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O Jogo de Sedução e o Prazo de Validade

A manhã na cobertura de Emanuel tinha um cheiro peculiar de café forte e o perfume doce, quase enjoativo, dos cremes corporais de Sara. O tatuador estava de pé diante do espelho do closet, vestindo sua bermuda de tactel preta e ajustando a meia de compressão. Era sábado, o único dia da semana em que ele se permitia desligar os celulares das unidades de seus estúdios e focar em algo puramente físico: o futebol com os amigos de longa data.

Emanuel gostava do rigor do esporte. No campo, as regras eram claras, ao contrário da sua vida doméstica, que parecia um eterno equilibrar de pratos de porcelana em cima de uma corda bamba. Ele pegou a chuteira, mas antes que pudesse calçá-la, sentiu dois braços pequenos e macios envolverem sua cintura por trás.

— Manu... você já vai? — A voz de Eduarda saiu abafada contra suas costas, carregada de uma manha que ele conhecia bem.

— Já estou atrasado, pequena — ele respondeu, cobrindo as mãos dela com as suas. — O pessoal não perdoa atraso no aluguel da quadra.

Eduarda não se soltou. Pelo contrário, ela se esfregou contra ele, o rosto subindo até encontrar a curva do seu pescoço. Emanuel sentiu a pele dela quente, quase febril. Ele sabia o que aquilo significava. Eduarda tinha um ciclo biológico que parecia amplificar sua natureza carente; quando estava no período fértil, sua timidez dava lugar a uma urgência silenciosa e persistente.

— Mas hoje eu acordei tão... esquisita — sussurrou ela, dando um beijinho úmido logo abaixo da orelha dele. — Meu corpo está doendo de um jeito que só você cura.

Emanuel fechou os olhos, sentindo o autocontrole vacilar.

— Duda, agora não. Eu realmente preciso ir.

— Deixa ela, Emanuel! — A voz de Sara ecoou do quarto ao lado, carregada de sarcasmo. Ela apareceu na porta do closet, usando apenas uma lingerie de renda preta que deixava pouco para a imaginação, segurando uma lixa de unha. — A pombinha está no cio de novo? Que coisa mais primitiva.

Eduarda se encolheu levemente, mas não soltou Emanuel. Seus olhos, geralmente baixos, brilharam com uma determinação incomum causada pelos hormônios.

— Não é primitivo, Sara. É natural. Algo que você não entenderia com tanto plástico no corpo — retrucou Eduarda, a voz trêmula, mas afiada.

Sara soltou uma gargalhada alta, jogando o cabelo loiro para trás.

— Pelo menos meu "plástico" não me deixa rastejando atrás dele como uma carente. Se ele quer jogar bola, deixa o homem em paz. Ou será que você tem medo de que ele encontre algo mais interessante na rua do que esse seu choro constante?

— Chega, as duas — Emanuel interveio, sua voz de comando fazendo o ambiente silenciar por um segundo. — Sara, não provoca. Eduarda, eu volto em duas horas e a gente conversa.

Emanuel tentou se desvencilhar, mas Eduarda deu um passo à frente, bloqueando a saída do closet. Ela soltou o robe de seda clara que vestia, deixando-o escorregar pelos ombros até o chão. Por baixo, ela não usava nada. A pele alva, os seios médios com os bicos já rígidos e a expressão de puro desejo infantilizado criavam um contraste perigoso.

— Você não entendeu, Manu — disse ela, a voz agora mais firme, embora mantivesse o tom manhoso. — Você não vai sair desse apartamento enquanto não me deixar pronta. Eu quero você. Agora.

Emanuel sentiu o sangue latejar nas têmporas. Ele olhou para o relógio e depois para a figura delicada e decidida à sua frente.

— Eduarda, eu tenho compromisso.

— O seu único compromisso hoje é comigo — ela insistiu, aproximando-se e colando o corpo ao dele. — Eu estou sensível, Emanuel... aqui embaixo está pegando fogo. Você vai me deixar assim? Vai me deixar sofrendo enquanto vai correr atrás de uma bola?

Sara, observando a cena encostada no batente da porta, sentiu uma ponta de inveja da audácia da rival, mas não perdeu a chance de destilar veneno.

— Olha só, a santinha virou uma ditadora de quarto. Que decadência, Emanuel. Você vai mesmo baixar a cabeça para esse capricho?

Emanuel ignorou Sara. Seus olhos estavam fixos em Eduarda. Ele conhecia aquela expressão; era a mistura de carência emocional com uma necessidade física visceral. Ele suspirou, jogando a chuteira no chão com um baque surdo.

— Dois minutos, Sara. Sai daqui — ordenou ele, sem desviar o olhar de Eduarda.

— Ah, claro! Vou deixar vocês no seu momento "natureza selvagem" — Sara bufou, revirando os olhos. — Mas não demore, Emanuel. Eu também tenho minhas necessidades e não pretendo esperar o dia todo enquanto você atende aos delírios dessa daí.

Sara saiu batendo os saltos, e Emanuel imediatamente puxou Eduarda pela cintura, prensando-a contra a bancada de mármore do closet.

— Você está brincando com fogo, Eduarda — ele rosnou, a voz rouca. — Sabe que eu odeio me atrasar.

— Então seja rápido... — ela murmurou, envolvendo o pescoço dele com os braços e puxando-o para um beijo profundo, com gosto de desejo acumulado. — Mas seja intenso. Eu quero sentir sua língua em mim até eu não conseguir mais falar o seu nome.

Emanuel não precisou de mais nenhum incentivo. Ele a ergueu, sentando-a na bancada fria, o que arrancou um suspiro surpreso e deleitado da moça. Ele se ajoelhou entre as pernas dela, abrindo-as com firmeza. O contraste entre a sua pele tatuada e a brancura impecável das coxas de Eduarda sempre o fascinava.

— Você quer isso mesmo? — ele perguntou, olhando-a nos olhos enquanto suas mãos subiam pelas pernas dela.

— Eu preciso disso, Manu... por favor. Está doendo de tanto que eu te quero.

Emanuel mergulhou. O aroma natural de Eduarda, intensificado pelo período fértil, era inebriante. Quando sua língua encontrou o centro da intimidade dela, Eduarda soltou um grito agudo, jogando a cabeça para trás e enterrando os dedos nos cabelos curtos dele.

— Isso... oh, Deus, Manu! — ela gemia, o corpo arqueando-se na bancada.

Ele era metódico, usando a mesma precisão que aplicava em suas tatuagens. Suas mãos seguravam as nádegas dela com força, mantendo-a no lugar enquanto sua língua trabalhava em movimentos circulares e lentos, explorando cada dobra, cada ponto de sensibilidade. Eduarda era manhosa até no prazer; ela choramingava, pedia por mais, chamava-o de "seu dono" entre suspiros entrecortados.

— Mais forte... por favor, mais forte — ela implorava, as pernas tremendo involuntariamente.

Emanuel aumentou o ritmo. Ele sentia a umidade dela aumentar, o calor emanando de seu corpo como uma fornalha. Ele sabia exatamente como levá-la ao limite. Com um movimento firme, ele a trouxe para a ponta da bancada, sugando-a com uma intensidade que a fez perder o fôlego.

Eduarda desmoronou. Seu ápice veio em ondas violentas que a fizeram tremer da cabeça aos pés. Ela se agarrou aos ombros de Emanuel, soltando um choro de alívio e prazer, enquanto o corpo se contraía repetidamente contra o rosto dele.

Emanuel permaneceu ali por alguns segundos, sentindo as pulsações dela diminuírem. Ele se levantou, limpando o canto da boca com o polegar, observando-a recuperar o fôlego. Eduarda parecia uma boneca desarticulada, os olhos nublados e um sorriso satisfeito nos lábios.

— Agora... — ele disse, a voz ainda carregada de tensão sexual não resolvida — ...eu posso ir jogar meu futebol?

Eduarda estendeu a mão, acariciando o rosto dele com uma doçura infinita.

— Pode, meu amor. Obrigada por cuidar de mim.

Ele deu um beijo rápido na testa dela e se levantou, pegando suas chuteiras. Ao sair do closet, encontrou Sara na sala, sentada no sofá de couro com as pernas cruzadas, bebendo uma taça de espumante logo cedo.

— Acabou a palhaçada? — ela perguntou, arqueando uma sobrancelha perfeitamente desenhada.

— Acabou — Emanuel respondeu, indo em direção à porta. — Tente não matar ela enquanto eu estiver fora.

— Não prometo nada — Sara sorriu, um sorriso predatório. — Mas se você demorar, eu vou cobrar o meu tempo também, e não vai ser com carinho de "pombinha".

Emanuel saiu do apartamento e fechou a porta, sentindo o peso do silêncio do corredor. Ele caminhou até o elevador, tentando focar sua mente no jogo, mas a imagem de Eduarda na bancada e o olhar de desafio de Sara permaneciam gravados em sua mente. Ele era um homem rico, poderoso e bem-sucedido, mas ali dentro, naquelas quatro paredes, ele era apenas o território disputado por duas forças da natureza que ele, e somente ele, conseguia domar.

No campo, ele correu mais do que o normal. Precisava extravasar a energia acumulada, o estresse de mediar duas personalidades tão opostas e a tensão de ser o objeto de desejo de ambas. Seus amigos notaram seu silêncio mais profundo que o habitual.

— O que foi, Emanuel? Problemas nos estúdios? — perguntou um deles durante o intervalo.

— Antes fosse — Emanuel respondeu, bebendo água e olhando para o nada. — Problemas de logística doméstica.

— Duas mulheres, cara... você procurou isso — o amigo riu, dando um tapa em seu ombro. — Mas não nega que gosta do caos.

Emanuel não respondeu. Ele não gostava do caos, ele gostava do controle. E o fato de que elas o faziam perder esse controle era, talvez, o que mais o prendia a elas.

Ao retornar para casa, o silêncio no apartamento era suspeito. Ele entrou e viu que a sala estava vazia. No entanto, ao caminhar pelo corredor, ouviu risadas vindas da cozinha.

Ele parou à porta e observou uma cena rara. Sara estava sentada no balcão, ainda em sua lingerie, mas agora com um roupão de seda por cima, enquanto Eduarda, vestida com um pijama de algodão doce, tentava ensinar a loira a preparar algum tipo de doce.

— Não, Sara! Você tem que mexer devagar, senão desanda — dizia Eduarda, a voz suave.

— Isso é ridículo, por que não compramos pronto? — Sara reclamava, mas continuava mexendo a panela. — Emanuel gosta de coisas práticas.

— Ele gosta de carinho, coisa que você não sabe colocar nem num café — alfinetou Eduarda, mas sem a agressividade de antes. O sexo a havia acalmado.

— Pelo menos eu não choro se ele esquece de me dar bom dia — rebateu Sara, mas havia um tom de brincadeira em sua voz.

Emanuel pigarreou, revelando sua presença. As duas se viraram simultaneamente.

— O herói voltou — ironizou Sara, embora seus olhos brilhassem ao vê-lo suado da atividade física.

— Manu! — Eduarda correu até ele, abraçando sua cintura. — Você demorou. Estamos fazendo brigadeiro.

Emanuel olhou para as duas. A trégua era frágil, ele sabia. Duraria talvez até o próximo comentário sarcástico de Sara ou até a próxima crise de carência de Eduarda. Mas, por enquanto, o ambiente estava em paz.

— Vou tomar um banho — disse ele, passando a mão pelo cabelo de Eduarda e lançando um olhar de reconhecimento para Sara. — E depois quero provar esse brigadeiro.

— Só o brigadeiro? — Sara perguntou, levantando-se e caminhando em sua direção com passos lentos e calculados. — Porque eu passei a manhã toda esperando a minha vez. E eu não sou tão paciente quanto a Eduarda.

Eduarda apertou o braço de Emanuel, o ciúme voltando a brilhar em seus olhos.

— Ele está cansado, Sara. Deixa ele respirar.

— Ele não parece cansado para mim — Sara sussurrou no ouvido de Emanuel, ignorando Eduarda. — Ele parece pronto para um segundo turno.

Emanuel olhou de uma para a outra. O ciclo recomeçava. A doçura e a pimenta, a calma e a tempestade. Ele suspirou, sentindo uma mistura de exaustão e uma satisfação sombria.

— Banho — repetiu ele, com autoridade. — As duas. Agora.

As namoradas se entreolharam. Por um breve momento, a rivalidade deu lugar a uma expectativa compartilhada. Elas o seguiram pelo corredor, uma de cada lado, como se estivessem escoltando seu rei para o campo de batalha final.

Emanuel sabia que sua vida era um absurdo para os padrões normais. Sabia que as brigas voltariam, que o ciúme de Eduarda e a vulgaridade provocadora de Sara ainda lhe dariam muitas dores de cabeça. Mas enquanto entrava no chuveiro grande o suficiente para três, ele percebeu que, no fim das contas, ele não trocaria aquele caos por nenhuma paz no mundo.

Afinal, ele era o único que conhecia o segredo de como manter aquelas duas engrenagens girando, ainda que de forma descompassada, em seu universo particular de tinta, luxo e desejos incontroláveis.