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Toque de Inocência e Possessão

O fim de tarde na cobertura de Emanuel era tingido por tons de laranja e violeta que invadiam as enormes janelas de vidro, refletindo-se nos móveis minimalistas e nas obras de arte contemporânea espalhadas pelo ambiente. O silêncio só era quebrado pelo som baixo de um jazz que saía das caixas embutidas no teto e pelo tilintar de gelo em um copo de cristal.

Emanuel estava sentado no imenso sofá de couro italiano, com o notebook apoiado nas pernas, revisando os relatórios financeiros de seus estúdios em Miami. Ele usava apenas um short de moletom cinza, largo e confortável, deixando o peito tatuado e os braços fortes à mostra. O estresse da semana parecia acumulado em seus ombros, mas a presença de Eduarda, sentada ao seu lado, era o seu único refúgio de paz.

Eduarda, como de costume, estava em seu próprio mundo. Ela lia um livro sobre a técnica de pinceladas de Monet, mas sua atenção não estava totalmente nas páginas. De vez em quando, ela olhava para Emanuel com aquela expressão doce e manhosa, buscando uma fresta de atenção no meio da seriedade dele.

— Manu... — ela murmurou, fechando o livro e deslizando para mais perto dele no sofá. — Você está trabalhando demais. Seus olhos estão ficando cansados.

— Eu preciso terminar isso hoje, pequena — Emanuel respondeu sem desviar os olhos da tela, mas sua mão direita subiu automaticamente para acariciar os cabelos castanhos dela. — O estúdio de Londres está dando mais dor de cabeça do que eu previ.

Eduarda não disse nada. Ela simplesmente se acomodou melhor, encostando a cabeça no ombro dele. No entanto, sua mão esquerda, pequena e delicada, começou a traçar caminhos lentos pelo abdômen definido de Emanuel, descendo até a borda do short de moletom.

Emanuel sentiu um leve calafrio, mas continuou digitando. Ele já conhecia as manias de Eduarda. Ela tinha uma fixação quase infantil, misturada a uma curiosidade instintiva, pelo corpo dele. Para ela, tocar Emanuel não era apenas um prelúdio sexual; era uma forma de conexão, de marcar território, de sentir que ele era real e que pertencia a ela.

Sem aviso, a mão de Eduarda deslizou para dentro do tecido cinza. Seus dedos, macios e curiosos, envolveram o pênis de Emanuel, que ainda estava em repouso. Ela não apertou, apenas segurou, sentindo a textura da pele e o calor que emanava dali.

Emanuel parou de digitar. Ele soltou um suspiro longo, fechando os olhos por um momento enquanto a mão dela se fechava com mais firmeza ao redor dele.

— Duda... — ele disse, a voz um pouco mais rouca. — Eu estou tentando trabalhar.

— Eu sei — ela respondeu com aquela voz mansa, olhando para ele de baixo, com os olhos brilhando de uma forma que misturava inocência e uma malícia subconsciente. — Mas eu gosto de sentir você. É quente. E parece que você fica mais calmo quando eu faço isso.

— Eu fico qualquer coisa, menos calmo, quando você enfia a mão aí dentro no meio da tarde — ele retrucou, embora não tenha feito nenhum movimento para tirá-la.

Eduarda começou a mover a mão suavemente, sentindo ele começar a reagir ao toque dela. Ela gostava da sensação de poder que aquilo lhe dava: a capacidade de transformar o homem mais controlado que ela conhecia em alguém vulnerável apenas com um toque discreto sob o short de moletom.

Nesse momento, o som de saltos altos ecoou pelo corredor de mármore. Sara entrou na sala, carregando várias sacolas de compras de grife. Ela usava um vestido justo de oncinha, óculos escuros imensos e exalava o perfume caro que sempre anunciava sua chegada antes mesmo dela falar.

— Cheguei, família! — Sara exclamou, jogando as sacolas sobre uma poltrona de design. — O shopping estava um inferno, mas consegui aquela bota que eu queria. Emanuel, você não acredita no preço, mas eu passei no seu cartão, então está tudo certo.

Sara parou diante do sofá, tirando os óculos e observando a cena. Ela notou imediatamente a posição de Eduarda e o volume evidente sob o tecido cinza do short de Emanuel, onde a mão da jovem historiadora da arte ainda estava escondida.

— Mas vejam só — Sara sorriu, uma expressão carregada de sarcasmo e uma ponta de diversão. — A santinha está "pescando" de novo? Emanuel, você realmente não tem um minuto de paz nessa casa.

Eduarda não se intimidou. Ela apenas olhou para Sara e continuou com a mão onde estava, apertando levemente para mostrar que não pretendia soltar.

— Ele está estressado, Sara — Eduarda disse calmamente. — Eu só estou cuidando dele.

— Cuidando, sei — Sara revirou os olhos, caminhando até o bar e servindo-se de uma dose de uísque. — Você tem essa mania estranha, Duda. Parece uma criança com um brinquedo favorito. Emanuel, como você aguenta essa guria segurando o seu pau o dia inteiro como se fosse um amuleto da sorte?

Emanuel fechou o notebook e o colocou sobre a mesa de centro. Ele olhou para Sara e depois para Eduarda, que agora sorria vitoriosa.

— É o jeito dela, Sara — Emanuel respondeu, a voz carregada de uma paciência que ele só reservava para as duas. — Pelo menos ela é silenciosa. Você, por outro lado, entra em casa parecendo um desfile de escola de samba.

— Ah, não reclama — Sara deu um gole no uísque e se aproximou, sentando-se no braço do sofá, do lado oposto ao de Eduarda. — Se eu fosse "cuidar" de você como ela cuida, a gente não estaria aqui conversando sobre relatórios de Londres. Eu já teria te arrastado para o quarto faz tempo.

— Mas a Duda não quer me arrastar para lugar nenhum — Emanuel observou, sentindo a mão de Eduarda se mover de forma mais insistente agora que Sara estava assistindo. — Ela só quer... possuir.

— Exatamente — Eduarda murmurou, inclinando-se para beijar o ombro tatuado de Emanuel, sem nunca retirar a mão de dentro do short dele. — Ele é meu.

Sara soltou uma risada alta, balançando a cabeça.

— Vocês dois são doentios. Um controlador que adora ser controlado por uma menina que parece que saiu de um convento, mas que não tira a mão da calça dele. E eu aqui, sendo a única normal dessa relação.

— Normal? — Emanuel arqueou uma sobrancelha. — Você gastou o equivalente a uma moto em sapatos hoje e está bebendo uísque puro às cinco da tarde. Ninguém aqui é normal, Sara.

Emanuel se levantou abruptamente, e Eduarda foi obrigada a retirar a mão, soltando um pequeno resmungo de protesto.

— Eu vou ao banheiro — disse ele, sentindo a bexiga cheia e o corpo tenso pela provocação silenciosa de Eduarda.

— Eu vou com você — Eduarda disse prontamente, levantando-se e seguindo-o como uma sombra.

Sara, que já conhecia o ritual, apenas gritou da sala:

— Não esquece de mirar direito, Duda! Se respingar no chão, quem limpa é você!

No banheiro espaçoso, decorado com mármore negro e luzes de LED embutidas, Emanuel parou diante do vaso sanitário. Eduarda parou ao lado dele, com aquela naturalidade que deixava Emanuel entre o fascínio e a perplexidade.

Sem que ele precisasse dizer nada, ela se aproximou, abaixou um pouco o short dele e, com as pontas dos dedos, guiou o pênis de Emanuel para fora. Ela o segurou com firmeza, mas com uma delicadeza quase ritualística. Ela gostava da sensação de utilidade, de ser ela a conduzir aquele momento tão íntimo e cotidiano.

Emanuel relaxou, soltando um suspiro enquanto urinava. Ele sentia as mãos de Eduarda, quentes contra a sua pele, e o olhar dela, fixo e concentrado no que estava fazendo. Para qualquer outra pessoa, aquilo seria bizarro ou degradante, mas entre eles, era um símbolo de entrega total. Eduarda não sentia nojo; ela sentia adoração.

— Você é tão lindo, Manu... — ela sussurrou enquanto ele terminava.

— Você é muito estranha, pequena — ele respondeu, embora houvesse um sorriso de canto em seus lábios.

Eduarda esperou que ele terminasse, balançou-o levemente com um cuidado que beirava o cômico e depois o guardou de volta, ajeitando o moletom com as palmas das mãos, como se estivesse alisando uma peça de roupa preciosa.

— Pronto — ela disse, dando um beijinho rápido no peito dele. — Agora você pode voltar para o seu trabalho.

— Eu acho que não vou conseguir trabalhar mais nada hoje — Emanuel confessou, pegando-a pela cintura e puxando-a para um beijo profundo, daqueles que faziam os pés de Eduarda perderem o contato com o chão.

Quando voltaram para a sala, Sara estava deitada no sofá onde eles estavam antes, ocupando todo o espaço com suas pernas longas e bronzeadas.

— E aí? — Sara perguntou, sem abrir os olhos. — O serviço de assistência urinária foi satisfatório?

— Invejosa — Eduarda retrucou, sentando-se no tapete felpudo aos pés de Emanuel, que havia voltado para a sua poltrona de leitura.

— Inveja? — Sara abriu um olho, rindo. — Querida, eu prefiro mil vezes usar o que o Emanuel tem entre as pernas para outras finalidades. Mas eu admito, você tem uma persistência admirável.

Emanuel abriu um livro, mas sua mente estava longe. Ele observava as duas: Sara, a exuberância loira, siliconada e vulgar, que trazia para sua vida uma energia caótica e um sexo voraz que o desafiava; e Eduarda, a doçura tímida e manhosa, que o desarmava com suas manias peculiares e sua necessidade constante de proximidade física.

Ele sabia que a convivência entre elas era um equilíbrio frágil, um castelo de cartas que poderia cair a qualquer momento. Sara morava com ele, mas Eduarda ainda resistia, presa à segurança da casa dos pais, apesar de passar quase todo o tempo na cobertura.

— Duda — Emanuel chamou, sua voz séria cortando o ambiente.

— Sim, Manu? — Ela olhou para cima, apoiando o queixo nos joelhos dele.

— Quando é que você vai trazer o resto das suas coisas? Eu já disse que tem um closet inteiro esperando por você. E a Sara já concordou em dividir o espaço da prateleira de sapatos... o que foi um milagre, diga-se de passagem.

Sara bufou, sentando-se no sofá.

— É verdade, Duda. Eu já tirei minhas bolsas daquela parte de cima. Se você se mudar logo, o Emanuel para de ficar mal-humorado e talvez a gente consiga ter um jantar decente sem ele ficar checando o celular a cada cinco minutos para ver se você chegou em casa bem.

Eduarda baixou o olhar, fazendo um círculo imaginário no joelho de Emanuel com o dedo.

— Eu já disse que não estou pronta, Manu... meus pais são modernos, mas eles gostam de me ter por perto. E se eu me mudar e a gente começar a brigar? Se a Sara não gostar de mim morando aqui o tempo todo?

Sara revirou os olhos e se levantou, caminhando até Eduarda. Ela se abaixou e segurou o queixo da morena com a mão manicureada.

— Escuta aqui, garota. Eu não sou sua amiga, mas eu também não te odeio. Você é fofa, é calma e, honestamente, você equilibra a chatice do Emanuel. Se você morar aqui, eu vou ter alguém para conversar sobre fofocas enquanto ele se tranca naquele estúdio de tatuagem. E sobre brigar... a gente já briga agora. O que vai mudar?

Emanuel observava a interação. Ele sabia que Sara, apesar do jeito vulgar e agressivo, tinha um senso prático muito forte. Ela via em Eduarda uma companhia que não a ameaçava, alguém que ocupava um espaço emocional que ela mesma não tinha interesse em preencher totalmente.

— Viu só? — Emanuel disse, reforçando o convite. — Até a Sara quer você aqui.

Eduarda olhou para os dois. Ela se sentia protegida naquele ninho de luxo e possessividade. Mas o medo da mudança ainda falava alto.

— Mais um pouco, Manu... por favor. Só mais um pouco.

Emanuel fechou o livro com força, a irritação começando a transparecer.

— "Mais um pouco" é o que você diz há meses, Eduarda. Eu quero as minhas duas mulheres sob o meu teto. Eu quero saber onde você está sem precisar ligar para os seus pais.

Eduarda, sentindo a tensão aumentar, fez o que sempre fazia quando queria acalmá-lo. Ela se ajoelhou entre as pernas dele e, novamente, enfiou a mão por baixo do short de moletom, segurando-o com carinho, olhando nos olhos dele com uma expressão de súplica.

— Não fica bravo comigo... eu estou aqui agora, não estou?

Emanuel segurou o pulso dela, mas não a afastou.

— Essa sua manha não vai funcionar para sempre, Duda.

— Mas funciona hoje? — ela perguntou, dando um sorriso tímido.

Emanuel suspirou, derrotado pela própria necessidade de tê-la por perto, daquela forma estranha e absoluta.

— Funciona hoje. Mas amanhã a gente volta a conversar sobre as caixas de mudança.

Sara, assistindo a tudo de camarote, soltou uma gargalhada e voltou para o seu uísque.

— Você é um fraco, Emanuel! Um homem desse tamanho, rico, poderoso, e se derrete todo porque a menininha pegou no "brinquedo" dele.

— Cala a boca, Sara — Emanuel disse, mas havia um sorriso em seu rosto.

A noite caiu sobre a cidade, e dentro daquela cobertura, o tempo parecia seguir regras próprias. Eduarda continuou ali, sentada entre as pernas de Emanuel, com a mão firme e possessiva onde ela mais gostava, enquanto Sara contava histórias escandalosas sobre suas amigas da loja de roupas.

Emanuel, no centro de tudo, sentia o estresse de Londres se dissipar. Ele tinha o controle, ou pelo menos a ilusão dele. E enquanto tivesse Eduarda segurando-o com aquela inocência perigosa e Sara provocando-o com sua vulgaridade vibrante, ele sabia que sua vida, por mais caótica que fosse, era exatamente como ele queria que fosse.

— Manu? — Eduarda chamou baixinho, quando Sara foi para a cozinha buscar gelo.

— O que foi, pequena?

— Eu te amo. Mas você ainda precisa lavar as mãos.

Emanuel riu, puxando-a para o seu colo e beijando-a com uma intensidade que prometia que, naquela noite, a mania de Eduarda seria apenas o começo de algo muito mais profundo. A convivência civilizada entre as duas continuaria por um fio, a mudança de Eduarda continuaria sendo um ponto de discórdia, mas naquele momento, sob o brilho suave das luzes da cidade, o mundo de Emanuel estava completo.