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O Banquete do Silêncio e da Carne

O sol da tarde filtrava-se pelas frestas das venezianas de madeira da biblioteca colonial, pintando listras douradas sobre o tapete persa e o couro dos livros antigos. A casa de campo da mãe de Emanuel, um casarão imponente cercado por jardins de hortênsias e o som distante de um riacho, deveria ser um refúgio de paz para o feriado em família. Mas para Emanuel, o isolamento da propriedade era apenas o cenário perfeito para saciar a fome que a presença constante de Sara e a agitação das crianças tornavam difícil de controlar.

Eduarda estava encostada contra a mesa de carvalho maciço, o vestido de linho claro amassado sob as mãos grandes e tatuadas de Emanuel. Ele a cercava com seu corpo, uma muralha de calor e possessividade que a deixava sem fôlego. O cheiro dele — uma mistura de tabaco caro, tinta de tatuagem e o perfume amadeirado que ela tanto amava — inundava seus sentidos, entorpecendo sua resistência.

— Emanuel, agora não… — sussurrou Eduarda, a voz trêmula, enquanto sentia os lábios dele traçarem o caminho sensível de seu pescoço. — As crianças estão lá fora com a Sara… elas vão entrar a qualquer momento.

— A Sara está distraída com os vinhos da minha mãe e Ágata está no tablet — murmurou Emanuel, a voz rouca vibrando contra a pele dela. Ele subiu as mãos pelas coxas de Eduarda, levantando o tecido do vestido com uma urgência que não aceitava negativas. — Eu passei o dia inteiro vendo você brincar com eles, sendo a "mãezinha" perfeita. Agora eu quero a minha mulher.

Ele a virou de costas para ele, pressionando o corpo dela contra a madeira fria da mesa. Eduarda soltou um gemido abafado quando sentiu a ereção rígida dele contra suas nádegas. Era um contraste brutal: o frescor da sala e o calor incendiário de Emanuel.

— Mamãe! Mamãe Duda!

O grito agudo de Maya ecoou do corredor, seguido pelo som de passos pequenos correndo pelo piso de madeira. Eduarda congelou, o coração disparando contra as costelas como um pássaro engaiolado.

— Emanuel, para! — ela sibilou, tentando se desvencilhar, mas ele apenas apertou mais a cintura dela, as unhas cravando-se levemente em sua pele. — Ela está me chamando!

— Ela não vai entrar aqui, as portas estão trancadas — disse ele, impiedoso.

Emanuel baixou a calcinha de seda de Eduarda com um movimento ágil e, sem qualquer aviso, penetrou-a com força. O grito de surpresa dela foi abafado pela própria mão, que ela levou à boca para não alertar a filha do lado de fora. A invasão foi profunda, preenchendo-a de uma forma que a fazia arquear as costas, os dedos procurando apoio na borda da mesa.

— Mamãe? Você está aí dentro? — A voz de Maya agora estava logo atrás da porta da biblioteca. — O Arthur quer o tetê! Ele está chorando!

O som do choro manhoso de Arthur, o pequeno herdeiro de dois anos, começou a subir de tom no corredor. Para Eduarda, ouvir o choro do filho era como um puxão físico em suas entranhas. O instinto materno gritava para que ela corresse, para que o acolhesse, mas o corpo de Emanuel era uma âncora de luxúria que a mantinha presa àquele momento de pecado.

— Emanuel, por favor… o Arthur… — as lágrimas começaram a brotar nos olhos de Eduarda, uma mistura de excitação avassaladora e culpa dilacerante.

— Deixe que ele chore, Eduarda. Ele tem a Sara, ele tem as babás — Emanuel se movia dentro dela com estocadas lentas e deliberadas, cada uma delas arrancando um suspiro involuntário de seus lábios. — Agora você é só minha. Esqueça que é mãe. Esqueça tudo.

Ele puxou o cabelo castanho dela para trás, forçando-a a olhar para o próprio reflexo no espelho dourado acima da lareira. Eduarda viu seu rosto corado, os olhos nublados de desejo, e a expressão de domínio absoluto no rosto de Emanuel atrás dela. Ele parecia um predador que acabara de encurralar sua presa mais preciosa.

— Olha para você — sussurrou ele no ouvido dela, enquanto o som de Maya esmurrando a porta com as mãozinhas pequenas se intensificava. — Você está adorando isso tanto quanto eu.

— Mamãe Duda! Abre! — Maya gritava, a voz já embargada. — O Arthur caiu! Ele quer o colo!

Eduarda fechou os olhos com força, os soluços silenciosos sacudindo seus ombros. A dor de ouvir o filho precisar dela entrava em conflito direto com o prazer visceral que Emanuel estava proporcionando. Ele encontrou o ponto exato, aumentando o ritmo, transformando a agonia dela em um êxtase insuportável.

— Diga… — Emanuel ordenou, a respiração pesada soprando no ouvido dela. — Diga que você não vai a lugar nenhum.

— Eu… eu não vou… — Eduarda gemeu, a voz falhando enquanto o ápice começava a se formar em seu ventre. — Mas ele está chorando, Emanuel… meu bebê está chorando…

— Eu sou o seu bebê agora — ele retrucou, com uma possessividade doentia e excitante.

Ele a girou novamente, colocando-a sentada na borda da mesa, as pernas dela envolvidas na cintura dele. Emanuel abriu a frente do vestido dela, libertando os seios fartos de Eduarda. Ele os atacou com uma fome quase selvagem, sugando e mordendo, lembrando-a de que, embora aquele leite fosse para o filho deles, o corpo que o produzia pertencia exclusivamente a ele.

Do lado de fora, a voz de Sara finalmente se fez ouvir, autoritária e impaciente.

— Maya, saia da frente dessa porta! Eles devem estar dormindo ou resolvendo coisas de trabalho. Venha, o Arthur só ralou o joelho, não é o fim do mundo.

— Mas a Mamãe Duda está lá! Eu ouvi um barulho! — insistiu Maya, soluçando.

— É o vento, menina! Vamos logo, antes que eu perca a paciência e tire esse doce de você.

Eduarda ouviu os passos se afastarem, o choro de Arthur tornando-se um eco distante até desaparecer no vasto jardim da casa de campo. O alívio que sentiu foi imediato, mas a tensão em seu corpo não diminuiu. Emanuel não parou; agora que o perigo de serem descobertos pelas crianças havia passado, ele se entregou totalmente ao ritmo frenético.

— Viu? — disse ele, as mãos apertando os seios dela com força. — Eles estão bem. Você se preocupa demais, Duda.

— Você é um monstro, Emanuel — ela sussurrou, embora estivesse puxando-o para mais perto, suas unhas cravando-se nas costas dele, por baixo da camisa fina.

— Sou o seu monstro. E você ama isso.

Emanuel a possuiu com uma ferocidade renovada. Cada impacto contra a mesa de carvalho fazia os livros tremerem nas estantes. Eduarda não conseguia mais conter os sons; ela gemia alto, a cabeça jogada para trás, o prazer sendo amplificado pela transgressão do que acabara de acontecer. Ela era a mãe doce, a bailarina recatada, mas ali, sob o comando de Emanuel, ela era apenas carne e desejo.

O clímax veio como uma onda avassaladora, roubando o ar de seus pulmões. Eduarda arqueou o corpo, gritando o nome dele contra o ombro tatuado, enquanto sentia Emanuel despejar toda a sua intensidade dentro dela. Ele a segurou com força, enterrando o rosto em seu pescoço, o corpo tremendo com a força da própria liberação.

Por alguns minutos, o único som na biblioteca foi o da respiração pesada de ambos e o tique-taque de um relógio de parede antigo. Emanuel não se afastou imediatamente; ele permaneceu unido a ela, sentindo as pulsações do corpo de Eduarda diminuírem gradualmente.

Ele se afastou lentamente, limpando uma lágrima que escorrera pelo rosto dela com o polegar.

— Agora — disse ele, a voz voltando ao tom calmo e controlador de sempre —, você pode ir ser a mãe deles. Mas não esqueça quem foi que te deixou nesse estado.

Eduarda tentou se recompor, as pernas ainda tremendo. Ela ajeitou a calcinha e o vestido, tentando alisar o linho amassado, enquanto Emanuel se vestia com uma elegância irritante, como se nada tivesse acontecido. Ela se olhou no espelho; seus lábios estavam inchados, seu cabelo desfeito e havia um brilho de pecado em seus olhos que ela temia que Sara percebesse imediatamente.

— Eu preciso ver o Arthur — disse ela, a voz ainda instável.

— Vá. Eu vou logo atrás.

Eduarda saiu da biblioteca, o coração ainda disparado. Ao caminhar pelo corredor, ela se sentia dividida. A culpa por ter ignorado o choro do filho ainda queimava em seu peito, mas a marca da posse de Emanuel em seu corpo era um segredo que a fazia sentir-se viva de uma forma que a rotina materna jamais permitiria.

Ela encontrou Sara na varanda, sentada em uma poltrona de vime com uma taça de vinho na mão. Arthur estava sentado no chão, brincando com uns cubos de madeira, um pequeno curativo no joelho e o rosto ainda marcado pelas lágrimas. Maya estava ao lado dele, com uma expressão emburrada.

— Ora, veja só quem resolveu aparecer — disse Sara, os olhos azuis percorrendo Eduarda com uma perspicácia que a fez estremecer. — A biblioteca estava tão interessante assim, Duda? Você parece que correu uma maratona.

— Eu… eu acabei pegando no sono entre os livros — mentiu Eduarda, caminhando rapidamente até Arthur e pegando-o no colo. O menino imediatamente se aninhou nela, buscando o consolo que lhe fora negado minutos antes. — Meu amor, a mamãe está aqui. Desculpe…

— O papai também estava dormindo? — perguntou Maya, olhando para Eduarda com desconfiança.

Emanuel apareceu na porta da varanda naquele momento, a expressão serena, as mãos nos bolsos da calça de linho.

— Eu estava ajudando a Eduarda a organizar uns documentos da minha mãe — disse ele, a voz firme. Ele caminhou até Sara e depositou um beijo em sua testa, antes de olhar para Eduarda com um brilho cúmplice. — Mas parece que o trabalho foi mais cansativo do que esperávamos.

Sara deu um sorriso de lado, um sorriso que indicava que ela sabia exatamente o que acontecera, mas que, fiel à sua natureza prática e competitiva, aceitava o jogo.

— Imagino que sim. Emanuel, os advogados ligaram. Precisamos revisar os termos da fusão dos estúdios de Madri antes do jantar.

— Claro — respondeu ele, sentando-se ao lado de Sara, mas mantendo os olhos fixos em Eduarda, que agora amamentava Arthur discretamente sob um xale.

Eduarda sentiu o olhar dele e baixou a cabeça, focando-se no filho. O calor entre suas pernas e a pulsação em seu corpo eram lembretes constantes do que acontecera na biblioteca. Ela era a mãe, a cuidadora, a alma daquela casa; mas para Emanuel, ela sempre seria a presa, a mulher que ele podia dobrar e possuir enquanto o mundo lá fora continuava a girar.

E enquanto Sara discutia milhões de euros e estratégias de mercado, e as crianças brincavam ao sol, Eduarda sabia que, naquela casa de campo, as sombras escondiam muito mais do que segredos de família. Elas escondiam a verdade sobre um homem que não aceitava nada menos do que tudo, e uma mulher que, na busca por ser o equilíbrio, acabara tornando-se o próprio banquete.