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O Peso do Domínio
O sol mal havia começado a iluminar os arranha-céus de São Paulo, mas a tensão dentro da mansão de Emanuel já estava em ponto de ebulição. O som rítmico e irritante dos saltos pequenos de Eduarda — aqueles "saltinhos de gatinho" que ela insistia em usar para parecer mais madura — ecoava pelo corredor de mármore, seguindo cada passo de Emanuel.
— Manu, você nem olhou para o que eu preparei para o café — a voz dela era um lamento contínuo, aguda e chorosa, carregada daquela manha que costumava desarmá-lo, mas que hoje apenas lhe dava dor de cabeça. — Eu acordei cedo, eu queria que a gente tivesse um momento antes de você mergulhar nesses contratos de novo.
Emanuel não parou. Ele estava com a pasta de couro em uma mão e o celular na outra, revisando as coordenadas de uma entrega de equipamentos de tatuagem que, na verdade, era apenas a fachada para algo muito mais lucrativo e perigoso. Seus olhos estavam vermelhos de cansaço, a mandíbula tão rígida que os músculos do rosto saltavam.
— Eduarda, eu te disse três vezes: hoje não dá — ele respondeu, a voz rouca e perigosamente baixa. — Eu tenho uma reunião com os fornecedores de Londres às oito, e o pessoal de Curitiba está me ligando a cada cinco minutos.
— Mas você prometeu! — Ela insistiu, correndo um pouco para ficar à frente dele, o rosto contorcido em um beicinho de frustração. — Você prometeu que íamos ver os catálogos da faculdade juntos hoje. Você não me dá atenção, Emanuel! Parece que eu sou só um móvel nesta casa desde que me mudei.
Emanuel parou bruscamente. O silêncio que se seguiu foi pesado. Ele olhou para ela, vendo a fragilidade que tanto amava, mas que naquele momento parecia uma âncora tentando afundá-lo em um mar de exigências emocionais que ele não tinha energia para suprir.
— Um móvel? — Ele repetiu, dando um passo em direção a ela, fazendo-a recuar até bater as costas na porta de carvalho do seu escritório particular. — Eu te dei tudo, Eduarda. Segurança, luxo, a porra de um império para você se apoiar. E você me segue pela casa como uma criança carente enquanto eu tento manter o nosso mundo de pé?
— Eu só quero o meu namorado! — Ela gritou, as lágrimas começando a transbordar. — Você está sempre com a Sara discutindo negócios ou trancado aqui. Eu me sinto sozinha!
Emanuel sentiu uma onda de irritação visceral. Ele já estava farto. Farto dos saltinhos, da voz chorosa e da incapacidade dela de entender que ele não era um homem comum com um emprego comum. Ele precisava que ela estivesse quieta. Ele precisava que ela estivesse... domada.
Sem dizer uma palavra, ele a segurou pelo braço, não com força para machucar, mas com uma firmeza que não admitia contestação, e a puxou para dentro do escritório, trancando a porta com um clique seco.
— Emanuel, o que você... — O protesto dela foi interrompido quando ele a jogou sobre a mesa de mogno larga, espalhando papéis e projetos de tatuagem pelo chão.
— Você quer atenção, Eduarda? — Ele rosnou, desabotoando o cinto com uma agilidade agressiva. — Você quer que eu pare a minha agenda lotada para te mimar?
Ele a virou de costas com um movimento brusco e eficiente, forçando-a a se dobrar sobre a mesa. Eduarda soltou um ganido de surpresa, metade medo, metade uma antecipação sombria que ela nunca admitiria. Emanuel não foi gentil. Ele não tinha tempo para preliminares ou carinhos suaves. Ele precisava descarregar o estresse e, ao mesmo tempo, garantir que ela não tivesse forças para persegui-lo pelo resto do dia.
— Droga, Eduarda... não consegue te agradar, né? — Ele sibilou perto do ouvido dela, enquanto prendia os joelhos dela ao lado da cabeça, deixando-a completamente exposta e vulnerável sob ele. — Preciso tirar um tempo da minha agenda para te dar o que você realmente está pedindo.
Quando ele entrou, foi de uma vez só, um estocada profunda que fez Eduarda soltar um grito abafado contra a superfície de madeira da mesa. O impacto foi bruto, o pau dele batendo com força contra o colo do útero dela, um tipo de dor aguda que se misturava a uma excitação elétrica e avassaladora.
— Manu... dói... — ela arquejou, as mãos pequenas tentando encontrar apoio nos papéis espalhados.
— Era isso que você precisava? — Ele perguntou entre dentes, mantendo um ritmo implacável, cada estocada sendo um lembrete de quem detinha o controle absoluto naquela dinâmica. — Responde!
— Sim... por favor... — ela choramingou, a voz trêmula.
Emanuel sentia ondas de prazer percorrendo seu corpo, mas sua mente permanecia focada no objetivo. Ele precisava que ela estivesse completamente apagada. Ele tinha um dia cheio pela frente, e deixar Eduarda ir junto com ele para o estúdio naquela manhã já tinha transformado o início do seu dia num inferno de interrupções. Mais tarde, ele teria que lidar com questões "perigosas" — reuniões com homens que não aceitavam erros e transações que exigiam sua atenção total. Ele não podia ter uma namorada manhosa exigindo atenção enquanto ele operava no fio da navalha.
Ele continuou, ignorando os protestos dela que logo se transformaram em gemidos de rendição. Ele a usou com uma possessividade territorialista, marcando-a não com tinta, mas com a pressão de seu corpo e a força de sua vontade. Quando ele finalmente chegou ao ápice, sentindo o corpo de Eduarda tremer e colapsar sob ele, ele a segurou firme, garantindo que ela sentisse cada grama de seu peso e de sua autoridade.
Emanuel se afastou devagar, respirando pesadamente. Eduarda continuou deitada sobre a mesa por alguns momentos, os cabelos castanhos espalhados, a pele alva marcada pelo contraste com a madeira escura. Ela estava exausta, a região íntima latejando com uma dor que a deixaria andando devagar por um bom tempo — exatamente como ele planejou.
Ele se recompôs, ajustando a roupa com a frieza de quem acabara de assinar um contrato. Olhou para o relógio; ainda tinha dez minutos antes da primeira chamada.
Eduarda tentou se levantar, soltando um suspiro de dor e levando a mão ao ventre.
— Você... você foi bruto — ela sussurrou, os olhos ainda úmidos, mas a raiva de antes havia desaparecido, substituída por uma submissão letárgica.
Emanuel caminhou até ela, segurando seu queixo com a mão firme.
— Eu fiz o que você me forçou a fazer — ele disse, sua voz voltando ao tom calmo e controlador. — Agora, você vai para o quarto. Vai tomar um banho e vai descansar. Eu não quero ouvir o som desses seus sapatos pela casa hoje. Entendido?
Eduarda assentiu, sentindo o latejar dolorido entre as pernas como um selo de propriedade.
— Entendido, Manu.
Emanuel meteu a mão no bolso da calça e tirou sua carteira de couro. Ele extraiu um cartão de crédito preto, sem limite, e o colocou sobre a mesa, ao lado da mão dela.
— Pegue isso — ele ordenou. — Compre aquela coleção de livros de arte que você queria. Compre joias, sapatos novos... o que você quiser. Mas faça isso online, da cama. Eu quero que você esteja esperando por mim à noite, calma e silenciosa.
Os olhos de Eduarda brilharam ao ver o cartão. Havia uma dinâmica estranha e viciante ali: a brutalidade do controle de Emanuel seguida pela generosidade extravagante de sua proteção. Ela amava o poder dele, e amava ainda mais a forma como ele compensava suas explosões de autoridade.
— Obrigada — ela murmurou, pegando o cartão e apertando-o contra o peito como se fosse um tesouro.
— Agora vá — ele disse, já se virando para o computador. — Tenho trabalho a fazer.
Eduarda saiu do escritório caminhando com dificuldade, a vagina dolorida pra caramba, cada passo sendo um lembrete físico de que ela pertencia a ele. Ela subiu as escadas devagar, sentindo-se estranhamente satisfeita. Emanuel a havia "castigado", mas também a havia recompensado.
No andar de cima, ela cruzou com Sara, que saía do próprio quarto usando um roupão de seda, observando a caminhada desajeitada de Eduarda com um sorriso sarcástico de quem sabia exatamente o que havia acontecido.
— Pelo visto, o Emanuel finalmente conseguiu te calar — comentou Sara, encostando-se no batente da porta e cruzando os braços. — Você deveria aprender a não cutucar o urso quando ele está com fome de trabalho, bonequinha.
Eduarda não respondeu com palavras. Ela apenas mostrou o cartão preto na palma da mão, um pequeno troféu de sua vitória emocional sobre o estresse dele.
Sara soltou uma risada curta, balançando a cabeça.
— É... você aprende rápido. Aproveite o descanso, porque quando ele voltar da reunião com o pessoal do "setor pesado", ele vai estar ainda mais insaciável.
Eduarda entrou no quarto e se jogou na cama imensa. Ela estava exausta, dolorida e se sentia completamente dominada. Era exatamente onde Emanuel a queria: apagada, segura e fora de seu caminho enquanto ele lidava com as sombras de seu império. Ela fechou os olhos, o cartão de crédito ainda firme em sua mão, deixando o sono embalá-la enquanto, lá embaixo, Emanuel assumia sua máscara de empresário implacável, pronto para enfrentar o mundo, sabendo que sua "boa namoradinha" estava exatamente onde deveria estar: esperando por ele, marcada e em silêncio.