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O Alento do Guerreiro
A noite em São Paulo estava carregada com aquele cheiro de asfalto úmido e promessas de tempestade. Na cobertura de Emanuel, o clima era de uma calmaria vigilante. Sara estava no escritório, os dedos voando sobre o teclado enquanto finalizava a logística da nova unidade de Tóquio, uma taça de vinho tinto esquecida ao lado do computador. No andar de cima, no berçário, as gêmeas finalmente haviam cedido ao cansaço. Ágata dormia com a mãozinha espalmada, como se desse ordens ao mundo dos sonhos, enquanto Maya, o pequeno grudinho de Eduarda, suspirava baixinho, com o rosto enterrado em uma naninha de algodão.
Eduarda estava na sala, sentada no sofá com um livro de História da Arte sobre o colo, mas seus olhos não conseguiam focar nas pinturas renascentistas. Ela olhava para o relógio a cada cinco minutos. O caso que estava tirando o sono de Emanuel — um rastro de mortes violentas ligadas a um cartel internacional — parecia ter chegado a um clímax perigoso.
O som metálico da fechadura eletrônica ecoou pelo hall. Eduarda se levantou em um salto, o coração batendo contra as costelas.
Emanuel entrou. Ele não parecia o tatuador renomado que costumava usar camisetas de bandas e calças jeans surradas. Ele estava fardado. A farda operacional da unidade de elite da polícia, negra e tática, parecia pesar toneladas sobre seus ombros largos. O coldre na perna, o colete balístico ainda preso ao peito e as botas sujas de uma poeira cinzenta compunham a imagem de um homem que tinha acabado de voltar do inferno.
Ele parou no meio da sala, a respiração pesada. O rosto estava marcado pela fuligem e pelo cansaço extremo, as olheiras profundas denunciando dias sem um sono real.
— Manu? — Eduarda se aproximou com cautela, a voz suave como um sussurro.
Ele levantou o olhar. Seus olhos, geralmente tão observadores e afiados, estavam nublados por uma exaustão quase desumana.
— Eu estou com fome, Duda... — A voz dele saiu rouca, uma vibração baixa que parecia vir do fundo do peito. — Uma fome que dói.
— Eu vou preparar algo para você, meu amor. O risoto que você gosta, ou talvez...
Mas ele não esperou. Emanuel apenas assentiu vagamente, como se estivesse operando no piloto automático, e passou direto por ela. Seus passos eram pesados, o som das botas táticas batendo no porcelanato ecoando como batidas de um tambor fúnebre. Ele entrou no quarto principal, a porta se fechando com um clique seco atrás dele.
Eduarda ficou parada por um momento, processando a cena. Sara apareceu na porta do escritório, segurando a taça de vinho, observando o rastro de poeira que Emanuel deixara.
— Ele voltou? — perguntou a loira, a voz desprovida de sua ironia habitual.
— Voltou. Ele disse que está com fome, mas foi direto para o quarto. Ele parece... destruído, Sara.
— É o preço que ele paga por ser quem é — Sara deu um gole no vinho, os olhos fixos na porta do quarto. — Deixe-o. Ele precisa apagar. Se eu entrar lá agora, vou acabar brigando porque ele está sujo na cama de seda. Você tem mais paciência para o drama dele.
Eduarda assentiu e caminhou em direção ao quarto. Quando abriu a porta, encontrou o quarto mergulhado na penumbra, apenas com a luz da cidade filtrada pelas cortinas de vidro. Emanuel não tinha se despido. Ele estava jogado atravessado na cama king-size, com o corpo pesado sobre o edredom claro. A farda preta contrastava violentamente com a brancura dos lençóis. Ele já estava mergulhado em um sono profundo, daqueles que parecem um desmaio, onde nem mesmo um trovão seria capaz de despertá-lo.
Eduarda aproximou-se lentamente. O cheiro de pólvora, suor e o perfume amadeirado dele preenchiam o ar. Ela sentiu uma onda de ternura e proteção a inundar. Aquele homem cuidava do mundo, cuidava dela, de Sara e das filhas com uma ferocidade implacável. Agora, era a vez dela cuidar dele.
— Oh, Manu... — sussurrou ela, ajoelhando-se ao lado da cama.
Com movimentos de bailarina, precisos e leves, ela começou a desarmá-lo. Com cuidado, soltou as travas do colete balístico, sentindo o peso do equipamento. Colocou-o silenciosamente no chão. Depois, passou para as botas. Desamarrou os cadarços grossos e retirou as peças pesadas, uma de cada vez, revelando os pés que raramente descansavam.
Emanuel soltou um gemido baixo, mas não acordou. O corpo dele relaxou minimamente com o alívio do peso.
Eduarda continuou. Ela abriu o zíper da gandola preta, expondo a camiseta de poliamida por baixo, que estava grudada ao corpo musculoso. Com esforço, ela o ajudou a girar o tronco, retirando a peça de cima e depois a camiseta. Sob a luz fraca, as tatuagens dele pareciam ganhar vida. Dragões, símbolos antigos e padrões geométricos cobriam sua pele como uma armadura de tinta. Eduarda passou a ponta dos dedos por um dos desenhos no ombro dele, sentindo o calor da pele.
— Você é tão lindo — murmurou, os olhos brilhando com uma admiração silenciosa.
Ela seguiu para as calças táticas. Soltou o cinto de guarnição, retirando o coldre com a arma — que ela colocou com extremo cuidado dentro do cofre de cabeceira — e depois abriu o botão da calça grossa. Deslizou o tecido pelas pernas fortes e torneadas dele, deixando-o apenas de cueca box escura.
Eduarda parou por um instante, apenas observando-o. Emanuel era uma obra-prima de força e virilidade. O abdômen definido subia e descia em uma respiração lenta, os músculos do peito largos e as coxas robustas. Ele era o porto seguro delas, o investigador de elite que enfrentava monstros, mas ali, despido de sua farda e de sua guarda, ele parecia vulnerável. Parecia apenas o seu homem.
Ela lembrou-se do que ele dissera na sala: "Estou com fome".
Eduarda sabia que ele não acordaria para comer um prato de comida sólida. O cansaço dele era metabólico, profundo demais. Ela sentiu seus próprios seios pesarem, uma reação física à necessidade dele. Desde o nascimento de Maya, embora a bebê já estivesse com oito meses e comendo papinhas, Eduarda ainda mantinha uma produção de leite considerável, algo que Emanuel sempre achou fascinante e que, em momentos de intimidade e estresse extremo, servia como um elo de conexão quase místico entre eles.
Ela subiu na cama com delicadeza, sentando-se ao lado dele. Com mãos trêmulas, mas decididas, ela desabotoou sua blusa de seda leve, deixando-a cair pelos ombros. Soltou o sutiã, liberando os seios fartos e macios.
— Manu... — ela chamou em um fio de voz, apenas para testar o nível do sono dele.
Ele não respondeu. Apenas um suspiro longo escapou de seus lábios entreabertos.
Eduarda inclinou-se sobre ele, o cabelo castanho caindo como uma cortina sobre o peito de Emanuel. Ela o acomodou melhor na almofada e, com cuidado, guiou a cabeça dele para o seu colo. Suas mãos acariciaram o rosto barbudo, limpando uma mancha de fuligem na bochecha com o polegar.
— Eu vou te alimentar, meu guerreiro — sussurrou ela.
Ela aproximou o mamilo dos lábios dele. Por instinto, um reflexo primitivo que residia no fundo do subconsciente de qualquer homem exausto, Emanuel buscou o alento. Seus lábios se fecharam sobre o seio de Eduarda, e ele começou a mamar com uma sucção lenta, rítmica e profunda.
Eduarda fechou os olhos, uma expressão de paz absoluta em seu rosto doce. Ela sentia a conexão fluindo, o calor do leite saindo de seu corpo para nutrir o homem que ela amava. Não era apenas alimento físico; era uma transferência de energia, de calma, de cura.
Emanuel, mesmo dormindo, pareceu encontrar o que buscava. Suas mãos, grandes e calejadas, subiram instintivamente para envolver a cintura de Eduarda, apertando-a de leve, como se quisesse garantir que ela não fugiria. Ele sugava com vontade, um som baixo de satisfação emanando de sua garganta.
— Isso... descansa — murmurava Eduarda, passando a mão pelos cabelos curtos dele. — Eu estou aqui. A Sara está aqui. Suas filhas estão seguras.
Ela alternou os seios, cuidando dele como se ele fosse o seu terceiro bebê, o mais precioso e o mais necessitado. Enquanto ele mamava, Eduarda sentia o estresse dele se dissipar através do toque. Os músculos do pescoço de Emanuel, que antes estavam rígidos como cordas de aço, começaram a amolecer. A expressão de dor e concentração que ele trouxera das ruas foi substituída por uma serenidade que ela raramente via.
Lá fora, a chuva finalmente começou a cair, batendo suavemente contra as janelas de vidro. O som do mundo desapareceu, restando apenas o calor do quarto e o som rítmico da nutrição.
Após algum tempo, Emanuel soltou o seio, completamente saciado. Sua cabeça pendeu para o lado no colo de Eduarda, um traço de leite escorrendo pelo canto da boca. Ele parecia ter rejuvenescido dez anos em meia hora. O sono agora era leve, restaurador.
Eduarda limpou o canto da boca dele com um beijo casto. Ela se ajeitou na cama, deitando-se ao lado dele e puxando o edredom para cobri-los. Ela aninhou-se no braço dele, sentindo o cheiro de pele limpa e a força que emanava daquele corpo agora em paz.
A porta do quarto se abriu silenciosamente. Sara entrou, já vestindo um pijama de seda curta, o cabelo loiro solto. Ela parou ao pé da cama, observando a cena. Seus olhos vagaram pela farda jogada no chão, pela arma no cofre e, finalmente, para o casal entremelado. Ela viu o rastro de leite no canto da boca de Emanuel e os seios de Eduarda ainda parcialmente descobertos.
Um sorriso pequeno e genuíno, desprovido de qualquer vulgaridade ou malícia, surgiu nos lábios de Sara. Ela sabia que aquele era o papel de Eduarda. Enquanto ela cuidava das finanças, dos contratos e da guerra externa, Eduarda cuidava do santuário interno.
— Ele apagou mesmo? — perguntou Sara em um sussurro.
— Completamente — respondeu Eduarda, sorrindo de volta. — Ele estava com muita fome, Sara. Mas agora ele está bem.
Sara contornou a cama e deitou-se do outro lado de Emanuel. Ela passou o braço por cima do peito dele, tocando a mão de Eduarda sobre o abdômen do homem que compartilhavam.
— Amanhã ele vai acordar achando que tudo foi um sonho — disse Sara, fechando os olhos. — Mas ele vai estar forte. Graças a você, pequena.
— Graças a nós — corrigiu Eduarda.
Emanuel, no meio das duas, soltou um suspiro de contentamento. No fundo de seu subconsciente, ele sabia que o caos do mundo podia esperar. Ele estava alimentado, protegido e amado. O investigador de elite, o tatuador rico, o homem de gelo... todos eles se rendiam àquela cama de seda e ao alento que só as suas mulheres poderiam proporcionar.
A noite seguiu, e a cobertura de luxo tornou-se o único lugar no mundo onde o tempo não ousava acelerar. Ali, entre o cheiro de leite e o calor de corpos unidos, o guerreiro finalmente encontrou sua paz.