin, pegando o engradado de cerveja das mãos de Jorge e estendendo a mão para Erick, puxando-o para um aperto de mão firme e um toque de ombro descontraído.

— Puxa uma cadeira ali, Erick! — chamou Samuel, já entregando um copo americano cheio de chopp com colarinho branco na mão do chileno. — O churrasco tá saindo agora! Tu gosta de carne malpassada? Porque aqui o churrasqueiro não brinca em serviço!

Erick olhou para o copo de vidro simples em sua mão, depois para os rapazes que já o tratavam como um velho conhecido da rua, sem perguntar seu sobrenome, sem querer saber quanto dinheiro ele tinha na conta bancária e sem a falsidade dos banquetes de alta sociedade.

Ninguém ali se importava com quem ele era no submundo. Para eles, ele era apenas o marido de Jorge — e isso bastava para que o tratassem como família.

— Gosto de carne sangrando — disse Erick, sua voz grave soando no meio da música.

— É dos nossos! — berrou o churrasqueiro na ponta do quintal, arrancando uma gargalhada geral e passando uma tábua com tiras grossas de picanha fumegante para a mesa.

Ao longo da tarde, o improvável aconteceu: o temido pitbull da máfia relaxou.

Sentado em uma cadeira de plástico amarela sob a sombra da lona, com o copo americano sendo reabastecido a cada dez minutos por Lino e Castaño, Erick assistia ao mundo ganhar vida. Ele riu genuinamente das histórias vergonhosas da adolescência de Jorge que Plata contava aos berros. Aceitou quando a tia de Gonzalo colocou um prato cheio de maionese caseira e farofa de ovos em suas mãos, comendo com gosto enquanto os homens falavam sobre futebol e fofocas do bairro.

Mas o momento que tirou o fôlego de Erick foi quando o grupo de pagode engatou uma cumbia misturada com samba sincopado.

Jorge levantou-se da cadeira, descalço no piso de cimento batido, e começou a dançar no meio do quintal. Os quadris do colombiano se moviam com uma graça fluida, pecaminosa e espontânea. A pele morena brilhava de suor sob o calor de Madureira, o sorriso radiante iluminava todo o quintal e seus olhos castanhos procuraram os de Erick através da fumaça do carvão. Jorge dançava para ele. Exclusivamente para ele, desfilando toda a sua malemolência latina, arrancando aplausos dos amigos e fazendo o sangue de Erick correr como fogo líquido pelas veias.

O mafioso deu um gole longo na cerveja, sentindo um calor no peito que nunca havia experimentado em mansões luxuosas ou coberturas à beira-mar. Aquela gente o havia acolhido com a simplicidade mais nobre do mundo. E Jorge pertencia ali — mas, acima de tudo, pertencia a ele.

Às duas da madrugada, o silêncio da cobertura no Leblon foi quebrado pelo barulho de passos descompassados e risadas roucas.

Jorge entrou cambaleando de leve pelo cansaço e pela bebida, rindo baixinho enquanto tirava a camisa regata e a jogava no chão da sala. Erick fechou a porta trancando as três travas de segurança, o olhar predador fixo nas costas bronzeadas do marido.

— Você viu como o Plata toca tantã? — dizia Jorge, com a fala um pouco arrastada, virando-se com aquele sorriso descarado e charmoso enquanto se aproximava de Erick com manha, passando os braços pelo pescoço tatuado do chileno. — Eu disse que eles eram gente boa... Você gostou, meu amor? Gostou do meu povo?

Erick não respondeu com palavras imediatas. Ele agarrou a cintura de Jorge com as duas mãos pesadas e calejadas, levantando o corpo moreno do chão e prensando-o com força contra a parede de entrada, fazendo o colombiano soltar um arfar surpreso e delicioso.

— Eu nunca mais quero ouvir você dizer que tem medo do que eu vou achar do seu mundo — rosnou Erick, a voz cavernosa e gutural vibrando contra os lábios de Jorge. — Seus amigos são homens de verdade. Mas você... você me provocou a porra da tarde inteira com aquela dança, Jorge.

Jorge abriu um bico manhoso e dengoso, esfregando o nariz na mandíbula desenhada do marido, os olhos castanhos brilhando em luxúria e deboche.

— Eu só dancei um pouquinho, Erick... — sussurrou o colombiano, rebolando o quadril no colo do chileno, roçando intencionalmente sua virilha contra a ereção maciça e pesada que já pulsava sob o jeans de Pulgar. — Você ficou com ciúmes, é? Meu pitbull tava marcando território?

— Você é muito atrevido, caralho — praguejou Erick entre dentes trincados, a boca faminta colidindo contra a de Jorge em um beijo devastador, cheio de língua, dentes e urgência acumulada de horas a fio.

O chileno caminhou em passadas pesadas até o quarto principal sem descer Jorge do colo, jogando o colombiano de costas no colchão macio. Em segundos, as roupas foram rasgadas e descartadas sem qualquer paciência. O contraste das peles nuas à meia-luz do quarto era hipnótico: o corpo de Jorge, esculpido, dourado e suado pelo calor da Zona Norte, contra a massa muscular titânica de Erick, quase inteiramente coberta pela tinta negra de suas guerras.

Erick abriu as pernas musculosas de Jorge sem a menor delicadeza, ajoelhando-se entre elas e puxando os quadris do marido para a beirada da cama.

— Fala para mim — ordenou o chileno, a mão pesada apertando a coxa morena de Jorge até deixar marcas vermelhas dos dedos —, quem manda nessa porra desse corpo?

— Você... porra, Erick... só você — gemia Jorge, manhoso, arranhando o peito tatuado do chileno com as unhas curtas, arqueando a coluna em desespero enquanto sentia a ponta úmida e colossal de Pulgar pressionando contra a sua entrada. — Para de falar e me come logo... eu tô molhado por você desde a hora que você bebeu cerveja comigo naquele copo de plástico...

— Você vai aprender a não duvidar de mim nunca mais, sua putinha mimada — rosnou Erick com um palavreado sujo e cru que arrancou um gemido lascivo da garganta do colombiano.

Em uma única investida impiedosa e profunda, Erick se enterrou até a raiz dentro de Jorge.

— Ahh, caralho! — Jorge jogou a cabeça para trás, as costas arqueadas no ar, as unhas cravando-se nos ombros maciços de Erick. A sensação de preenchimento era avassaladora, fazendo os dedos dos seus pés se contraírem. — Fundo... Erick, enfia tudo!

Erick não deu trégua. Segurou os joelhos de Jorge, empurrando-os contra o peito bronzeado do marido para abrir ainda mais espaço, e começou a bombear em um ritmo violento, pesado e impiedoso. O som úmido do atrito entre os corpos nus ecoava pelo quarto silencioso, misturado aos palavrões guturais em espanhol que Erick cuspia rente ao ouvido de Jorge:

— Gostoso do caralho... essa bunda todinha é minha... aperta, Jorge, aperta esse rabo quente no meu pau! Mostra o quanto você queria o seu homem!

— Mais... mais forte, amor! — suplicava Jorge, rebolando no ritmo frenético das estocadas brutas, a saliva escorrendo pelo canto da boca aberta em puro delírio de prazer. — Me fode com raiva... assim, porra! Bate forte nessa cama, caralho!

As investidas de Erick faziam a cabeceira de mogno estalar ritmicamente contra a parede. O chileno cravava os dentes na pele morena da garganta de Jorge, chupando e marcando cada pedaço de clavícula, reivindicando cada centímetro com uma posse selvagem e voraz. As mãos grandes desceram para o quadril do colombiano, erguendo-o no ar para que suas estocadas atingissem o ponto mais profundo e sensível dentro dele, fazendo Jorge choramingar e gemer sem pudor algum.

— Olha para mim enquanto eu te fodo — ordenou Erick, o suor pingando de sua testa tatuada sobre o peito dourado de Jorge.

Jorge abriu os olhos marejados de prazer absoluto, encarando as íris negras e predatórias do marido.

— Meu... você é todo meu, Erick... — balbuciou Jorge, a respiração em frangalhos.

O clímax os atingiu como uma tempestade devastadora. Jorge soltou um grito rasgado e agudo quando seus músculos internos se contraíram com violência ao redor do membro do chileno, derramando-se espessamente sobre o próprio abdômen e o ventre de Erick. No segundo seguinte, com um rugido abafado que vibrou no osso da mandíbula, Erick afundou o mais fundo que podia e jorrou intensamente dentro do marido, esvaziando-se por completo enquanto desabava sobre o corpo moreno.

Quarenta minutos depois, o quarto estava mergulhado em uma penumbra suave, com o ruído suave do ar-condicionado amenizando o calor febril que os consumira.

Jorge estava deitado de lado, totalmente aninhado no abraço esmagador de Erick. O colombiano estava em puro estado de chamego: mantinha uma perna jogada por cima das coxas tatuadas do marido, o rosto enterrado na curva quente do pescoço de Pulgar e a mão deslizando com preguiça pelas runas escuras que cobriam o peitoral largo do chileno.

— Erick... — chamou Jorge, manhoso, com a voz rouca e sonolenta, dando um beijo estalado e molhado na pele desenhada do marido.

— Fala, meu bem — respondeu Erick, os dedos grandes e calejados acariciando sem parar os cabelos pretos e bagunçados de Jorge, com uma ternura que ele nunca permitiria que o mundo exterior visse.

— Minha bunda tá doendo por sua culpa, seu brutamontes — resmungou o colombiano, fazendo um biquinho infantil contra o peito do chileno. — Você não tem pena de mim, não?

Erick soltou uma risada baixa e rouca, um som gostoso que vibrou contra o ouvido de Jorge. Ele inclinou o rosto e mordiscou de leve o queixo do marido antes de beijar seus lábios inchados.

— Você pediu, Jorge. Implorou para eu não ter pena.

— Mas precisava estragar a cabeceira da cama? — implicou Jorge, sorrindo contra a boca dele, aconchegando-se ainda mais no calor protetor do corpo de Erick. — Mas... obrigado por hoje, amor. De verdade. Ter você lá comigo... ver você rindo com o Plata e com os moleques... foi o melhor dia da minha vida.

Erick ficou em silêncio por alguns segundos, apertando o abraço ao redor da cintura de Jorge, puxando-o para tão perto que pareciam uma única peça de carne e tinta.

— Eu que tenho que agradecer, Jorge — confessou o mafioso, a voz descendo para um tom grave e sincero. — Havia anos que ninguém olhava na minha cara sem ter medo ou sem querer alguma coisa em troca do meu dinheiro. O seu povo é incrível. E qualquer lugar onde você esteja feliz... é exatamente onde eu quero estar.

Jorge suspirou contra o peito do marido, o coração aquecido em paz absoluta.

— Então você vai na pelada de Marechal no mês que vem comigo?

Erick deu um beijo firme no topo da cabeça de Jorge, fechando os olhos enquanto puxava o edredom escuro para cobrir os dois corpos entrelaçados.

— Se eu for, eu jogo na zaga só para quebrar a perna de quem tentar te driblar — avisou o pitbull, irredutível.

Jorge soltou uma risada frouxa e preguiçosa, adormecendo com o som compassado das batidas do coração de Erick em seu ouvido.

— O que você quiser, meu capitão. Sempre o que você quiser.

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