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Entre o Império e o Desejo

O silêncio no apartamento de luxo de Emanuel era tão denso que quase se podia tocá-lo. O relógio de parede marcava pouco mais de dez da noite, e a aura de tensão que emanava dele parecia carregar o próprio ar. Emanuel estava sentado no imenso sofá de couro italiano, com a gravata frouxa e os botões superiores da camisa abertos. Seus olhos, normalmente observadores e serenos, estavam injetados, refletindo o cansaço de um dia em que três de seus estúdios internacionais apresentaram problemas logísticos e a discussão com Eduarda sobre o cemitério ainda ecoava como um zumbido irritante em seus ouvidos.

Ele era um homem rico, poderoso e acostumado a ter o controle de tudo, mas naquele momento, sentia que sua paciência havia se esgotado completamente. Ele não queria mediar conflitos, não queria ouvir argumentos sobre história da arte e não queria relatórios de administração. Ele queria, pura e simplesmente, o que era seu.

Eduarda estava sentada em uma poltrona no canto da sala, encolhida, com um livro de gravuras renascentistas no colo que ela não lia de fato. Ela estava quieta, com o olhar baixo, sentindo o peso do humor sombrio de Emanuel. O episódio do cemitério não havia terminado bem; ela não fora, impedida pela presença dos seguranças e pelo próprio medo de decepcioná-lo ainda mais, mas o ressentimento ainda brilhava em seu peito como uma brasa fraca.

Sara, por outro lado, estava de pé perto do bar, servindo-se de um uísque puro. Ela usava um robe de seda preta que mal escondia as curvas generosas e o brilho da pele impecável. Ela observava Emanuel de soslaio, medindo a temperatura do ambiente. Sara sabia quando provocar, mas também sabia quando o leão estava ferido e perigoso.

— Você está com uma cara péssima, Emanuel — disse Sara, a voz carregada de uma sensualidade casual, tentando quebrar o gelo. — Devia deixar esses problemas de Londres para amanhã. Beba um pouco.

Emanuel não olhou para ela. Ele apenas fixou a vista em um ponto vazio na parede oposta.

— Eu não quero beber, Sara — respondeu ele, a voz saindo como um rosnado baixo e rouco. — E eu não quero conversar.

Eduarda levantou os olhos, a expressão de cachorrinho abandonado que costumava derreter Emanuel, mas hoje ele nem sequer suavizou o rosto.

— Manu... se você quiser, eu posso fazer aquela massagem que você gosta — sussurrou ela, tentando se aproximar emocionalmente, buscando a paz que sempre fora o refúgio dos dois.

Emanuel finalmente se moveu. Ele se inclinou para a frente, apoiando os cotovelos nos joelhos, e olhou para as duas. Havia uma chama escura em suas pupilas, uma mistura de desejo reprimido e uma necessidade autoritária de reafirmar seu domínio sobre aquele pequeno universo particular.

— Chega de massagens, chega de uísque e chega de silêncio punitivo — declarou ele, a voz ganhando uma firmeza que fez Eduarda estremecer e Sara arquear uma sobrancelha, interessada. — Hoje eu não tenho paciência para os rituais de vocês. Não vou para o quarto com a Duda para ser carinhoso e não vou para o escritório com a Sara para ser desafiado.

Ele se recostou no sofá, abrindo as pernas e batendo com as mãos em cada uma de suas coxas.

— Eu quero as duas. Agora. E quero do meu jeito.

Sara soltou um riso curto, uma mistura de surpresa e excitação. Ela adorava quando Emanuel perdia a civilidade e deixava transparecer o homem possessivo que era o dono daquela fortuna toda. Eduarda, porém, sentiu o rosto esquentar, a timidez lutando contra a obediência instintiva que devotava a ele.

— Emanuel... aqui na sala? — perguntou Eduarda em voz baixa, as mãos apertando o livro.

— Aqui e agora — ordenou ele, os olhos fixos nela. — Tirem a roupa. As duas.

O comando foi seco, sem espaço para negociação. Sara, sem hesitar, desamarrou o cinto do robe de seda, deixando-o escorregar pelos ombros. Ela ficou nua diante dele, exibindo o corpo esculpido, os seios siliconados e firmes, e a confiança de quem sabia exatamente o poder que exercia. Ela caminhou com passos lentos e provocantes até o sofá.

Eduarda hesitou por alguns segundos. Ela olhou para Sara — a mulher que ela respeitava, mas com quem evitava qualquer intimidade física — e depois para Emanuel. O olhar dele era uma ordem absoluta. Com as mãos trêmulas, ela se levantou e começou a desabotoar o vestido de linho. Quando a peça caiu no chão, revelando sua pele clara, os seios médios e macios e a silhueta delicada, ela cruzou os braços sobre o peito por um momento, sentindo-se exposta.

— Venham — disse Emanuel, a voz um pouco mais suave, mas ainda carregada de uma urgência sombria.

Sara foi a primeira. Ela se acomodou sobre a coxa direita de Emanuel, sentando-se de lado, sentindo o tecido áspero da calça dele contra sua pele. Ela passou um braço pelo pescoço dele, mas Emanuel a segurou pelo pulso, impedindo que ela o beijasse.

— Apenas sinta, Sara. Não tome o controle hoje.

Eduarda aproximou-se devagar, quase como se temesse ser repelida. Emanuel estendeu a mão e a puxou pela cintura, guiando-a para a coxa esquerda. Ela se sentou com delicadeza, aninhando-se contra o peito dele, escondendo o rosto em seu ombro enquanto suas pernas finas pendiam ao lado das dele.

A imagem era poderosa: Emanuel no centro, flanqueado por suas duas namoradas nuas, dois extremos de feminilidade que ele amava de formas tão distintas.

— Eu passo o dia inteiro sendo puxado por pessoas que querem um pedaço de mim — começou Emanuel, fechando os olhos enquanto sentia o peso das duas sobre suas pernas. — No trabalho, nos estúdios, até vocês duas com essas disputas silenciosas por atenção. Hoje, eu só quero sentir que vocês pertencem a mim. Sem palavras. Sem brigas.

Ele colocou as mãos sobre as cinturas delas, sentindo a diferença de texturas. A firmeza de Sara e a suavidade de Eduarda.

— Comecem — comandou ele. — Quero que se esfreguem em mim. Quero sentir o calor de vocês nas minhas coxas até que eu me esqueça de cada problema que tive hoje.

Eduarda, movida pela necessidade de agradá-lo e de acalmar o monstro do estresse que o habitava, começou a se mover timidamente. Ela deslizava o quadril sobre a perna dele, um movimento circular e manhoso, buscando o contato físico que sempre fora sua linguagem de amor.

Sara, por sua vez, era mais agressiva. Ela usava o peso do próprio corpo, pressionando-se contra a coxa de Emanuel com uma cadência rítmica e provocante, os olhos fixos nos dele, desafiando-o a manter a compostura.

As duas não se olhavam. Não se tocavam. Havia uma barreira invisível entre elas, uma fronteira de respeito e estranhamento que Emanuel era o único ponto de conexão.

— Mais — exigiu ele, a respiração começando a ficar pesada.

O atrito das peles nuas contra o tecido fino da calça de Emanuel criava uma eletricidade que parecia vibrar por toda a sala. Eduarda soltou um pequeno suspiro, fechando os olhos e deixando a cabeça pender para trás, entregando-se à sensação. Sara soltou um gemido baixo, uma provocação direta, enquanto suas unhas levemente compridas arranhavam de leve o braço do sofá.

Emanuel sentia a tensão em seus ombros finalmente começar a ceder, substituída por uma excitação bruta e purificadora. Ele apertou as mãos nas coxas delas, mantendo-as no ritmo que ele desejava.

— Vocês não têm ideia do quanto eu precisava disso — sussurrou ele, a voz vibrando contra o cabelo de Eduarda.

— Você trabalha demais, Manu — murmurou Eduarda, a voz embargada pela emoção e pelo prazer incipiente. — Só queremos que você esteja bem.

— Ela quer que você esteja bem — interrompeu Sara, com um sorriso malicioso, sem parar o movimento — mas eu quero que você se esqueça de que o mundo existe fora desta sala.

Emanuel sentiu um lampejo de irritação com a interrupção de Sara, mas o prazer que ela lhe proporcionava era inegável. Ele a puxou pelo cabelo, não com força suficiente para machucar, mas para lembrá-la de quem estava no comando.

— Sem ironias hoje, Sara. Apenas faça o que eu mandei.

Sara obedeceu, intensificando o movimento, o atrito de seu corpo contra o dele tornando-se quase insuportável de tão bom. Eduarda, sentindo a mudança de energia, também se esforçou mais, sua natureza doce transformando-se em uma urgência silenciosa para ser notada, para ser o porto seguro dele em meio àquela tempestade de sentidos.

Emanuel estava no ápice de seu estresse e de seu desejo. Ele olhou para Eduarda, tão frágil e dedicada, e depois para Sara, tão poderosa e vibrante. Ele percebeu que, embora elas não fossem amigas, embora mal conseguissem dividir um café sem trocarem farpas, ali, sob o comando dele, elas eram uma unidade. Elas eram o equilíbrio que impedia que ele desmoronasse.

— Olhem para mim — ordenou ele.

As duas pararam o movimento por um segundo e fixaram os olhos nele. Eduarda com adoração e um pouco de medo; Sara com desejo e uma admiração feroz.

— Eu não vou escolher entre o casamento da prima e a viagem de iate agora — disse ele, a voz firme. — Eu não vou falar sobre o cemitério e não vou assinar mais nenhum papel. A única coisa que importa é que vocês são minhas. Entendido?

— Sim, Manu — sussurrou Eduarda.

— Como você quiser, meu rei — respondeu Sara, com um brilho de deboche que Emanuel decidiu ignorar por ora.

Ele fechou os olhos novamente, sentindo o movimento recomeçar. O calor dos corpos delas, o perfume floral de Eduarda misturado ao aroma amadeirado e caro de Sara, e a pressão rítmica em suas pernas agiam como um bálsamo. O estresse de ser um magnata da tatuagem, o dono de um império construído com dor e tinta, parecia sumir.

Por alguns minutos, o mundo se resumia àquele sofá, ao som das respirações ofegantes e ao toque de duas mulheres que, de formas tão opostas, ocupavam cada espaço de sua vida. Emanuel sentia-se um homem de sorte, mas também um homem condenado a esse eterno cabo de guerra.

Quando ele finalmente sentiu que a tensão havia sido drenada e substituída por uma satisfação plena, ele parou o movimento delas, segurando-as com firmeza.

— Agora — disse ele, levantando-se e levando as duas consigo, uma em cada braço, como se fossem extensões de sua própria vontade —, vamos para o quarto. E eu não quero ouvir uma palavra de nenhuma das duas que não seja um gemido.

Sara sorriu, vitoriosa. Eduarda baixou a cabeça, escondendo um sorriso tímido. Elas caminharam pelo corredor, cada uma ao lado dele, mantendo a distância civilizada entre si, mas unidas pelo homem que as governava.

Emanuel entrou no quarto, fechando a porta para o mundo exterior. O estresse ainda estaria lá no dia seguinte, os problemas de Londres não sumiriam e o casamento da prima de Eduarda continuaria sendo um ponto de discórdia. Mas naquela noite, sob os lençóis de seda e o brilho fraco do abajur, ele não era o empresário rico ou o tatuador renomado. Ele era apenas Emanuel, e ele tinha tudo o que precisava para sobreviver a mais um dia de caos.