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Crianças

O Despertar da Rainha e o Ciúme do Mediador

A reunião do Octagrama, que deveria ser o ápice da diplomacia entre os seres mais poderosos da existência, havia se transformado em algo que beirava o surrealismo doméstico. Rimuru Tempest, agora devidamente instalada em sua cadeira ao lado de Guy Crimson, exalava uma aura que misturava a serenidade de uma santa com a autoridade de uma imperatriz que não aceitava "não" como resposta. O silêncio que se seguiu à saída das crianças era tenso, mas não por medo de uma guerra, e sim pelo choque cultural de ver o temido "Vermelho" agir como um subordinado apaixonado.

Rimuru ajeitou o vestido azul escuro, cruzando as pernas de forma lenta e deliberada. A fenda lateral do tecido de seda se abriu, revelando a pele alva e as curvas esculpidas de suas coxas. O movimento foi tão gracioso quanto provocante, e o efeito na sala foi imediato. Dino, que tentava manter a compostura, desviou o olhar rapidamente, enquanto Leon Cromwell limpou a garganta, subitamente interessado na arquitetura do teto do palácio.

Guy, no entanto, não foi tão sutil. Seus olhos vermelhos brilharam com uma intensidade perigosa. Ele se inclinou na direção de Rimuru, sua mão enluvada pousando possessivamente sobre o joelho dela, tentando cobrir o máximo de pele possível com a palma da mão.

— Rimuru — rosnou Guy, sua voz uma oitava mais baixa e carregada de uma advertência possessiva. — Esse vestido... eu já disse que ele é perigoso demais para ser usado fora dos nossos aposentos.

Rimuru soltou uma risadinha cristalina, um som que parecia desarmar qualquer intenção hostil no ambiente. Ela inclinou a cabeça, deixando que uma mecha de seu cabelo azul-prateado caísse sobre o ombro, emoldurando o decote generoso que ainda exibia a leve vermelhidão da amamentação recente.

— Ora, Guy, não seja tão antiquado — disse ela, lançando-lhe um olhar sarcástico. — O castelo é seu, os convidados são seus "amigos". E além disso, é prático. Você sabe como o Ryota e a Chloe ficam impacientes quando estão com fome.

— Prático para eles, uma tortura para mim! — rebateu Guy, aproximando o rosto do pescoço dela, ignorando completamente os outros Lordes Demônios que assistiam à cena. — As pessoas olham demais, Rimuru. Esse decote... esses seios... eles são território exclusivo meu e dos pequenos. Ver esses idiotas secando você com os olhos me dá vontade de redefinir a geografia deste continente com uma explosão nuclear.

Rimuru revirou os olhos, mas não se afastou quando Guy começou a roçar o nariz contra a curva de seu pescoço, buscando o calor da pele dela.

— Você é ciumento demais, querido — disse ela, cruzando os braços logo abaixo do busto, o que, para o desespero de Guy, apenas serviu para acentuar ainda mais o decote. — É apenas um corpo, Guy. E eu sou perfeitamente capaz de incinerar qualquer um que tente algo mais do que um olhar.

— O problema não é eles tentarem algo — resmungou Guy contra a pele dela —, o problema é eles ousarem imaginar. Veldora e Diablo concordam comigo nisso, sabia? Tivemos uma conversa... produtiva... sobre a segurança da sua imagem. Diablo sugeriu que qualquer um que olhasse por mais de três segundos deveria ter os olhos removidos ritualisticamente, e Veldora disse que soltaria um rugido de morte se alguém chegasse a menos de dois metros.

Rimuru soltou uma gargalhada genuína, jogando a cabeça para trás.

— Ah, então agora você está conspirando com o meu mordomo e o meu dragão guardião? — Ela se virou para encarar Guy, seus olhos amarelos brilhando com diversão. — Que trio adorável vocês formam. O Demônio Primordial, o Dragão da Tempestade e o Mediador, todos unidos pela paranoia.

Ramiris, que observava tudo de cima de uma pilha de biscoitos, não perdeu a oportunidade de alfinetar.

— Ah, Rimuru, você não tem ideia do caos que é quando você não está por perto! — exclamou a Rainha dos Espíritos, voando em círculos rápidos. — Uma vez, em Tempest, um diplomata de uma nação distante tentou beijar a mão da Rimuru como cumprimento. O Guy estava escondido nas sombras e, juro por minha coroa, o homem quase morreu de ataque cardíaco só com a intenção assassina que o Guy emanou. A Rimuru teve que dar um tapa na nuca do Guy e mandar ele ir "refletir sobre suas ações" no jardim!

— Eu me lembro disso! — Milim interrompeu, animada, batendo as mãos na mesa. — O Guy ficou sentado no meio das flores de Shuna, fazendo biquinho e arrancando pétalas uma por uma, resmungando que "diplomatas deveriam manter as mãos nos bolsos". Foi a coisa mais engraçada que já vi em mil anos!

A sala explodiu em risadinhas abafadas. Luminous Valentine, que até então mantinha uma postura gélida, não conseguiu conter um sorriso de canto.

— É fascinante — comentou Luminous, cruzando os braços. — O ser que supostamente mantém o equilíbrio do mundo é, na verdade, um marido que leva palmadas e é mandado para o jardim por uma slime. A hierarquia de poder neste mundo foi definitivamente subvertida.

Guy soltou um suspiro pesado, desistindo de tentar esconder Rimuru dos olhares alheios e, em vez disso, puxou a cadeira dela para mais perto da sua, até que seus ombros se tocassem.

— Riam o quanto quiserem — disse Guy, recuperando um pouco de sua dignidade, embora sua mão ainda estivesse firmemente plantada na coxa de Rimuru. — Mas eu gostaria de ver qualquer um de vocês lidar com a Rimuru quando ela decide que você está errado. Ela não usa força bruta, ela usa... aquela lógica maternal esmagadora. É impossível vencer.

Rimuru sorriu, uma expressão de pura doçura que escondia uma vontade de ferro. Ela se inclinou para frente, apoiando os cotovelos na mesa, o que fez Guy soltar um gemido baixo de frustração ao ver o decote se aprofundar ainda mais.

— Falando em lógica — começou Rimuru, sua voz assumindo o tom mandão que todos já começavam a reconhecer —, podemos voltar ao assunto da redistribuição das rotas comerciais? Ou vamos passar o resto da tarde discutindo o quanto o Guy é possessivo?

— Eu voto na segunda opção! — gritou Dino, levantando a mão. — É muito mais interessante do que falar sobre impostos de minérios.

— Negado — disse Rimuru, e o peso de sua voz fez Dino se encolher instantaneamente na cadeira. — Guy, querido, concentre-se. Se terminarmos isso em uma hora, talvez eu deixe você me ajudar com o banho das crianças mais tarde.

Os olhos de Guy brilharam com uma mistura de esperança e desejo.

— E depois que as crianças dormirem? — perguntou ele, sua voz carregada de segundas intenções.

Rimuru deu um tapinha provocador na bochecha dele.

— Veremos o seu comportamento até lá.

A reunião prosseguiu, mas o clima era indescritível. De um lado, Rimuru conduzia os assuntos de Estado com uma inteligência afiada, citando números, tratados e nomes com uma precisão cirúrgica. Do outro, Guy Crimson, o Lorde Demônio mais antigo, passava metade do tempo concordando com tudo o que ela dizia e a outra metade lançando olhares de morte para Leon, que acidentalmente olhou para o decote de Rimuru enquanto tentava ler um mapa.

— Guy, pare com isso — ordenou Rimuru, sem tirar os olhos do documento à sua frente. — O Leon não está olhando para os meus seios, ele está tentando entender o traçado da estrada de Sarion.

— Ele estava olhando sim! — rosnou Guy. — Eu vi o ângulo da pupila dele. Foi um desvio de 0.5 graus para baixo!

— Pelo amor de Veldanava... — Leon suspirou, fechando os olhos. — Guy, eu não tenho o menor interesse em morrer hoje. Por favor, controle seus instintos territoriais.

Rimuru apenas riu, cruzando as pernas novamente, fazendo o tecido do vestido deslizar e revelar ainda mais da coxa. Guy, dividido entre a necessidade de prestar atenção na reunião e o desejo de simplesmente cobrir a esposa com um manto de invisibilidade, parecia estar em curto-circuito. Seus olhos viajavam constantemente entre o rosto de Rimuru, os seios que subiam e desciam suavemente com a respiração dela e a linha perfeita de suas pernas.

— É uma tortura — murmurou Guy para si mesmo, encostando a testa no ombro de Rimuru. — Você faz isso de propósito, não faz?

— Talvez — sussurrou ela de volta, com um sorriso travesso. — Manter você na linha exige criatividade, Guy. E se isso significa que você vai prestar mais atenção em mim do que em começar uma guerra por tédio, então meu trabalho está feito.

Ramiris, observando a cena lá de cima, comentou com Milim em um sussurro alto:

— Você viu? Ele está totalmente domado. O grande Mediador agora é apenas um acessório de luxo para a Rimuru.

— Shhh, Ramiris! — Milim riu. — Se o Guy ouvir, ele vai tentar nos expulsar, e eu ainda quero ver a cara dele quando a Rimuru disser que é a vez dele de trocar o Ryota!

A reunião finalmente chegou ao fim, mas ninguém se moveu imediatamente. O Octagrama estava fascinado pela dinâmica. Rimuru levantou-se, a fenda do vestido fechando-se parcialmente enquanto ela se espreguiçava, um movimento que acentuou todas as curvas de seu corpo divino. Guy levantou-se logo em seguida, agindo como uma sombra, suas mãos encontrando a cintura dela com uma familiaridade possessiva.

— Bem, senhores e senhoras — disse Rimuru, olhando para os Lordes Demônios com um brilho de despedida nos olhos. — Foi uma reunião... produtiva. Rain e Misery servirão o jantar para vocês no salão ao lado. Guy e eu temos deveres familiares a cumprir.

— Deveres familiares, sei... — resmungou Dino, ganhando um olhar de aviso de Guy que o fez calar a boca na mesma hora.

Enquanto o casal caminhava em direção às portas duplas, Guy inclinou-se e sussurrou no ouvido de Rimuru, alto o suficiente para que os sentidos aguçados dos outros Lordes Demônios captassem:

— Da próxima vez, você vai usar uma armadura de corpo inteiro. Ou um saco de batatas. Nada de decotes, nada de fendas.

Rimuru soltou uma risada melodiosa enquanto passava pelos portões.

— Veremos, Guy. Veremos. Mas lembre-se: se você reclamar demais, o sofá do escritório ainda está lá, esperando por você.

Guy estacou por um segundo, a imagem do sofá frio voltando à sua mente, antes de apressar o passo para seguir a esposa, resmungando sobre como o amor o havia tornado vulnerável.

No salão, o silêncio retornou, mas era um silêncio diferente. Leon Cromwell finalmente relaxou os ombros, Luminous tomou um longo gole de vinho e Ramiris começou a roubar os doces que haviam sobrado.

— Sabe — disse Leon, quebrando o gelo —, de todas as coisas que eu esperava ver hoje, o Lorde Demônio Rimuru amamentando no meio de uma discussão sobre impostos e o Guy Crimson tendo uma crise de ciúmes por causa de um vestido azul definitivamente não estavam na lista.

— Bem-vindo ao novo mundo, Leon — disse Milim, saltando da mesa com um sorriso radiante. — Onde a pessoa mais poderosa não é a que tem mais magia, mas a que tem o melhor colo e o olhar mais mandão!

E assim, o Octagrama aprendeu uma lição valiosa: no Continente de Gelo, o fogo de Guy Crimson podia ser eterno, mas era Rimuru Tempest quem decidia quando e como ele deveria queimar.