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Vinho, Confissões e Sombras na Varanda
A noite na fazenda Albuquerque havia assumido um tom de calmaria enganosa. Após o turbilhão do casamento de Marcela e a aceitação tácita — ainda que regada a alguns olhares tortos — do relacionamento triplo de Emanuel, o casarão colonial parecia respirar. Emanuel e Sara haviam saído para resolver uma questão burocrática de um dos estúdios na cidade vizinha, deixando Eduarda na companhia das primas na varanda dos fundos, longe dos ouvidos atentos das tias mais conservadoras.
Havia cinco delas ali: Marcela, a recém-casada que irradiava uma mistura de cansaço e euforia; as irmãs gêmeas, Bia e Tatá; e a prima mais velha, Camila, que sempre fora a mais desbocada do grupo. No centro da mesa de vime, três garrafas de um Merlot encorpado já mostravam o fundo, e as taças eram reabastecidas com uma frequência perigosa.
Eduarda, geralmente a mais contida, sentia o calor do álcool subir pelas bochechas. O vinho havia dissolvido sua timidez habitual, transformando sua sensibilidade em uma languidez risonha. Ela usava um short jeans curto e uma regata de seda, sentindo-se, pela primeira vez em anos, parte integral daquele círculo de mulheres, sem o peso de ser a "priminha pura" que precisava de proteção.
— Eu ainda não consigo acreditar que o Emanuel simplesmente entrou aqui com a Sara em um braço e você no outro — comentou Camila, girando o vinho na taça. — Foi a coisa mais audaciosa que eu já vi nesta família. E olha que meu pai fugiu com a secretária há dez anos!
— Ele não aceitaria nada menos do que isso — respondeu Eduarda, com um sorriso manhoso, sentindo o corpo relaxado contra a almofada da poltrona. — O Manu é... decidido. Quando ele quer uma coisa, ele faz o mundo girar em volta dele.
— E a Sara? — perguntou Bia, curiosa. — Ela não sente ciúmes? Ela parece o tipo de mulher que morde se alguém encostar no que é dela.
— Ela morde — Eduarda riu, lembrando-se da dinâmica intensa entre os três. — Mas ela gosta de compartilhar o que é bom. Ela diz que o Emanuel é "muito homem" para uma mulher só dar conta.
O comentário de Eduarda pairou no ar, carregado de uma malícia que fez as outras primas se inclinarem para frente, os olhos brilhando sob a luz amarelada dos lampiões da varanda.
— "Muito homem", hein? — Marcela provocou, dando um gole generoso em seu vinho. — Agora que eu sou uma mulher casada, sinto que podemos falar de coisas mais... técnicas. O Emanuel sempre foi o colírio da família. Aquele jeito de tatuador bruto, o tamanho daqueles braços... a gente sempre imaginou o que tinha por baixo daquelas calças jeans apertadas.
Eduarda sentiu o rosto queimar, mas não era de vergonha. Era uma excitação alimentada pelo álcool e pelo orgulho de saber exatamente do que elas estavam falando.
— Ele é grande, não é, Duda? — Camila foi direta, sem filtros. — Não adianta fazer essa cara de santa. A gente viu o estado que você saiu do celeiro aquele dia. A gente sabe que ele não é delicado.
— Ele pode ser delicado quando quer — murmurou Eduarda, a voz ficando mais rouca. — Mas ele é... imenso. Em todos os sentidos.
— Ah, não! — gritou Tatá, rindo. — Agora você começou, tem que terminar! A gente quer detalhes. O Rodrigo era todo certinho, mas o Emanuel... ele tem cara de quem estraga a pessoa. Qual é o tamanho do estrago, Duda?
Eduarda tomou um longo gole de vinho, sentindo o líquido descer queimando. A imagem de Emanuel na noite anterior, as marcas que ele deixara em sua pele e a sensação de ser preenchida por ele invadiram sua mente com uma força avassaladora.
— Vocês não têm ideia — disse Eduarda, os olhos ficando nublados pelo desejo reprimido. — Ele é... desproporcional. Às vezes eu olho e penso que não vai caber, que ele vai me quebrar ao meio.
— Meu Deus! — Marcela abanou-se com a mão. — Eu sabia! Aquelas mãos não podiam mentir. Ele é do tipo que você tem que segurar com as duas mãos?
— Com as duas mãos e ainda sobra — Eduarda confessou, soltando uma risadinha maliciosa que surpreendeu as primas. — E ele sabe exatamente como usar. Ele tem um controle... ele sabe o momento exato em que eu estou prestes a implorar, e aí ele para, só para me ver perder a cabeça.
— E a Sara? — Camila insistiu, fascinada. — Como vocês dividem isso? Porque, sinceramente, se eu tivesse um homem desse tamanho em casa, eu não ia querer emprestar nem para a minha sombra.
— A Sara é quem incentiva — Eduarda revelou, sentindo-se cada vez mais audaciosa. — Ela diz que gosta de ver o contraste. O jeito que ele me pega, sendo tão pequena perto dele... ela diz que parece que ele está me devorando. E, honestamente? É exatamente assim que eu me sinto.
As primas entraram em um frenesi de perguntas e risadas, comparando histórias e especulando sobre a anatomia de Emanuel com uma liberdade que só o vinho e a cumplicidade feminina permitem. Eduarda, no centro das atenções, sentia-se poderosa. Ela não era mais a menina frágil; ela era a mulher que domava — e era domada por — um dos homens mais intensos que elas conheciam.
Enquanto isso, a caminhonete preta de Emanuel subia silenciosamente a ladeira de cascalho da fazenda. Ele e Sara haviam voltado mais cedo. Ao estacionarem, o som das risadas femininas e o tilintar de taças chegaram até eles.
— Parece que a festa está boa lá atrás — comentou Sara, ajeitando o cabelo loiro enquanto saía do carro.
— Elas estão bebendo desde que saímos — Emanuel respondeu, com um meio sorriso. — Espero que a Duda não esteja exagerando. Ela fica... vulnerável quando bebe.
— Ela fica deliciosa quando bebe, Manu — Sara corrigiu, caminhando em direção à varanda com sua habitual confiança. — Vamos ver o que as meninas Albuquerque estão aprontando.
Eles caminharam pelas sombras do jardim, aproximando-se da varanda sem serem notados. Emanuel estava logo atrás de Sara, sua presença alta e imponente camuflada pela escuridão. Eles pararam perto de uma das colunas de madeira, onde podiam ouvir perfeitamente a conversa.
— ...mas e o peso? — era a voz de Bia. — Ele é pesado, Duda? Porque ele parece puro músculo.
— Ele é pesado — a voz de Eduarda soou, carregada de um prazer preguiçoso. — Mas é um peso bom. É o tipo de peso que te prende na cama e faz você esquecer que existe um mundo lá fora. E o pau dele... — ela fez uma pausa dramática, e Emanuel sentiu o sangue latejar em suas têmperas. — É como se fosse uma extensão da força dele. Grosso, quente... e quando ele entra, parece que toca a minha alma.
Sara soltou um risinho abafado, olhando para Emanuel por cima do ombro. Ela viu o maxilar dele travar e o brilho escuro que tomou conta de seus olhos. Ele estava ouvindo a própria prima — a sua pequena e tímida Eduarda — descrevê-lo como um deus pagão para um público ávido.
— Eu acho que a santinha está querendo ser castigada de novo — sussurrou Sara, aproximando-se do ouvido de Emanuel.
Emanuel não respondeu. Ele estava fixo na imagem de Eduarda na varanda. Ela estava gesticulando com a taça, descrevendo com as mãos o tamanho de algo que o fazia morder o lábio inferior com força.
— E as tatuagens? — perguntou Tatá. — Elas raspam na pele?
— Raspam — disse Eduarda, fechando os olhos. — E a barba dele... o jeito que ele morde o meu pescoço enquanto me penetra... eu sinto que vou desmaiar só de lembrar. Ele é um animal, meninas. Um animal rico, cheiroso e completamente viciado em nos dar prazer.
— Bom — disse Camila, levantando a taça —, eu oficialmente odeio você, Eduarda. Eu ganhei um jogo de panelas de casamento e você ganhou um vibrador humano de luxo com upgrade de tatuagens.
Foi nesse momento que Sara decidiu fazer sua entrada triunfal. Ela saiu das sombras, batendo palmas lentamente, com um sorriso predatório que fez todas as primas pularem em suas cadeiras.
— Que conversa edificante, meninas! — exclamou Sara, a voz vibrando com ironia. — Eu não sabia que o currículo do Emanuel estava sendo discutido com tanta profundidade técnica.
Eduarda congelou. A taça de vinho quase escorregou de seus dedos. Ela olhou para Sara e, logo atrás dela, viu a silhueta maciça de Emanuel. Ele estava parado na entrada da varanda, os braços cruzados sobre o peito, a camisa preta esticada sobre os músculos. Ele não sorria. Seu olhar estava fixo em Eduarda, carregado de uma promessa que a fez sentir um calafrio percorrer toda a sua espinha.
As primas ficaram em silêncio absoluto, a euforia do vinho sendo substituída por um choque súbito de realidade.
— Emanuel! — Marcela tentou rir, mas a voz saiu nervosa. — A gente estava só... brincando. Coisa de prima, você sabe.
— É — disse Emanuel, sua voz saindo baixa e rouca, ecoando pela varanda como um trovão distante. — Eu ouvi a brincadeira. Especialmente a parte sobre o "animal".
Ele caminhou em direção à mesa. As primas instintivamente abriram espaço para ele passar. Ele parou diante de Eduarda, que continuava sentada, olhando para ele com uma mistura de pavor e um desejo incontrolável que o vinho não deixava esconder.
Emanuel inclinou-se, apoiando as mãos nos braços da poltrona dela, cercando-a. O cheiro de perfume caro e tabaco que emanava dele a envolveu.
— Então você acha que eu vou te quebrar ao meio, pequena? — perguntou ele, apenas para que ela ouvisse.
Eduarda engoliu em seco, o coração batendo tão forte que ela achou que ele fosse saltar pelo peito.
— Eu... eu bebi um pouco demais, Manu — ela sussurrou, a voz falhando.
— Bebeu o suficiente para ser honesta — ele retrucou, um brilho de possessividade cruzando seus olhos. — E para me deixar com uma vontade imensa de provar que você tem razão sobre cada detalhe que contou para elas.
Sara aproximou-se, colocando a mão no ombro de Emanuel. Ela olhou para as primas, que observavam a cena com a respiração suspensa.
— Bom, meninas, a palestra sobre anatomia acabou por hoje — disse Sara, com um sorriso brilhante e falso. — O objeto de estudo precisa ser levado para o laboratório. Temos algumas "experiências" pendentes.
Emanuel segurou a mão de Eduarda e a puxou para cima. Ela levantou-se, as pernas um pouco bambas pelo vinho e pela tensão. Ele não a soltou. Olhou para as primas uma última vez, um aceno de cabeça curto e autoritário.
— Boa noite, meninas. Aproveitem o vinho.
Ele conduziu Eduarda para dentro da casa, com Sara logo atrás. O silêncio na varanda durou até que eles desaparecessem no corredor, e então Camila soltou um suspiro longo.
— Meu Deus... se ele fizer com ela metade do que o olhar dele prometeu, a Duda não caminha amanhã.
Dentro do casarão, o clima era outro. Emanuel não parou na sala. Ele levou Eduarda diretamente para o quarto principal, a suíte que ele dividia com Sara durante as estadias na fazenda. Assim que entraram, ele chutou a porta para fechá-la e prensou Eduarda contra a madeira maciça.
Sara acendeu apenas um abajur de luz quente, sentando-se em uma poltrona de couro no canto do quarto, cruzando as pernas e observando a cena como se estivesse no camarote de um teatro privativo.
— Você foi muito ousada lá fora, Duda — disse Emanuel, as mãos prendendo a cintura dela com uma força que a fez arquejar. — Contando para todo mundo sobre o que a gente faz entre quatro paredes.
— Elas perguntaram... — Eduarda tentou se justificar, as mãos subindo pelo peito dele, sentindo a batida acelerada do coração de Emanuel. — E eu não menti, Manu. Eu não menti em nada.
Emanuel rosnou baixo, enterrando o rosto no pescoço dela, aspirando o cheiro de vinho e pele quente.
— Você quer ver se o tamanho é realmente um problema, pequena? — ele perguntou, a mão descendo para a coxa dela, puxando o short jeans para cima. — Quer que eu mostre para você o que acontece quando eu decido ser o animal que você descreveu?
— Sim — ela respondeu, a timidez finalmente morrendo sob a urgência do desejo. — Por favor, Manu.
Emanuel a levantou como se ela não pesasse nada, as pernas dela enlaçando a cintura dele instantaneamente. Ele a levou para a cama, deitando-a com uma brutalidade controlada que a fez soltar um gemido de prazer.
Sara levantou-se da poltrona, caminhando lentamente até a cama enquanto começava a abrir o zíper de seu vestido.
— Eu acho que ela merece uma lição por falar demais — comentou Sara, os olhos fixos em Emanuel. — E eu acho que eu mereço participar da punição.
Emanuel olhou para Sara e depois para Eduarda, que estava estendida no colchão, os cabelos castanhos espalhados, os olhos brilhando de expectativa. Ele começou a se livrar da própria roupa, revelando centímetro por centímetro da pele tatuada e da musculatura poderosa que as primas tanto haviam cobiçado na varanda.
Quando ele finalmente se livrou da calça, Eduarda soltou um suspiro audível. Mesmo já tendo visto e sentido inúmeras vezes, a visão da masculinidade de Emanuel era sempre impactante. Era, como ela dissera, uma força da natureza.
— Olhe para isso, Duda — disse Sara, aproximando-se e tocando o membro pulsante de Emanuel com as unhas compridas. — É disso que você estava falando para as suas primas? É disso que você sente tanto orgulho?
Eduarda não conseguia desviar o olhar. Ela estendeu a mão, envolvendo a base dele, sentindo o calor e a espessura que a faziam se sentir tão pequena e tão completa ao mesmo tempo.
— É — sussurrou Eduarda. — É exatamente disso.
Emanuel não esperou mais. Ele afastou as mãos das duas e se posicionou entre as pernas de Eduarda. Ele não foi delicado. Ele a possuiu com uma estocada profunda, preenchendo-a de uma forma que a fez arquear as costas e gritar o nome dele, um som que certamente ecoou pelos corredores da fazenda, chegando até a varanda onde as primas ainda tentavam se recuperar do choque.
Sara se juntou a eles, seus beijos e carícias aumentando a temperatura do quarto. Emanuel movia-se com uma cadência poderosa, cada movimento provando que a descrição de Eduarda fora, na verdade, modesta. Ele era o centro daquele universo de três pessoas, o eixo em torno do qual o prazer delas girava.
A noite na fazenda Albuquerque continuou, mas o vinho agora era apenas uma lembrança distante. O que importava era o suor, o som da carne batendo contra a carne e a certeza de que, apesar de todo o escândalo e de todas as palavras ditas na varanda, a verdade deles era muito mais profunda e intensa do que qualquer fofoca de família poderia alcançar.
Emanuel marcou Eduarda naquela noite, não com tinta, mas com a entrega absoluta de sua força. E Eduarda, em seu delírio de prazer, soube que nunca mais teria vergonha de dizer ao mundo — ou pelo menos às suas primas — que pertencia ao homem que a quebrava apenas para montá-la de novo, mais forte e mais apaixonada do que antes.