D
A Casa dos Ecos
O convite chegou como um fantasma de um tempo mais simples, uma voz no telefone que não pertencia ao coro de advogados, investidores e assistentes que compunham a banda sonora da vida de Emanuel.
— Manu? É o Vicente. Ainda se lembra de como fugir dessa sua torre de marfim?
Vicente era uma relíquia. Um escultor que vivia de sua arte e de uma herança familiar que lhe permitia o luxo de ignorar o mundo. Eram amigos desde a adolescência, um elo forjado em noites de filosofia barata e sonhos grandiosos, antes de os sonhos de Emanuel se tornarem projetos de sete dígitos e os de Vicente, formas retorcidas em bronze e mármore.
— Vicente. — A voz de Emanuel suavizou, uma mudança de registo que fez Sara, do outro lado da sala de estar, erguer uma sobrancelha por cima de seu livro. — Achei que você tinha sido abduzido por uma de suas musas de argila.
— Quase. Mas ela me libertou em troca de um favor. Preciso de um olhar crítico sobre a minha nova série antes de a expor. E, mais importante, herdei a casa da tia-avó Matilde. Você precisa ver esta aberração. É uma monstruosidade vitoriana no meio da serra, cheia de corredor que não leva a lugar nenhum e com um sótão que provavelmente guarda a Arca da Aliança. Venha passar o fim de semana. Traga as suas damas. Prometo vinho bom e o mínimo de assombrações.
Emanuel riu, mas a menção de “damas” o fez olhar para a sala. Sara, a rainha em seu trono de design italiano. E Eduarda, que estava sentada junto à janela, desenhando em um caderno, a luz do fim de tarde a envolvendo como um halo. O seu refúgio. A sua ferida.
Desde a crise na clínica, meses antes, um novo e frágil equilíbrio havia sido estabelecido. Emanuel tentava. Tentava ouvir mais, controlar menos. Tentava dar a Eduarda o ar que ela pedira, mesmo que seu instinto fosse envolvê-la em plástico-bolha e guardá-la num cofre. Um fim de semana fora da cidade… era ar. Mas também era um risco.
— Não sei, Vicente. Estamos no meio de um…
— Pelo amor de Deus, Emanuel, não me venha com a desculpa da fusão com a Ásia. Você vive em fusão com a Ásia. É um fim de semana. A casa é isolada, segura. Ar puro, silêncio. Vai fazer bem à sua alma, se é que ainda tem uma.
A provocação atingiu o alvo.
— Tudo bem. Mas se a sua tia-avó aparecer para o chá da meia-noite, a conta do exorcista é sua.
— Combinado.
Quando ele desligou, o silêncio na sala era expectante.
— Vamos passar o fim de semana na serra — anunciou ele, a voz neutra, como se estivesse a anunciar uma mudança na bolsa de valores. — Na casa de um amigo.
Sara baixou o livro.
— Serra? Que serra? E que amigo? Alguém que conhecemos ou um dos seus esqueletos do armário pré-império?
— Vicente Alencar. O escultor. E não, você não o conhece. — Ele se virou para Eduarda. — Você gostaria, Duda? Uma casa de campo antiga, vitoriana.
Os olhos de Eduarda se iluminaram, a primeira faísca genuína que ele via neles naquele dia. A dor no peito dela era um barómetro, e o interesse era o primeiro sinal de céu limpo.
— Vitoriana? A sério? Com torres e janelas altas? — perguntou ela, deixando o caderno de lado.
— E, aparentemente, assombrada — acrescentou Emanuel, com um meio sorriso.
A reação foi imediata e diametralmente oposta.
O sorriso de Eduarda alargou-se.
— Assombrada? Eu adoraria!
Sara bufou, um som de puro desdém.
— Ah, ótimo. Um fim de semana de poeira, correntes de ar e histórias de fantasmas para entreter os camponeses. Que perspetiva encantadora. Prefiro ter uma cárie.
— A sua presença não é obrigatória, Sara — disse Emanuel, o tom um aviso.
— Oh, é sim — retrucou ela, levantando-se. — Se você vai levar o seu bibelô de porcelana para um cenário de filme de terror de baixo orçamento, alguém precisa de estar lá para garantir que ela não se quebre. E para me certificar de que o seu amigo artista não tenta esculpir você nu no jardim. Eu vou. Mas vou levar o meu próprio vinho. E o meu próprio Wi-Fi portátil.
O acordo estava selado, não com um aperto de mãos, mas com a resignação tensa que se tornara a base do seu triângulo.
A viagem, na sexta-feira, foi um estudo de contrastes. Sara, no banco da frente, passara as duas horas de estrada a resolver uma crise logística em Hong Kong pelo telefone, a sua voz um bisturi a cortar jargão corporativo. Eduarda, no banco de trás, estava em silêncio, o rosto colado à janela, a observar a paisagem urbana derreter-se em tons de verde, os olhos a absorver cada árvore, cada colina. Emanuel conduzia, um deus silencioso no comando da sua carruagem de metal, consciente de cada respiração, de cada tensão no espaço confinado do carro.
A casa apareceu de repente, depois de uma curva numa estrada de terra ladeada por árvores antigas cujos galhos se entrelaçavam no cimo, formando um túnel sombrio.
Era exatamente como Vicente a descrevera: uma monstruosidade. Três andares de madeira escura, com um telhado de ardósia íngreme, uma torre assimétrica e uma varanda que a envolvia como um laço de renda apodrecida. As janelas eram inúmeras, olhos escuros e vazios a observar a sua chegada. A tinta descascava em alguns pontos, e a hera subia por uma das paredes, mas a estrutura era majestosa, imponente. Tinha a beleza melancólica de algo que sobrevivera ao seu próprio tempo.
— Meu Deus — sussurrou Eduarda, maravilhada. — É perfeita.
— Parece o cenário de um massacre — murmurou Sara, a guardar o telemóvel na mala como se o sinal de civilização estivesse prestes a desaparecer.
Vicente os esperava na varanda, um homem alto e magro com cabelo grisalho despenteado e uma camisa de linho manchada de tinta. Ele abraçou Emanuel com a familiaridade de um irmão e cumprimentou as duas mulheres com um charme boémio e um olhar que via mais do que era confortável.
— Sara. A arquiteta do império. É um prazer. A sua reputação a precede. — Ele beijou a mão dela, um gesto que a fez parecer momentaneamente desarmada.
— Eduarda. A musa. — Ele sorriu para ela, um sorriso genuíno e caloroso. — Emanuel me falou de você. Disse que você vê cores que os outros não veem. A casa vai gostar de você.
A frase pairou no ar. Emanuel lançou um olhar de aviso a Vicente, que o ignorou com um piscar de olho.
O interior era ainda mais impressionante. Um labirinto de salas repletas de móveis pesados cobertos por lençóis brancos, que lhes davam a aparência de uma assembleia de fantasmas. O chão de madeira rangia a cada passo, e o ar era denso com o cheiro de pó, madeira velha e terebintina vindo do estúdio improvisado de Vicente.
— Desculpem a bagunça. Tia Matilde era uma acumuladora de silêncios — disse Vicente, a guiar-lhes por um corredor escuro. — Os quartos ficam no segundo andar. Emanuel, o seu é o de sempre, o antigo quarto do meu avô. Sara, a suíte ao lado é sua. E para você, Eduarda, preparei o quarto da torre. Tem a melhor luz. E a melhor vista do jardim dos chorões.
A separação dos quartos era uma delicadeza estratégica de Vicente, uma que Emanuel apreciou e odiou. Dava-lhes espaço, mas também reforçava a sua divisão.
Enquanto subiam a escadaria imponente, cuja madeira escura era entalhada com o que pareciam ser rostos grotescos, Sara parou a meio.
— Que raio de barulho é este? — perguntou ela, a voz tensa.
Era um som baixo, rítmico. Um *tump-tump-tump* que parecia vir das paredes.
— Ah, isso? — disse Vicente, casualmente. — São os canos. A casa tem quase cento e cinquenta anos. Ela geme um pouco. A Tia Matilde dizia que era o coração da casa a bater.
— Parece mais um enfarte iminente — retrucou Sara, apressando o passo.
Eduarda, no entanto, parou e encostou a mão na parede fria. Fechou os olhos por um momento.
— Não é assustador — disse ela, a voz baixa. — É… triste.
Emanuel a observou, um nó de preocupação e fascínio no estômago. O diagnóstico do Dr. Bastos ecoou em sua mente: *o corpo grita o que a mente não consegue sussurrar*. Eduarda não estava apenas a ver uma casa velha; estava a sentir uma emoção, a projetar a sua própria melancolia nas paredes. Ou talvez, e a ideia o arrepiou, ela estivesse realmente a sentir algo que estava ali.
O quarto de Eduarda na torre era circular, com janelas altas em arco que davam para um jardim coberto de névoa onde salgueiros-chorões se inclinavam como carpideiras. Uma cama de ferro forjado dominava o centro do quarto, e um antigo espelho com uma moldura de prata oxidada estava encostado a uma parede.
— É o quarto mais bonito em que já estive — disse Eduarda, rodopiando no centro, os braços abertos.
Sara, que espreitava da porta, fez uma careta.
— É a cela mais bonita, você quer dizer. Eu não dormiria aqui nem que me pagassem. Esse espelho parece roubar almas.
— Ele só reflete o que já está lá, Sara — disse Vicente, com um sorriso enigmático. — Se a sua alma está intacta, não tem o que temer.
A troca de farpas foi interrompida por Emanuel.
— Chega. Vamos descarregar as malas. Vicente, onde está o vinho que você prometeu?
A noite caiu rapidamente na serra, um manto de escuridão e silêncio que era quase palpável, quebrado apenas pelo som dos grilos e pelo gemido ocasional da casa. Depois do jantar, sentaram-se em frente a uma lareira crepitante na enorme biblioteca.
Eduarda estava no seu elemento. Puxou um álbum de fotografias antigo do colo de Vicente e começou a fazer perguntas sobre as pessoas nas imagens desbotadas.
— Quem é esta, Vicente? Ela tem um olhar tão triste.
— Essa é a minha tia-bisavó, Isadora. A primeira dona da casa. A história da família diz que ela enlouqueceu depois que o noivo morreu na véspera do casamento. Passou o resto da vida a vaguear por estes corredores, vestida de noiva, à espera que ele voltasse.
Sara, que tentava encontrar sinal no telemóvel perto da janela, virou-se bruscamente.
— Você só pode estar a brincar. Que clichê. Uma noiva fantasma? Qual é a próxima? Um mordomo com um gancho no lugar da mão?
— Não há mordomo. Mas há relatos de pessoas que ouvem um piano a tocar no salão de baile durante a noite. O detalhe é que nós não temos um piano — disse Vicente, o rosto sério à luz do fogo.
— Eu adoraria ouvir — disse Eduarda, genuinamente animada.
— Você é doida — declarou Sara, voltando a sua atenção frustrada para o telemóvel.
Emanuel observava a dinâmica. A sua rainha do gelo, a mulher que comandava reuniões e destruía impérios, estava visivelmente desconfortável. A sua postura era rígida, os seus movimentos bruscos. Cada rangido do chão a fazia saltar. A sua racionalidade estava a ser atacada por algo que ela não podia analisar numa planilha: o medo do desconhecido.
Eduarda, por outro lado, estava a florescer. A sua curiosidade natural, a sua sensibilidade, haviam encontrado um playground. Ela não via uma ameaça; via uma história, uma alma. Pela primeira vez em muito tempo, ela não era a paciente, a vítima. Era a exploradora.
Mais tarde, quando se preparavam para dormir, a tensão escalou. Um vento forte começou a soprar lá fora, a uivar pelas frestas das janelas antigas. No corredor do segundo andar, uma porta no fim do corredor bateu com força.
Sara, que saía do seu quarto, deu um grito abafado e recuou, o rosto pálido.
— O que foi isso?!
— Apenas o vento, Sara — disse Emanuel, que saía do seu próprio quarto.
— Vento não bate portas fechadas!
Eduarda apareceu na porta do seu quarto na torre, um roupão de seda branco a envolvê-la.
— Às vezes, as casas velhas assentam. As portas desalinham-se. Não foi nada.
A calma de Eduarda pareceu enfurecer Sara ainda mais.
— Ah, claro! A especialista em casas assombradas! Você está a adorar isto, não está? Este circo de horrores rústico.
— Eu só não tenho medo de uma casa, Sara — respondeu Eduarda, a voz suave, mas firme.
— Porque você não tem nada a perder! Você vive num conto de fadas, seja ele bom ou mau! Eu tenho um império para gerir, não tenho tempo para me assustar com correntes de ar!
— O império pode esperar até segunda-feira — disse Emanuel, a voz baixa e autoritária, a tentar apaziguar a situação. — Agora, vamos todos para os quartos.
Ele acompanhou Sara até à porta do quarto dela.
— Você está bem? — perguntou ele, em voz baixa.
— Estou ótima — sibilou ela. — Só preciso que você controle a sua namoradinha médium e os seus amigos excêntricos. E tranque a sua porta.
Ele a observou entrar e bater a porta. Suspirou e se virou para Eduarda, que ainda estava parada no corredor, a observar a porta que havia batido.
— Você não devia provocá-la — disse ele.
— Eu não a provoquei. Eu só não tenho medo. — Ela se virou para ele, os olhos grandes e sérios. — Você tem?
A pergunta o pegou de surpresa.
— Medo de quê? De uma porta a bater? Não seja ridícula.
— Não. Medo disto. — Ela gesticulou para o ambiente. — Deste silêncio. Desta escuridão. Longe das suas luzes, do seu barulho. Longe do seu controlo.
Ela o conhecia bem demais. Ele se aproximou dela, o instinto de posse a lutar contra a sua promessa de lhe dar espaço.
— A única coisa de que tenho medo é que algo aconteça com você.
— Nada vai acontecer comigo aqui, Emanuel. — Ela tocou o braço dele, um gesto de segurança que era uma inversão completa dos seus papéis habituais. — Esta casa é triste, não é má. Eu sinto.
Ele queria zombar da sua intuição, da sua sensibilidade, mas não conseguiu. Olhando para ela ali, tão calma e segura em meio às sombras e aos sons estranhos, ele percebeu que ela estava em casa. A sua alma, que sempre pareceu um pouco deslocada no mundo moderno e frio dele, ressoava com a melancolia daquele lugar.
— Vá dormir, Duda — disse ele, a voz mais suave. — Tranque a sua porta.
— Não precisa. — Ela sorriu. — A noiva fantasma e eu vamos ser boas amigas.
Ela lhe deu um beijo rápido no rosto e se retirou para o seu quarto na torre, deixando-o sozinho no corredor escuro.
Ele ficou ali por um momento, a ouvir os sons da casa. O uivo do vento, o ranger da madeira, o *tump-tump-tump* distante dos canos. Era o som de um organismo vivo e antigo a respirar. E, pela primeira vez, ele sentiu um arrepio. Não de medo, mas de reconhecimento. A casa, como ele, era cheia de ecos, de quartos fechados e de histórias não contadas.
Ele foi para o seu quarto, mas não conseguiu dormir. A imagem de Sara, pálida e assustada, e a de Eduarda, serena e curiosa, lutavam em sua mente. O medo de Sara era uma fraqueza que o irritava e, paradoxalmente, o fazia sentir-se mais forte, mais necessário como protetor. A coragem de Eduarda, por outro lado, o desestabilizava. Ela não precisava dele ali. Ela estava a encontrar a sua própria força, a sua própria narrativa.
Perto das três da manhã, um som o fez sentar-se na cama, o coração a bater forte.
Não era o vento. Não era um cano.
Era música.
Uma melodia de piano, fraca e distante. Notas quebradas, hesitantes, como alguém a tentar lembrar-se de uma canção há muito esquecida. Vinha da direção do salão de baile, no primeiro andar. O salão de baile onde Vicente dissera que não havia um piano.
Emanuel levantou-se, o corpo tenso. O seu primeiro instinto foi ir ao quarto de Eduarda, garantir que ela estava segura. Mas ele sabia que ela provavelmente estaria a ouvir, fascinada. O seu segundo instinto foi ir ao quarto de Sara.
Ele atravessou o corredor silenciosamente e bateu de leve na porta dela. Não houve resposta. Ele girou a maçaneta. Estava destrancada.
Ele entrou. O quarto estava escuro, exceto pela luz da lua que entrava pela janela. Sara não estava na cama. Ele a encontrou encolhida numa poltrona no canto mais distante do quarto, de frente para a porta, um pesado castiçal de prata na mão, como uma arma.
Ela estava acordada, os olhos arregalados e fixos na escuridão. Estava a tremer.
— Sara? — sussurrou ele.
Ela deu um salto, o castiçal erguido.
— Emanuel! Pelo amor de Deus, não me assuste assim!
Ele se aproximou.
— Você ouviu?
— Ouvi o quê? O exército de demónios a marchar no corredor? O coro de crianças fantasma? Eu ouvi tudo! Esta casa é um inferno!
— O piano, Sara. Você ouviu o piano?
Ela o encarou, o terror a dar lugar à confusão.
— Piano? Eu não ouvi piano nenhum.
A melodia parou tão subitamente como havia começado. O silêncio que se seguiu foi ainda mais pesado.
Emanuel ficou imóvel. Ele tinha ouvido. Tinha a certeza absoluta de que tinha ouvido. Mas Sara, que estava a saltar a cada rangido, não ouvira nada.
O que era pior? Uma casa realmente assombrada, ou uma casa que escolhia para quem se revelar?
— Você deve ter sonhado — disse Sara, a voz trémula a tentar soar convicta. — Foi o vento.
Ele olhou para ela, encolhida na poltrona, a sua rainha de gelo reduzida a uma mulher assustada a agarrar-se a um castiçal. E pensou em Eduarda, provavelmente a dormir tranquilamente no seu quarto na torre, a sonhar com noivas e melodias tristes.
Naquele momento, a hierarquia do seu mundo virou de cabeça para baixo. A força de uma era a sua fraqueza. E a fraqueza da outra era a sua força.
— Fique aqui — disse Sara, a voz um pedido urgente. — Não me deixe sozinha.
Ele olhou da porta, na direção do quarto de Eduarda, para a mulher à sua frente. A necessidade de Sara era palpável, desesperada. Era um apelo que ele, como seu parceiro, como o homem que partilhava o seu império, não podia ignorar. Mas a imagem de Eduarda, sozinha na torre, vulnerável na sua coragem, o puxava com igual força.
Ele estava novamente no meio. O istmo.
— Tudo bem — disse ele, sentando-se na beirada da cama, de frente para ela. — Eu fico.
Mas enquanto ele se sentava no quarto de Sara, a ouvir a sua respiração assustada, a sua mente estava no corredor, a tentar decifrar o enigma da melodia fantasma. A casa estava a jogar com eles. Estava a expor as suas fissuras, a amplificar os seus medos e os seus desejos. E ele tinha a terrível sensação de que aquele fim de semana não era apenas uma visita a um amigo. Era um teste. E a casa, com os seus ecos e sussurros, era o juiz. E o veredicto ainda estava longe de ser dado.