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Crianças

Entre o Fogo e a Ternura: O Banquete do Octagrama

O silêncio nos corredores do Palácio de Gelo era absoluto, exceto pelo som rítmico dos passos de Rain e Misery, que se certificavam de que as crianças estivessem confortáveis em seus quartos de brincar. No entanto, atrás das portas reforçadas dos aposentos reais, a atmosfera era tudo menos silenciosa. Ali, o gelo eterno do continente encontrava o calor vulcânico da paixão de um demônio primordial.

Guy Crimson não era um ser de meias medidas. Quando ele desejava, desejava com a intensidade de uma supernova. E naquele momento, seu desejo tinha nome, forma e um perfume inebriante de flores e magia. Rimuru estava prensada contra os lençóis de seda negra, sua pele branca leitosa brilhando sob a luz fraca dos cristais mágicos. O vestido azul escuro que causara tanto alvoroço na reunião agora jazia esquecido no chão, uma poça de seda descartada.

— Eu disse que você me pagaria por aquele vestido, Rimuru — rosnou Guy, sua voz vibrando contra a pele do pescoço dela.

Ele não esperou por uma resposta. Seus lábios encontraram a curva do ombro de Rimuru em uma mordida possessiva, não o suficiente para ferir gravemente, mas o bastante para deixar uma marca avermelhada que reivindicava território. Rimuru soltou um suspiro agudo, suas mãos subindo para os cabelos ruivos e rebeldes de Guy, puxando-o para mais perto enquanto suas unhas arranhavam as costas musculosas do demônio.

— Você fala demais, Guy... — arfou Rimuru, sua voz perdendo a habitual calma maternal para dar lugar a um desejo cru. — Menos rosnados, mais ação.

Guy sorriu, um sorriso predatório e carregado de adoração. Ele a possuiu com uma brutalidade controlada, uma força que apenas um ser como Rimuru poderia suportar e retribuir. O prazer era uma sinfonia de contrastes: a frieza do ar do castelo contra o calor ardente de seus corpos, a delicadeza dos traços divinos de Rimuru contra a imponência devastadora de Guy. Cada estocada, cada beijo roubado e cada lambida que Guy depositava nos pontos sensíveis dela arrancavam gemidos que ecoariam na memória de ambos por muito tempo. Rimuru arqueava o corpo, entregando-se ao ritmo frenético, marcando as costas de Guy com sulcos que se curariam em segundos, mas que simbolizavam sua entrega total àquele momento.

Algum tempo depois, o caos da paixão deu lugar a uma exaustão prazerosa. Mas, como pais de cinco crianças enérgicas, o descanso era um luxo breve.

— Temos um jantar, Guy — lembrou Rimuru, sua voz ainda um pouco trêmula enquanto ela tentava recuperar o fôlego, sentindo o peso reconfortante de Guy sobre ela.

— Deixe que esperem — resmungou ele, escondendo o rosto na curva dos seios dela. — Eu sou o anfitrião, eu decido quando o jantar começa.

— E eu sou a mãe que não quer lidar com cinco crianças famintas e irritadas porque o pai foi egoísta — retrucou ela, dando um tapa leve no braço dele. — Levante-se. Agora.

Relutantemente, Guy obedeceu.

Cerca de uma hora depois, as grandes portas do salão de jantar se abriram. O Octagrama já estava posicionado, com as crianças sentadas em cadeiras altas adaptadas, criando uma cena que ainda parecia um delírio para Leon e Luminous.

Rimuru entrou primeiro. Ela havia trocado o vestido azul por um longo vestido de veludo vinho, com um decote quadrado que realçava seu colo, embora agora estivesse devidamente coberto por uma fina camada de transparência elegante. O vestido era justo na cintura, acentuando suas curvas de forma divina, e seu cabelo azul-prateado estava preso em um coque baixo e sofisticado, com algumas mechas soltas emoldurando seu rosto sereno. No entanto, os olhos atentos de Milim notaram o leve mancar na caminhada de Rimuru e o brilho satisfeito em seu olhar.

Logo atrás, Guy caminhava com uma arrogância renovada, ajeitando os punhos de sua túnica, parecendo um predador que acabara de ser alimentado.

— Finalmente! — exclamou Ramiris, que já estava atacando uma travessa de frutas. — Achei que teríamos que comer as decorações de gelo!

Rimuru ignorou o comentário e caminhou até a cabeceira da mesa, sentando-se entre Chloe e Ryota. Guy ocupou seu lugar no topo, observando sua família com um orgulho indisfarçável.

— Mamãe! — Ryota exclamou, empurrando o prato de legumes para longe. — Eu não quero comer isso. Eu quero leite!

Chloe, ao lado dele, apenas acenou com a cabeça em concordância silenciosa, seus olhos grandes e pidões fixos no decote de Rimuru.

— Ryota, Chloe, nós já conversamos sobre isso — disse Rimuru, sua voz doce, mas firme. Ela pegou uma colher e começou a cortar os vegetais em pedaços minúsculos. — Vocês precisam de comida de verdade para crescerem fortes como o papai. Só um pouco, está bem? Se comerem tudo, talvez tenha sobremesa depois.

— Mas não tem o mesmo gosto — resmungou Ryota, cruzando os braços sobre o macacão, que agora era uma túnica formal em miniatura.

Do outro lado da mesa, Kenya e Alice pareciam igualmente descontentes. Como haviam começado o processo de desmame recentemente, a transição para alimentos sólidos estava sendo um desafio de temperamentos. Alice cutucava um pedaço de carne com o garfo, fazendo um biquinho adorável, enquanto Kenya olhava para o prato como se fosse um inimigo a ser derrotado por sua magia de luz.

— Papai, por que a gente tem que comer isso se a mamãe tem comida melhor? — perguntou Kenya, olhando para Guy com esperança.

Guy, que geralmente era o terror dos demônios, inclinou-se para frente com um sorriso paciente. Ele pegou um pedaço de pão e ofereceu ao filho.

— Porque até os guerreiros mais poderosos precisam de substância, Kenya — explicou Guy, sua voz profunda suavizada pela paternidade. — Veja o Gale. Ele come tudo e olhe como ele é forte.

Gale, o mais velho e sempre o mais sério, engoliu um pedaço de batata e olhou para o pai.

— Papai, se eu comer tudo, o senhor vai contar aquela história da guerra contra os gigantes de novo? — perguntou o menino de oito anos, seus olhos brilhando com curiosidade. — A parte em que o senhor usou o fogo para derreter as montanhas?

Rimuru soltou uma risadinha, limpando o canto da boca de Chloe, que finalmente havia aceitado uma colherada de purê.

— Só se for uma versão censurada, Guy — alertou Rimuru, lançando um olhar de aviso ao marido. — Não quero ninguém tendo pesadelos com destruição em massa antes de dormir.

— Prometo manter os detalhes sangrentos no mínimo — respondeu Guy, piscando para Gale.

O jantar prosseguiu sob o olhar atônito dos outros Lordes Demônios. Luminous observava Rimuru com uma mistura de respeito e perplexidade. Ver a líder de Tempest, uma das mentes mais brilhantes da política mundial, negociando pacientemente com uma criança de cinco anos sobre a importância de comer brócolis era algo que desafiava a lógica.

— É realmente impressionante — murmurou Luminous para Leon. — Eles agem como se fossem uma família humana comum, ignorando o fato de que poderiam apagar nações inteiras se quisessem.

— O que é mais assustador — respondeu Leon, observando Guy ajudar Alice a cortar sua carne — é que o Guy parece genuinamente feliz fazendo isso. Ele não está fingindo.

— O amor é uma doença curiosa, não é? — comentou Dino, bocejando, embora seus olhos estivessem fixos na comida. — Mas, ei, se isso mantém o Guy calmo e não tentando nos matar por esporte, eu sou a favor da paternidade.

Rimuru, percebendo a conversa alheia, olhou para os colegas do Octagrama.

— Vocês estão muito calados — disse ela, sarcástica. — Algum problema com o jantar? Ou a visão de um demônio primordial limpando o queixo de uma criança é demais para a sensibilidade de vocês?

— Estamos apenas... processando — respondeu Dagruel, soltando uma risada gutural. — É uma mudança de ritmo bem-vinda, Rimuru.

De repente, um pequeno clarão de luz surgiu na ponta dos dedos de Kenya. Ele estava começando a ficar impaciente.

— Mamãe, eu terminei! — anunciou ele, embora metade do prato ainda estivesse cheia. — Agora, sobremesa!

— Kenya, não use magia à mesa — repreendeu Rimuru, embora sem agressividade. Ela suspirou, sentindo o leve cansaço da tarde pesando em seus ombros. — Guy, querido, você pode ajudar o Kenya? Ele está prestes a ter um colapso de energia.

Guy levantou-se prontamente. Ele caminhou até o filho e o pegou no colo, colocando-o em seus ombros largos.

— Vamos, pequeno herói. Vamos ver se a Rain tem alguns daqueles doces de mel que você gosta — disse Guy, enquanto Kenya ria, agarrando-se aos cabelos ruivos do pai.

Rimuru observou a cena com um sorriso terno. Ela se voltou para Chloe e Ryota, que agora pareciam mais calmos, encostando a cabeça um no outro. A maternidade era exaustiva, especialmente com crianças que possuíam afinidades mágicas tão altas, mas momentos como aquele faziam tudo valer a pena.

— Vocês são bons pais — comentou Milim, de repente séria, olhando para Rimuru. — Eu nunca imaginei que o Guy pudesse ser assim.

— Nem eu, Milim — confessou Rimuru, baixando a voz. — Mas acho que todos nós temos lados que só se revelam quando encontramos algo que vale a pena proteger mais do que a nós mesmos.

— E você, Rimuru? — perguntou Ramiris. — Você ainda é a mesma slime sarcástica e mandona de sempre, ou a mamãe Rimuru assumiu o controle total?

Rimuru deu um gole em seu vinho, seus olhos amarelos brilhando com a inteligência e a astúcia de sempre.

— Eu sou as duas coisas, Ramiris. E é melhor que ninguém esqueça disso. Eu posso trocar fraldas e contar histórias de ninar, mas ainda posso colapsar um espaço-tempo se alguém ameaçar o que é meu.

Guy voltou para a mesa, tendo acalmado Kenya, e sentou-se novamente, envolvendo o ombro de Rimuru com o braço. A possessividade ainda estava lá, mas agora estava temperada com uma paz que o Octagrama nunca vira antes.

O jantar terminou com risadas, algumas discussões infantis sobre quem ganharia uma luta de brinquedo e a promessa de Guy de que as histórias de ninar seriam contadas para todos os cinco. Enquanto Rain e Misery começavam a retirar os pratos, Rimuru levantou-se, sentindo a mão de Guy descer discretamente para sua cintura, apertando-a com uma promessa silenciosa de que a noite ainda não havia acabado.

— Bem — disse Rimuru, olhando para os Lordes Demônios que se preparavam para se retirar para seus aposentos de hóspedes. — Amanhã terminaremos os assuntos pendentes. Por agora, o dever nos chama.

Enquanto o casal liderava a procissão de crianças para fora do salão, Gale puxando a túnica de Guy e Alice segurando a mão de Rimuru, o Octagrama ficou para trás. Eles haviam vindo para o Continente de Gelo para discutir política e poder, mas saíram com uma compreensão muito mais profunda da natureza da existência.

Pois até no coração do demônio mais antigo e na alma da slime mais poderosa, a força mais avassaladora não era o fogo ou o gelo, mas o pequeno e caótico milagre chamado família.