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Entre Batimentos e Diamantes

O sol da manhã entrava pelas janelas de vidro do estúdio de Emanuel, refletindo-se nas agulhas de aço e nos frascos de tinta, mas o pensamento do tatuador estava longe de qualquer desenho. Ele observava Sara, que estava sentada em sua mesa de mármore, balançando as pernas longas e bronzeadas enquanto abria uma pequena caixa de veludo azul.

— Emanuel! — Sara soltou um grito de alegria, fazendo seus seios, realçados pelo decote profundo da blusa de seda, saltarem levemente. — É a pulseira que eu vi naquela revista! Você é louco, meu amor!

Ela se levantou e pulou no colo dele, envolvendo-o com o cheiro inebriante de seu perfume importado e o calor de sua pele. Emanuel a segurou pela cintura, sentindo a firmeza das curvas que ele tanto amava. Sara era o seu fogo, a mulher que não tinha medo de pedir o que queria e que exibia a riqueza dele com o orgulho de uma rainha.

— Você merece, Sara — Emanuel disse, a voz rouca, enquanto ela depositava beijos vorazes em seu pescoço. — Quero que você tenha tudo do bom e do melhor. Se você gostou, é sua.

— Eu te amo tanto — ela murmurou, já admirando o brilho dos diamantes em seu pulso. — Valentina vai adorar brincar com isso quando crescer. Falando nisso, onde está aquela bailarina? Não tive notícias da Eduarda hoje.

O rosto de Emanuel se fechou instantaneamente. A menção a Eduarda trouxe de volta a preocupação que ele vinha tentando abafar desde a noite anterior.

— Ela não atende o telefone, Sara. A última mensagem que recebi foi ontem à noite. Ela disse que a Amélie não estava bem, que estava muito cansada e com a respiração pesada.

Sara parou de admirar a joia e olhou para o namorado. Apesar de sua aparência vulgar e de seu jeito expansivo, ela tinha um instinto aguçado. Ela não via Eduarda como uma rival, mas como uma extensão da família que eles estavam construindo. Uma peça delicada que precisava de polimento, mas que trazia uma doçura que equilibrava o caos da vida deles.

— Emanuel, vai atrás dela — Sara disse, agora com um tom sério, colocando as mãos nos ombros dele. — Você sabe que a Eduarda é desligada, ela se perde naquele mundinho de ballet e faculdade. Se a pequena está doente, ela deve estar em pânico. Aquela menina é um cristal, qualquer sopro ela quebra.

Emanuel assentiu, pegando as chaves do carro.

— Eu vou. Qualquer coisa, te ligo.

— Vá. E se precisar de algo, use o meu cartão ou o seu, não importa. Só traga notícias.

***

O ambiente do hospital era o oposto do luxo do estúdio de Emanuel. O cheiro de antisséptico e o barulho constante dos monitores faziam seus nervos vibrarem. Ele encontrou Eduarda em uma poltrona desconfortável na ala pediátrica. Ela parecia menor do que o normal, encolhida em um casaco de lã claro, com os cabelos castanhos presos em um coque desfeito e olheiras profundas marcando seu rosto delicado.

Amélie estava em um berço hospitalar, conectada a fios e a um monitor que bipava ritmicamente. A bebê, geralmente tão manhosa e doce, parecia pálida, quase transparente.

— Duda? — Emanuel chamou suavemente.

Eduarda deu um pulo, os olhos castanhos transbordando lágrimas no momento em que o viu. Ela se levantou tropeçando nas próprias pernas e se jogou nos braços dele, escondendo o rosto em seu peito.

— Emanuel... você veio — ela soluçou, o corpo tremendo contra o dele. — Eu tive tanto medo. Eu não queria te incomodar, eu sei que você estava com a Sara e com a Valentina, mas... mas a Amélie...

— Shhh, calma — ele murmurou, acariciando os cabelos dela, sentindo a fragilidade de seus ossos sob o casaco. — Eu estou aqui. Por que não me ligou de novo? O que os médicos disseram?

Eduarda se afastou apenas o suficiente para olhar para a filha, a voz saindo em um sussurro quebrado.

— Ela nasceu com uma má-formação, Emanuel. Uma cardiopatia congênita. O médico disse que é algo que precisamos monitorar de perto, mas ontem à noite ela começou a ficar roxa enquanto mamava. Eu entrei em pânico. Meus pais estão viajando para um congresso e eu me senti tão sozinha...

Emanuel sentiu uma pontada de culpa e uma onda de possessividade. Ele odiava saber que ela tinha passado por aquilo sem ele. O abandono que o pai biológico de Amélie causara a Eduarda ainda deixava cicatrizes expostas, e Emanuel estava determinado a fechá-las.

— Você nunca mais vai passar por isso sozinha, entendeu? — Ele segurou o rosto dela com as duas mãos, obrigando-a a olhar para ele. — Eu sou o homem da sua vida agora. Eu e a Sara cuidamos de você.

— Eu me sinto tão culpada — Eduarda disse, as lágrimas escorrendo livremente. — Eu deveria ter percebido antes, eu deveria ser uma mãe melhor...

— Pare com isso — Emanuel cortou, com firmeza. — Você é a melhor mãe que essa menina poderia ter. É doce, é dedicada. Isso é uma condição médica, não culpa sua.

Ele a conduziu de volta para a poltrona e sentou-se ao lado dela, deixando que ela se apoiasse em seu ombro. Eduarda, em sua natureza manhosa e carente de proteção, grudou-se a ele como se Emanuel fosse o único oxigênio disponível naquele quarto.

— A Sara... ela sabe que você está aqui? — perguntou Eduarda, timidamente.

— Foi ela quem me mandou vir — Emanuel respondeu, vendo o alívio cruzar o rosto da bailarina. — Ela está preocupada com você, Duda. Ela gosta de você, do jeito dela.

— Eu tenho medo de não ser o suficiente para vocês dois — ela confessou, a voz sumindo. — Vocês são tão fortes, tão decididos. Eu sou só... eu.

— Você é exatamente o que nos faltava — Emanuel disse, beijando o topo da cabeça dela. — Agora descanse um pouco. Eu vou falar com o cardiologista e garantir que a Amélie tenha os melhores especialistas do país. Dinheiro não é problema.

***

Horas depois, após uma conversa tensa com a equipe médica, Emanuel voltou ao quarto. Amélie estava acordada, mas quietinha, observando o mundo com aqueles olhos que eram idênticos aos de Eduarda. A bailarina estava cochilando, a cabeça pendida para o lado, a expressão de exaustão ainda presente.

O celular de Emanuel vibrou. Era uma foto enviada por Sara. Valentina estava com um laço gigante na cabeça, sentada no meio de várias sacolas de compras de marcas de luxo. A legenda dizia: "Comprei mimos para a nossa bailarina também. Como está a pequena?".

Emanuel sorriu e digitou rapidamente: "Amélie tem um problema no coração. Eduarda está destruída. Vou precisar ficar aqui mais um tempo".

A resposta de Sara foi imediata: "Diga a ela para ser forte. Vou preparar o quarto de hóspedes aqui em casa. Quando elas saírem do hospital, vêm para cá. Eu não vou deixar a Eduarda sozinha em um apartamento cuidando de um bebê doente. Eu assumo as rédeas".

Emanuel olhou para Eduarda, que despertava lentamente com o movimento dele.

— Duda? — ele chamou.

— Oi... eu dormi muito? — ela perguntou, esfregando os olhos, parecendo uma criança perdida.

— O suficiente. Escute, falei com a Sara. Quando a Amélie receber alta, vocês duas vão morar conosco por um tempo.

Eduarda arregalou os olhos, a insegurança brilhando novamente.

— O quê? Mas... eu não quero incomodar. A Sara tem o espaço dela, a Valentina...

— Não é um pedido, Eduarda — Emanuel disse, usando aquele tom de controle que não admitia discussões, mas que para ela soava como um abraço seguro. — Eu quero vocês sob o meu teto. Quero poder acordar e saber que a Amélie está respirando bem e que você não está chorando escondida em algum canto.

Eduarda abaixou o olhar, as mãos brincando com a barra do vestido de ballet que ainda usava por baixo do casaco.

— Você realmente quer isso? — ela sussurrou. — Ter nós duas? Uma mulher como a Sara, que é um furacão, e alguém como eu... que só sabe chorar e dançar?

Emanuel se inclinou e selou os lábios dela em um beijo calmo, profundo, que transmitia toda a estabilidade que ela tanto buscava.

— Eu quero o furacão para me desafiar e a calmaria para me curar — ele disse contra a boca dela. — E eu não vou abrir mão de nenhuma das duas.

Eduarda suspirou, entregando-se finalmente àquela realidade. Ela não entendia como um homem tão bruto e poderoso podia ser tão sensível às suas necessidades, nem como uma mulher tão extravagante como Sara podia ser tão generosa. Mas, ali, naquele quarto de hospital, com o coração de sua filha lutando para bater no ritmo certo, ela decidiu que pararia de tentar entender. Ela apenas sentiria.

— Obrigada, Emanuel — ela disse, puxando a mão dele para o seu rosto. — Por não me deixar cair.

— Eu nunca vou deixar você cair, bailarina. Agora, vamos cuidar da nossa menina.

Emanuel olhou para Amélie e depois para Eduarda. Ele sabia que a estrada seria difícil, que a saúde da bebê exigiria sacrifícios e que a dinâmica entre Sara e Eduarda ainda teria seus momentos de atrito, dada a diferença abismal de personalidades. Mas, enquanto ele tivesse o controle, enquanto pudesse mimar Sara com diamantes e proteger Eduarda com sua força, ele sentia que o seu mundo, por mais fora dos padrões que fosse, era o único lugar onde ele realmente queria estar.