Ciúmes
Raízes e Redenção
O tilintar de taças de cristal de baccarat e as risadas polidas ecoavam pelo salão climatizado do Iate Clube do Rio de Janeiro, mas para Jorge Carrascal, o ar havia se tornado subitamente irrespirável.
Ele havia se afastado da roda de investidores por apenas cinco minutos para buscar duas taças de champanhe. Jorge vestia um terno sob medida que caía com perfeição em sua silhueta atlética, mas nunca se esquecia de onde viera. Antes de ser um dos economistas mais brilhantes do setor petrolífero e o cérebro financeiro ao lado de Erick Pulgar, ele havia descarregado caixotes na feira, servido mesas com os pés latejando e rodado a cidade em uma moto velha fazendo entregas. Tudo para garantir que sua mãe, Dona Mercedes, não precisasse passar a vida inteira de joelhos esfregando o chão da casa de pessoas ricas, e para que seus irmãos, Sherry e Romário, tivessem cadernos novos e comida no prato.
Quando voltava para o centro do salão, Jorge estancou a poucos passos de uma roda formada por barões da indústria. No centro do círculo, Eduardo Bittencourt, um herdeiro conhecido pela soberba asquerosa, gesticulava com um copo de uísque envelhecido na mão, soltando baforadas de fumaça fétida de seu charuto cubano.
— O problema dessa gente de baixa renda é a audácia, meus amigos — dizia Bittencourt, em tom zombeteiro, com uma afetação que fez o estômago de Jorge revirar. — Hoje em dia qualquer motorista ou copeiro acha que tem direitos trabalhistas iguais aos nossos. Semana passada demiti a faxineira da minha cobertura. A mulher teve a pachorra de reclamar que não podia almoçar o mesmo filé que eu. Essa raça vem da lama, serve para limpar nossa sujeira e ainda quer sentar na nossa mesa. É uma escória que só entende o estalar do chicote.
Gargalhadas cúmplices eclodiram no grupo. E bem ali, encostado em uma pilastra com um terno escuro que mal disfarçava os músculos maciços e as tatuagens que subiam impiedosas pelo seu pescoço até a linha do queixo, estava Erick Pulgar. O empresário chileno, temido por sua frieza implacável e conhecido como um verdadeiro pitbull nos negócios, ostentava um sorriso enviesado nos lábios, acenando de leve com a cabeça enquanto dava um gole em seu uísque puro.
A visão atingiu o peito de Jorge como um soco de ponta dura.
A taça de champanhe estremeceu em seus dedos. Na mente de Jorge, não era Bittencourt quem estava falando; era a imagem de sua mãe, com as mãos ásperas de cândida e as costas curvadas por anos de faxina pesada, sendo humilhada por canalhas daquela estirpe. E Erick — o homem com quem dividia a cama há quatro anos, o homem que conhecia cada centímetro de suas cicatrizes e da história de sua família — estava ali, rindo junto com a escória da alta sociedade carioca.
Jorge soltou as taças em uma bandeja de passagem com um estalo seco, girou sobre os calcanhares e caminhou a passos duros em direção à saída, ignorando os cumprimentos de diplomatas e executivos.
Erick notou o movimento brusco do marido pelo canto do olho e largou o copo imediatamente, a expressão descontraída sumindo como névoa ao vento. Cruzou o estacionamento em passadas largas, alcançando Jorge junto ao Porsche preto estacionado.
— Jorge! Que porra de pressa é essa? — trovejou o chileno, tentando segurar o braço do colombiano com sua força habitual de comando. — Eu mandei esperar!
Jorge puxou o braço com tanta violência que quase desequilibrou o marido, seus olhos castanhos brilhando em uma mistura mortal de ódio e mágoa profunda.
— Não encosta a mão em mim, Erick! Entra na porra desse carro agora antes que eu faça um escândalo e quebre a cara de todo mundo naquele salão!
A viagem até a cobertura na Vieira Souto foi um túnel de silêncio denso e elétrico. No momento em que as portas do elevador privativo se abriram no apartamento, a represa de raiva ruiu com estardalhaço.
— O que caralhos deu em você? — berrou Erick, tirando o paletó e atirando-o no sofá de couro italiano, os olhos negros semicerrados em autoridade. — Você virou as costas para mim na frente dos maiores acionistas do país! O meu pedido é uma ordem, Jorge! Você sabe que eu odeio amadorismo!
— O seu pedido é uma ordem? — Jorge soltou uma gargalhada amarga, histérica, rasgando a gravata de seda do pescoço e atirando-a no peito maciço do chileno. — Vai para a puta que te pariu, Pulgar! Vai dar ordem para os seus capangas de gabinete! Você acha que manda em mim?
— Baixa o tom dentro da minha casa! — rosnou o chileno, encurralando Jorge contra o aparador de mármore, o peito tatuado subindo e descendo com fúria controlada.
— Sua casa? Essa casa é nossa, seu desgraçado! Mas pelo visto você esqueceu muito rápido de onde eu vim! — Jorge apontou o dedo a centímetros do nariz de Erick, as lágrimas de humilhação queimando suas bochechas morenas. — Eu vi você, Erick. Eu vi você rindo das piadas nojentas do Bittencourt! O desgraçado falando de copeiro, de motorista, falando que gente humilde é escória, que faxineira é raça que veio da lama... e você lá, rindo! Com a porra do copo na mão, achando o máximo!
Erick paralisou por uma fração de segundo, a mandíbula travando com força.
— Jorge, aquilo é diplomacia de negócios! Eu estava fechando a porra de um contrato de refino com o grupo dele! Eu não presto atenção nas merdas que aquele imbecil fala, eu só...
— Não presta atenção? A minha mãe é faxineira, Erick! — a voz de Jorge quebrou em um grito dilacerante, o peito ardendo em dor crua. — A mulher que te recebeu com comida simples, que te abraçou e te tratou como filho, limpou privada e lavou chão a vida inteira para me dar estudo! Eu fui garçom, eu fui motoboy, eu passei fome antes de bater de frente com você naquela empresa! E você se junta com essa corja imunda para rir da minha origem? Da minha família?
— Cala a boca, caralho! Você sabe o quanto eu respeito a Dona Mercedes! — vociferou Erick, segurando Jorge pelos ombros para tentar sacudi-lo daquela histeria. — Eu não estava rindo dela, nem de você!
— Você tem vergonha de mim, Erick! — cuspiu o colombiano, empurrando o chileno com todas as forças, fazendo o pitbull vacilar um passo para trás. — O seu pai sempre teve nojo de mim! Ele nunca aceitou o nosso casamento porque eu não sou um herdeiro de merda com sangue azul! E hoje eu vi que, no fundo, você concorda com ele! Você quer um boneco da sua classe para exibir nos seus jantares de luxo!
— Não ouse falar do meu pai ou colocar palavras na minha boca! — gritou Erick, as veias de seu pescoço tatuado saltadas como cordas, a fúria cega assumindo o controle.
— Se você tem vergonha da minha raiz, Erick, pede o divórcio! — declarou Jorge, a voz cortante e fria como lâmina de navalha.
O silêncio caiu sobre a sala como uma bomba atômica. Erick piscou, desarmado, o ar sumindo de seus pulmões.
— O quê? — murmurou o chileno, a voz subitamente perdendo a potência.
Jorge levou a mão esquerda à direita. Com um movimento lento, firme e doloroso, retirou o anel de platina dourada do anular. Ele segurou a aliança entre os dedos e a prensou contra a palma aberta de Erick, fechando os dedos do marido ao redor do metal frio.
— Pede o divórcio e casa com alguém da sua laia. Porque o filho da faxineira não vai ficar aqui para ser motivo de chacota entre os seus sócios.
— Jorge, não. Para com essa loucura! — Erick tentou segurá-lo, o desespero cru rasgando sua armadura de homem inabalável quando viu Jorge pegar apenas a carteira, o celular e a chave do carro antigo que mantinha por apego sentimental. — Jorge! Eu estou mandando você ficar!
— Você não manda em nada, Pulgar — disse Jorge, com os olhos vermelhos e a voz sem vida. — Eu vou para a casa da minha mãe.
A porta bateu com um baque seco. Erick caiu de joelhos sobre o tapete persa da sala, olhando para a aliança em sua mão fechada, sentindo pela primeira vez na vida o gosto asfixiante do verdadeiro pavor.
***
O sol do meio-dia castigava o asfalto remendado de Marechal Hermes, no subúrbio do Rio de Janeiro. O cheiro de churrasco de esquina se misturava ao som de um pagode animado que ecoava de uma laje próxima e ao riso estridente de crianças correndo com picolés derretendo nas mãos.
Erick estacionou seu SUV importado na esquina da rua estreita, destoando por completo do cenário suburbano. O chileno não havia dormido um único minuto. Vestia apenas uma regata preta justa — deixando à mostra os noventa por cento de seu corpo cobertos por tinta preta, sombras e runas que contavam sua trajetória de ferro — e uma bermuda escura. Ele caminhava com passos pesados, a aura de pitbull contrastando com a angústia evidente que lhe corroía o peito. Ele precisava encontrar Jorge na casa de Dona Mercedes, a quem amava como a uma verdadeira mãe desde o dia em que ela o alimentara com sopa quente sem saber dos milhões que ele guardava no banco.
No entanto, antes de dobrar a esquina da vila humilde, um alvoroço chamou sua atenção.
Na rua fechada por caixotes de feira que serviam de traves improvisadas, uma pelada de rua pegava fogo. E no meio do asfalto, sem camisa, banhado de suor sob a luz dourada do sol, estava Jorge Carrascal.
Erick parou rente a um poste de luz, hipnotizado.
Jorge ria abertamente, com aquele sorriso largo, infantil e contagiante que havia sumido de seu rosto nos últimos tempos sufocados pelas reuniões corporativas. Ele driblou dois rapazes com uma facilidade desconcertante, pisou na bola, deu uma caneta desmoralizante em um velho amigo de infância e chutou de chapa no canto do gol improvisado.
— Gol, porra! Aprende, Betinho! — gritou Jorge, soltando uma gargalhada solta, rodopiando e fazendo uma dancinha de cumbia no meio da rua enquanto os amigos pulavam sobre suas costas, bagunçando seus cabelos suados.
Ali, cercado por pessoas de chinelo de dedo, roupas surradas e sorrisos sinceros, Jorge parecia pleno. Livre. Longe da empáfia sufocante dos salões nobres da Zona Sul. Erick sentiu um aperto doloroso na garganta ao perceber o abismo que sua arrogância quase havia cavado entre eles.
De repente, a bola rolou na direção de Erick. Jorge correu para buscá-la com o riso ainda estampado nos lábios, mas no segundo em que ergueu os olhos e encontrou a figura imensa e tatuada do marido encostada no poste, o sorriso murchou por completo. A leveza evaporou de seu semblante, dando lugar a uma frieza machucada.
Os rapazes da rua pararam o jogo, encarando o estranho musculoso e intimidador que parecia saído de um filme sobre máfia.
— Ei, rapaziada — disse Jorge, respirando fundo e jogando a bola de volta para o amigo. — Valeu pelo jogo. Preciso resolver um negócio.
Jorge caminhou até a calçada, pegando sua camisa surrada do chão para secar o suor do peito bronzeado. Ele encarou Erick nos olhos, sem qualquer traço de subserviência.
— O que você está fazendo aqui, Erick?
— Eu preciso falar com você, Jorge — pediu o chileno, a voz grave saindo áspera e rouca de cansaço. — Por favor. Me dá dez minutos.
Jorge olhou para os vizinhos que começavam a cochichar na rua, depois suspirou pesadamente.
— Minha mãe levou a Sherry e o Romário para fazer compras no mercadão de Madureira. A casa está vazia. Entra logo antes que você chame mais atenção do que já está chamando.
Eles caminharam em silêncio pelo corredor de cimento batido até a pequena casa de fundos. Jorge abriu a porta com a chave antiga e os dois entraram. O ambiente era modesto, com cheiro de desinfetante de lavanda e café fresco, repleto de porta-retratos simples que contavam as conquistas da família. Jorge conduziu Erick até o seu antigo quarto de solteiro — um cômodo estreito, com uma cama de solteiro encostada na parede, um guarda-roupa de compensado e um ventilador de teto que girava fazendo um rangido ritmado.
Assim que a porta do quarto se fechou, Erick deu um passo à frente, mas Jorge manteve a distância, cruzando os braços sobre o peito nu e suado.
— Fala logo o que você quer e vai embora — disparou o colombiano, com o queixo erguido.
Erick não respondeu com a marra costumeira. Em vez disso, deu dois passos lentos, caiu de joelhos no chão de lajota desgastada e agarrou a cintura de Jorge com os braços maciços, enterrando o rosto no abdômen quente e suado do marido.
Jorge estremeceu, completamente desarmado pelo gesto. O pitbull mais implacável do Rio de Janeiro estava de joelhos, curvado diante dele.
— Me perdoa, *mi vida* — suplicou Erick, a voz falhando em um sussurro embargado, tremendo contra a pele de Jorge. — Pelo amor de Deus, me perdoa.
— Erick... levanta daí — murmurou Jorge, o peito apertado, lutando para manter a frieza.
— Eu não me levanto até você me escutar — insistiu o chileno, erguendo o rosto para encarar o marido. Os olhos escuros e intimidadores de Erick estavam vermelhos, brilhando com lágrimas reais de desespero. — Eu não ri da sua mãe. Eu nunca zombaria de você ou de onde você veio. Eu estava absorto negociando a compra das plataformas daquele verme, com a cabeça cheia de números, e dei uma risada forçada de conveniência que eu me arrependo com cada poro do meu corpo. Foi covarde, foi nojento, e eu me odeio por isso.
As mãos calejadas e cobertas de tatuagens de Erick subiram para o rosto de Jorge, acariciando suas bochechas com um desespero quase doloroso.
— O meu pai pode apodrecer com o dinheiro dele no Chile. Nenhuma fortuna do mundo, nenhum contrato e nenhum daqueles aristocratas de merda valem um fio do seu cabelo, Jorge. Você construiu tudo o que tem com o seu próprio suor. Você é dez vezes mais homem do que qualquer um que estava naquela festa. Você é a minha vida inteira. Se você não voltar para casa, eu queimo tudo. Eu largo a empresa, eu largo o império, porque nada disso faz sentido sem o meu marido do meu lado.
Jorge sentiu a primeira lágrima escorrer pela sua bochecha. Ele olhou para a imponência de Erick — o homem autoritário que nunca pedia nada, que governava tudo com mãos de ferro — completamente desprovido de qualquer orgulho, desfazendo-se em súplicas por seu amor.
— Você é um brutamontes imbecil, sabia? — disse Jorge com a voz embargada, os dedos trêmulos entrelaçando-se nos cabelos raspados de Erick.
— Eu sou o seu imbecil — respondeu Erick, levantando-se devagar e puxando a mão esquerda do bolso, exibindo a aliança de Jorge. — Deixa eu colocar de volta. Deixa eu te levar para casa.
Jorge engoliu em seco, olhando nos olhos negros do marido, onde ardia uma devoção crua e absoluta. Ele estendeu a mão esquerda. Com reverência quase religiosa, Erick deslizou o anel de platina de volta ao anular de Jorge, beijando os nós dos dedos morenos com fervor antes de colar suas testas.
— Se você voltar a me desrespeitar daquele jeito, Erick Pulgar...
— Eu corto a minha própria garganta antes de te fazer chorar de novo — jurou o chileno, selando as palavras ao capturar os lábios de Jorge em um beijo faminto, desesperado e febril.
A saudade e o medo da perda explodiram entre eles como pólvora acesa. As bocas se colidiram com violência gostosa, as línguas duelando com urgência enquanto o gosto de sal, suor e redenção preenchia o ar abafado do quartinho de subúrbio. Jorge arfou contra a boca do marido, sentindo as mãos grandes e possessivas de Erick descerem por suas costas, apertando sua carne bronzeada com força suficiente para deixar marcas vermelhas.
— Você é meu — rosnou Erick contra a pele da garganta de Jorge, chupando e mordendo o ponto sensível logo abaixo de sua orelha, descendo a mão pesada até a barra do calção do colombiano. — Fala para mim de quem você é, porra.
— Eu sou seu, seu desgraçado... só seu — gemeu Jorge, arqueando o pescoço e fincando as unhas curtas nos ombros largos e tatuados do chileno, arrepiando-se por inteiro quando sentiu o volume rígido e colossal de Erick pressionando contra a sua coxa.
Sem perder um segundo, Erick empurrou Jorge contra a cama estreita de solteiro. O estrado rangeu sob o peso dos corpos, mas nenhum dos dois se importou. Erick arrancou o calção de Jorge com impaciência brutal, expondo o corpo esculpido, moreno e brilhante de suor do economista. As roupas de Erick foram jogadas no chão em seguida, revelando cada centímetro de suas tatuagens intimidantes e o membro rígido, pulsando de tesão acumulado.
— Olha para essa cama minúscula... — murmurou Erick, com a voz rouca e gutural escorrendo como veneno no ouvido de Jorge enquanto posicionava os quadris entre as pernas abertas do marido. — Você dormia aqui sonhando em conquistar o mundo, e hoje você manda no meu mundo inteiro. Abre mais para mim, Jorge. Mostra o quanto você estava com saudade do seu homem.
— Cala a boca e me fode, Erick — suplicou Jorge com a respiração entrecortada, os olhos castanhos brilhando em luxúria desmedida enquanto puxava o chileno pelos cabelos da nuca. — Me come com força nessa cama velha... me marca como seu de novo.
Erick não precisou de um segundo convite. Deslizou para dentro dele com uma estocada firme, profunda e impiedosa, preenchendo Jorge até o limite. O colombiano soltou um grito rouco e lascivo que ecoou pelas paredes simples do quarto, cravando as pernas musculosas ao redor da cintura larga de Pulgar.
— Caralho, Jorge... você é tão apertado, tão quente... — gemia o chileno entre dentes trincados, os músculos das costas retesados sob a tinta preta enquanto começava um ritmo devastador, entrando e saindo com uma voracidade que fazia a cabeceira de compensado bater ritmicamente contra a parede. — Essa porra todinha é minha. Ninguém mais encosta. Meu marido. Minha vida.
— Mais fundo, amor... assim, porra! — pedia Jorge em delírio, rebolando os quadris no ritmo das estocadas brutas, a pele bronzeada colando-se ao peito suado de Erick. — Você é o dono dessa merda toda... bate mais forte!
Erick rosnava palavras sujas e possessivas em espanhol rente ao ouvido de Jorge, beijando seus lábios com mordidas ardentes, enquanto suas mãos calejadas exploravam cada centímetro do corpo moreno com uma mistura perfeita de violência e mimo devoto. Cada estocada fazia o estrado da cama gemer e arrancava sussurros quebrados de amor e promessas eternas da boca de Jorge.
Quando o ápice os encontrou, a explosão foi avassaladora. Jorge gritou alto o nome de Erick enquanto seu corpo se contraía em espasmos incontroláveis de prazer puro, despejando-se entre os ventres suados. No segundo seguinte, com um rugido gutural que vibrou no peito do colombiano, Erick afundou o mais fundo que podia e derramou-se por completo dentro de Jorge, caindo sobre ele com todo o seu peso maciço, beijando-lhe os olhos, a testa e a boca como se venerasse um deus.
Meia hora depois, o quarto estava mergulhado em uma penumbra mansa, com apenas o ruído preguiçoso do ventilador girando no teto. Jorge estava deitado de lado, aninhado com a cabeça no peito tatuado de Erick, ouvindo as batidas firmes e calmas do coração do marido. As mãos grandes do chileno faziam carinho sem parar em seus cabelos úmidos, mimando-o em um silêncio reconfortante.
— A gente vai passar na feira antes de ir embora — disse Erick em voz baixa, quebrando o silêncio com carinho. — Vou comprar aquela caixa de mangas que a Dona Mercedes adora, e nós vamos deixar um bilhete avisando que ela e os meninos vão almoçar lá na cobertura amanhã. Eu mesmo vou cozinhar.
Jorge ergueu o rosto, com aquele sorriso malicioso e iluminado que Erick tanto venerava finalmente de volta aos seus lábios.
— O grande pitbull do petróleo vai carregar sacola de feira no subúrbio?
Erick segurou o queixo de Jorge com suavidade, depositando um beijo estalado em seus lábios inchados.
— Eu carrego o mundo nas costas se for para ver você sorrir assim para mim de novo. O que você quiser, Jorge. Sempre o que você quiser.