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Crianças

O Labirinto de Emoções do Mediador

— Guy... você está segurando uma chupeta? — A voz de Luminous Valentine saiu em um sussurro carregado de puro horror existencial.

A Rainha dos Vampiros olhava para a mão de Guy Crimson como se ele estivesse segurando uma arma de destruição em massa, e não um pequeno objeto de plástico rosa. Guy, sem desviar o olhar dos outros Lordes Demônios, simplesmente enfiou a mão em um pequeno bolso dimensional e puxou, além da chupeta, uma pelúcia de dragão rosa com asas desproporcionalmente grandes.

— É a Linlim — murmurou Alice, com a voz já arrastada pelo sono, agarrando o brinquedo e o apertando contra o peito enquanto se acomodava no colo do pai.

Guy, com uma expressão de quem estava pronto para incinerar qualquer um que risse, colocou a chupeta na boca da filha e começou a dar tapinhas leves e rítmicos em suas costas. O contraste entre sua armadura negra, sua aura de demônio primordial e o cuidado paternal era o suficiente para fazer a lógica de Leon Cromwell entrar em colapso.

— Trinta perguntas! — gritou Dino, de repente despertando de sua letargia habitual, saltando da cadeira. — Eu tenho pelo menos trinta perguntas! Primeiro: como? Segundo: quando? Terceiro: você tem noção de que o mundo vai acabar se souberem que o "Orgulho" agora troca fraldas?

— Eu não troco fraldas, Dino. Eu sou o Mediador — rebateu Guy, embora sua voz estivesse baixa para não acordar Alice. — Mas se Rimuru me pedir... bem, as leis da causalidade são flexíveis.

Ramiris soltou uma gargalhada aguda, voando em círculos ao redor da cabeça de Guy, ignorando os olhares assassinos que ele lançava.

— Oh, vocês não viram nada! — exclamou a Rainha dos Espíritos. — Vocês acham que ele é assustador? Vocês deveriam ter visto quando o Kenya manifestou a magia de luz pela primeira vez e quase queimou uma das tapeçarias favoritas do Guy. Ele ficou vermelho de raiva, mas no momento em que o Kenya começou a chorar, o grande e terrível Guy Crimson se ajoelhou e começou a fazer caretas para o menino parar de soluçar!

— Ramiris, eu vou trancar você em um labirinto sem saída — ameaçou Guy, sentindo o rosto esquentar.

— E quando a Chloe se escondeu nas sombras do castelo e o Guy quase destruiu metade do continente achando que alguém a tinha sequestrado? — Milim acrescentou, batendo palmas de alegria. — Ele estava choramingando pelos corredores: "Minha princesinha sumiu, Rimuru vai me matar!".

— Eu não estava choramingando! — Guy rosnou, embora o som tenha saído mais como um sussurro abafado por causa de Alice. — Eu estava... conduzindo uma busca estratégica de alta intensidade.

Luminous massageou as têmporas, sentindo uma dor de cabeça que nem sua imortalidade podia curar.

— Então, o boato de que o Lorde Demônio Rimuru estava "ausente" para tratar de assuntos de Estado na verdade era uma licença-maternidade? — perguntou ela, incrédula.

— Exatamente! — confirmou Ramiris. — E o Guy é o marido mais ciumento do universo. Se um cavaleiro de Tempest olha demais para a Rimuru, o Guy aparece atrás dele com aquela aura de morte. Mas basta a Rimuru olhar para ele com aquele jeito mandão e dizer "Guy, sente-se", que ele senta como um cachorrinho treinado.

Guy bufou, ajeitando Alice em seu colo. A menina soltou um suspiro satisfeito, sugando a chupeta enquanto abraçava a pelúcia que Milim orgulhosamente chamava de sua "versão dragão miniatura".

— Rimuru é a única pessoa neste mundo, ou em qualquer outro, que tem o direito de me dar ordens — disse Guy com uma seriedade que calou a sala por um momento. — Ela é minha esposa, a mãe dos meus filhos e a única que consegue manter este lugar em ordem. Vocês podem rir o quanto quiserem, mas eu desafio qualquer um de vocês a enfrentar a fúria dela quando uma das crianças está com febre.

Milim, sentada na mesa com as pernas balançando, soltou um suspiro nostálgico.

— É verdade. Mas o Guy também é muito atrevido! — Ela apontou para ele, rindo. — Vocês lembram daquela vez em Tempest? Rimuru estava no escritório, trabalhando em alguns documentos e amamentando a Chloe, que era bem menorzinha. O Guy entrou, ignorou todos os relatórios e começou a beijar a Rimuru. Ele estava mordendo o pescoço dela e tudo!

O rosto de Guy Crimson atingiu um tom de vermelho que rivalizava com seus próprios cabelos.

— Milim! — ele exclamou, chocado. — Como você sabe disso? Você estava espionando?

— Eu estava na janela! — respondeu Milim, sem um pingo de vergonha. — A Chloe estava quase dormindo, então ela nem viu, mas a Rimuru ficou furiosa! Ela deu um tapa na mão dele e disse que ele era um "demônio no cio" que não respeitava o espaço sagrado da alimentação.

Ramiris voou para perto de Leon, que ainda parecia em choque catatônico.

— E o melhor vem agora, Leon! — sussurrou Ramiris, mas alto o suficiente para todos ouvirem. — A Rimuru deixou o Guy de castigo! Três semanas sem poder tocar nela e, o pior de tudo, ele foi expulso do quarto real! Teve que dormir no sofá do escritório.

Dino soltou uma risada que quase o fez engasgar.

— O Lorde Demônio Primordial... de castigo? Expulso do quarto? Por uma slime?

Guy fechou os olhos, a lembrança daqueles dias frios e solitários ainda o assombrando.

— Vocês não entendem o que é o sofrimento verdadeiro — resmungou Guy, sua voz carregada de uma autocomiseração dramática. — Dormir sem o carinho dela... sem sentir o cheiro de flores que ela tem... é uma tortura que nem os sete infernos conseguem replicar. E o pior era não poder tirar meu cochilo da tarde nas coxas dela. Vocês têm ideia de quão macias são as coxas da Rimuru? É como deitar em uma nuvem feita de pura magia e amor.

— Guy, por favor, poupe-nos dos detalhes anatômicos da sua esposa — pediu Leon, cobrindo o rosto com a mão.

— E o peito dela! — continuou Guy, ignorando o apelo de Leon, agora em um monólogo de pura carência. — É o travesseiro perfeito. Ficar três semanas sem poder descansar a cabeça ali foi um crime contra a minha existência. Eu tentei pedir desculpas, levei joias, levei almas de alta qualidade, mas ela apenas me olhava com aqueles olhos amarelos e dizia: "Vá para o seu sofá, Guy. Você foi um demônio malvado".

A imagem de Guy Crimson, o ser mais poderoso do Octagrama, implorando para voltar a deitar no colo de Rimuru era algo que os outros Lordes Demônios levariam séculos para processar.

— Eu sempre soube que o Rimuru era especial — comentou Dagruel, cruzando os braços e soltando uma risada curta —, mas domar o Vermelho a esse ponto... isso é um feito maior do que derrotar Veldanava.

Nesse momento, as portas se abriram novamente. Rimuru entrou, agora sem as crianças pequenas, que provavelmente haviam caído no sono sob os cuidados de Rain e Misery. Ela caminhou com a elegância de uma rainha, o vestido azul escuro balançando suavemente, revelando a fenda que fazia Guy apertar os olhos de puro ciúme.

Ao notar o silêncio súbito e os olhares fixos nela, Rimuru arqueou uma sobrancelha prateada.

— Por que todos estão me olhando como se eu tivesse acabado de conjurar um colapso dimensional? — perguntou ela, cruzando os braços abaixo dos seios avantajados, o que fez Guy soltar um rosnado baixo e possessivo.

— Estávamos apenas discutindo... seus métodos de disciplina — respondeu Dino, com um sorriso travesso.

Rimuru olhou para Guy, que imediatamente desviou o olhar, concentrando-se intensamente em ajeitar a chupeta de Alice, que nem sequer havia saído do lugar.

— Guy Crimson... o que você andou falando? — A voz de Rimuru era doce, mas havia um fio de aço nela que fez o demônio ruivo estremecer levemente.

— Nada, querida! — respondeu Guy, rápido demais. — Eu estava apenas elogiando sua... capacidade de liderança doméstica.

Rimuru caminhou até ele, parando ao lado do trono. Ela colocou uma mão delicada no ombro de Guy e, com a outra, fez um carinho suave no topo da cabeça de Alice. O clima de tensão na sala dissipou-se instantaneamente, substituído por uma aura de tranquilidade doméstica que parecia impossível naquele castelo de gelo.

— Espero que tenham terminado de fofocar — disse Rimuru, olhando para o Octagrama com um sorriso sarcástico. — Temos assuntos reais para tratar. E Guy, se você morder meu pescoço de novo na frente das crianças, o castigo desta vez será de um mês. E eu vou levar todos os seus travesseiros favoritos para o meu quarto.

Guy empalideceu, uma expressão de puro pavor cruzando seu rosto.

— Um mês? Rimuru, isso é cruel e incomum! Eu sou um demônio, eu tenho necessidades de afeto!

— Então comporte-se como um pai responsável e não como um adolescente impulsivo — retrucou ela, embora tenha deixado um beijo rápido e casto na testa do marido, o que foi suficiente para fazê-lo sorrir como um bobo novamente.

Ramiris e Milim trocaram olhares de "eu avisei". Luminous e Leon apenas suspiraram, aceitando que o novo equilíbrio do mundo não era definido por tratados de paz ou poder militar, mas sim pela dinâmica familiar de uma slime maternal e um demônio primordial perdidamente apaixonado.

— Bem — disse Rimuru, sentando-se graciosamente em sua cadeira e cruzando as pernas, a fenda do vestido se abrindo e fazendo Guy lançar um olhar mortal para qualquer um que ousasse olhar na direção dela. — Onde paramos? Ah, sim. As taxas alfandegárias de Sarion. Mas antes, Guy, passe a Alice para a Rain. Ela precisa dormir em uma cama de verdade, e você precisa focar.

— Sim, senhora — murmurou Guy, sinalizando para Rain, que apareceu como uma sombra para levar a pequena Alice.

Assim que a criança foi levada, Guy se endireitou no trono, sua postura voltando a ser a do Mediador temido por todos. Mas o brilho em seus olhos, sempre que ele olhava de soslaio para Rimuru, contava uma história diferente. O Lorde Demônio mais antigo do mundo havia finalmente encontrado algo mais poderoso que o seu "Orgulho": o amor de uma família que ele nunca soube que desejava, mas que agora protegeria contra o próprio universo, se fosse necessário.

A reunião continuou, mas o Octagrama sabia que nada mais seria o mesmo. O trono de gelo agora tinha o calor de um lar, e o Mediador tinha uma mestre que ele obedecia com prazer. E, de alguma forma, o mundo parecia um pouco mais seguro por causa disso.