D
Prescrições e Proibições
O estúdio de tatuagem estava silencioso, exceto pelo zumbido baixo da máquina de Emanuel em uma sala privada. Ele estava finalizando um fechamento de costas, concentrado, os músculos dos antebraços saltando a cada movimento preciso. Mas sua mente não estava totalmente ali. Estava em Eduarda.
Havia algo no jeito que Duda caminhava naquela manhã, um leve encolher de ombros, uma expressão de desconforto que ela tentava esconder com aquele sorriso doce e submisso. Emanuel a conhecia centenas de vezes melhor do que ela mesma. Ele sabia quando cada centímetro daquele corpo esguio reagia a ele.
Horas depois, já em seu luxuoso apartamento, Emanuel encontrou Sara na sala. Ela usava um conjunto de lingerie de renda preta por baixo de um hobby de seda aberto, as unhas longas batendo impacientemente no iPad enquanto revisava a folha de pagamento dos funcionários de Berlim.
— A pequena ratinha chegou — comentou Sara, sem desviar os olhos da tela. — Está no quarto. Foi ao médico hoje, não foi? Aquela consulta de rotina que ela estava adiando porque tem medo de espéculo.
Emanuel jogou a jaqueta de couro no sofá, sentindo o peso do dia.
— Vou falar com ela.
— Vai lá, garanhão — Sara soltou uma risada debochada, cruzando as pernas e exibindo as coxas grossas e marcadas por algumas tatuagens finas. — Mas pega leve. Do jeito que você é um animal, é capaz de quebrar a menina ao meio. Eu aguento seu tranco, Manu, meu corpo foi feito para essa sua brutalidade. Mas a Duda... ela é de vidro.
Emanuel ignorou a provocação, embora soubesse que Sara tinha um fundo de razão. Ele entrou no quarto e encontrou Eduarda sentada na beira da cama, ainda com o vestido leve de flores que usara para ir à faculdade. Ela parecia pequena, vulnerável, com os olhos castanhos fixos em um papel sobre o criado-mudo.
— Duda? — Emanuel chamou, sua voz grossa suavizando-se apenas para ela.
Ela deu um pulinho, assustada, e tentou esconder o papel. Emanuel foi mais rápido. Ele se aproximou com passos firmes, a presença dele preenchendo o quarto, e pegou o formulário da clínica ginecológica.
— O que a médica disse? — Ele perguntou, os olhos percorrendo os termos técnicos até parar em uma anotação escrita à mão.
Eduarda baixou a cabeça, as bochechas corando intensamente. Ela se aproximou dele, buscando o contato físico de sempre, roçando o rosto no peito largo de Emanuel, sentindo o cheiro de tinta e perfume amadeirado.
— Ela disse que... que eu estou com uma inflamação, Manu — sussurrou ela, a voz manhosa e trêmula. — Por causa do atrito. Ela disse que eu sou muito estreita e delicada para o... para o seu tamanho.
Emanuel sentiu uma mistura de orgulho possessivo e irritação pura. Ele se lembrou da noite anterior. Ele sempre tentava começar com calma, beijando cada centímetro da pele alva de Eduarda, tratando-a como a joia que ela era. Mas a doçura dela, os gemidos baixinhos e aquele jeito de se entregar totalmente faziam com que o controle dele se esvaísse. Ele acabava perdendo a noção da força, enterrando-se nela com uma fúria faminta, fodendo-a com uma intensidade que a deixava sem fôlego e, agora ele via, ferida.
— Inflamação? — Ele rosnou, a mão grande apertando a cintura dela com um pouco mais de força do que o necessário. — O quanto dói?
— Está inchado... — Eduarda confessou, escondendo o rosto no pescoço dele. — Dói para sentar, Manu. A doutora passou uma pomada e disse que... que eu tenho que ficar um mês sem sexo. Nada de penetração.
O silêncio que se seguiu foi tenso. Emanuel sentiu o sangue ferver. Trinta dias. Ele olhou para Eduarda, para aqueles lábios carnudos e o corpo que ele considerava sua propriedade mais preciosa. A ideia de não poder possuí-la, de não poder marcar aquele território interno, o deixava possesso.
— Um mês? Essa mulher enlouqueceu? — Emanuel soltou o papel, a voz subindo de tom. — Eu cuido de você, Duda. Eu não vou te machucar.
— Mas você machuca, Manu! — Eduarda exclamou, com uma coragem rara, olhando-o com os olhos marejados. — Você esquece que eu não sou a Sara! A Sara gosta quando você é bruto, ela aguenta... mas eu... eu sinto que você vai me rasgar ao meio toda vez. Olha o meu estado!
Emanuel travou a mandíbula. Ele odiava quando ela o confrontava com sua própria falta de controle. Ele era um homem prático, um mestre em sua arte, mas quando se tratava daquela bucetinha apertada e macia de Eduarda, ele perdia toda a lógica. Ele a desejava de uma forma primitiva que não sentia nem por Sara. Com Sara era uma disputa de poder, um prazer carnal e sujo entre iguais. Com Eduarda, era uma necessidade de devorar, de fundir-se a ela até que não sobrasse nada além dele.
A porta do quarto se abriu e Sara apareceu, encostada no batente, com um sorriso de escárnio no rosto perfeito.
— Eu ouvi "um mês"? — Ela soltou uma gargalhada, entrando no quarto e caminhando com seu jeito predatório. — Puta merda, Manu. Você destruiu a coitadinha. Eu te avisei que o seu pau de ferro ia acabar mandando a Duda para o hospital.
— Cala a boca, Sara — Emanuel sibilou, mas ela nem se abalou.
Sara se aproximou de Eduarda, que estava encolhida perto de Emanuel. Com uma mão, Sara tocou o queixo de Duda, forçando-a a olhar para cima.
— Deixa eu ver — disse Sara, o tom entre a curiosidade e a provocação. — Se está tão ruim assim, você precisa de cuidados. E o Emanuel não tem paciência para ser enfermeiro.
— Sara, não... — Eduarda tentou protestar, mas a loira já estava puxando a barra do vestido dela.
Emanuel não impediu. Ele também queria ver. Ele precisava entender o que sua própria brutalidade tinha feito à mulher que ele amava.
Sara levantou o tecido leve, revelando que Eduarda não usava calcinha por recomendação médica. As coxas finas de Duda tremiam. Emanuel sentiu um aperto no peito ao ver a região íntima dela. Os lábios menores estavam visivelmente inchados, de um rosa febril, quase arroxeados em alguns pontos pelo esforço repetitivo e pela força das estocadas dele.
— Caralho, Manu — Sara assobiou, a voz perdendo um pouco do deboche e ganhando um tom de surpresa. — Você realmente não tem limite. Olha isso, a menina está em carne viva. Se você enfiar esse monstro aí de novo antes dela cicatrizar, vai acabar abrindo um buraco nela.
Emanuel sentiu uma pontada de culpa, mas a irritação ainda predominava. Ele se ajoelhou na frente de Eduarda, as mãos tatuadas repousando sobre os joelhos dela.
— Por que não me disse que estava doendo tanto ontem à noite? — Ele perguntou, a voz rouca.
— Porque você estava tão feliz... — Eduarda soluçou, passando a mão nos cabelos dele. — Eu queria que você me sentisse. Eu queria ser sua, Manu. Eu não queria que você fosse procurar a Sara porque eu sou "fraca".
Emanuel soltou um suspiro pesado, encostando a testa no ventre macio de Eduarda.
— Você nunca é fraca, Duda. Você é minha. Só minha.
Sara, observando a cena de cima, cruzou os braços sobre os seios siliconados.
— Bom, agora o problema é meu também. Porque se ela está de castigo, você vai vir com tudo para cima de mim, e eu tenho trabalho para fazer amanhã, não quero ficar andando como um caubói porque você está frustrado.
Emanuel levantou-se, os olhos fixos em Sara com uma intensidade perigosa.
— Você vai dar conta, Sara. Você sempre dá.
— Vou, é? — Sara sorriu, desafiadora. — Mas e a pequena? Você acha que vai conseguir dormir do lado dela trinta noites sem tocar nela? Sem sentir esse cheiro de baunilha que ela tem? Você é viciado nela, Manu. Você é um maníaco por essa buceta.
— Eu vou conseguir — Emanuel afirmou, embora sua ereção já estivesse marcando a calça só de estar ali, entre as duas. — Eu vou cuidar dela. Vou passar a porra da pomada e garantir que ela melhore.
Eduarda olhou para os dois, sentindo-se, como sempre, o centro de uma tempestade que ela não sabia controlar. Ela amava Emanuel com uma devoção quase religiosa, mas tinha pavor daquela parte dele que parecia querer consumi-la viva. E Sara... Sara era a constante lembrança de que ela, Eduarda, era incompleta em sua fragilidade.
— Manu... — Eduarda chamou baixinho, puxando a manga da camisa dele. — Você não está com raiva de mim, está?
Emanuel a puxou para um abraço esmagador, mas desta vez, teve o cuidado de não pressionar seu quadril contra o dela.
— Não estou com raiva de você, pequena. Estou com raiva de mim mesmo por não saber parar. Mas trinta dias... isso é um inferno.
— Eu posso te ajudar de outras formas — Eduarda sugeriu, a timidez lutando contra o desejo de agradar. — Eu posso usar minhas mãos... ou minha boca...
Sara soltou uma risada alta e vulgar, jogando a cabeça para trás.
— Olha só! A santinha querendo trabalhar. Gostei de ver, Duda. Mas vamos ser sinceras, o que o Emanuel quer é enterrar o pau até o fundo e sentir você apertando ele. E isso, meu bem, só eu vou poder fazer por um bom tempo.
Emanuel lançou um olhar mortal para Sara, que apenas deu de ombros e saiu do quarto, rebolando os quadris de forma provocativa.
— Vou estar no meu quarto, Manu. Quando você cansar de passar pomadinha, sabe onde me encontrar para descarregar essa raiva.
O quarto ficou em silêncio novamente. Emanuel pegou o tubo de pomada sobre a mesa.
— Deita, Duda — ele ordenou, o tom não admitindo discussões.
Eduarda obedeceu, deitando-se na cama e abrindo as pernas lentamente, sentindo-se exposta e amada ao mesmo tempo. Emanuel sentou-se entre suas pernas, os dedos grandes e calejados pegando uma quantidade generosa do creme frio.
Quando ele tocou a pele inflamada, Eduarda soltou um gemido de dor e alívio.
— Desculpa — ele murmurou, seus olhos fixos na tarefa. — Eu vou ser cuidadoso agora. Vou te curar.
— Você é tão bruto, Manu... — ela disse, as lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos. — Por que você tem que ser assim?
Emanuel parou por um momento, olhando para o rosto doce da mulher que ele protegia desde os cinco anos de idade.
— Porque quando eu estou dentro de você, Duda, eu sinto que finalmente tenho controle sobre algo real. Você é tão macia, tão apertada... parece que foi feita sob medida para mim. Eu esqueço que você é de carne e osso. Eu só quero ir mais fundo, até que você não consiga mais pensar em nada além de mim.
Eduarda fechou os olhos, sentindo a aplicação cuidadosa da pomada. Emanuel era seu mestre, seu protetor e seu carrasco. Ela sabia que, assim que os trinta dias passassem, ele voltaria a ser o animal de sempre, e ela voltaria a se entregar, mesmo que isso significasse terminar inchada e dolorida novamente.
— Você me pertence, Eduarda — Emanuel disse, a voz vibrando de possessividade enquanto terminava o procedimento. — Cada centímetro desse corpo. Se o médico disse um mês, será um mês. Mas depois disso... eu vou te compensar por cada dia de espera. E você vai implorar para que eu não pare.
Eduarda estremeceu. Ela sabia que ele falava a verdade. Emanuel não aceitava nada menos que a entrega total. E enquanto ele a cobria com o lençol e a beijava na testa com uma ternura que contrastava com a violência de seus desejos, ela se sentia a mulher mais sortuda e mais aterrorizada do mundo.
Lá fora, na sala, Sara ouvia o silêncio do quarto e sorria, bebendo seu vinho. Ela sabia que Emanuel viria até ela naquela noite. Ele precisava da resistência dela, da vulgaridade dela, para não destruir a doçura de Eduarda. E ela estava mais do que disposta a ser o receptáculo daquela fúria, contanto que, no final, ela continuasse sendo a rainha daquele império de tinta e desejo.
O mês de abstinência forçada seria um teste de nervos para Emanuel, um exercício de paciência para Eduarda e um banquete para Sara. E Emanuel, no centro de tudo, continuaria sendo o homem que amava duas mulheres de formas tão diferentes, mas com a mesma intensidade doentia e absoluta.