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O Labirinto da Rebeldia e o Preço da Manha
A mansão de Emanuel em São Paulo exalava um luxo silencioso e opressor naquela noite de terça-feira. No escritório, as paredes revestidas de madeira escura e os catálogos de tatuagens premiadas pareciam observar o homem que, atrás de uma mesa de carvalho, apertava o celular com tanta força que os nós dos dedos, cobertos por tatuagens de runas nórdicas, estavam brancos.
Emanuel não era um homem de repetir ordens. Ele era o arquiteto de seu próprio império, um homem que lidava com agulhas, tinta e dor de forma clínica. Sua paciência, no entanto, tinha um limite bem definido, e Eduarda acabara de cruzá-lo.
— Ela fez o quê? — A voz de Emanuel era um sussurro perigoso, direcionado a Sara, que estava jogada em uma poltrona de couro, lixando as unhas com um desdém estudado.
— Eu te avisei, querido — Sara disse, soprando a poeira da unha recém-lixada. — A sua "santinha" não é tão obediente quanto você gosta de acreditar. Ela saiu faz duas horas. Disse que precisava ir à biblioteca da faculdade para um grupo de estudos de última hora. Mas a Jéssica viu o carro dela parado na frente daquela boate alternativa no centro, a "Neon Heart".
Emanuel fechou os olhos por um segundo, sentindo a veia em sua têmpora pulsar. Ele havia proibido Eduarda de sair naquela noite. Havia sido claro: o centro da cidade estava perigoso devido aos protestos, e ele queria as duas em casa quando voltasse da reunião com os investidores de Londres. Sara, pragmática e acostumada com o submundo, apenas acatou e pediu comida japonesa. Mas Eduarda... Eduarda resolvera testar as águas.
— Ela desligou o rastreador? — Emanuel perguntou, levantando-se.
— Ela não desligou. Ela "esqueceu" o celular na mesa de cabeceira — Sara sorriu, um brilho de malícia nos olhos. — Ela está ficando esperta, Manu. Ou talvez só esteja cansada de ser a sua bonequinha de porcelana.
Emanuel não respondeu. Ele pegou a chave do SUV e saiu do escritório sem olhar para trás. Sara ficou para trás, rindo baixinho. Ela não odiava Eduarda, mas adorava ver o caos se instaurar. Sabia que, quando Emanuel ficava naquele estado de silêncio absoluto, a noite seria longa e educativa para a mais jovem.
Quarenta minutos depois, Emanuel entrou na "Neon Heart". O lugar era um labirinto de luzes estroboscópicas, fumaça de narguilé e música eletrônica industrial. Ele se destacava como um predador em um campo de ovelhas. Sua presença física, o porte médio-forte e o rosto fechado faziam com que as pessoas abrissem caminho instintivamente.
Ele a encontrou em um canto escuro, perto do bar. Eduarda estava usando um vestido que ele nunca tinha visto — curto demais, de um tom de vinho que contrastava com sua pele pálida. Ela segurava um copo de algo colorido e ria de algo que um rapaz magrelo, com cara de estudante de filosofia, dizia ao seu ouvido.
Emanuel não gritou. Ele simplesmente parou atrás dela e colocou a mão pesada em seu ombro.
Eduarda congelou. O riso morreu instantaneamente em seus lábios, e ela não precisou se virar para saber quem era. O perfume amadeirado e o calor que emanava daquele corpo eram inconfundíveis.
— O grupo de estudos mudou o currículo para mixologia, Eduarda? — A voz dele vibrou contra a nuca dela, fria como o aço de uma agulha.
— Manu... eu... — Ela se virou, os olhos castanhos arregalados e úmidos. — Foi só um momento, eu precisava respirar...
Emanuel não deu chance para o rapaz ao lado falar. Apenas lançou um olhar tão gélido que o jovem se retirou sem dizer uma palavra.
— Para o carro. Agora — Emanuel ordenou.
— Mas as minhas amigas... — ela tentou, usando aquele tom manhoso, inclinando a cabeça e fazendo um biquinho que geralmente desarmava qualquer um.
— Eu não vou repetir, Eduarda.
O caminho de volta foi um exercício de tortura psicológica. Emanuel não disse uma única palavra. Ele dirigia com uma mão no volante, a outra descansando sobre a coxa, os dedos batendo um ritmo impaciente. Eduarda estava encolhida no banco do passageiro, as mãos apertando a bolsa, sentindo o peso do erro esmagar seu peito sensível. Ela tentou tocar o braço dele duas vezes, mas ele se esquivou com uma frieza que a fez soluçar baixinho.
Ao chegarem na mansão, ele a guiou pelo braço, não com brutalidade, mas com uma firmeza que não admitia resistência. Sara estava na sala, bebendo vinho, e ergueu a taça em uma saudação silenciosa quando os viu passar em direção às escadas.
Emanuel entrou no quarto de Eduarda e trancou a porta. O som da chave girando pareceu um trovão no silêncio do ambiente.
— Tira o vestido — ele disse, encostando-se na porta e cruzando os braços.
— Manu, por favor, me desculpa... eu só queria sair um pouco, você sempre me controla tanto... — Eduarda começou a chorar, aproximando-se dele com passos vacilantes. Ela tentou abraçá-lo, escondendo o rosto em seu peito. — Eu sou sua menina carinhosa, não sou? Não fica bravo comigo...
Emanuel a afastou, segurando-a pelos ombros para que ela o encarasse.
— Você é minha namorada, Eduarda. E você me desobedeceu deliberadamente. Você mentiu para mim, deixou o celular em casa para eu não te achar e foi para um lugar onde eu disse que você não deveria ir. Você tem ideia do que poderia ter acontecido?
— Eu sei me cuidar! — ela disparou, um lampejo raro de rebeldia brilhando em seus olhos.
Emanuel deu um sorriso curto e sem humor.
— Sabe? Você mal consegue lidar com a pressão de uma conversa difícil sem chorar, Eduarda. Você é doce, é sensível, e é por isso que eu te protejo. Mas se você quer brincar de ser adulta e independente, então vai ter que arcar com as consequências de agir como uma criança teimosa.
Ele a guiou até a frente do grande espelho de moldura dourada.
— Olha para você — ele sussurrou, ficando atrás dela. — Olha para esse vestido que você comprou escondida. Olha para esse tremor nas suas mãos. Você está morrendo de medo, não está?
— Estou... — ela admitiu em um fio de voz.
— Ótimo. O medo é o começo da sabedoria — Emanuel deslizou as mãos pelas laterais do corpo dela, parando na cintura. — Eu te dou tudo, Eduarda. Eu te dou paz, eu te dou segurança, eu te dou amor. Em troca, eu só peço lealdade e obediência. Você quebrou o acordo.
— O que você vai fazer? — Ela o olhou pelo reflexo, os olhos suplicantes.
— Vou te mostrar quem é o homem que manda nessa relação. Vou te mostrar que a sua manha não funciona quando você decide me desafiar.
Emanuel a virou de frente para ele e, com um movimento rápido, a colocou sentada sobre a cômoda de madeira, derrubando alguns de seus perfumes caros. Eduarda soltou um pequeno grito de surpresa.
— Manu, você está me assustando...
— Bom — ele disse, abrindo os primeiros botões de sua própria camisa, revelando o início das tatuagens que subiam pelo seu peito. — Talvez assim você aprenda a ouvir.
Ele a silenciou com um beijo que não tinha nada de carinhoso. Era um beijo de posse, de autoridade, que exigia submissão. Eduarda tentou resistir por alguns segundos, mas seu corpo, traidor e carente, amoleceu contra o dele. Ela soltou um gemido abafado, as mãos subindo para os cabelos curtos de Emanuel.
Ele se afastou apenas o suficiente para olhar no fundo dos olhos dela.
— Você vai morar aqui, Eduarda. A partir de amanhã. Chega de morar com os seus pais, chega de desculpas de que "não está pronta". Se você tem idade para ir a boates escondida, tem idade para assumir seu lugar na minha casa, sob os meus olhos, vinte e quatro horas por dia.
— Mas Manu... meus pais...
— Eu já falei com eles — Emanuel mentiu com uma confiança absoluta, sabendo que os pais dela, modernos e fãs de seu sucesso, não ofereceriam resistência real. — Ou você aceita isso agora, ou eu apago o meu número da sua vida e você pode ser "independente" o quanto quiser. É isso que você quer?
Eduarda sentiu um pânico gelado. A ideia de perder Emanuel, seu porto seguro, seu protetor, era insuportável. Ela se inclinou para frente, abraçando o pescoço dele com força, as pernas se entrelaçando na cintura dele.
— Não! Não, por favor... eu não quero ir embora. Eu moro aqui, eu faço o que você quiser... só não me deixa.
— Então peça — ele ordenou, a voz rouca, as mãos apertando as coxas dela. — Peça para eu ser seu dono. Peça para eu nunca mais te deixar sair da minha vista.
— Por favor... seja meu dono, Manu... cuida de mim... eu prometo ser boa — ela soluçava, a manha voltando com força total, buscando o perdão através da entrega.
Emanuel sorriu. O controle havia sido restaurado. Ele a pegou no colo e a levou para a cama, onde a noite prosseguiu com uma intensidade que Eduarda nunca esqueceria. Ele foi firme, ele foi exigente, e ele marcou em sua mente — e em seu corpo — que cada ato de rebeldia teria um preço alto, mas que o retorno para os braços dele seria sempre o lugar mais seguro do mundo.
Horas depois, Eduarda dormia profundamente, exausta, com a cabeça descansando no peito tatuado de Emanuel. Ele acariciava os cabelos castanhos dela, observando a expressão doce e serena que ela tinha quando estava submissa.
A porta do quarto se abriu silenciosamente. Sara entrou, usando apenas uma camisola de seda transparente, segurando duas taças de cristal.
— Ela aprendeu a lição? — Sara sussurrou, aproximando-se da cama e entregando uma taça a Emanuel.
Emanuel deu um gole no vinho, os olhos fixos na figura adormecida de Eduarda.
— Aprendeu. Ela se muda amanhã.
Sara sorriu, sentando-se na beira da cama e passando a mão pelos pés de Eduarda.
— Finalmente. Vai ser divertido ter a bonequinha aqui o tempo todo. Eu vou adorar ensinar a ela algumas coisas sobre como gerenciar o seu humor, Manu.
— Só não a estrague, Sara — Emanuel advertiu, embora houvesse um brilho de satisfação em seu olhar. — Eu a quero exatamente assim. Doce, manhosa e ciente de quem manda.
— Oh, eu sei — Sara se inclinou e beijou o ombro de Emanuel, antes de olhar para Eduarda com uma ponta de simpatia maliciosa. — Bem-vinda à gaiola de ouro, Duda. Você vai descobrir que o Emanuel é um mestre maravilhoso... desde que você nunca mais tente fugir.
Emanuel puxou Sara para um beijo rápido e possessivo, enquanto sua outra mão permanecia protetoramente sobre a cintura de Eduarda. Ele tinha tudo o que queria. Suas duas mulheres, seu controle absoluto e a certeza de que, naquela casa, sua palavra era a única lei que importava.
Lá fora, a chuva começou a cair sobre São Paulo, mas dentro da mansão, o clima era de uma paz conquistada através da força e da entrega. Eduarda se mexeu no sono, buscando o calor de Emanuel, e ele a apertou mais forte, um sorriso de triunfo brincando em seus lábios enquanto o silêncio da noite selava o destino do trio.