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D

O Trono Dividido

Emanuel ficou no jardim, o frio da pedra do banco se infiltrando através de suas roupas, mas ele não o sentia. O único frio que importava era o que as palavras de Eduarda haviam deixado em seu peito. *“Você pode me esquecer.”* A frase era um absurdo, uma impossibilidade ontológica. Era como pedir ao sol que esquecesse de queimar. Ele a havia encontrado. Ela era sua. Fim da história.

Mas ela havia introduzido uma complicação que sua mente pragmática não antecipara: o orgulho da presa. Ele esperava medo, submissão, talvez até uma resistência física que ele pudesse dominar. Mas não esperava uma rebelião de princípios. Ela não queria lutar contra ele; ela queria lutar por um lugar *ao lado* dele. Um lugar na luz.

A ironia era venenosa. Ele, um homem que construíra um império nas sombras da pele humana, que se movia com a discrição de um predador, agora era confrontado com uma exigência de luz solar. Ela não queria ser um tesouro guardado em um cofre escuro. Ela queria ser a joia da coroa.

E o que era mais enlouquecedor era que, no fundo, ele entendia. A possessão não era completa se o objeto possuído estivesse escondido. Era como comprar uma obra-prima e nunca exibi-la. A verdadeira posse vinha da exibição, do conhecimento de que todos viam e cobiçavam, mas apenas ele podia tocar. Eduarda, com sua intuição emocional e sua teimosia manhosa, havia tropeçado na verdade mais profunda de seu desejo. Ela não estava pedindo liberdade; estava exigindo um nível mais elevado de cativeiro. Um que fosse público.

O acordo com Sara, que parecera uma obra-prima de manipulação diplomática minutos antes, agora se desfazia em cinzas. Era um contrato falho, baseado numa premissa que a outra parte — a parte mais importante — se recusava a aceitar.

Ele se levantou. A decisão foi tomada no instante em que a compreensão o atingiu. Não haveria renegociação. Haveria uma declaração. Ele não estava pedindo permissão; estava informando sobre uma mudança na estrutura de poder. A rainha teria que aprender a dividir o trono.

Ele entrou na casa, os passos pesados e determinados. Subiu as escadas, ignorando os sons da vida familiar que voltavam a preencher os espaços. A porta do quarto de hóspedes estava fechada. Ele a abriu sem bater.

Sara estava de pé em frente ao espelho, vestindo apenas um robe de seda preta que mal cobria suas curvas. Ela aplicava um creme caro no pescoço com movimentos lentos e deliberados. O banho longo não parecera lavar a tensão de seus ombros. Ao vê-lo pelo reflexo, seus olhos se estreitaram.

— Voltou do seu passeio romântico no jardim? — perguntou ela, a voz pingando sarcasmo. — Espero que tenha acertado os ponteiros com a sua camponesa. Deixou claro para ela que o lugar dela é na casinha do cachorro?

Emanuel fechou a porta atrás de si, o clique da fechadura soando definitivo.

— O acordo mudou, Sara.

Ela parou o movimento, a mão pairando no ar. Lentamente, ela se virou para encará-lo. Havia um brilho perigoso em seus olhos, o de uma predadora que sente o cheiro de sangue.

— Mudou? — ela repetiu, a voz perigosamente suave. — Não me lembro de ter participado de nenhuma nova rodada de negociações. Pelo que me recordo, os termos foram estabelecidos. Ela é sua puta secreta. Fim da discussão.

— Não. — Ele caminhou até o centro do quarto, posicionando-se como uma rocha no meio de uma correnteza. Ele estava calmo, sua voz era um barítono nivelado, o que a tornava ainda mais ameaçadora. — Eduarda não será um segredo. Ela não será uma sombra. Ela será minha namorada.

O silêncio que se instalou foi tão profundo que ele podia ouvir a própria pulsação em seus ouvidos. O rosto de Sara passou por uma série de microexpressões: choque, incredulidade, e então, uma fúria tão pura e branca que parecia sugar todo o calor do ambiente.

Ela riu. Uma gargalhada alta, estridente, que não continha um pingo de humor. Era o som de algo se quebrando.

— Sua… namorada? — ela sibilou, dando um passo à frente. — Você só pode estar de brincadeira. Você tem *uma* namorada. E ela está bem na sua frente, prestes a arrancar seus olhos com as unhas.

— Eu terei duas.

A frase foi a faísca na pólvora. Sara gritou, um som gutural de pura raiva, e com um movimento rápido, varreu todos os frascos de perfume e cremes caros da penteadeira. Vidro se estilhaçou contra o chão, e o ar se encheu de uma cacofonia de fragrâncias de luxo.

— DUAS? VOCÊ ACHA QUE EU SOU O QUÊ? UMA ESPÉCIE DE SULTÃO EM UM BORDEL DE QUINTA CATEGORIA? VOCÊ PERDEU COMPLETAMENTE O JUÍZO!

— Pelo contrário, Sara. Eu nunca estive tão lúcido. — Ele não se moveu, não se encolheu. Apenas a observou, deixando que a tempestade se abatesse. — Eu preciso dela. Eu a quero. E ela não aceita viver nas sombras. Ela tem orgulho. E eu não vou quebrar o orgulho dela, porque é parte do que eu quero possuir.

— Possuir? Orgulho? — Ela andava de um lado para o outro como uma leoa enjaulada, o robe de seda se abrindo e revelando suas pernas a cada passo furioso. — Você está falando como um louco! Isso não é sobre o orgulho dela, é sobre a *minha* humilhação! Você quer que eu ande por aí e apresente: ‘Oi, pessoal, este é o Emanuel, meu namorado, e esta é a Eduarda, a outra namorada dele’? Quer que eu vire piada nos círculos sociais que nós dominamos?

— Eu não me importo com os círculos sociais.

— MAS EU ME IMPORTO! — ela gritou, parando na frente dele, o rosto a centímetros do seu. — Eles são a prova do nosso poder! São o campo de batalha onde eu venço por nós todos os dias! E você quer que eu entre nesse campo desarmada, ridicularizada, transformada na esposa traída que é fraca demais para deixar o marido?

— Você nunca será vista como fraca. — A voz dele era hipnótica, tecendo uma nova realidade. — Você será vista como a mulher tão poderosa, tão confiante, que permite que seu homem tenha um capricho porque sabe que o trono principal é inabalavelmente seu. Será a prova máxima do seu poder, não da sua fraqueza.

Sara o encarou, a respiração ofegante, o peito subindo e descendo. A lógica perversa dele era quase convincente. Quase.

— Vá para o inferno, Emanuel. O acordo está desfeito. Tudo está desfeito. Quando sairmos daqui, vou ligar para o meu advogado. Vou pegar metade de tudo o que você tem. Não, quer saber? Vou pegar tudo. Eu redigi os contratos. Eu sei onde cada corpo está enterrado.

Era a ameaça final. A bomba nuclear. Mas Emanuel não recuou. Seus olhos se tornaram frios como gelo.

— Faça isso — disse ele, a voz um desafio mortal. — Destrua tudo. O império, nossa história, nosso futuro. Queime tudo até o chão. Você pode ter o dinheiro. Mas você me perde. Para sempre. E eu vou para ela. Sem nada. E vou reconstruir tudo com ela ao meu lado. E a cada passo, a cada vitória, você vai se lembrar que trocou o rei por um punhado de ouro.

Foi o golpe de mestre. Ele não estava apenas ameaçando deixá-la; estava ameaçando substituí-la completamente, não apenas no coração, mas no império. Ele estava dizendo que ela, Sara, a administradora indispensável, era, no fim das contas, substituível.

Aquilo a atingiu com mais força do que qualquer grito ou objeto arremessado. A fúria em seu rosto vacilou, dando lugar a algo que Emanuel raramente via nela: medo. Um medo cru e visceral de ser apagada. De se tornar irrelevante. De perder não apenas o jogo, mas o próprio tabuleiro.

Ela recuou, o corpo perdendo a rigidez. Ela se abraçou, o tecido de seda de repente parecendo uma armadura frágil demais. Ela olhou ao redor do quarto, para os cacos de vidro no chão, para a vida de luxo e poder que eles representavam. E olhou para ele. O homem que era o arquiteto e a fundação de tudo isso.

Ela era uma mulher de negócios. E um bom negociante sabe quando está em uma posição de fraqueza. Sabe quando blefar não vai funcionar. E sabe que, às vezes, um acordo ruim é melhor do que nenhuma acordo.

— Você faria isso, não faria? — sussurrou ela, a voz rouca. — Você realmente jogaria tudo fora por ela.

— Eu jogaria tudo fora para não ter que escolher — corrigiu ele, a voz suavizando um pouco, percebendo a rachadura na armadura dela. — Eu quero você, Sara. Eu preciso da sua mente, da sua força. Mas eu não posso funcionar com essa… divisão na minha alma. Não posso tê-la como um segredo. A necessidade dela me consome, e se eu tiver que escondê-la, isso vai me destruir por dentro. E um homem destruído não serve para governar império nenhum.

Ele se aproximou, parando a uma distância respeitosa.

— Eu não estou pedindo para você amá-la. Não estou pedindo para serem amigas. Estou estabelecendo um novo sistema. Uma monarquia dual.

— Um homem, duas rainhas — disse ela, a voz cheia de um desprezo amargo. — Que progressista.

Ela caminhou até a cama e se sentou, o corpo de repente parecendo exausto. Ela encarou as próprias mãos por um longo tempo. O cérebro dela, a máquina de calcular implacável, estava processando as variáveis.

*Opção A: Rejeitar. Perder Emanuel. Perder o império. Ficar com o dinheiro, mas sem o poder. Vê-lo reconstruir a vida com outra. Derrota total.*

*Opção B: Aceitar. Manter Emanuel. Manter o império. Manter o status. Engolir a humilhação. Compartilhar o trono. Permanecer no jogo. Lutar de dentro. Esperar. Encontrar uma fraqueza. A leoa é mais perigosa que o leão.*

A decisão era óbvia. Dolorosa, humilhante, mas óbvia.

— Tudo bem, Emanuel. — A voz dela era um sopro de gelo. Ela ergueu a cabeça, e a vulnerabilidade havia desaparecido, substituída por uma determinação fria de aço. — Você venceu. Você pode ter o seu harém.

Ele sentiu o alívio percorrer seu corpo, mas o manteve escondido. Ele apenas assentiu, esperando.

— Mas se vamos reescrever o contrato, vamos fazê-lo com as minhas cláusulas. E elas não são negociáveis. — Ela se levantou, a rainha retomando seu poder, mesmo em um trono dividido. — Cláusula número um: Hierarquia. Eu sou a primeira. Em tudo. Em público, sou sua única namorada. Ela é… uma amiga da família, uma protegida, o que quer que seja. Mas o título de namorada, na frente do mundo, é meu e apenas meu.

— Aceito.

— Cláusula número dois: Território. Meus espaços são meus. Nosso apartamento em Nova York, nossa casa em Londres, nossos eventos. Ela não pisa neles, a menos que eu a convide. E eu nunca vou convidar. Você pode arranjar um ninho para o seu passarinho em outro lugar. Um lugar que eu não precise ver ou saber que existe.

— Aceito.

— Cláusula número três: Lealdade. A sua lealdade primária é comigo. Se houver um conflito de interesses, um problema de negócios, uma crise familiar, você fica do meu lado. Ela é o seu luxo, Emanuel. Eu sou a sua fundação. E você nunca, jamais, sacrifica a fundação pelo luxo.

— Aceito.

Ela sorriu, um movimento gélido de seus lábios.

— E a cláusula final. A mesma de antes, mas agora com juros. Meu corpo, minhas regras. Minha vida, minhas escolhas. A monogamia está morta e enterrada. E eu vou dançar no túmulo dela sempre que eu quiser, com quem eu quiser. E você vai sorrir e dizer: ‘Divirta-se, querida’.

A pontada de ciúme possessivo o atingiu novamente, mas ele a esmagou. Era o preço.

— Aceito. — ele disse, a voz firme. — Contrato fechado.

— Ótimo. — ela disse, virando-lhe as costas. — Agora saia. Eu preciso me recompor da visão repugnante do homem que eu amo se transformando no maior clichê ambulante da história. E mande alguém limpar essa bagunça. O cheiro de derrota e perfume barato está me dando dor de cabeça.

Emanuel não disse mais nada. Ele se virou e saiu do quarto, fechando a porta suavemente. Ele havia conseguido. De novo. Havia empurrado os limites da realidade e a dobrado à sua vontade. O preço fora alto — a autonomia de Sara, um nível de ódio em seus olhos que ele nunca vira antes —, mas o prêmio era tudo.

***

A manhã seguinte chegou com a notícia de que a ponte estava liberada. O mecânico, um homem local taciturno, chegou com a peça necessária, e em poucas horas, o ronco poderoso do SUV de Emanuel ecoou pela propriedade, um som alienígena naquele paraíso rural.

A despedida foi uma cena estranha de cordialidade forçada. Helena e Marcos agradeceram a paciência dos hóspedes. As primas de Eduarda olhavam para Emanuel com uma mistura de medo e admiração.

Eduarda estava perto da mãe, encolhida, o coração uma confusão de esperança e pânico. Ela vira a fúria de Sara na noite anterior, ouvira os gritos abafados e o som de vidro se quebrando. E vira a forma como Sara olhava para Emanuel no café da manhã: com um desprezo gelado que era mais assustador do que qualquer briga.

Sara, impecável em um terninho de viagem, distribuía sorrisos polidos que não alcançavam seus olhos. Ela se aproximou de Eduarda, que se encolheu instintivamente.

— Foi um prazer te conhecer, Duda. — A voz de Sara era mel. — Você é uma garota muito… doce. Cuide-se. O mundo lá fora pode ser bem cruel com coisas doces.

Era um aviso. Uma ameaça velada, entregue com um sorriso. Sara então se virou e entrou no carro, sem olhar para trás.

Emanuel estava terminando de se despedir de Marcos. Ele se virou e seus olhos encontraram os de Eduarda. A ansiedade no rosto dela era palpável. Com um aceno de cabeça para os pais dela, ele caminhou em sua direção.

— Preciso de um minuto com a Eduarda. Agradecer por ela ter cuidado da minha mão.

Ele não esperou por uma resposta. Segurou o braço de Eduarda gentilmente e a guiou para longe do grupo, em direção ao galpão de ferramentas, agora silencioso.

Assim que ficaram fora da vista dos outros, ele a encurralou contra a parede de madeira, as duas mãos apoiadas ao lado da cabeça dela.

— Está com medo? — ele perguntou, a voz baixa.

Ela assentiu, incapaz de falar.

— Não precisa ter. O que eu te prometi, eu cumpri. — Ele se inclinou, o hálito quente em sua bochecha. — Não haverá segredos. Não entre nós. Ela sabe. Ela aceitou.

O alívio foi tão intenso que as pernas de Eduarda fraquejaram. Ela se apoiou nele, as mãos em seu peito.

— Como? Ela estava tão…

— Sara entende de negócios. E eu deixei claro que você não é negociável. — Ele sorriu, um sorriso possessivo. — Você é minha. Na luz ou na sombra, mas minha. E o que é meu, eu não escondo.

Ela o olhou, os olhos brilhando com lágrimas de gratidão e adoração. Ele era seu herói, seu cavaleiro sombrio que havia lutado contra o dragão por ela.

— Onde você mora, Eduarda? Na cidade?

— Em São Paulo. — ela respondeu, a voz ainda trêmula. — Meus pais e eu moramos lá. Só viemos para cá nas férias.

O sorriso de Emanuel se alargou. Perfeito. Tudo se encaixando.

— Eu também moro em São Paulo. — Ele tirou o celular do bolso e o colocou na mão dela. — Coloque o seu número. O seu número pessoal.

Com os dedos trêmulos, ela digitou os números. Ele pegou o celular de volta e, em segundos, o telefone dela, que estava no bolso de seu casaco, vibrou.

— Esse é o meu número privado. Ninguém mais tem. Só você. — Ele a puxou para um beijo rápido e faminto, um beijo que era uma marca, uma promessa. — Nós vamos embora agora. Mas isso não acabou. Assim que eu resolver algumas coisas na cidade, eu vou te procurar. E nós vamos ter o nosso primeiro encontro de verdade.

— E a Sara? — sussurrou ela contra os lábios dele.

— Sara tem o mundo dela. Você terá o seu. E eu… — ele a beijou de novo, mais profundamente — …terei os dois.

Ele a soltou, deu um passo para trás e olhou para ela, dos pés à cabeça, como se estivesse memorizando cada detalhe.

— Espere a minha ligação.

Ele se virou e foi embora, deixando-a encostada na parede do galpão, o corpo tremendo, o coração batendo descontroladamente, o gosto dele em seus lábios. Ela havia vencido. Ela tinha conseguido o que queria. O príncipe havia escolhido lutar por ela.

Minutos depois, ela ouviu o carro partir, o som do motor diminuindo até desaparecer. Ela levou a mão ao pulso. A marca de caneta ainda estava lá, um pouco desbotada. Mas agora, ela sentia outra marca, uma que fora gravada em sua alma. E essa, ela sabia, era permanente.

Dentro do carro, o silêncio era uma arma. Sara olhava fixamente para a estrada de terra que se afastava da casa de campo, o rosto uma máscara de gelo. Emanuel dirigia com uma concentração focada, as mãos firmes no volante.

— Então? — disse Sara, sem olhá-lo. — Disse adeus ao seu novo brinquedo?

— Eu disse a ela para esperar a minha ligação.

Sara soltou um som que era quase uma risada.

— Claro que disse. O contrato começa hoje, afinal. — Ela finalmente se virou para ele, e seus olhos eram como cacos de vidro azul. — Aproveite enquanto dura, Emanuel. Aproveite bem a sua nova… cor. Porque eu sou uma artista também. E a minha especialidade é misturar cores até que uma delas desapareça completamente. E eu sou muito, muito paciente.

Emanuel não respondeu. Apenas continuou dirigindo, os olhos fixos na estrada que os levaria de volta a São Paulo. De volta ao mundo real.

Ele havia conseguido o que queria. Tinha a sua rainha e a sua princesa. Havia estabelecido seu trono dividido. Mas, ao sentir o peso do olhar de Sara, um olhar que prometia uma guerra de atrito longa e brutal, ele teve um vislumbre fugaz do futuro.

O paraíso isolado da casa de campo havia acabado. Agora, a guerra civil começaria. E o campo de batalha seria a selva de pedra de São Paulo, um lugar muito menos propenso a contos de fadas e muito mais favorável a leões e leoas. A estrada à frente era lisa e pavimentada, mas Emanuel sentia, pela primeira vez, que estava dirigindo em direção a um abismo. E estava levando todos com ele.